As delações de Carvajal e a relação entre o narcotráfico e o Foro de São Paulo

18 de outubro de 2025 § 2 Comentários

O ex-general venezuelano Hugo “El Pollo” Carvajal, preso nos Estados Unidos desde 2023, aceitou colaborar com a Justiça americana por meio de um acordo de delação premiada.

Carvajal foi chefe da inteligência militar durante os governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro e é acusado de envolvimento com narcotráfico e de chefiar uma rede chamada “Cartel de los Soles”, a mesma que colocou a cabeça do atual presidente da Venezuela a prêmio.

Em sua colaboração, ele revelou que o regime chavista financiou ilegalmente movimentos e líderes políticos de esquerda em diversos países da América Latina e da Europa, usando recursos da estatal petrolífera PDVSA para esses pagamentos.

Entre os beneficiados das transferências ilegais, segundo Carvajal, estão os presidentes Lula e Gustavo Petro (Colômbia), além dos ex-presidentes Néstor Kirchner (Argentina) e Evo Morales (Bolívia). Ele também citou partidos como Podemos, na Espanha, e Movimento Cinco Estrelas, na Itália.

A lista coincide com nomes de presidentes de esquerda que o Foro de São Paulo, fundado em 1990 por Lula e Fidel Castro, ajudou a eleger na América Latina nas últimas duas décadas.

A lista de aliados do Foro ainda inclui Hugo Chávez e Nicolás Maduro, além de Rafael Correa (Equador), Tabaré Vázquez e José Mujica (Uruguai), Daniel Ortega (Nicarágua), Michelle Bachelet (Chile) e Salvador Sánchez Cerén (El Salvador).

A delação de “El Pollo” abre caminho para que se investigue se a aliança entre os políticos de esquerda da América Latina é meramente ideológica ou se eles efetivamente pertencem ou dão apoio direto aos carteis que atuam e financiam governos nos respectivos países, como Farcs, Cartel del Los Soles e PCC.

Coincidência ou não, na reunião 2019, realizada em Caracas, o 25º Foro de São Paulo reforçou a defesa da soberania da Venezuela e repudiou ameaças militares dos Estados Unidos: “Fazemos um chamado à promoção da mais ampla solidariedade global em defesa da soberania e autodeterminação do povo venezuelano e seu direito de viver em paz”.

Em sua denúncia, Carvajal citou, por exemplo, que o regime de Chávez organizou dezenas de voos com dinheiro vivo para financiar campanhas políticas, incluindo a da ex-presidente argentina Cristina Kirchner. Ele afirmou que esses financiamentos ocorreram pelo menos durante 15 anos, enfatizando a extensão da rede.

No Brasil, doações ilegais de regimes estrangeiros configuram crime previsto no artigo 350 do Código Penal, com penas que podem chegar a quatro anos de prisão.

A legislação brasileira proíbe expressamente doações internacionais a campanhas políticas, e autoridades afirmam que o suposto recebimento desses recursos pode resultar em investigações e processos criminais.

No contrafluxo do dinheiro, o que se sabe é que os membros do Foro de São Paulo se retroalimentavam. Se as denúncias de Carvajal mostram o dinheiro indo da Venezuela para outros países, as delações da Lava Jato revelaram o caminho inverso, do Brasil para a Venezuela.

A Odebrecht liderava um cartel de empreiteiras que participavam de um esquema da Petrobras de desvio de dinheiro, envolvidas em crimes de lavagem de dinheiro e pagamento de propina a partir de contas no exterior.

Pelas investigações, o dinheiro saia do BNDES para financiar obras da Odebrecht (que chegou a assinar acordo de leniência de R$ 2,7 bilhões por corrupção na Petrobrás) e outras integrantes do clube vip do petrolão no exterior e estas empresas bancavam caixa 2 de companha de candidatos aliados do Foro de São Paulo, inclusive a Venezuela.

A mesma Odebrecht que ganhou o novo nome Novonor em 2020 e detém (por meio de sua holding NSP Investimentos) o controle acionário da Braskem, maior petroquímica da América Latina, que faturou R$ 77 bilhões em 2024.

Mônica Moura, casada com o então marketeiro do PT João Santana, deu detalhes neste depoimento à Lava Jato.

Os EUA estão fechando o cerco contra Maduro. Trump já anunciou operações secretas da CIA na Venezuela e admitiu a possibilidade de uma intervenção terrestre, além de já ter enviado aviões e navios para a região. 

O objetivo é combater o que a Venezuela se tornou, um narcoestado, como já admitiu Leamsy Salazar, ex-guarda costa de Hugo Chavez e depois de Diosdado Cabello. Segundo ele, o país é responsável por até 90% do escoamento da cocaína colombiana, algo que a Nobel da Paz, María Colina Machado, vem alertado em todas as entrevistas que deu depois do prêmio.


§ 2 Respostas para As delações de Carvajal e a relação entre o narcotráfico e o Foro de São Paulo

  • Evol 1 disse:

    Essa boa nova é das mais importantes e aguardadas. Que venga el toro.

  • Maristela Sorensen disse:

    São tantas ilegalidades e escândalos de lula e seus corruptos que parece que é só mais uma , e a blindagem é tão grande do Judiciário do PT, que já fica normal.

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