Trump suspende ajuda e joga Ucrânia no colo de Putin
4 de março de 2025 § 2 Comentários

Trump anunciou a suspensão de toda a ajuda militar à Ucrânia na sequência do confronto final com Zelensky, ponto culminante de sua campanha persistente contra a Ucrânia e a Europa e veladamente a favor da reabilitação de Vladimir Putin.
O comunicado oficial, que traz ecos sinistros de Neville Chamberlain nas vésperas da 2ª Guerra Mundial, e acrescenta à atitude apenas passiva do ex-premier inglês, uma perigosa dose de proatividade, diz o seguinte:
“O presidente Trump deixou claro que está focado na paz. Precisamos que nossos parceiros também estejam focados nesse objetivo. Estamos suspendendo nossa ajuda para garantir que isso contribua para essa solução”.

Tenho visto muitos especialistas defenderem a existência da OTAN como necessária e afirmando que foi criada para fazer frente ao Pacto de Varsóvia. Na verdade, a OTAN foi criada em 1949, e o Pacto de Varsóvia em 1955, exatamente para fazer frente a OTAN, quando esta incorporou a Alemanha Ocidental, assustando o outro lado. Na visão do economista e analista político americano Jeffrey Sachs, esta guerra é o resultado de uma longa escalada de tensões entre a OTAN e a Rússia, iniciada pouco depois da queda do Muro de Berlim. Ele vê o conflito como uma reação às ameaças aos interesses estratégicos e à segurança nacional da Rússia, não como um projeto expansionista de Putin. Nos anos 60, os americanos instalaram mísseis na Turquia. A Rússia se sentiu ameaçada e decidiu instalar mísseis em Cuba, o que os americanos não aceitaram. A coisa foi resolvida cada a retirada dos mísseis da Turquia e a não instalação deles em Cuba. Simples assim. Sachs afirma que tudo começou em fevereiro de 1990, durante as negociações para a reunificação da Alemanha. Naquela ocasião, diversos líderes ocidentais, incluindo o então secretário de Estado americano James Baker, garantiram a Mikhail Gorbachev (o coveiro da União Soviética) que a OTAN não se expandiria “nem uma polegada para o leste” (“Not one inch eastward”), caso ele aceitasse a reunificação. A promessa foi quebrada. Nas décadas seguintes, os Estados Unidos adotaram uma agressiva política de ampliação da OTAN, deteriorando a relação entre a Rússia e a Europa Ocidental. Henry Kissinger, aliás, foi um dos que alertaram para os riscos dessa expansão. Em 1999, a aliança absorveu a Polônia, a Hungria e a República Tcheca, contrariando os interesses russos. Cinco anos depois, mais sete países foram incorporados à OTAN, incluindo os três Estados Bálticos estratégicos: Estônia, Letônia e Lituânia, antigas repúblicas soviéticas.Já em 2008, na Cúpula da OTAN em Bucareste, foi anunciada a meta de integrar a Ucrânia e a Geórgia à aliança militar, tornando o território russo ainda mais vulnerável militarmente. A “crise dos mísseis” dos anos 60 não serviram de lição. Essa declaração foi vista por Putin como uma ameaça direta à segurança da Rússia, e ele reagiu atacando militarmente a Geórgia. Em 2014, protestos populares em Kiev levaram à derrubada do então presidente ucraniano Viktor Yanukovych, um aliado de Putin. Até o início da guerra, o ator mais bem pago do mundo era Tom Cruise. Agora é Zelenski. Sachs afirma que os Estados Unidos e a União Europeia tiveram uma participação decisiva nesse episódio, apoiando grupos oposicionistas para derrubar o governo. Sete anos mais tarde, durante o Governo Biden, a Rússia exigiu garantias de que a Ucrânia não ingressaria na OTAN, mas os Estados Unidos rejeitaram a demanda, elevando ainda mais a temperatura. Quem pode ameaçar os EUA não é a Rússia, mas a China, e a Europa está sentada no colo dela.
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