Transcrição
23 de fevereiro de 2025 § 1 comentário
“Bem, obrigado, e obrigado a todos os delegados, estudiosos e profissionais da mídia aqui reunidos.
E obrigado especialmente aos anfitriões da Conferência de Segurança de Munique por serem capazes de montar um evento tão incrível. Estamos, é claro, emocionados por estar aqui. Estamos felizes por estar aqui.
E, você sabe, uma das coisas sobre as quais eu queria falar hoje é, claro, sobre nossos valores compartilhados.
E, você sabe, é ótimo estar de volta à Alemanha. Como você ouviu no discurso antes do meu, eu estive aqui no ano passado como senador dos Estados Unidos. Eu estive com o Ministro das Relações Exteriores — desculpe, o Secretário das Relações Exteriores David Lammy e brinquei que nós dois tínhamos, no ano passado, empregos diferentes dos que temos agora.
Mas agora é hora de todos os nossos países, de todos nós que tivemos a sorte de receber poder político de nossos respectivos povos, usá-lo sabiamente para melhorar as vidas deles.
Eu tive a sorte de passar algum tempo fora dos muros desta conferência nas últimas 24 horas, e fiquei muito impressionado com a hospitalidade das pessoas, mesmo, é claro, enquanto elas se recuperavam do terrível ataque de ontem.
E a primeira vez que estive em Munique foi com minha esposa, que está aqui comigo hoje, em uma viagem pessoal. E eu sempre gostei da cidade de Munique, e de seu povo.
E eu só quero dizer que estamos muito comovidos, e nossos pensamentos e orações estão com Munique e todos os afetados pelo mal infligido a esta linda comunidade (um atropelador tinha avançado sobre uma multidão dias antes). Estamos pensando em vocês, estamos rezando por vocês, e certamente estaremos torcendo por vocês nos próximos dias e semanas.
Agora — [aplausos] — obrigado. Espero que não seja o último aplauso que eu receba [risos], mas nós nos reunimos nesta conferência para discutir segurança. E normalmente, quando falamos disso nos referimos às ameaças à nossa segurança vindas de fora. Por isso vejo muitos grandes líderes militares reunidos aqui hoje.
Mas conquanto o governo Trump esteja muito preocupado com a segurança europeia e acredita que podemos chegar a um acordo razoável entre a Rússia e a Ucrânia, e que é importante que, nos próximos anos, a Europa se prontifique a prover sua própria defesa, a ameaça que mais me preocupa em relação à Europa não é a Rússia, não é a China, não é nenhum outro ator externo. O que me preocupa é a ameaça interna, o abandono, pela Europa, de alguns de seus valores mais fundamentais, compartilhados com os Estados Unidos da América.
Eu fiquei impressionado com um ex-comissário europeu que foi à televisão recentemente para se dizer encantado que o governo romeno tivesse acabado de anular uma eleição inteira. E ele alertou que, se as coisas não saíssem como planejado, a mesma coisa poderia acontecer na Alemanha também.
Esse tipo de declaração arrogante é chocantes para ouvidos americanos. A vida inteira nos disseram que tudo o que financiamos e apoiamos fora dos Estados Unidos é em nome da preservação de nossos valores democráticos compartilhados.
Tudo, desde nossa política na Ucrânia até a censura digital, é apresentado como uma defesa da democracia, mas quando vemos tribunais europeus cancelando eleições e altos funcionários ameaçando cancelar outras, devemos nos perguntar se é isso mesmo que estamos fazendo. E eu digo “nós mesmos” porque acredito fundamentalmente que estamos no mesmo time. Devemos fazer mais do que falar sobre valores democráticos. Nós devemos vivê-los.
Na memória viva de muitos de vocês nesta sala, a Guerra Fria consistiu na tomada de posição dos defensores da democracia contra forças muito mais tirânicas neste continente. Considere o lado, nessa luta, que censurou dissidentes, fechou igrejas e cancelou eleições. Eram eles os mocinhos?
Certamente não, e graças a Deus eles perderam a Guerra Fria. E perderam porque não valorizaram nem respeitaram todas as bênçãos extraordinárias da liberdade: a liberdade de surpreender, de cometer erros, de inventar, de construir.
A gente não pode impor inovação ou criatividade, assim como não pode forçar as pessoas a pensar, sentir ou acreditar. E acreditamos que essas coisas certamente estão conectadas.
Mas, infelizmente, quando olho para a Europa hoje, não fica tão claro o que aconteceu com alguns dos vencedores da Guerra Fria.
