Como a operação contra o Grupo Refit beneficia Lula e mina o centrão
29 de novembro de 2025 § 2 Comentários


Com o governo cercado como nunca por inimigos no Congresso, aí está, no melhor estilo “para os amigos tudo, para os inimigos a lei” de Pai Getúlio, a Operação Poço de Lobato contra o Grupo Refit de Ricardo Magro, dono da antiga refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro, desencadeada agora e só agora pela ditadura lulista.
Deflagrada nesta semana e unindo MP, Receita e polícias, a ação investiga sonegação de R$ 26 bilhões em ICMS no setor de combustíveis, com 126 mandados de busca em seis estados e DF, bloqueio de R$ 10 bilhões em bens e apreensões de R$ 2 milhões em espécie.
Segundo o MP, a empresa, que também é investigada por lavagem de dinheiro e organização criminosa, integra uma complexa estrutura empresarial que vem fraudando ha anos o pagamento de ICMS e movimentando recursos por meio de mecanismos de blindagem patrimonial.
Sim, a Refit é, desde sempre, a maior sonegadora do país, mas, o que ficou claro desde o inicio da mobilização é que, por trás de toda a legitimidade da operação, há interesses políticos e eleitorais de Lula, Haddad e cia, em guerra com o presidente da Câmara, Hugo Motta, para deflagra-la somente agora.
De acordo com a decisão da juíza Márcia Mayumi Okoda Oshiro, da 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da capital, que autorizou as ações, a Refit deve 9,8 bilhões de reais em ICMS ao governo de São Paulo e “se beneficia diretamente do não recolhimento do ICMS, criando um ‘abismo fiscal’ que lhe confere vantagem incalculável sobre a concorrência”.
No Rio de Janeiro, o cenário é similar. Segundo a PGE-RJ, a dívida da Refit com o Estado era de R$ 10,9 bilhões em março.

As investigações, que começaram em 2018 e se intesificaram nos últimos cinco anos, apuram importações fraudulentas de R$ 32 bi em nafta, diesel e hidrocarbonetos via empresas interpostas, declaração falsa de produtos prontos como “derivados de petróleo” para reduzir tributos, aditivos não autorizados e ocultação de lucros em offshores/fundos, movimentando mais R$ 70 bilhões por ano desde portos até postos.
Uma bagunça que começou lá atrás, em 2008, no segundo governo Lula, quando a Grandiflorum, por meio do Grupo Andrade Magro, adquiriu a Refinaria de Manguinhos, que era uma empresa de capital aberto na época controlada pela argentina Repsol YPF até sua venda – a transação envolveu uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) de ações.
Até dezembro de 2009, a empresa tinha como principal executivo o petista Marcelo Sereno, que foi assessor de José Dirceu na Casa Civil.
O período em que ele presidiu a refinaria coincide com a fase em que o grupo empresarial passou a colecionar decisões favoráveis na ANP.
De lá para cá, as relações do PT/ANP com a Refit se inverteram e azedaram.
Hoje, existe uma disputa judicial da Refit contra fiscalização da Agência Nacional do Petróleo, que interditou a refinaria em setembro.
Segundo mostrou uma série de reportagens do site o Bastidor (neste link), com base em documentos internos e relatos reservados de servidores convocados ao caso, a interdição foi interpretada como uma ação de governo, coordenada entre Fazenda, Receita, Alexandre Silveira, das Minas e Energia, e a ANP.
A investigação revela que uma das principais áreas técnicas envolvidas na ação – a Superintendência de Biocombustíveis e Qualidade de Produtos, conhecida como SBQ – era chefiada por um servidor que acaba de virar diretor do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás.

O IBP, como é chamado esse instituto, é mantido por empresas como Petrobras, Ipiranga e Raízen, concorrentes da Refit.
Ou seja, há evidências de irregularidades e ilegalidades nas ações do governo Lula e da ANP.
E agora o grupo e sua refinaria interditada se tornam munição política do governo.
Na capital federal, revela uma matéria do Estadão assinada por Raquel Landim (neste link), a percepção é a de que a operação vai trazer dois benefícios para o governo Lula: um aumento da arrecadação formal e secar uma fonte importante de recursos de caixa 2 para os políticos do Centrão.
De acordo com a reportagem, circulam informações em Brasília de possíveis delações premiadas de figuras-chave de esquemas agora desbaratados, incluindo a Operação Carbono Oculto – talvez uma espécie de “Lava Jato do Centrão”.
Os principais alvos do governo participaram em maio de um seminário da revista Veja em Nova York patrocinado por Magro, agora isolado e uma figura tóxica.
Estavam lá Hugo Motta, presidente da Câmara, Ciro Nogueira, presidente do PP, e Cláudio Castro, governador do Rio, além de Luís Roberto Barroso, ex-STF.
Tarcísio de Freitas cancelou sua participação ao saber do apoio do Grupo Refit.
Na esteira do escândalo, Ciro Nogueira apresentou emendas para travar por 8 anos o PL do devedor contumaz no Senado – aprovado após Operação Carbono Oculto – que agora, após 3 meses parado na Câmara, ganhou relator.
Jonathas Assunção, que foi o número 2 do senador Ciro Nogueira (PP-PI) na Casa Civil durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), foi um dos alvos da operação Poço de Lobato.
O Grupo Refit, que está em recuperação judicial, acumula dívidas bilionárias, e faz parte do que se está chamando “devedores contumazes”.
Esses devedores são o centro de um PLP (Projeto de Lei Complementar) que tramita no Congresso.
O PLP nº 125, de 2022, foi aprovado no Senado em 2 de setembro e estava parado na Câmara.
Logo depois da operação dessa semana, o presidente da Casa, Hugo Motta, designou Antonio Carlos Rodrigues (PL-SP) para a relatoria do projeto.
No texto aprovado pelo Senado, torna-se devedor contumaz aquele que acumula uma dívida superior a R$ 15 milhões sem justificativa.
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