Quem pagava o aluguel de nababo do delegado brasileiro nos EUA?
27 de abril de 2026 § 3 Comentários


Passados cinco dias sem que os jornais e TVs tradicionais contem ao Brasil as descobertas de David Ágape sobre a extensa ficha policial da irmã do delegado Marcelo Ivo, expulso dos Estados Unidos na semana passada por tentar by-passar o processo de asilo político de Alexandre Ramagem em curso naquele país, o senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado, acionou o Tribunal de Contas da União (TCU) para apurar se o custeio do apartamento de luxo usado pelo delegado em Miami foi bancado com recursos públicos.
David Ágape também revelou que, enquanto Marcelo Ivo ocupava, no Brasil e nos EUA, os cargos estrategicamente mais fundamentais para o combate ao crime organizado, sua irmã, a advogada Gisele Cristina de Carvalho, foi processada como “pombo-correio” de Valdeci Alves dos Santos, o “Nº2 histórico do PCC”; detida, quatro anos depois, num hotel de Ponta Porã, ponto de passagem da maior parte da droga traficada para o Brasil e do Brasil para o mundo, ao lado da advogada de Marcola, o Nº 1 da mesma facção; e teve uma sócia presa em uma rede que abastecia o Comando Vermelho de cocaína, informações que a “imprensa tradicional” inteira, se acha no direito de sonegar aos seus leitores desde quinta-feira passada, 23/4, quando foram apresentadas na internet.
Marcelo Ivo atuava como oficial de ligação do Brasil junto ao ICE, o serviço de imigração dos Estados Unidos. O imóvel em que ele morava em Miami, localizado em Brickell, uma das áreas mais valorizadas da cidade, era alugado por US$ 8.750 mensais — cerca de R$ 48 mil.

O apartamento pertence à PH1500 LLC, sociedade registrada na Flórida em nome de Jeffrey Paul Camp, gestor americano de investimentos. Mas não há registro público que mostre quem efetivamente pagava o aluguel.
Fabrício Scarpelli, delegado que antecedeu Marcelo Ivo como oficial de ligação nos Estados Unidos, relata que não morava em endereço de padrão semelhante e que recebia cerca de R$ 15 mil de salário, além de aproximadamente R$ 4 mil em auxílios — menos de um terço, as duas quantias somadas, do aluguel mensal do apartamento de Marcelo Ivo em Brickell.
Antes de atuar nos Estados Unidos, e enquanto sua irmã acumulava as passagens policiais mencionadas acima, Marcelo Ivo havia sido superintendente da PF na Paraíba, delegado regional de Investigação e Combate ao Crime Organizado em São Paulo e chefe da delegacia da PF no Aeroporto Internacional de Guarulhos, o maior porto de exportação de drogas do país para o mundo.

Moraes concede prisão domiciliar a manifestantes do 8/1, todos acima dos 62
27 de abril de 2026 § 2 Comentários


Oitenta milhões mais rico depois dos pagamentos de Daniel Vorcaro para o escritório de sua mulher, Alexandre de Moraes concedeu prisão domiciliar a um ameaçador grupo de condenados por envolvimento nos atos de 8 de janeiro de 2023.
São idosos com idades entre 62 e 73 anos, que já cumpriram parte da pena.
Agora, estes perigosos homens e mulheres terão de usar tornozeleira eletrônica e permanecerão proibidos de usarem redes sociais.
Também seguem privados de passaporte e impedidos de manter contato com outros envolvidos nos atos de 8/1.
O Congresso discute nesta semana a derrubada do veto de Lula ao projeto de Lei que reduziu as penas dos condenados ao unificar crimes tratados de forma separada pelo STF, o chamado PL da Dosimetria.
Eis lista dos “perigosos golpistas”:
- Ana Elza Pereira da Silva — 65 anos
- Claudio Augusto Felippe — 62 anos
- Francisca Hildete Ferreira — 63 anos
- Germano Siqueira Lube — 62 anos
- Iraci Megumi Nagoshi — 73 anos
- Jair Domingues de Morais — 68 anos
- João Batista Gama — 63 anos
- José Carlos Galanti — 67 anos
- Levi Alves Martins — 63 anos
Os rastros financeiros que ligam os Esley Batista ao escândalo Tayayá
27 de abril de 2026 § 1 comentário


