A decisão que precisa ser tomada
9 de setembro de 2025 § 2 Comentários

O que mais dói no caso brasileiro é que o golpe que Alexandre de Moraes e a ditadura lulista nos estão aplicando é velho como a humanidade e a fórmula que funcionou para repudiá-lo está pronta e consagrada ha quase meio milênio!
Como 213 milhões de otários, nós estamos caindo no conto mais velho do mundo.

Quem frequenta o Vespeiro conhece a história do meu herói predileto, o juiz supremo da Inglaterra, Edward Coke, e do que eu chamo sempre do “ato de fundação da democracia moderna” que ele protagonizou em 1605 (que quem não conhece ainda pode retomar neste link).
O golpe que instala o absolutismo monárquico na Europa Continental começa pela substituição da common law, a lei comum baseada nos julgamentos do júri, constituído pelo povo, em processos apenas supervisionados por juízes encarregados de fazer cumprir o rito, pelo julgamento dos juízes, postos o povo e as tradições de lado, armados de uma suspeitíssima “versão nova” de um “direito romano” que pouco tinha a ver com o original, arquitetada nas universidades patrocinadas pelos reis, para distribuir sentenças que tornassem absoluto o poder deles.

Só na velha Inglaterra, que era ilha geográfica e culturalmente falando, sobrevivia a justiça do povo que tinha sido a da Europa inteira, o nosso Portugal inclusive, no momento em que, com a morte sem herdeiros de Elizabeth I, dos Tudor, em 1603, subia ao trono James, o primeiro Stuart, com a consequente desestruturação de todo o establishment criado e sustentado pela dinastia anterior.
Essa é a deixa para que James I tente dar o mesmo golpe que Alexandre de Moraes e companhia estão dando hoje no Brasil, sobre o direito estabelecido desde sempre, consolidado, àquela altura, por 300 anos de registros de todos os julgamentos havidos na ilha, compilados desde 1300.
Inventando cortes que nunca tinham existido, crimes que nunca tinham sido crimes e julgamentos falsos supervisionados pela Igreja e não pela lei, James foi relegando a um canto as cortes de Common Pleas e o Poder Judiciário chefiado por Edward Coke como um todo, até que chegou o momento do confronto final.

Ameaçados de morte, os juízes estavam todos acovardados e prontos a ceder quando Coke atalhou a discussão:
“Vossa majestade, em toda a sua glória, está acima de todos os homens. Mas está também ‘under God’ e ‘under the law’. E se assim não for, jamais haverá paz”.
Significando o “under God”, que os fatos – tudo que de fato aconteceu – está no passado e pertence a Deus; não pode ser modificado pela “narrativa” que deles venha a fazer quem quer que seja, mesmo o rei; e significando o “under the law”, que a Justiça teria de ser prestada pela reconstituição dos fatos, única base da verdade; pelo enquadramento desses fatos, se crime houvesse, na definição de crime que sempre foi dada para cada crime; e pela punição de cada crime com a mesma pena que sempre foi prescrita para aquele crime, independentemente da posição de quem o cometesse, “ou jamais haveria paz”.

