Numeros e … ranger de dentes
1 de novembro de 2010 § 2 Comentários

Dilma: 55,7 milhões de votos
Serra: 43,7 milhões de votos
Nulos: 29,1 milhões de votos
Brancos: 7,1 milhões de votos
Dilma teve 12 milhões de votos a mais que Serra. Se seis milhões mais um, pouco mais de 1/6 da soma de brancos e nulos, pulassem de Dilma para Serra, o resultado invertia.
Levando-se em conta que “It’s the economy, your stupid!” e que nunca antes neste pais a máquina publica e o presidente da Republica participaram tão desenfreadamente de uma campanha eleitoral, não se pode dizer que tenha sido uma vitória folgada de Dilma.
A conta negativa é ainda mais sugestiva:
80 milhões de eleitores brasileiros recusaram-se a votar em Dilma.
92 milhões recusaram-se a votar em Serra.
36,3 milhões recusaram seu voto tanto a Serra quanto a Dilma.
Será o PSDB capaz das necessárias objetividade e humildade para se dedicar, daqui por diante, a descobrir o que é que querem ouvir os 80 milhões de eleitores que negaram seu voto a Dilma?

Tenho sérias duvidas.
Nem bem fecharam as urnas e já começou a picuinha de sempre. Serra conseguiu virar o resultado do primeiro turno em três estados: Goiás, Espírito Santo e Rio Grande do Sul. Mas em Minas a coisa permaneceu como estava e até piorou um pouquinho. Dilma levou por 1,8 milhão de votos comendo toda a vantagem que Serra conseguiu em São Paulo (1,7 milhão) e mais um troco de 100 mil votos.
No discurso reconhecendo a derrota, Serra mencionou (e abraçou) Alkmin mas não pronunciou o nome de Aécio. Também não disse adeus, disse só até logo.
Xico Graziano falou por ele o que ele está realmente pensando sobre Aécio: o clássico “fomos traídos”.
Ou seja, a oposição já começa a se dividir antes do novo governo se instalar e, a julgar pela capacidade de processamento de conflitos do PSDB o PT já pode contar, na próxima eleição, com o tradicional “fogo amigo” que sempre deixa os seus adversários prontos para serem assados.

Lição de casa para (sem exceção) TODOS os políticos que integram o PSDB.
Escrever, a lápis, 50 páginas do caderno de vinte linhas (dos dois lados) a frase “Tenho urgentemente de aprender a humildede, trabalhar meu ego inflado e aprender a acatar as idéias de companheiros de partido que sejam mais viáveis e/ou melhores do que as minhas. Devo, também, alto e bom som reconhecê-las sempre que possível. Mais do que tudo, prometo me lembrar que faço parte de uma associação, de um partido que abriga elementos que comungam dos e se irmanam nos mesmos ideais”.
Caso após este exercício – a ser entregue sem rasuras nem furos na página e com letra cursiva inteligível e bonita até o dia 1ª de janeiro de 2011 – ainda perdurarem resquícios de supervalorização do ego, repeti-lo tantas vezes quantas forem necessárias até que a frase tenha, vez por todas, se instalado no subconsciente de cada um dos elementos do PSDB.
Não será dada nota ao trabalho. O resultado será comprovado nas próximas eleições.
Há tempos, não leio um comentário tão bem escrito – conteúdo e forma.
Fez-me passar por um déjà vu… quase crer que eu mesmo o houvesse escrito. rsrsrsr