Olho para Bruxelas, onde os comissários da UE avisam os cidadãos que pretendem fechar as redes sociais durante períodos de agitação civil, no momento em que identificarem o que julgarem ser, abre aspas, “discurso de ódio”.
Ou aqui mesmo, na Alemanha, onde a polícia fez batidas contra cidadãos suspeitos de postar comentários antifeministas online a titulo de, abre aspas, “um dia de ação para combater a misoginia na internet”.
Olho para a Suécia, onde, há duas semanas, o governo condenou um ativista cristão por queimar uma edição do Alcorão, em protesto pelo assassinato de um amigo. E como o juiz desse caso observou assustadoramente, que as leis da Suécia para proteger a liberdade de expressão não concedem — e estou citando — “um passe livre para fazer ou dizer qualquer coisa que arrisque ofender o grupo que mantém uma crença”.
Talvez o caso mais preocupante – e olho para os nossos queridos amigos, o Reino Unido – onde o retrocesso dos direitos de consciência colocou na mira as liberdades básicas dos britânicos, a de religião em particular.
Há pouco mais de dois anos, o governo britânico acusou Adam Smith-Connor, um fisioterapeuta de 51 anos e veterano do exército, do “crime hediondo” de ficar orando silenciosamente por três minutos a 50 metros de uma clínica de aborto, sem obstruir ninguém, sem interagir com ninguém, apenas orando silenciosamente sozinho.
Um policial exigiu saber pelo que ele estava rezando. Adam respondeu, simplesmente, que era pelo filho não nascido que ele e sua ex-namorada haviam abortado anos antes.
Os policiais não se comoveram. Adam foi considerado culpado de violar a nova lei de “zonas de exclusão” do governo, que criminaliza a oração silenciosa e outras ações que podem “influenciar” a decisão de uma pessoa, a até 200 metros de uma clínica de aborto. Ele foi condenado a pagar milhares de libras em custas judiciais à promotoria.
Eu adoraria poder dizer que isso foi um acaso — um exemplo único e louco de uma lei mal escrita sendo imposta a uma única pessoa. Mas, não. Em outubro passado, apenas alguns meses atrás, o governo escocês começou a distribuir cartas aos cidadãos cujas casas ficavam dentro das chamadas “zonas de exclusão”, alertando-os de que até mesmo orações privadas dentro de suas próprias casas podem constituir uma violação da lei. E pedia aos destinatários dessas cartas que denunciassem quaisquer concidadãos suspeitos de crime de pensamento.
Na Grã-Bretanha e em toda a Europa, a liberdade de expressão está em declínio.
E no interesse da cortesia, meus amigos, mas também no interesse da verdade, admito que às vezes as vozes mais altas pela censura não vieram de dentro da Europa, mas de dentro do meu próprio país, onde a administração anterior ameaçou e intimidou as empresas de mídia social para censurar a chamada “desinformação”. “Desinformação” como, por exemplo, a de que o coronavírus provavelmente vazou de um laboratório na China. Nosso próprio governo encorajou empresas privadas a silenciar pessoas que ousaram dizer o que acabou sendo uma verdade óbvia.
Então, venho aqui hoje não apenas com uma observação, mas com uma oferta. Assim como o governo Biden parecia desesperado para silenciar as pessoas por falarem o que pensam, o governo Trump fará exatamente o oposto. E espero que possamos trabalhar juntos nisso.
Há um novo xerife em Washington. Sob a liderança de Donald Trump, nós poderemos discordar ou não das suas opiniões, mas lutaremos para defender seu direito de afirma-las na praça pública. [Aplausos.]
Nós chegamos ao ponto em que a situação ficou tão ruim que, em dezembro, a Romênia cancelou os resultados de uma eleição presidencial inteira com base nas suspeitas frágeis de uma agência de inteligência e na enorme pressão de seus vizinhos no continente.
Pelo que entendi, o argumento era que a desinformação russa havia afetado as eleições romenas. Mas é preciso ter senso de proporção. Você pode acreditar que é errado a Rússia comprar anúncios de mídia social para influenciar eleições estrangeiras. Nós concordamos com isso. Você pode e de e condenar isso na arena. Mas se sua democracia pode ser destruída com algumas centenas de milhares de dólares de publicidade digital de um país estrangeiro, então é porque ela ja não era muito forte, para começar. [Aplausos.]
A boa notícia é que eu acho que suas democracias são muito menos frágeis do que muitas pessoas aparentemente pensam, e eu realmente acredito que permitir que nossos cidadãos digam o que pensam as tornará ainda mais fortes.