Não foi uma briga fácil, nem custou barato para os envolvidos. Mas com o Parlamento, eleito pelo povo, se alinhando à causa de Coke, a Inglaterra chegou lá, e em 1680 o Parlamento deles já tinha, sobre o rei e sobre tudo o mais que dissesse respeito ao povo, os mesmos poderes que tem até hoje.
De 16015 para cá a realidade, aquilo que de fato aconteceu, continua em toda a parte, inclusive neste Brasil de ponta cabeça, como sempre foi e eternamente será, “under God”: imutável, na sua realidade, pela simples sobreposição de uma mentira. Os juízes e reizinhos da hora é que não estão mais “under the law”…
A sentença desse julgamento que se auto-denuncia como farsa desde o nome que adota – tem de ser “trama” porque não aconteceu, e o que não aconteceu não pode ser julgado como crime por nenhuma lei civilizada, inclusive a que existia no Brasil quando ainda guardava traços de civilização – foi dada, na verdade, lá em 2018, quando a direita tolerada cometeu o imperdoável crime que a tornou “extrema” e a condenou à morte, que foi o de, pela primeira vez desde 1985, ter sido eleita pelo povo.
Desde então foi posta em marcha a “solução final” do extermínio sistemático de qualquer resistência à hegemonia da minoria sobre a maioria no Brasil dos últimos 525 anos, pela tortura do seu protagonista acidental, que nunca mais parou, e hoje teve acesa a pira onde será queimado vivo, não propriamente para castigá-lo e calá-lo pelo que não fez, mas para aterrorizar quem pense em tentar desafiar O Sistema em eleições futuras.
Nós, os que fugimos para a América errada, sonhávamos em ser uns Estados Unidos um dia, chegamos a pensar que já éramos quase uma Europa, mas estamos sendo oficialmente comunicados hoje que o sonho de um Brasil democrático, produto da civilização ocidental e tão distantes quanto sempre estivemos da barbárie asiática, acabou.
O que tem permitido o divórcio litigioso entre o Brasil Real e o Brasil Oficial, apesar da esmagadora desproporção entre a força de um e o completo ostracismo do outro retratada nas manifestações de domingo é, mais que tudo, um desajuste no timing em que se vêm desenrolando as reações de um às ações do outro.
O Brasil Real está preso na armadilha da censura. Acostumou-se com ela. Mais que isso, incorporou-a organicamente, como queria Gramsci.
Com a ocupação completa da imprensa tradicional antes que a nova, ainda em embrião na internet, tenha visto a luz completamente, esse Brasil reage ao que lhe dizem e não ao que de fato acontece.
Aos poucos, nesta transição entre o que já foi e o que esta prestes a se tornar, o país foi caindo em pleno teatro do absurdo. A imprensa contra, para não ser censurada, e a imprensa a favor para censurar, falam de um mundo em que não estamos mais como se ainda estivéssemos nele.
Como para falar do assunto sem ser censurado é preciso tomar ditadura por democracia e as práticas democráticas por “atentado violento e até armado (!) contra a democracia”, os jornais e televisões chamam juristas da ordem jurídica anulada pelo golpe que está havendo para comentar o golpe que não houve.

E como aqueles que, entre eles, se confessarem anulados, incorrerão na fúria do Grande Tuchaua da tribo do STF, a esmagadora maioria deles não confessa que anulados estão, e corrobora a farsa.
E lá ficam os pobres espectadores brasileiros, previamente trabalhados por 40 anos de “educação” aparelhada pelo lulismo, bombardeados dia após dia, semana após semana, ano após ano, por “especialistas” na versão oficial a teorizar a respeito de ritos e leis que não existem mais e a avaliar puros atos de violência com as lentes da técnica processual.
Uma descrição detalhada do que Eduardo Tagiaferro, o heroico executivo-chefe da fábrica de provas falsas de Alexandre de Moraes, contou ao país sobre como foram fabricadas as que condenaram os “golpistas” da “trama”, vale mais que duas mil avaliações técnico-jurídicas de cada ato do STF, segundo as leis que não existem mais porque o STF as anulou.

A existência de Eduardo Tagliaferro e o que Eduardo Tagliaferro vem contando ao país com todas as provas que faltam à versão contrária, foi censurado por toda a imprensa podre e não é do conhecimento do público em geral.
Mas pior que isso é constatar que nada do que ele mostrou é divulgado e afirmado claramente, e com o contundência que tem, no discurso dos porta-vozes da resistência!
O nome de Eduardo Tagliaferro não foi mencionado nem sequer pelos advogados de defesa das vitimas dessa falcatrua. Não foi mencionado uma vez sequer, nem mesmo nos discursos do 7 de setembro…
Também não ha consciência clara de para onde estamos sendo levados.
O Brasil foi virando a China sem se dar conta.
Continua com uma estética americana mas a esmagadora maioria de sua população – exceção feita à nomenklatura estatal e aos seus caronas da classe média meritocrática, agora condenada à extinção – tem vivido num regime politico quase chinês, à mercê do estado sem limites – representando o crime hiper-organizado – e do filhote dele – o crime organizado – sem nenhum direito individual, inclusive o à vida, e na mais plena e absoluta insegurança material, física e moral.
O STF, Lula, ninguém do lado de la, que se restringe basicamente a pouco mais que eles, enfim, quer o apaziguamento do país porque para eles a estrada não tem mais volta. Para eles a ditadura tem de ir ate o fechamento final – que de resto é o que Lula promete todos os dias – ou é a morte.
Não é preciso explicar para os brasileiros que Lula está nos empurrando para a China. Todo mundo está vendo isso. Basta descrever para os brasileiros – todos os dias e com as cores mais vívidas possíveis – o que é ser chinês hoje.
Mas esse tema, apesar de todos os acordos já assinados entre a China e as instituições lulistas do STF para baixo – outro dado de que pouquíssimos brasileiros se dão conta – não entra nem lateralmente no debate nacional.

