Uma no cravo outra na ferradura

18 de julho de 2014 § 1 comentário

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O governo de dona Dilma quase me deu uma alegria outro dia.

Sem mais nem menos vejo um dos jornais da Globo anunciar que a agência nacional de aviação (ANAC) estava mudando as regras para a operação do aeroporto de Congonhas, o mais movimentado do país e principal “redistribuidor” de voos para o resto dos aeroportos do Brasil, apesar do seu “tamainho”.

Posto na boca do PT, o espírito todo do objetivo atribuído à mudança tinha um cheirinho de iconoclastia: era tudo para reduzir a força das duas companhias quase monopolísticas – a TAM e a Gol – passando a condicionar a permanência nas mãos delas da quantidade de “slots” (horários para pousos e decolagens) que hoje detêm em Congonhas ao cumprimento dos horários de vôo. Quem atrasar ou cancelar vôos terá de repassar seus “slots” para quem cumprir horários e vôos programados, aí incuídas as novas companhias hoje quase excluídas de Congonhas como a Azul e outras.

A medida não é apenas justa. Ela vai inibir, também, em favor dos usuários, a prática hoje comum das duas grandonas de simplesmente cancelar vôos com poucos passageiros na última hora para esperar que o vôo seguinte decole mais cheio.

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O novo esquema, além disso, tira das mãos de algum amigão de alguém que detém hoje o poder de distribuir “slots” arbitrariamente (o que sempre resulta em corrupção) e passa a apoiar o sistema num critério objetivo, impessoal e mensurável e que – santa heresia! – baseia-se num conceito de mérito!

Quando eu, ainda incrédulo, me preparava para comemorar, entrei na segunda parte da notícia. Na mesma portaria a ANAC estava determinando que, no que tange a aviões executivos, Congonhas passaria a “dar preferência”, na distribuição de “slots”, para jatinhos fabricados pela Embraer.

Um empurrão na Embraer na direção contrária e pela razão avessa da medida anterior: algo que, com o tempo, fará com que a Embraer deixe de vender aviões por serem melhores, mais eficientes, mais econômicos e mais seguros que os dos seus concorrentes, como acontece hoje, porque poderá passar a vendê-los apenas porque eles terão o monopólio da garagem mais próxima dos usuários.

Isso pode fazer pelos aviões da Embraer o mesmo que fez pelos automóveis nacionais: transformá-los em carroças voadoras que ninguém que tenha alternativa quererá comprar.

Moral da história: quando a gente pensa que o governo do PT finalmente entendeu o espírito da coisa é porque a gente esta começando a não entender o espírito do PT.

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Atenção companhias aéreas!

25 de abril de 2014 § 2 Comentários

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Peter Smart é um designer inglês que se propõe solucionar problemas do dia a dia com o concurso da sua especialidade.

Ele mantém um site onde apresenta suas propostas (aqui), dá conferências nos mais prestigiados eventos envolvendo temas como inovação e informática e consultorias a diversas empresas internacionais de ponta.

Esta proposta de como transformar o (horrível) problema que são os cartões de embarque em todos os aeroportos e companhias aéreas do mundo numa solução boa para todos os interessados é um bom exemplo do tipo de trabalho que ele desenvolve.

Sigo praticamente traduzindo a matéria que ele apresenta neste link.

“É hora de

 repensar os cartões de embarque”

 

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Dê uma olhada no seu cartão de embarque.

O que ele precisa te informar é onde você tem de chegar, a que horas e como fazer para chegar lá.

O problema é que ele não ajuda nada a encontrar essas informações. Em geral os cartões de embarque resumem-se a um monte de números e abreviaturas espalhados meio a esmo por um pedaço de papel que exigem um considerável esforço para serem decifrados, especialmente num ambiente estressante como são os aeroportos onde todo mundo sempre está cansado e com pressa.

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O primeiro defeito evidente é o formato.

Você tenta manter o cartão dentro do seu passaporte mas fica sobrando papel dos dois lados. Assim quando você procura checar mais uma vez qual é o seu portão de embarque e o seu vôo, o papel fica enroscado na sua roupa ou acaba caindo do bolso externo da sua maleta de cabine.

O resumo é que ainda que seja imprescindível que o cartão de embarque seja guardado com segurança o formato atual torna isso praticamente impossível.

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Para começara resolver o problema é preciso lembrar que o cartão de embarque é feito para ser usado por três tipos de usuário:

  1. o passageiro;
  2. o pessoal da companhia aérea;
  3. as máquinas de leitura e processamento

Logo a boa solução não pode estar focada na satisfação das necessidades apenas dos passageiros. O novo desenho deve respeitar três limitações básicas:

  1. todas as informações constantes dos cartões atuais têm de estar no novo;
  2. as dimensões têm de ser as mesmas dos cartões que as máquinas lêem hoje;
  3. tudo tem de ser impresso apenas com tinta preta para evitar gastos e complicações adicionais com renovação dos equipamentos existentes.

A resposta é esta aqui:

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Vamos aos detalhes:

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Tem de haver uma hierarquia clara na tipologia para que você encontre imediatamente as informações mais importantes.

O usuário tem de tomar decisões rápidas e com confiança mas, para isso, as informações essenciais têm de estar bem distribuídas e dispostas de forma muito clara.

Os textos têm de ser simples e bem estruturados.

Quanto ao formato, a idéia é posicionar a linha tracejada a ser destacada no momento do embarque…

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…numa altura que facilite guardar o cartão dentro do passaporte mas, ainda assim, mantendo o acesso às informações essenciais.

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Só mudou, portanto, a orientação do cartão; não suas medidas.

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Mas dentro das mesmas medidas nós conseguimos…

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…não apenas uma hierarquia lógica mas também cronológica das informações…

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…informar o passageiro se ele vai ou não ter necessidade de ter o seu agasalho à mão e quantas horas terá de adiantar ou atrasar no seu relógio…

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…e ainda manter nas mãos dele todas as informações necessárias quando ele já estiver na sua cadeira só com o “canhoto””.

De modo que pras companhias aéreas brasileiras fica a dica: estou com Peter Smart e não abro!

 

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