Tudo isso nos traz de volta a Munique, onde os organizadores desta nossa conferência proibiram legisladores representando partidos populistas, tanto da esquerda quanto da direita, de participar.
Repito, nós não temos que concordar com tudo ou com qualquer coisa que as pessoas dizem, mas quando uma pessoa representa — quando os líderes políticos representam um eleitorado importante, cabe a nós pelo menos nos dispormos a dialogar com elas.
Para muitos de nós, lá do outro lado do Atlântico, esta parecendo cada vez mais que interesses antigos e arraigados se escondem por trás de palavras feias da era soviética – como “desinformação” – simplesmente porque não gostam da ideia de que alguém com um ponto de vista alternativo possa expressar uma opinião diferente ou – Deus nos livre! – votar de forma diferente ou, pior ainda, ganhar uma eleição.
Esta é uma conferência de segurança, e tenho certeza de que todos vocês vieram aqui preparados para falar sobre como, exatamente, pretendem aumentar os gastos com defesa nos próximos anos, tendo em vista alguma nova meta. E isso é ótimo, porque, como o presidente Trump deixou bem claro, ele acredita que nossos amigos europeus devem desempenhar um papel maior no futuro deste continente.
Você ouve esse termo, “compartilhamento de fardo”, mas nós achamos que é parte importante de estar em uma aliança compartilhada, que os europeus se apresentem, enquanto a América se concentra em áreas do mundo que estão em grande perigo.
Mas como começar a pensar no problema orçamentário se não soubermos, em primeiro lugar, o que é que estamos defendendo?
Já ouvi muito em minhas conversas — e tive muitas, muitas conversas excelentes com muitas das pessoas reunidas nesta sala — que vocês precisam se defender e, claro, isso é importante. Mas o que parece menos claro para mim e, certamente, acredito, para muitos cidadãos europeus, é do que, exatamente, vocês estão se defendendo.
Qual é a visão positiva que anima esse pacto de segurança compartilhada, que todos nós acreditamos ser tão importante?
Nos temos a mais plena convicção de que não existe a possibilidade de segurança se você tem medo das vozes, das opiniões e da consciência que guiam o seu próprio povo.
A Europa enfrenta muitos desafios, mas a crise que este continente enfrenta agora; a crise que acredito que todos nós enfrentamos juntos, é a crise nos próprios criamos.
Se você tem medo dos seus próprios eleitores, não há nada que a América possa fazer por você. E, vice-versa, não ha nada que você possa fazer pelo povo americano que me elegeu e elegeu o presidente Trump.
Você precisa de mandatos democráticos para realizar qualquer coisa de valor nos próximos anos. Será que ainda não aprendemos que mandatos fracos produzem resultados instáveis? Em contrapartida, é certo que muito coisa de altíssimo valor pode ser realizada com o tipo de mandato democrático que decorre de ser mais responsivo às vozes dos seus cidadãos.
Para ter economias competitivas, energia a preço acessível e cadeias de suprimentos seguras, você precisa de mandatos para governar. É preciso fazer escolhas difíceis para ter coisas como essas. E, claro, sabemos disso muito bem lá na América.
Não dá para ganhar um mandato democrático censurando seus oponentes ou colocando-os na prisão — seja o líder da oposição, um humilde cristão orando em sua própria casa ou um jornalista tentando relatar as notícias. Não dá pra vencer ignorando seu eleitorado básico em questões como quem pode fazer parte da nossa sociedade compartilhada.
De todas as pressões e desafios que as nações representadas aqui enfrentam, acredito que não há nenhum mais urgente que a da migração em massa.
Hoje, quase uma em cada cinco pessoas que vivem neste país se mudou do exterior. É um recorde histórico. Um número semelhante ao dos Estados Unidos, o de também é um recorde histórico.
O número de imigrantes que entraram na UE de países não pertencentes à UE dobrou entre 2021 e 2022. E, claro, aumentou muito desde então.
Nós conhecemos essa história. Ela não se materializou no vácuo. É o resultado de uma série de decisões conscientes tomadas por políticos em todo o continente e outros ao redor do mundo, ao longo de uma década.
Vimos os horrores causados por essas decisões ontem nesta mesma cidade. E, claro, não posso trazer isso à tona novamente sem pensar nas vítimas que tiveram um lindo dia de inverno em Munique arruinado dessa maneira terrível. Nossos pensamentos e orações estão com eles e permanecerão com eles.
Mas por que isso aconteceu em primeiro lugar?
