E o plástico volta a ser petróleo…

8 de dezembro de 2014 § 19 Comentários

Lobos ensinam como a Natureza funciona

3 de abril de 2014 § 2 Comentários

Filme enviado por Cláudio Antonio Noschese

O mundo que se estrumbique

30 de setembro de 2013 § 5 Comentários

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A ONU apresentou sexta-feira mais um daqueles relatórios sobre o aquecimento global, agora “tomando redobrados cuidados para recuperar a credibilidade perdida” desde que um hacker divulgou, em 2009, e-mails trocados entre os cientistas que indicavam ter sido empregadas doses cavalares de “matemática criativa” para forçar conclusões alarmistas no relatório de 2007.

E, no entanto, as conclusões desta nova edição têm destaques tais como:

  • se antes a certeza de que o aquecimento é provocado por humanos era de 90%, agora é de 95%;terr9
  • se na edição anterior calculava-se que os oceanos subiriam entre 18 (nem 17, nem 19) e 59 centímetros (nem 58, nem 60) até 2100, agora eles subirão entre 26 e 82 centímetros, sendo o espaço entre a 1a e a 2a hipóteses de quase quatro vezes, como da vez anterior;
  • se a temperatura até 2100 ia subir “entre 1,1 e 6,4 graus” (6 vezes de diferença, incluídas as casas centesimais), agora vai subir “entre 0,3 e 4,8 graus” (16 vezes entre a mínima e a máxima!)…

Nunca me canso de me fascinar com esse negócio!

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Se antes de 2009 havia dúvidas, depois tornou-se uma certeza que a história do aquecimento global tinha virado uma indústria e era isso que explicava o ibope que o tema dava. Era uma daquelas palavras mágicas que abriam, ao mesmo tempo, os cofres das instituições internacionais a toda e qualquer “pesquisa” que incluísse “aquecimento global” como seu objeto, e a cabecinha travada dos  jornalistas de manada sempre presa ao atávico pavor de pensar só com os miolos e correr o risco de ser fulminado por um “quiéquiéisso companheiro”.

Mas agora isso acabou e mesmo assim continuam gastando zilhões de bits e toneladas de papel com esse bestialógico.

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Veja bem: eu não sou um eco-cético, como chegaram a chamar todos quantos apresentavam reações lúcidas a essa história. Não duvido, mesmo, que o globo possa até estar a se aquecer em função da interferência humana.

A minha questão é outra. A minha questão é: e daí?

É evidente que a metástese da espécie humana é uma doença potencialmente terminal do planeta, e eu poderia invocar toda a minha experiência de observador ultra especializado da natureza para apresentar as provas que indicam que assim é.

Mas não é necessária especialização nenhuma. Qualquer idiota pode ver, a esta altura, que o planeta não tem condições de sustentar 7 a 8 bilhões de pessoas nos níveis de consumo necessários para uma vida digna para todos e, ao mesmo tempo, manter a bio-diversidade que sustenta a renovação da vida.

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Mais que isso. Não dá pra manter essa gente toda e ter, ao mesmo tempo, sequer um ambiente minimamente higiênico e salubre.

Agora, cretinice maior ainda só pretender que dá pra sustentar essa gente toda sem industria, agro-indústria, combustíveis fósseis, geração de energia com dano ambiental e defensivos agrícolas; pretender que da pra sustentar essa gente toda sem a destruição de todos os biomas naturais, sem o envenenamento paulatino de todos os fluidos de que depende a continuação da vida na Terra e tudo mais que está óbvio que já está acontecendo.

É claro que é urgentemente necessário tomar uma providência quanto a tudo isso, sendo a única providência que pode produzir efeitos remover a causa do problema, ou seja, reduzir fortemente as taxas de natalidade e a quantidade de seres humanos comendo e “obrando” por aí.

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Porque então continuam gastando trilhões de dólares para fazer contas imbecis sobre a temperatura de daqui a 100 anos e ninguém fala em controle de natalidade quando já está óbvio que nos afogaremos em lixo ou, na melhor hipótese, morreremos de tédio olhando uns para a cara dos outros como única e solitária espécie sobrevivente neste planeta que já foi tão interessante, muito antes de chegar lá?

