Nas entrelinhas do apagão

11 de novembro de 2009 § 2 Comentários

apagao-brasil

No meio da escuridão de ontem à noite, eu acompanhei os esforços da imprensa para cobrir o apagão pelo celular, que foi das poucas coisas que continuaram funcionando.

Por meio dele acessei a internet e os sites de informação. Por meio dele criei meu próprio link mambembe com a televisão. Liguei para uma amiga em cujo prédio ha gerador. Ela estava assistindo ao Jornal da Noite da Globo e eu pude ouvir o que eles estavam dizendo. A meu pedido, ela pos o celular no viva voz ao lado da saída de som da TV e, assim, eu fui acompanhando a TV num celular e os sites da internet no outro.

A improvisação, neste mundo cada vez mais previsivel, tem sempre um gostinho de vitória…

Mas o interessante, nessa história, foi o que eu ouvi. Nessas coberturas quentes, de grandes imprevistos, o espectador não iniciado tem a oportunidade rara de assisitir à “meta matéria” ou, em expressão mais conhecida, o “making off” de um trabalho jornalístico. Quase não ha edição e a gente pode assistir à luta dos reporteres à procura das fontes, sob a pressão do tempo, em vez daquela materinha empacotada a que estamos acostumados. O Jornal da Noite foi esticado para mais de uma hora de duração, enquanto os reporteres da Globo tentavam encontrar alguma pista para explicar o que estava acontecendo. Como era de esperar, foram aos mais graduados escalões da Eletrobras.

E o que foi que encontraram?

102307110452-beakerCom o meu próprio celular tambem no viva voz, em cima da nossa cama, chamei a atenção de minha mulher quando a Globo entrava pela terceira ou quarta entrevista, chamando diferentes reporteres. E todos os entrevistados ligados ao “setor elétrico” estatal repetiam o mesmo tom, quase com as mesmas palavras. Os reporteres faziam perguntas para entender a razão técnica do que estava acontecendo, mas só recebiam respostas “políticas”, com os figurões da Eletrobras já se desculpando antecipadamente:

“Nosso sistema é um dos mais modernos e seguros do mundo”.

“Fomos elogiados” sei lá aonde.

“Temos investido muito na modernização do sistema”…

Enfim, foram horas de generalidades “desculpativas” que só coincidiam numa coisa: na absoluta ausência de qualquer conhecimento técnico por parte dos entrevistados; a absoluta falta de segurança para ser transparente e explicar que não é possivel saber a causa exata nos primeiros minutos de um apagão de extensão continental. Nem a memória de apagões passados e suas causas eles tinham. Muitos mostraram desconhecer a realidade do nivel de interligação do sistema atual. Apenas um mencionou a hipótese de um “efeito dominó” a que essa interligação conduz.

A Globo só começou a encontrar respostas com um pouco mais de base técnica quando a madrugada já ia longe e a luz estava quase voltando. Foi o tempo que ela levou para chegar ao quarto ou quinto escalão do setor elétrico estatal.

Por que?

Porque a Eletrobras não é propriamente uma empresa, mas sim um dos feudos que o governo distribui para os seus “apoiadores”. No momento, a Eletrobras é a parte que cabe a José Sarney no latifundio do PT. Logo, lá pra cima cima, só tem apadrinhado mamando em têta. Você só começa a encontrar gente que entende minimamente de elitricidade, na Eletrobras, lá embaixo, na turma que realmente tem de trabalhar…

A outra informação que se pode “entreler” desses acontecimentos é a má consciência do PT que não fez outra coisa em toda a sua história senão transformar qualquer acontecimento numa crise política. Se o incidente tivesse ocorrido com alguma parte privatizada do sistema, esse seria um pretexto para justificar sua reestatização. Não sendo o caso, ficamos com os raios. E se os raios que desligavam a eletricidade no passado eram mentiras para encobrir a intenção deliberada do governante de então de deixar o país às escuras e justificar até campanhas pelo impeachment, os raios que desligam a luz do PT são cochilos do companheiro altíssimo, que junto com Judas, tambem é do PT, porque nunca antes neste país, etc, etc, etc.

O PT,enfim, espera do resto do Brasil os mesmos golpes baixos que passou a vida aplicando nos outros. 

O mau julgador por si é que julga…

foto7-0

Marcado:, ,

§ 2 Respostas para Nas entrelinhas do apagão

  • Dedé disse:

    “- O líder do PSDB na Câmara, deputado José Aníbal (SP), ironizou hoje a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, por comentários que ela teria feito sobre o sistema elétrico brasileiro. Segundo Aníbal, “há dias atrás”, Dilma teria dito: “apagão no País? nem morta”.
    Conforme comentário logo abaixo, reproduzindo trecho do Wikipidia, onde diz que Dilma fora demitida do cargo de diretora geral da Câmara Municipal de Porto Alegre porque chegava tarde ao trabalho, digamos que em relação ao “infeliz” comentário sobre o sistema elétrico brasileiro, ela se adiantou um pouco…

  • Dedé disse:

    Pois é Fernas, quem diria que nos dias de hoje você teria que ouvir as notícias da televisão com um telefone ao “pé do ouvido”, da TV. Foi uma pena você não ter assistido a repórter Sandra Passarinho lendo, embaixo de chuva e com uma iluminação improvisada, um rascunho sobre as últimas notícias… até de Passarinha ela foi chamada.

Deixe uma resposta

O que é isso?

Você está lendo no momento Nas entrelinhas do apagão no VESPEIRO.

Meta

Descubra mais sobre VESPEIRO

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading