A versão da Bloomberg sobre o que Joesley foi fazer na Venezuela

4 de dezembro de 2025 § 4 Comentários

Bilionário brasileiro viajou à Venezuela para pedir a renúncia de Maduro

Por Patricia Garip e Eric Martin

Joesley Batista, coproprietário de um vasto império empresarial liderado pela gigante de processamento de carne JBS NV, está discretamente se posicionando como um elo de ligação, tentando amenizar
as tensões políticas entre o governo Trump e o regime governante da Venezuela.

Batista viajou a Caracas na semana passada numa tentativa de persuadir o presidente Nicolás Maduro a atender ao apelo de Trump para renunciar e permitir uma transição pacífica de poder, segundo pessoas com conhecimento da viagem. Ele se encontrou com Maduro em 23 de novembro, dias depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, ter telefonado para o líder do país para instá-lo a deixar a Venezuela, segundo as pessoas, que pediram para não serem identificadas sem permissão para falar publicamente.

Funcionários do governo Trump estavam cientes dos planos de Batista de visitar Caracas e reforçar a mensagem do presidente, mas ele foi por iniciativa própria e não foi convidado a ir em nome dos EUA, de acordo com algumas pessoas familiarizadas com a viagem.

“Joesley Batista não é representante de nenhum governo”, disse a J&F SA, holding da família Batista, em um comunicado. A empresa não fez mais comentários.

A Casa Branca se recusou a comentar. Nem o Ministério da Informação da Venezuela nem o gabinete da vice-presidente Delcy Rodríguez responderam aos pedidos de comentários sobre a visita de Batista.

A viagem, que não havia sido noticiada anteriormente, representa a mais recente tentativa de amenizar as tensões depois que Trump ameaçou realizar ataques terrestres na Venezuela após meses de ataques letais contra supostos barcos de narcotráfico.

Os EUA afirmam que o regime de Maduro é ilegítimo, um grupo criminoso que fraudou as eleições do ano passado e facilita a exportação de cocaína da Colômbia, resultando em mortes de americanos.

O esforço de Batista para mediar com Maduro ocorreu após o deslocamento do maior destacamento militar dos EUA nas águas ao redor da América Latina em décadas, e mais de 20 ataques dos EUA contra supostos barcos de narcotráfico perto das costas da Venezuela e da Colômbia, que mataram mais de 80 pessoas. Trump reiterou na quarta-feira que os ataques em terra começarão muito em breve.

“Conhecemos todas as rotas, conhecemos todas as casas, sabemos onde eles fabricam”, disse Trump em um evento na Casa Branca.

Os esforços de Batista somam-se a várias tentativas de diálogo, incluindo as do enviado dos EUA, Richard Grenell, diplomatas do Catar e
investidores financeiros e petrolíferos com interesses na Venezuela. Embora as propostas variem quanto ao tempo que Maduro permaneceria no poder e se ele iria para o exílio, todas visam evitar uma escalada dos ataques que até agora têm sido travados em águas internacionais.

O secretário de Estado Marco Rubio, em entrevista transmitida esta semana, lançou dúvidas sobre a possibilidade de os EUA negociarem um acordo com Maduro para que ele interrompa o tráfico de drogas, afirmando que o líder venezuelano descumpriu repetidamente compromissos ao longo dos anos. Rubio disse que ainda vale a pena tentar chegar a um acordo.

Batista tem o perfil perfeito para fazer a ponte com Maduro. Ele é uma figura rara com bons relacionamentos tanto com Trump quanto com o regime de Maduro.

A JBS é proprietária da produtora de frango Pilgrim’s Pride Corp., com sede no Colorado, que doou US$ 5 milhões ao comitê de posse de Trump, a maior doação individual. A JBS obteve este ano a aprovação da Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) para listar suas ações em Nova York, superando a forte oposição de grupos ambientalistas e investidores de defesa de direitos devido a preocupações com escândalos de suborno envolvendo os irmãos Batista e o suposto papel da empresa no desmatamento da Amazônia impulsionado pela pecuária.

Batista se reuniu com Trump no início deste ano para defender a remoção das tarifas sobre a carne bovina e uma reaproximação com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, após um conflito sobre o processo contra seu antecessor e aliado de Trump, Jair Bolsonaro.

A JBS é a maior fornecedora de carne do mundo e tem mais de 70.000 funcionários nos EUA e no Canadá.

Os laços da família Batista com a Venezuela remontam a pelo menos uma década. A JBS e Maduro negociaram, anos atrás, um acordo de US$ 2,1 bilhões para fornecer carne e frango à Venezuela em um momento em que o país enfrentava grave escassez de alimentos e hiperinflação.

O contrato foi facilitado pelo político socialista linha-dura venezuelano
e atual Ministro do Interior, Diosdado Cabello.

Maduro governa a Venezuela com crescente repressão desde 2013, resistindo às sanções petrolíferas impostas por Trump em janeiro de 2019, durante seu primeiro mandato.

A J&F possui produção de petróleo na Argentina. A empresa havia considerado investir em uma joint venture petrolífera venezuelana centrada em ativos que pertenciam à ConocoPhillips e foram confiscados pelo governo do antecessor e patrono de Maduro, Hugo Chávez, em uma
onda de nacionalizações em 2007.

Batista tem se envolvido cada vez mais com os círculos de poder desde que ajudou a transformar o açougue fundado por seu pai na década de 1950 no maior produtor de carne do mundo — com a ajuda crucial do Banco de Desenvolvimento Econômico e Social do Brasil durante os governos anteriores de Lula. A empresa se tornou a maior doadora para campanhas políticas no Brasil em 2014, quando a sucessora de Lula, a presidente Dilma Rousseff, foi reeleita.

Anos depois, Batista admitiu ter subornado centenas de políticos — incluindo um ministro da Fazenda — em troca de financiamento de bancos estatais e fundos de pensão. Em 2017, ele gravou uma reunião extraoficial com o presidente Michel Temer como parte de um acordo de delação premiada com as autoridades brasileiras em troca de imunidade. O escândalo abalou o país e desencadeou uma das maiores quedas da bolsa de valores na história moderna do Brasil — um dia que posteriormente ficou conhecido como “Dia de Joesley”.

O governo Trump continuou sua abordagem agressiva em relação à Venezuela. Designou o Cartel de los Soles, uma organização de narcotráfico supostamente chefiada por Maduro e altos funcionários venezuelanos, como uma organização terrorista estrangeira no dia seguinte à visita de Batista a Caracas, aumentando a pressão.


§ 4 Respostas para A versão da Bloomberg sobre o que Joesley foi fazer na Venezuela

  • gracefullyf6aa39b6a3 disse:

    Esse Joesley vai longe…
    É amigo de lula, de Maduro, de Trump, está se aproximando do continente asiático, ao comprar tilápia no Vietnam, depois de Xi Jinping, vai conquistar Putin e, através deste, vai se solidarizar com Kim, na Coreia do Norte.
    Será que são os prazeres da carne?…

  • Evol 1 disse:

    Clube master da pilantragem em ação. É sabido que os EUA tem grande aparato de inteligência, coisa e tal. Mas é bom se preparar para lidar com gente do naipe do ex açougueiro. Definitivamente não é coisa para principiantes não.

  • Maristela Sorensen disse:

    O esgoto que lameia todos governo, mercenários, políticos, usp, OAB, grupo prerrogativas e muito mais, está cada vez muito maior e invadindo o Brasil!

  • Motivação disse:

    Tudo negócios e negócios nao importa comquem, nao ha mais etica ou escrúpulos de todos os lados

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