O xadrez político em eleições com cara de plebiscito na Argentina
25 de outubro de 2025 § 2 Comments


A Argentina realiza amanhã eleições legislativas com cara de plebiscito.
Neste pleito de meio de mandato, 127 cadeiras da Câmara dos Deputados e 24 do Senado serão renovadas, impactando diretamente a maioria parlamentar e a capacidade do governo de aprovar sua agenda econômica.
Pesquisas indicam uma disputa acirrada entre o partido La Libertad Avanza, de Milei, e a coalizão peronista Fuerza Patria, mostrando um cenário polarizado.
A manutenção da agenda econômica de Milei depende do resultado nas urnas.
Hoje, o partido do presidente tem 74 cadeiras na Câmara e 13 no Senado, números que tornam difícil aprovar reformas estruturais.
Para consolidar poder, o governo precisa chegar a 86 deputados, o equivalente a um terço da Câmara, número mínimo para impedir que vetos presidenciais sejam derrubados.
Na prática, as eleições deste domingo representm um teste decisivo para o presidente libertário Javier Milei.

Além de denúncias de corrupção em família, perda de articulação com o Congresso e a demissão de um chanceler, o quadro econômico continua desafiador para Milei, especialmente pelo problema do “câmbio atrasado”, que gera distorções inflacionárias e ameaça a estabilidade financeira, exigindo negociações delicadas com o FMI, controle de reservas e política cambial ajustada para assegurar o crescimento sustentável.
O “câmbio atrasado” na Argentina é um fenômeno econômico que acontece quando a inflação do país cresce numa velocidade maior que a desvalorização da moeda local em relação ao dólar.
Isso significa que o peso argentino está artificialmente valorizado, fazendo com que os preços internos fiquem relativamente altos em comparação com o exterior.
Essa defasagem cria uma falsa sensação de riqueza para quem tem dólares, ao mesmo tempo em que prejudica a competitividade das exportações argentinas e favorece o aumento das importações.
O plano de Milei para conter a inflação depende de medidas impopulares, que reduzem o poder de compra da população, incluindo aprovação e manutenção de cortes de gastos públicos e atração de mais dólares ao país, para aumentar as reservas do Banco Central e pagar dívidas.
A Argentina firmou acordos bilionários com o FMI e, neste mês de outubro, obteve apoio de US$ 20 bilhões dos Estados Unidos num acordo de swap cambial em que os americanos compraram pesos argentinos e pagaram em dólares.
Trump tornou a dispontua ainda mais dramática. Ele condicionou o apoio financeiro à Argentina ao sucesso de Milei nas eleições. “Estamos aqui para te dar apoio nas próximas eleições. Se a Argentina vai bem, outros países a seguirão. Mas se não ganhar, não contará conosco. Se perder, não seremos generosos”, disse Trump.
Que os Céus olhem com bons olhos para esta nação irmã que já sofreu tanto quanto nós as agruras de (des)governos de esquerda, mas que ainda tem um operação de rescaldo difícil e desafiadora pela frente. Não basta ganhar a “Cadeira do Palácio” se não se garantir as maiorias legislativas para garantir a aprovação dos novos (e a certados) planos de governo. Já vimos este filme…
Impressionante. Um governo decente, precisa que todos façam sacrifícios para superar a crise e se torna impopular.
Na sequência, vem um governo corrupto que distribui dinheiro público com fisiologismos, paternalismos, clientelismos e assistencialismos e é aplaudido, mesmo enterrando a economia e promovendo a miséria.
Quando o povo vai aprender?