Porque essa discussão infindável sobre apenas um dos efeitos e nenhuma palavra sobre a causa do problema?

E eu mesmo respondo: pela mesma razão pela qual o PT investe bilhões em juntar gelo (de consumo sustentado com moeda falsa) em torno dos termômetros que medem a febre da miséria nacional mas não investe um tostão em educação, a única forma de removê-la de uma vez para sempre.

Porque o que esse pessoal quer é voto e verba e não soluções. O mundo que se estrumbique depois que eles terminarem a festa deles “”.

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Superconsumo

9 de abril de 2013 § 3 Comentários

Vídeo sugerido por Marcio Beozzo Junqueira

“Programa de índio”

31 de agosto de 2012 § 5 Comentários

Você é você e a sua circunstância. A sua história, o cenário onde ela se deu, a sua cultura.

Você é esse todo e se lhe arrancarem qualquer parte dele é você que estará sendo mutilado. Tanto quanto se lhe arrancassem um pedaço do corpo.

E ser humano nenhum se deixa despedaçar em silêncio e sem luta.

A natureza conservada é, por excelência, o locus da ausência do bem e do mal. Nela as coisa se dão ou deixam de se dar porque assim é. E essa é a lição mais importante que ela tem para nos ensinar.

Já no Brasil a coisa é bem mais “sofisticada”. Aqui, o que sobra de natureza conservada é, para a maioria de nós, uma coleção de imagens de televisão sublinhada pelas judiciosas considerações de algum “especialista” sobre as suas preferências pessoais em torno das ideias do bem e do mal.

Ninguém viveu lá. Ninguém nunca foi lá. Nenhum pedaço da sua vida, da sua história, da história de alguém que você conheça se deu lá.

Aquilo não faz parte das suas memórias nem das memórias das suas memórias.

Não faz parte da sua cultura. Não é seu.

Conforme o peixe que lhe tenha sido vendido na escola, na TV, nas fontes costumeiras de pensamentos “politicamente aceitáveis”, você – no vai da valsa ou até com paixão pela ideia – repete que é preciso “preservar o verde”, os bichinhos que você nunca viu, os matos que você nunca cheirou.

O seu “Avatar” particular, enfim, tão irreal e impalpável quanto o de James Cameron. Uma mera coleção de vagas palavras, ideias e imagens.

Quem, no Brasil, jamais pôs os pés na Flona (de “Floresta Nacional”) do Jamanxin? Ou pisou as Florestas Nacionais de Itaituba 1 e 2?

Quem, desta nossa massa de urbanóides, jamais ouviu falar que elas existem?

Algum amigo seu que, na adolescência, tenha ido acampar por lá com a primeira namorada? Que tenha passado uns dias de comer e beber o que elas têm para oferecer? Que, quase criança ainda, tenha feito ali a primeira caçada da vida na companhia do avô? Que tenha fisgado num dos rios que as cortam o seu primeiro peixe e nunca mais deixado de voltar a esse santuário das suas memórias? Que, tendo-o amado tanto e, mais tarde, ficado rico, tivesse doado sua fortuna para estender a outros o privilégio de também poder plantar as suas em cenários assim?

Nada!

Nos nossos “parques nacionais” é proibida a entrada. Ninguém conhece. Ninguém nunca foi. São ficções que só existem em discursos autoritários e em imagens da televisão.

A função do governo, aqui, é esvaziá-los de brasileiros e vedar-lhes a entrada neles.

Agora pergunte se existe algum americano de mais de cinco anos de idade que nunca tenha posto os pés no Parque Nacional de Yellowstone ou nas Florestas Nacionais de Sequóias da Califórnia onde cada árvore tem um nome de gente como nas confrarias de velhos conhecidos. Que nunca tenha acampado num deles, ainda que fosse só com os colegas de escola porque frequentar fisicamente a natureza, palpá-la com as mãos e o nariz, aprender a viver nela e dela é matéria tão obrigatória quanto inglês e matemática.

