Acordo entre Mercosul e União Europeia: melhor ter do que não ter
10 de janeiro de 2026 § 2 Comentários


O acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, aprovado nessa sexta-feira em Bruxelas por maioria qualificada dos 27 Estados-membros – apesar da oposição de França, Polônia e Irlanda –, promete baratear produtos europeus no Brasil por meio de redução gradual de tarifas de importação, alcançando zero em 91% dos bens e 85% do valor importado em prazos de 4 a 15 anos.
Após mais de 25 anos de negociações, a assinatura do documento está prevista para acontecer no Paraguai no próximo dia 17 de janeiro.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, assinará o acordo, que também elimina tarifas europeias sobre 95% dos bens e 92% do valor do Mercosul em 4 a 12 anos, com impactos no consumidor final perceptíveis a longo prazo, como no chocolate, queijos e vinhos.
Segundo o ex-pesquisador da Embrapa, Evaristo de Miranda, o agronegócio do Brasil exportou US$ 23 bilhões em 2025 para a Europa, um mercado de 700 milhões de pessoas.
Para ele, as vantagens no curto prazo são pequenas, mas se ampliam com o tempo.
Além disso, o acordo abre um caminho de menos dependência de europeus e sul-americanos a países como a China no mercado global.
Para os europeus, também haverá vantagens: “Cerca de 60 mil empresas europeias que já exportam para o Mercosul; ela que vão ter de pagar 4 bilhões de euros a menos de impostos, o que significa competitividade e inovação”.
Produtos que ficarão mais baratos:
• Chocolate: tarifa atual entre 18% e 20%, chegará a zero entre 10 e 15 anos
• Azeite de oliva: tarifa atual 10%, chegará a zero em 10 anos
• Queijo: tarifa atual entre 16% e 28%, chegará a zero em 10 anos
• Fórmula infantil: tarifa atual entre 16% e 18%, chegará a zero em 10 anos
• Tomate: tarifa atual 14%, chegará a zero em 10 anos
• Leite em pó: tarifa atual 18%, chegará a zero em 10 anos
• Vinho e champanhe: tarifa atual 20% e 27%, chegará a zero em 10 anos
Mais vale um mau acordo do que uma boa demanda…
O multilateralismo econômico em fim de carreira, e para variar, tem gente chegando atrasado nessa festa. Coisa de retardatários.