Tudo isso junto é que cria a sinuca de bico em que Tarcísio de Freitas está preso. Desconsiderada a realidade inteira e descartados todos os dados que denunciam a trapaça lulista como tal, toda a questão fica reduzida à lealdade ou não à pessoa de Jair, e aos voos das vaidades flamejantes dos diversos membros da família Bolsonaro.
Me deixem parafrasear Camões:
Que cesse tudo que a musa antiga canta,
Que outro valor mais alto se alevanta.
À família Bolsonaro, com que todos os seres humanos decentes são solidários, recomenda-se muito Rivotril nesta hora. As emoções são gigantes e são justificáveis, mas agora, na sua hora mais extrema, o que o Brasil precisa é de altivez e sacrifício e não de chororô ou, muito menos, de gritaria.

A politica é sempre o jogo das alternativas possíveis. Bolsonaro tem direito ao seu pleito de candidatura? Claro que tem. Mas o caso da democracia brasileira é que ela está em estado terminal e acometida de gangrena. A discussão do momento não é mais sobre o direito que todo mundo tem de manter obstinadamente todos os membros com que deus nos fez nascer; é da opção entre amputar o membro comprometido para manter vivo o resto do corpo, aqui e agora.
O Brasil da resistência democrática precisa encarar essa decisão, e passar a discutir esta equação com todos os fatores que a compõem, a começar pelo do risco iminente de morte, E JÁ.
Dispersar forças em firulas ideológicas neste momento não é só burrice e obtusidade politica. É de uma irresponsabilidade insana que está muito perto de custar a derradeira chance de salvar a vida da democracia brasileira, mutilada como sair disto, se sair, mas viva para reaprender a andar lá pra frente.
O achinezamento final do Brasil, que está a um passo desse abismo, não tem volta para todo o sempre. E não ha Donald Trump que possa evitar isso, se os próprios brasileiros não mudarem a direção dos seus passos.

QUANDO UM BANDIDO TOMA O PALÁCIO, ELE NÃO SE TORNA REI, MAS É O PALÁCIO QUE SE TORNA UM COVIL…
Na verdade, não há lógica no absurdo que tentam nos enfiar goela abaixo.
Aceita-se como novo normal UMA FRAUDE CONTRA A NAÇÃO.
Aceita-se o deboche golpista pela ação vil de mercenários encarregados da institucionalização do crime de fraude contra o povo e ainda há os covardes, mais temerosos em perder vantagens e cargos do que em cumprir com honra, coragem e decência suas obrigações em favor do povo.
Ambos devem ser denunciados; uns como COMPARSAS e outros como CÚMPLICES e COVARDES.
Aceitar, portanto, que uma quadrilha dite leis inventadas por conveniência é, no mínimo, falta de responsabilidade e de caráter daqueles que deveriam defender a LEI e não aceitar a fraude, como se lei fosse.
Deve-se bradar em alto e bom som contra os desmandos que ocorrem levianamente, como se fossem atos oficiais, respeitáveis e legítimos.
Ou se destrói de vez esse cenário fraudulento de ilusões, engendrado pelas narrativas de bandidos golpistas e sustentado pelos capangas que lucram com tal encenação de horrores ou se acaba aplaudindo, como plateia obediente e cativa, o absurdo e a mentira como a nova e hegemônica realidade.
NÃO, NÃO É VERDADE. NÃO HÁ NOBREZA ALGUMA…
NÃO HÁ REI, NEM HÁ ROUPA NOVA. O FALSO REI ESTÁ NU.
PRENDAM E PUNAM O BANDIDO QUE SE PASSA POR REI.
PRENDAM E PUNAM OS CAPANGAS QUE SE FINGEM VASSALOS.
Brilhante texto, parabéns Fernão!