Memórias do cárcere na Venezuela

3 de março de 2026 § Deixe um comentário

O venezuelano Javier Tarazona passou quatro anos e sete meses vivendo em um cativeiro que define como o “inferno”.

Ele deu uma entrevista à BBC News Mundo e narrou detalhes do período em que permaneceu detido em Helicoide, sede do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional, a mais cruel prisão da Venezuela, que foi desativada após a prisão de Maduro.

Ativista de direitos humanos e diretor da Fundaredes, Tarazona falou sobre os 1.675 dias que ficou recluso e descreveu os chamados “tigritos”, que são locais muito pequenos, escuros e sujos, uma espécie de jaula utilizada como cela de punição, onde os prisioneiros dormem no chão, convivem com ratos e baratas e fazem necessidade ali mesmo.

“É um lugar de cheiros nauseantes […] Nós tínhamos que nos revezar para conseguir descansar. Colocávamos uma espécie de colchonete, como um pedaço de papelão, para cobrir um buraco de esgoto enorme em um espaço muito pequeno”, contou.

Ele permaneceu ali por 46 dias e, de lá, foi transferido para uma cela maior, mas igualmente “nojenta, deprimente e nauseante”

“Nós fazíamos as nossas necessidades no mesmo lugar onde nos serviam a comida, em uma bandejinha de isopor, conhecida como Wendy’s [em referência à rede de fast food “, afirmou.

A BBC Brasil reproduziu os principais trechos do relato.


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