Pergunte a um europeu de qualquer quadrante se ele não conhece, não comeu e não dormiu todas as suas montanhas, todas as suas árvores, todos os seus frutos, todos os seus animais selvagens.

A função do governo, em cada um desses países, é levar todo cidadão para dentro dos parques; garantir os meios para que cada um deles possa usa-los.

“Educação ambiental” é isso: frequentar a natureza.

Nós falamos de natureza para pontilhar discursos sobre o bem e o mal.

Eles tratam de vivê-la.

Por isso eles reagem às eventuais ameaças contra esses pedaços do que são como quem defende um membro ou um órgão vital do próprio corpo.

Por isso nós abrimos mão dos nossos com a mesma emoção passageira de quem vê um filme de final infeliz e os deixamos ir com a mesma facilidade de quem muda de canal.

Esta semana li no Estadão mais um daqueles relatórios sobre o curso inexorável da devastação do Brasil.

Dezessete áreas protegidas estão dentro da zona de influência de projetos hidrelétricos e outros de natureza “estratégica” do PAC, filho da Dilma. Aproveitando o cheirinho de sangue no ar, os tribunais fervem de novas ações tentando arrancar mais um pedaço de alguma área indígena ou floresta nacional reservadas. Só por conta disso, mais 33 mil km2 do Brasil de sempre estão sob ameaças diretas…

E, veja bem, os nossos Yellowstones, as nossas florestas de sequóias ha muito já se foram. No país sem daniel boones; no país onde o escravo – índio ou negro – é que caçava para o branco ou empurrava o mato “ameaçador” sempre um pouco mais para longe, as araucárias, os ipês, os jequitibás de mil anos não são mais que lenha.

Programa de índio“.

É nesta terra de ninguém que afundam-se para sempre as Sete Quedas da vida sem que se ouça um único suspiro mais prolongado.

O que sobra em pé por aqui é aquilo que ninguém quis. O que até então ainda não se podia derrubar e por isso foi dado aos índios. Mas agora, com as novas estradas, a mineração, a tecnologia agrícola, as mega-hidrelétricas (dinossauros a quem a corrupção prolonga a vida), tudo pode seguir, como sempre, virando dinheiro fácil.

Venho de umas férias na amazônia boliviana.

Na Bolívia, como se sabe, é índio que sabe o que é bom pra índio. E, sendo assim, eles resolveram abrir a sua maior reserva preservada – aquela onde moram e de que vivem desde que o mundo é mundo – à exploração de pesca esportiva vendida e controlada por eles próprios, dentro dos padrões praticados em países que vêm sustentando assim as suas reservas naturais e o cenário dos idílios dos seus habitantes por séculos a fio.

Além do que de semelhante se oferece nesse programa ao que há de parecido com ele ao redor do mundo, está a oportunidade tão valiosa quanto é rara de observar o jeito como o indígena lida com esses ambientes com todas as valiosas lições que isso encerra a respeito do que somos, de onde viemos e para onde vamos, e a chance de se viver a experiência de darem-se culturas a conhecer dando saltos no tempo, incorporando uma da outra o que cada uma tem de mais aproveitável.

É tão bom que tem anos de fila na porta, apesar do caro que é!

No Brasil, onde quem sabe o que é bom pra índio é “especialista”, dir-se-á que tudo isso é politicamente incorreto; que tais praticas “contaminarão a pureza da cultura indígena”; que os ianques estão é de olho no que é nosso; que como “os outros” não sabem usar a natureza o jeito é proibir que o façam e blá, blá, blá…

Frequentar e usar a natureza no Brasil é contra a lei. Torna-se, assim, um privilégio só de quem vive de pisoteá-la (à lei). Aqui, em meio à aguda escassez planetária de florestas em pé, a natureza só tem valor econômico deitada.

Está condenada à morte.

Nós temos muito que aprender. Até com a Bolívia…

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