PCC x Fintechs: venda da Reag esbarra na falta de interesse do comprador

3 de setembro de 2025 § 2 Comentários

Em comunicado de mercado, a Reag Investimentos informou hoje que negociações com a Galapagos Capital para a venda de seu controle acionário “não foram adiante” por falta de interesse do comprador.

Suspeita de envolvimento com o PCC, a empresa, que até julho deste ano detinha R$ 341 bilhões em ativos sob sua gestão, foi atingida em cheio pelas megaoperações do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Federal da semana passada.

Segundo ranking da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), a Reag era a maior casa independente do país – só perdia para grandes bancos.

As operações mostraram que o crime se infiltrou na economia formal se valendo de postos de combustíveis, fintechs e fundos de investimento, envolvendo bilhões de reais em fraudes e lavagem de dinheiro.

No total, 200 mandados de busca e apreensão foram expedidos em dez estados brasileiros contra suspeitos de envolvimento com o PCC, que assumiu o controle de parte da cadeia produtiva da área de combustíveis.

Dos 350 alvos da operação, 42 têm escritórios na Avenida Faria Lima, o coração financeiro do país.

São empresas, gestoras, corretoras e fundos de investimentos avaliados em R$ 30 bilhões.

Segundo a polícia, o centro gravitacional do esquema é a fintech BK Bank, que teria movimentado R$ 46 bilhões de reais do crime em cinco anos.

Os cabeças escaparam

Apesar do gigantismo, as operações deixaram escapar dois nomes de peso ligados ao crime.

A PF diz que a lavagem de dinheiro era encabeçada por Mohamad Hussein Mourad, o Primo, e Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido pelo apelido Beto Louco, ambos empresários do setor de combustível de São Paulo.

Mohamad também é suspeito de ter ligações com o Hezbollah e pode ter se beneficiado dessa relação para fugir.

Outros nomes de peso orbitam as investigações, principalmente pela relação com a Reag.

O grupo Reage foi fundada por João Carlos Mansur e o CEO da Reag Investimentos é Dario Graziano Tanure, filho de Nelson Tanure.

Nelson Tanure e a Reag Investimentos mantêm uma relação antiga, atuando como parceiros de negócios em diversas operações. A Reag, por exemplo, gerencia fundos de investimento com posições no Grupo Pão de Açúcar (GPA), em uma empreitada que envolveu Nelson Tanure.

Além disso, é gestora de um fundo que tem como único investimento a empresa Coesa, que reúne ativos da empreiteira OAS.

Até o Corinthians está no rolo. A Reag é a administradora fiduciária do fundo responsável pelo capital da Arena Corinthians (Neo Química Arena).

Embora não haja indicação de que Eike Batista esteja envolvido na investigação do PCC, ele já teve sócios ligados a fundos administrados pela Reag.

As investigações estão no começo. Resta saber de que lado ficará a narrativa.


§ 2 Respostas para PCC x Fintechs: venda da Reag esbarra na falta de interesse do comprador

Deixe uma resposta

O que é isso?

Você está lendo no momento PCC x Fintechs: venda da Reag esbarra na falta de interesse do comprador no VESPEIRO.

Meta

Descubra mais sobre VESPEIRO

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo