Os americanos estão odiando se achinezar

12 de maio de 2021 § 42 Comentários

Em resposta ao comentário de um leitor ontem, acrescentei esta explicação sobre o que está acontecendo nos Estados Unidos/Joe Biden. Como acho que ela é muito esclarecedora, estou repetindo-a como matéria para que tenha mais visibilidade.

A democracia americana está sendo destruída por dentro mas não pela razão que você suspeita. Não se trata de uma vitoria de outra ideologia e nem do resultado de um trabalho de subversão, tipo Gramsci. Está rolando um processo desse tipo por lá também, mas ele não é a “causa”, é muito mais a consequência do desgaste do apoio do público americano a algo que vem de mais longe.

O que aconteceu é que eles se apavoraram diante da chegada dos produtos chineses a preço de banana quando a internet passou a permitir compras em qualquer lugar do planeta lá nos anos 90. E em vez de apostar na superioridade do seu sistema, diante dos empregos desaparecendo e das empresas falindo abandonaram a política antitruste que tinha “domesticado” o capitalismo deles, e partiram cegamente para a concentração da propriedade via fusões e aquisições, voltando para a economia dos monopólios que ja tinha quase destruído a democracia americana no final do século 19.

Abandonaram, enfim, o capitalismo democrático e passaram a imitar o capitalismo de estado chinês na ilusão de que era preciso enfrentar monopólios com monopólios, “crescer ou morrer”. E é esse capitalismo, agora instalado dentro dos EUA, com seus salários minguantes, a corrupção crescente e a falta de opção para quem esta insatisfeito com o patrão que tem, que recebe o repudio maciço dos americanos.

Eles adotaram o sistema chinês que funciona para quem passou os últimos 40 anos comendo morcegos e agora esta melhorando de vida, mas está sendo detestado por quem passou os últimos 40 anos comendo hambúrgueres e agora está indo ladeira abaixo. 

Não foi e nem é, repito, uma disputa de ideias. Eles trocaram o sistema que tinham pelo sistema chinês, esquecidos de que ele só funciona onde tudo – a começar pelo direito de viver – pertence ao Estado que pode sustentar prejuízos indefinidamente até matar o concorrente que for.

É essa versão americanizada do sistema chinês que os americanos hoje repudiam. O resto é a confusão que a turma das “narrativas” aproveita para fazer porque as pessoas não enxergam o quê é exatamente o quê. O capitalismo democrático americano está em vias de desaparecimento. E é disso que o povo americano, confusa e inarticuladamente, está se queixando.

§ 42 Respostas para Os americanos estão odiando se achinezar

  • rubirodrigues disse:

    Sempre o problema de percepção, Existe o deserto do Saara e existe a floresta amazônica. Existem leis comuns aos dois e existem leis específicas de cada um. A natureza permite a coexistência dos dois e até favorece a diversidade. O problema surge quando um especialista, adepto da esdrúxula seita da igualdade, tenta cultivas vitória régias no Saara, ou camelos na Amazônia. O problema está no especialista, na escola que o formou ou em nós que lhe damos crédito?

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    • A.(sno) disse:

      Na nossa cabecinha, o que acontece algures parece algo irreal, de ficção. Só nos sensibilizamos quando pega fogo no nosso próprio rabo… Mas aí já pode ser tarde demais! E NUNCA aprendemos essa lição elementar.

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  • Carlos disse:

    Excelente e inteligente avaliação!
    Preocupante como o mundo ocidental está se deixando tomar por movimentos do totalitarismo, pior, como disse Fernão não há articulação de reação.
    Faltam lideranças para virar esse jogo.

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  • Ronaldo Sheldon disse:

    Mais uma excelente e inteligente análise levantando o cerne da questão americana e de resto europeia e dos demais países ditos liberais. A criação de grandes monopólios, como Fiat Crysler, Renault Nissan, Amazon, Google, Microsoft, Walmart e por aí vai. A concentração de empresas num grande oligopólio acaba com a concorrência e nos faz retornar ao tempo da Revolução Industrial onde mandava o capital em detrimento do trabalho. Engatamos a marcha à ré e estamos pisando fundo sem perceber o que se passa. Este sistema só se sustenta com a eleição dos campeões nacionais e pelo poder do Estado também detentor de poder absoluto.

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  • Pedro Marcelo Cezar Guimaraes disse:

    E o que dizer da nossa cleptocracia?
    Brasil: Ultrajado,subjugado,aparelhado e vendido na medida dos interesses da elite política patrimonialista que faz da expropriação da propriedade privada e do esbulho da riqueza nacional meio de vida e projeto permanente de poder há pelo menos 30 anos!
    Com esse ativismo do STF , com o Legislativo enlameado, com boa parte dos órgãos do Executivo aparelhados, com imprensa cooptada e universidades doutrinadas, o que se pode esperar? Da pra desvencilhar-se desse caminho da servidão?
    Pacifica e democraticamente creio que não, pois estão presentes, ainda, o ativismo no TSE, as urnas eletrônicas de votos inauditaveis e apurações inconfiaveis e o oligopolio polico-paridario nas mãos dos donos do poder que não permitem mudanças de status quo.
    Resta-nos clamar pelo direito da legitima defesa perante a opressao do mecanismo, inclusive valendo-nos das armas!

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    • José Luiz de Sanctis disse:

      E até o direito à legítima defesa querem nos tirar, fazendo de tudo para dificultar e impedir o direito a compra de armas, em total desrespeito ao resultado do referendo de 2005. O aparelhamento ideológico esquerdistas em todas as instituições se deve a um grave erro do governo militar. Tecnocratas que são, combateram alguns comunistas mas não o comunismo. Deixaram e cultura e a educação nas mãos dessa gente e impediram o surgimento de lideranças de direita. Deu no que deu.

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      • Kederis Wilson disse:

        José Luiz, você realmente acredita que a solução dos nossos problemas é a compra de armas pela população? Lamento discordar. Imagine se aquele facínora de Saudada-SC (que invadiu uma creche e matou várias crianças) tivesse em mãos um fuzil ou uma sub-metraladora. Não é por aí, meu amgio.

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      • Pedro Marcelo Cezar Guimaraes disse:

        Kederis, por outro lado inagine se houvesse no recinto uma pessoa armada que pudesse agir em legitima defesa de si ou de outrem e prontamente agir e imopedir o ataque aos indefesos e salvar vidas de inocentes.
        Outra suposicao: o assassino cometeria seus crimes em locais onde haverá a menor possibilidade de reação do cidadão?
        Estou pra ver isso ocorrer dentro de um aquartelamento, estabelecimento policial, clube de tiro etc

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      • José Luiz de Sanctis disse:

        Kederis Wilson, evidente que a arma não é a solução para TODOS os problemas, mas para agressões injustas e iminentes sim. Bandido não se submete aos rigores da lei e compra arma quando quiser, por contrabando. Agora imagine se a professora estivesse armada quando o psicopata entrou na sala com o facão, só teria um morto. As pessoas de bem tem que ter instrumentos para defesa. O maluco não entra numa delegacia de polícia ou num quartel para cometer barbaridades, eles preferem as guns free zones.

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      • José Luiz de Sanctis disse:

        A.(sno), o que o brasileiro tem de diferente da cultura dos EUA? Fuja da síndrome de vira-latas. Brasileiro que vai morar nos EUA chega e recebe uma transfusão imediata de cultura das armas americana, compra armas para defesa e esportes e não sai matando ninguém nas ruas. Vale citar a guerra da independência americana sim, tiranos sempre vão existir e a arma de fogo sempre será elemento de dissuasão, quer você goste ou não. Alias, o Brasil deveria ter uma arma nuclear, assim ninguém ficaria ameaçando invadir a Amazônia.

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    • A.(sno) disse:

      Jura que você acredita mesmo que um trabuco dá jeito nisso tudo?
      Irreal por irreal acredito mais num “Piston de Gafieira”…

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      • José Luiz de Sanctis disse:

        Se você acredita que pode enfrentar um bandido armado invadindo sua casa com um “Piston de Gafieira” a escolha é sua. Ninguém é obrigado a comprar uma arma, mas você não tem o direito de impedir quem queira comprar.

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      • A.(sno) disse:

        José Luiz: você tirou conclusões que o meu comentário não dá motivos pra tirar. Eu disse que sou contra a venda ou compra de armas?
        Quanto ao “Piston”, eu conclui que um sujeito apegado a armas pra resolver problemas não tem um pingo sequer de senso de humor. Errei?
        E eu respondi ao Pedro Marcelo: ele quer mais que espantar ladrões da casa dele. Ele quer resolver os problemas do país!

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      • pedromarcelocezarguimares disse:

        He he he…Então contitue tocando o piston da “orquestra socialista”
        ….

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      • A.(sno) disse:

        Pedro: o que o socialismo tem a ver comigo ou com a minha resposta? Você é só mais um simplificador de posições! E muito ruim pra tirar conclusões…

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      • José Luiz de Sanctis disse:

        A.(sno), estamos falando em direito a legítima defesa, mas quanto a resolver os problemas de um país, há situações que as armas são necessárias, como a independência dos EUA ou destituir um tirano. O humor e a sátira são eficientes para desmascarar tiranos, mas dificilmente os removerão do poder. Aqui querem impedir que a população se arme por uma única razão, o controle social. Tiranos detestam a população honesta armada, pois é impossível implantar uma ditadura. Como os sanguessugas incrustados em todos os poderes querem manter o status quo dessa democracia de araque e manter a privilegiatura, o armamento da população é uma ameaça a essa gang. Mas um “piston” nas mão de um sujeito decidido pode fazer muito vagabundo sair correndo. Estamos no mesmo barco.

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      • pedromarcelocezarguimares disse:

        Asno se você não sabe de onde vem a introjeção intelectual daquilo que vc defende, não sou eu vou te esclarecer!!!

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      • A.(sno) disse:

        José Luiz: podemos estar no mesmo barco mas não vamos chegar a lugar algum porque cada um rema numa direção diferente. Por isso navegamos em círculos. Citar a independência dos Estados Unidos como pretexto pra se armar é falso: isso aconteceu no século 18 e a obsessão por armas faz parte da cultura deles, não da nossa.
        Pena que só dá pra provar para os sobreviventes que as armas não funcionam… Ou funcionam para poucos (os violentos).

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      • A.(sno) disse:

        Pedro: não vai esclarecer porque não pode! Tente…

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      • pedromarcelocezarguimares disse:

        Asno, vai tomar um Red Bull e pare de encher o saco por aqui!! Saúde!!!

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      • RENATO LORENZONI PERIM disse:

        Seu nick é bem apropriado, considerando seus comentários acima.

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      • RENATO LORENZONI PERIM disse:

        Meu comentário anterior foi direcionado ao Asno.

        Curtido por 1 pessoa

      • A.(sno) disse:

        José Luiz: acho que você não vai responder e vai dar um jeito de sair pela tangente. Mas vou tentar: HITLER exterminou milhões de judeus porque, segundo seu próprio arbítrio, não mereciam viver. GANDHI era adepto da não-violência.
        Com qual dos dois você se identifica?