“Estou doido para processar vocês. Essa informação de vocês é falsa, fraudulenta. Vai você e o gerente do banco para a cadeia. Vou fazer questão de colocar o senhor na cadeia. Moleque! Vá para o quinto dos infernos”.
A frase acima foi dita, por telefone, ao repórter Vinícius Valfré, do Estadão, pelo advogado Paulo Humberto Barbosa, que presta serviços à J&F, dos irmãos Esley Batista, e comprou a participação de Dias Toffoli no resort Tayayá, no Paraná.
O jornal teve acesso a um documento do Coaf que sugere uma triangulação financeira envolvendo a gigante multinacional, um escritório nanico de advocacia em Goiás e o autor das gentis palavras do começo desta postagem, o mesmo que tem uma estreita relação com o ministro e ex-advogado do PT indicado por Lula ao Supremo.
Segundo o relatório, a J&F e a JBS transferiram R$ 11,5 milhões, em dezembro de 2023, ao escritório da advogada Maísa de Maio Marciano, que registrava faturamento mensal de R$ 9 mil e aluga uma sala compartilhada do bairro Setor Sul da capital goiana, e, no mesmo dia, ela transferiu R$ 3,5 milhões ao advogado e empresário Paulo Humberto Barbosa.
Barbosa é dono da PHB Holding, que recebeu R$ 25,9 milhões dos irmãos Batista em 2025, mesmo ano em que adquiriu o que restava na ocasião da participação da Maridt dos Toffoli no resort Tayayá.
Foi a suspensão da quebra de sigilo justamente da Maridt que levou à inclusão de Gilmar Mendes no relatório final da CPMI do INSS, que pediu seu impeachment, além dos de Moraes e do próprio Toffoli.
“Maridt” combina o nome da cidade natal do ministro, Marília (SP), com as iniciais DT (Dias Toffoli).
SIGA O DINHEIRO
Uma agência do Sicoob de Goiânia soou o alerta sobre as entradas e saídas do escritório de Maísa Marciano, em fevereiro de 2024.
O relatório diz que “não foram apresentados documentos comprobatórios que justifiquem e forneçam lastro para as expressivas transações”, o que aponta um “alto risco para lavagem de dinheiro”.
Em 15 de dezembro de 2023, a JBS repassou R$ 8 milhões e, no dia 18, a J&F pagou outros R$ 3,5 milhões.
No mesmo dia 18, Maísa Marciano fez um pagamento de R$ 3,5 milhões a Paulo Humberto Barbosa.

Segundo o documento, no mesmo dia 15 em que recebeu da JBS, ela também repassou R$ 6,9 milhões ao BK Bank em uma conta no Banco do Brasil.
Principal alvo da Operação Carbono Oculto de agosto de 2025, o BK movimentou R$ 17,7 bilhões de forma suspeita, com origem direta na exploração de jogos de azar, na venda de combustíveis adulterados ou em fraudes metrológicas na venda de combustível – as autoridades investigam se a fintech opera com as chamadas “contas bolsão”, mecanismo que mistura dinheiro de vários clientes para dificultar o rastreamento, e de ter servido a esquemas do PCC.
Em 2023, Toffoli suspendeu o pagamento da multa de R$ 10,3 bilhões do grupo J&F, fechada no acordo de leniência com o Ministério Público Federal.
Ninguém conseguiu explicar ao Estadão qual o serviço prestado pela advogada Maísa Marciano ao grupo dos irmãos Batista que justifiquem o pagamento de R$ 11 milhões.



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