Cotado ao STF, ‘Bessias’ ignorou alerta sobre sindicato do irmão de Lula

18 de novembro de 2025 § 2 Comentários

Cotado para ser ministro do STF, cargo que exige “reputação ilibada”, além de “notório saber jurídico”, o advogado-geral da União, Jorge Messias, mais conhecido como “Bessias”, deixou de incluir o Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da Força Sindical (Sindnapi-FS), onde atua Frei Chico, irmão de Lula, em um pedido de bloqueio judicial de R$ 2,5 bilhões contra entidades suspeitas de descontos ilegais em benefícios previdenciários.

Um relatório interno da AGU, elaborado por 63 procuradores na região Sul, havia identificado nove entidades com aumento expressivo de ações judiciais por cobranças não autorizadas, o que viria a ser conhecido como a farra do INSS, hoje investigada por uma CPMI no Congresso

O documento recomendava que, diante de irregularidades comprovadas, os convênios com o INSS fossem cancelados.

Apesar disso, na ação apresentada em maio de 2025, Messias excluiu seis das entidades listadas, entre elas o Sindnapi, e concentrou o bloqueio apenas em associações apontadas pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU) como suspeitas de serem de fachada ou de pagar propina.

A AGU justificou que o relatório tinha caráter administrativo e não servia como prova de fraude, ressaltando que sua função é de representação judicial e consultoria, não de polícia judiciária.

Os achados, segundo o órgão, foram encaminhados ao INSS e ao Judiciário para providências técnicas. O levantamento estava na cúpula da AGU desde setembro de 2024, mas não foi considerado por Messias ao despachar.

Entre as entidades citadas estavam também Conafer, Master Prev, Cobap, Unipab, Abamsp, AAPB, AP Brasil e Unaspub, algumas incluídas posteriormente na medida judicial.

O Sindnapi movimentou R$ 1,2 bilhão entre 2019 e junho de 2025, enquanto a Contag, também ligada ao PT e alvo da Polícia Federal, arrecadou R$ 3,4 bilhões no mesmo período.

Além dos alertas ignorados sobre convênios do INSS e o favorecimento ao irmão de Lula, Jorge Messias ficou famoso como “Bessias”, em episódio ocorrido em 2016 durante a Operação Lava Jato.

Na ocasião, a Polícia Federal havia divulgado áudios de conversas telefônicas interceptadas na Lava Jato.

No diálogo, a então presidente Dilma Rousseff disse a Lula que enviaria um documento de posse para que ele pudesse usar “em caso de necessidade”.

No áudio, Dilma afirma: “Estou mandando o ‘Bessias’ junto com o papel para a gente ter ele aí”.

O “Bessias” da conversa era Jorge Messias, então subchefe para assuntos jurídicos da Casa Civil.

Procuradores entenderam que o documento seria usado para dar foro privilegiado a Lula, caso fosse nomeado ministro da Casa Civil, protegendo-o de eventual prisão.

Desde então, Messias ganhou notoriedade como peça de manobra política do poderoso chefão Lula.

Embora não tenha sido acusado formalmente, sua “reputação ilibada” ficou marcada como símbolo da tentativa de blindagem de Lula, que acabou preso antes de ser descondenado por um STF aparelhado por ele mesmo.


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