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    • Flm disse:

      No Brasil o último movimento legitimamente pro-democrático foi o de Tiradentes. A República já começou golpeada pelos positivistas.
      Arma é bom pra esporte e defesa pessoal e só. Um direito de que não se deve abrir mão mas não uma solução pra política. Militar então, é só mais uma categoria cuja carreira avança por decurso de prazo. Não faz parte do nosso mundo. Faz parte do outro…
      Solução mesmo requer fazer a lição de casa inteira, como a esquerda faz.
      Como?
      Comece lendo, aí embaixo, o “Roteiro para uma imprensa democrática”. O resto é ilusão de noiva…

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      • pedromarcelocezarguimares disse:

        Discordo. A liberdade individual e a defesa a integridade pessoal é de direito natural fundamental e protetiva contra a opressão totalitária do estado ou de qualquer outra injusta ou ilegal agressão, não é esporte nem tampouco “ilusão de noiva”, em última instância resgata o equilíbrio mínimo de forças entre o indivíduo oprimido e o espoliador opressor materialmente empoderado. Infelizmente o estágio descivilizatório em que vivemos é fomentado pela doutrina socialista que escraviza o povo. A reação se faz necessária, que pode até nivelar as relações sociais por baixo, mas necessárias ao resgate ao respeito mútuo e aos direitos individuais do cidadão de bem.

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      • A.(sno) disse:

        Eu não sei o que faz as pessoas acharem que falam em nome de outras. Você, Pedro, deve usar os verbos apenas na 1ª pessoa!
        Compre uma arma e saia pela rua matando os que te oprimem… e restabeleça, assim, o “equilíbrio social”!

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      • pedromarcelocezarguimares disse:

        E você continua com o direiro de tocar o piston socialista! He he he.

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      • A.(sno) disse:

        O máximo a que você pode chegar em argumentação é chamar o outro de socialista?????? Que nível…

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      • pedromarcelocezarguimares disse:

        Asno vai tomar um Red bull e para de encher o saco!

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  • Marcia disse:

    O filme “O Capital”, de Costa-Gavras, é o retrato escarrado desses tempos de ganância descendo a ladeira na banguela, sem o freio dos valores morais.

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  • Odilon Rocha disse:

    Na mosca!

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  • AMERICO MELLAGI disse:

    Os americanos principalmente, e brasileiros também, permitiram e aceitaram de bom grado o que chamo de “demita aqui e contrate lá” para que meia dúzia de nababos ficassem mais ricos. O grande exemplo veio na pandemia, 95% dos insumos, equipamentos, etc., precisa, necessariamente vir da China. Como dizia a propaganda, “senta e chora”.

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  • Kederis Wilson disse:

    Fernão, esse problema, talvez em menor escala, está acontecendo no BR tb. Produtos industrializados chineses, a preço de banana, invadem o nosso mercado. O BR vive um rápido processo de desindustrialização, desde que Lula confirmou na OMC que a China era uma Economia de Mercado. As perdas da balança ‘Venda de Commodities’ x ‘Compra de Industrializados’ logo logo estarão mais visíveis. As empresas não têm outra saída que não se instalarem na China (pagando impostos e salários) e venderem os produtos por aqui. O Pacífico vai tomar (se já não tomou) o protagonismo dos EUA no mundo.

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  • Alexandre disse:

    Segue artigo da ótima Bruna Frascolla, publicado na Gazeta do Povo, sobre o achinezamento e o politicamente correto, uma combinação pérfida.

    LEITOR, PARE DE BATER NA SUA MÃE

    Por Bruna Frascolla, 12/05/2021

    Você sabia que o Brasil é o país que mais espanca e barbariza mãezonas e avozinhas no mundo inteiro? Pesquisadores da conceituada Small Pumpkin University entrevistaram dez mil voluntários em quinhentos municípios de todas as regiões do país e descobriram que aproximadamente nove em cada dez brasileiros já atentaram contra a vida da própria genitora. Afinal, 87,36% dos entrevistados admitiram ter deixado, alguma vez, o chinelo com a sola voltada para cima. Trata-se de um índice alarmante, um sinal inequívoco de que vivemos numa sociedade estruturalmente matricida.
    O Brasil é o pior país do mundo. Aqui, os homens têm mitocôndrias negras com cromossomos Y europeus, prova inequívoca de que somos todos fruto do estupro de nossas mamães.
    Tendo isso em vista, eu, euzinha, do alto de minha superioridade moral, venho convidar gentilmente você, leitor, a parar de bater na mãe e de tentar matar a mãe. Vou oferecer cursos com especialistas antimatricídio que vão ensinar você a não bater na mãe. Mas se você quiser continuar sendo matricida, minhas colunas não são para você.

    Quem não tem brio nenhum?:

    O leitor desta Gazeta com certeza sacou que o início deste texto é uma brincadeira. E isso por uma série de razões, que vão desde o perfil do jornal até aquela que considero a mais importante de todas: é maluquice sair acusando de crimes graves gente que você sequer conhece. Bater na mãe é feio e é crime; não é acusação que se faça com leviandade, inclusive porque dá rolo na justiça.
    Mas e se você não fosse leitor desta Gazeta, e sim de uma publicação progressista? E se eu não fosse eu, e sim uma feminista famosa em panelinha intelectualóide? Aposto que aconteceria o seguinte: você ficaria incomodado, mas sem ter coragem de abrir a boca contra mim. E então teria a ideia de pesquisar se a Small Pumpkin University é real e descobriria que não existe.
    Aí, pelas minhas costas, começaria a fazer um tititi pelo WhatsApp, comentando que a Small Pumpkin não existe, enquanto que eu (digamos que você seja um leitor branco do sexo masculino) começaria um contratititi, e diria nas redes sociais que estou sofrendo ameaças de homens brancos negacionistas do matricídio estrutural. Aí eu pediria a sua cabeça e, a depender da sua profissão, você poderia acabar desempregado. No caso de alguma leitora mulher tomar partido seu, eu usaria os meus contatos para ferrá-la.
    No frigir dos ovos, a maioria do leitorado progressista entende que compensa ficar de bico fechado e que é não só aceitável, como necessário, ficar recebendo dedadas na cara com ofensas aviltantes. O resultado disso é gente sem brio nenhum, que só não leva cusparada de cabeça baixa porque a Internet ainda não transmite saliva. Gente de espinha quebrada, pronta para dizer “Sim, senhor”.

    Sob as botas de uma grande corporação:

    No meio desta terça-feira, algum desocupado da Uber achou que era uma boa ideia a empresa enfiar o dedo na cara dos clientes e mandar uma cartinha mandando não serem racistas. Assim, sem cerimônia, chamando o cliente pelo nome de batismo, sem um senhor ou senhora, nem sobrenome. Com nojinho, a Uber alerta logo em negrito que, se você for racista, a Uber não é para você. (Resta saber se, fazendo uma autodeclaração de racista, a Uber vai devolver o dinheiro infecto do cliente racista, para se livrar de quaisquer contaminações).
    Campeã da luta antirracismo, a empresa diz que vai “remover ofensores da plataforma”. Em princípio, eu poderia ser favorável a essa política. O que é um ofensor? Alguém que ofendeu outrem pela sua cor, foi acusado do crime de injúria racial, julgado e condenado? Muito bem, que a Uber adote mais uma política em harmonia com as leis vigentes no Brasil, assim como já usa o nosso sistema para impedir criminosos de trabalharem como motoristas. Mas ofensor pode ser uma tradução furreca de offender, que é “infrator” em inglês. Nesse caso, existem regras não escritas que definem o que é racismo, e a plataforma julga e executa os motoristas e clientes.
    O comunicado continua assim: “Mais do que remover ofensores da plataforma, queremos ajudar a prevenir que esses comportamentos aconteçam.” Notaram o mau uso do verbo prevenir? Em português, prevenimo-nos contra coisas (ex: prevenção contra a AIDS), prevenimos pessoas (ex: deixou fulano prevenido). Mas não prevenimos que tal e tal coisa aconteçam. Nosso verbo para isso é impedir. E impedir em inglês é prevent. Tradução furreca, português quebrado.
    Como a Uber vai impedir o comportamento racista? Arranjando “um time de especialistas para desenvolver conteúdos com informações importantes que ajudarão nossos parceiros [i.e., empregados] e usuários a entender mais sobre o assunto, refletir mais sobre suas atitudes e fazer parte da mudança com a gente. Em breve, eles [i.e., os “conteúdos”] serão disponibilizados no aplicativo da Uber”.
    O resto a gente já sabe. Vêm aí aquelas lumenas e djamilas que, se procurarem direito, encontram racismo antinegro dentro de um tubo de pasta de dente, enquanto xingam brancos e pardos por causa da cor de sua pele. Coisa, aliás, proibida pela legislação brasileira.
    No Brasil, racismo é crime e é feio. Nos EUA, não é crime. Como é possível a corporação sair acusando todo mundo de racista no Brasil? A Uber pretende levar os brasileiros à justiça? Vai nada. Vai é pegar as teorias progressistas mais tresloucadas, apresentar como verdade inquestionável e julgar sumariamente os brasileiros segundo ela – do mesmo jeito que o Facebook tem lá os seus juízes pagos para analisar postagens e deletar.

