Os donos do Estado

28 de março de 2010 § Deixe um comentário

Bastou a data de lançamento da candidatura Serra se aproximar e aí está, de volta, o bom e velho PT das greves e das pancadarias.

Na semana passada ele já anunciou que muito mais vem vindo aí. Alem dos professores, o pessoal da Saúde Publica e da Segurança Publica anunciam greves. Lembram do ensaio geral do ano passado, na mesma praça de guerra do entorno dos Bandeirantes, feito pela Policia Civil que enfrentou a tiros a PM? Pois é. Aguarde que vem mais…

Juntos, eles são 66% dos funcionários do governo do Estado. Deveriam ser até mais já que essas são as três áreas clássicas de atuação do Estado. Aquelas sem as quais o povo fica ao deus dará. Pois são justamente essas que os sindicatos, todos ligados aos partidos que só falam no povo, vão tentar parar, por bem ou por mal, na intimidação moral ou na porrada.

E porque eles vão parar?

A presidente da APEOESP (sindicato dos professores), Maria Izabel Noronha, não tem papas na língua: “Estamos aqui para quebrar a espinha dorsal desse partido e desse governador”, foi o grito que ela deu de cima do caminhão de som ao ordenar a carga de sua tropa de choque contra o Palácio dos Bandeirantes na sexta-feira (ouça com seus próprios ouvidos).

No dia anterior ela tinha aparecido em rede nacional, sentada ao lado de Dilma Roussef num dos comícios diários  com que ela e seu chefe, agora adepto do “terninho bolivariano”, debocham da Justiça Eleitoral.

Teria alguma outra justificativa a ação dessa boa gente encarregada de educar os jovens desta Nação para a democracia? Eles mencionam que sim. Querem 34% de aumento, o que representa 7,9 vezes a inflação de 2009, que foi de 4,3%; e querem, principalmente, o fim do programa de remuneração pelo mérito do governador Serra, que dá aumento real de 25% todo ano ao terço do professorado que mais se aproximar das metas de desempenho traçadas para aquele ano.

O numero escolhido para a pedida de aumento, sozinho, já garante que não haverá, de jeito nenhum, a possibilidade de acordo. Nem a inflação passada, nem duas vezes a inflação passada. Oito vezes. De modo que a Avenida Paulista é nossa, e quem não gostar que coma menos…

Agora, o alvo mesmo é esse negócio de mérito.

Alguém já tinha ouvido falar de um sindicato se colocar contra um programa que aumenta salários em 25% todo ano? Jamais, né mesmo. Mas no país onde nunca se viu um professor da rede publica mencionar a palavra “educação” ou discutir qualidade de ensino, isso é normal.

Afinal, se começarem a medir o mérito, de repente eles vão ter de começar a se preocupar com bobagens como, por exemplo, os alunos, que hoje eles simplesmente deixam em casa, em véspera de eleição, e mantém semi-analfabetos em tempos de paz. E por esse caminho “burguês”, alguém ainda acaba pensando em por o Estado à serviço da sociedade e outros absurdos urdidos pelo “consenso de Washington”.

Eu, hein?! Trabalhar? Ter de cumprir horário? Não poder faltar? Alguém aí sair conferindo se a gente fez mesmo o que disse que fez?

Ô loco! Nunca antes neste país! E que continue assim para sempre!

Melhor criar logo o “Comitê da Verdade” pra dar a todo mundo que falar nisso o devido tratamento, como se faz lá na Venezuela, graças ao “excesso de democracia” com que o “companhêro” Chavez trata o seu povo, ou na boa e velha Cuba…

É nessa hora que a gente se toca: fazia tempo que a cidade não parava a toda hora pra ter, enfiadas pelos ouvidos no meio do congestionamento, as mensagens democráticas dos donos do Estado. Até que eles andavam quietos!

Pois é isso. A melhor coisa que aconteceu para o PT e que explica boa parte do sucesso do governo Lula, é que eles não têm de ter o PT na oposição. E não ter o PT na oposição significa que tudo aquilo que estiver dando certo no país pode continuar dando certo que ninguém vai reclamar. Significa que, tirando as vesperas de eleição, o país pode trabalhar em paz.

No governo FHC, a gente vivia um permanente clima de sabotagem a tudo que estava funcionando no país e, nos intervalos, era aquela chuva de dossiês que o PTPOL distribuía pelas redações. Uma CPI por semana; a claque indo atrás do presidente para apedrejá-lo e gritar pelo impeachment onde quer que ele fosse. O país parado meses em torno da rede de intrigas.

Com a saída do PT da oposição, o país ganhou uma oposição mais honesta. Em compensação, micou com um governo muito mais desonesto. E se antes quase todo o Estado já pertencia ao PT, agora, depois de oito anos de cuidadoso aparelhamento…

Agora o PTPOL não é mais uma força clandestina que escarafuncha a sua vida bancária, traça os seus passos na Receita Federal, grava o que você conversa no telefone escondido. É um braço oficial do poder constituído. As coisas, então, podem funcionar mais organizadamente, segundo um calendário mais racional. Faltando um ano para a eleição, pouco mais ou menos, dá-se uma olhada no cenário nacional, considera-se bem as pesquisas e então trata-se de desovar tudo que vinha sendo colhido para este fim há vários anos, com vistas alimentar os debates na TV que vêm aí.

A eleição vai opor PSDB e DEM ao PT e seus aliados, de Maluf a Collor, passando por Sarney? Ta difícil de achar alguma coisa que faça volume no PSDB? Pois muito bem, foquemos no DEM.

E lá vem o estrondoso  caso Arruda. Alguns dos mais chocantes entre aqueles filmes deles enfiando dinheiro nas cuecas como o irmão do Genoino eram de 2006! Ou seja, se isto fosse um país civilizado e com imprensa, estaria todo mundo cobrando a Polícia Federal por ter colhido prova tão indiscutível de um crime cabeludo e calar a boca durante três anos, durante os quais, obviamente, a quadrilha do Arruda roubou o nosso dinheiro tanto quanto ou mais que no ano em que foi filmado.

Mas a questão, aqui, não é deter a corrupção, essa mania desses chatos do Tribunal de Contas que só serve para parar obras publicas e fazer trabalhadores perderem o emprego. É usar a lei para favorecer conveniências eleitorais. Senão, o nosso bom Lula não aceitaria entre seus “apoiadores” essa gente toda que não pode pisar fora da fronteira do Brasil senão vai em cana, né mesmo?

Mas e a imprensa?

Não é que ele tinha um apartamento triplex, na praia, sendo comprado pela cooperativa dos bancários? Dos bancários?! Mas péra aí, ele não era torneiro mecânico? Pode qualquer um comprar apartamento triplex na praia pela cooperativa dos bancários sem ser bancário? E como é que ele nem reclamou se estava na lista dos que tomaram calote da Bancoop? Pagou um monte de prestações, ele que não é nem um cara rico, tomou o calote e ficou de bico calado? E de quanto foi esse calote? E, inda mais, calote explicado justamente para bancar a eleição do PT!!!

Bom, qualquer “mané” faz uma lista sem fim de perguntas saia justa em cima de uma informação dessas, não é? Mas não nas redações do Brasil porque nas redações do Brasil não tem “mané”. Curiosidade, nelas, é ativada ou desativada com o mesmo critério com que os petistas aplicam a lei: só quando interessa e contra quem interessa…

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