É uma história terrível, mas que nós temos ouvido repetidamente na Europa e nos Estados Unidos: um candidato a asilo, geralmente um jovem na faixa dos 20 anos, já conhecido pela polícia, atropela uma multidão com um carro e destrói uma comunidade.
Quantas vezes teremos de passar por isso antes de mudarmos de rumo e levarmos nossa civilização compartilhada para uma nova direção?
Nenhum eleitor neste continente foi às urnas para abrir as comportas para milhões de imigrantes com precedentes desconhecidos. Mas sabe no que eles têm votado? Na Inglaterra, eles votaram pelo Brexit. E concordando ou discordando, foi o que eles decidiram. E cada vez mais, em toda a Europa, eles estão votando em políticos que prometem acabar com a migração descontrolada.
Eu concordo com muitas das preocupações desses eleitores, mas você não precisa concordar comigo. Eu só acho que essas pessoas se importam com suas casas. Se importam com seus sonhos. Se importam com sua segurança e sua capacidade de sustentar a si mesmas e seus filhos.
E acho que eles são inteligentes. Acho que essa é uma das coisas mais importantes que aprendi no meu breve tempo na política. Ao contrário do que você pode ouvir algumas montanhas além, em Davos, os cidadãos de todas as nossas nações não se consideram animais educados ou engrenagens intercambiáveis de uma economia global. E não é de se surpreender que eles não queiram ser embaralhados ou implacavelmente ignorados por seus líderes.
É função da democracia julgar essas grandes questões nas urnas.
Acredito que ignorar pessoas, ignorar suas preocupações ou, pior ainda, fechar a mídia, fechar eleições ou excluir pessoas do processo político não protege nada. Na verdade, é a maneira mais infalível de destruir a democracia.
E falar e expressar opiniões não é interferência eleitoral, mesmo quando as pessoas expressam opiniões fora do seu próprio país e mesmo quando essas pessoas são muito influentes.
E acredite em mim, digo isso com todo humor: se a democracia americana pôde sobreviver a 10 anos de repreensões de Greta Thunberg, vocês também poderão sobreviver a alguns meses de Elon Musk.
Ao que a democracia alemã — ao que nenhuma democracia, americana, alemã ou europeia — sobreviverá, é a dizer a milhões de eleitores que as ideias e as preocupações deles, suas aspirações e seus pedidos de alívio são inválidos ou indignos de serem considerados.
A democracia se baseia no princípio sagrado de que a voz do povo importa. Não há espaço para censura na internet. Ou você defende o princípio ou não.
Europeus! O povo tem voz. Os líderes europeus têm uma escolha. E minha mais forte convicção é que não precisamos ter medo do futuro.
Você pode aceitar o que o seu povo lhe diz, mesmo quando é surpreendente, mesmo quando você não concorda. E se você fizer isso, você pode encarar o futuro com certeza e confiança, sabendo que a nação estará por trás de cada um de vocês.
É essa, para mim, a grande magia da democracia. Ela não está nesses prédios de pedra ou nesses lindos hotéis. Não está nem nas grandes instituições que construímos juntos m, como uma sociedade compartilhada.
Acreditar na democracia é entender que cada um dos nossos cidadãos tem sabedoria e tem voz. E se nos recusarmos a ouvir essa voz, mesmo nossas lutas mais bem-sucedidas garantirão muito pouco.
Como o Papa João Paulo II — na minha opinião, um dos mais extraordinários campeões da democracia neste continente ou em qualquer outro — disse uma vez: “Não tenham medo”.
Não devemos ter medo do nosso povo, mesmo quando eles expressam opiniões que discordam de sua liderança.
Obrigado a todos. Boa sorte a todos vocês.
Deus os abençoe. [Aplausos.]”

Na minha humilde opinião, essa similaridade mundial não é por acaso. Estamos vendo em vários países, por um lado a censura aos liberais conservadores, a criminalização do discurso anti sistema, etc… e por outro lado, a disseminação da cultura woke entre jovens e adolescentes, criando a falsa perspectiva de um mundo lúdico “easy”, onde o caricato vazio é o grande barato. Isso tudo não pode ser mera coincidência.
Aposto num esquema de aliança entre a grande imprensa em declínio, associado a interesses hegemônicos de alguns bilionários globalistas que acabaram comprando, inclusive, participações dessas empresas de mídia a preço de banana.
Quero dizer que para se vender bens de consumo em larga escala com lucros maximizados, é melhor que se venda um mesmo produto para o maior número possível de pessoas ao redor do planeta, e os abobalhados wokes são os patos dessa história, enquanto os críticos anti sistema são os chatos dificultadores.