    Quem votou na Uber?:

    Que eu saiba, a Uber não tem nenhum assento no Congresso. A empresa tem feito com o transporte urbano o mesmo que as Big Techs, de um modo geral, se esforçam para fazer: quebrar o sistema econômico descentralizado e virar monopolista. A Amazon já censura livros. O que vai acontecer com escritores e leitores se só a Amazon puder vender livros? O Google e a Apple detêm o oligopólio de sistemas operacionais de celulares. Quando eles resolveram tirar a rede social Parler da loja de aplicativos, ela ficou fora dos celulares.
    O que vai acontecer com a locomoção urbana se a Uber acabar com os ônibus e os táxis? Cada brasileiro sem carro próprio vai ter que ter o seu direito de ir e vir condicionado à censura arbitrária e aos julgamentos sumários da empresa?
    Quem tiver a espinha inteira, que largue essa empresa e vá para a concorrência. Ninguém deve receber dedo na cara, ser acusado de crime e deixar por isso mesmo.

    Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/bruna-frascolla/leitor-pare-de-bater-na-sua-mae/?utm_source=salesforce&utm_medium=emkt&utm_campaign=newsletter-bom-dia&utm_content=bom-dia
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    • A.(sno) disse:

      Não assino a Gazeta e por isso sou duplamente grato pela publicação desse artigo magistral: a você e ao Fernão, que permite a utilização deste espaço.
      Abraços aos dois!
      P.S.: aceitam um gole de Red Bull?

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      • Alexandre disse:

        A Gazeta provavelmente tem hoje o melhor time de colunistas entre os jornais brasileiros. Claro, nem todos são bons, mas a maioria está acima da média nacional (o que não chega a ser uma façanha hoje em dia, eu sei).
        Um abraço.

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      • A.(sno) disse:

        Eu já acho que estar acima da média é, sim, uma façanha!!!

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  • GATO disse:

    E lá vamos nós de novo, desta vez parece que devolveram o Pau, agora os brasilis podem se alegrar, ninguém mais quer Pau-Brasil, além de caro é anti-ecológico. Mas ainda vamos aprender, já vimos que filho de general, filho de pau-de-arara e capitão do mato não servem, que tal voltar aos médicos, JK foi uma boa esperança de um Pau-Brasil novo começando a meta-lo lá no centro do país, de onde mais cantores sertanejos saem e tomates frescos. Covid2 não, Covidum montão, pois sem vacina todos vão continuar com a bunda suja, pra enfermeira limpar.

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  • GATO disse:

    CORRIGINDO”Metê-lo lá no centro ou meio do país”.

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  • Marcelino Medeiros disse:

    hum… Puxa, um esclarecimento importante. “Curti”!

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