E o plástico volta a ser petróleo…

8 de dezembro de 2014 § 19 Comentários

Lobos ensinam como a Natureza funciona

3 de abril de 2014 § 2 Comentários

Filme enviado por Cláudio Antonio Noschese

O mundo que se estrumbique

30 de setembro de 2013 § 5 Comentários

terr1

A ONU apresentou sexta-feira mais um daqueles relatórios sobre o aquecimento global, agora “tomando redobrados cuidados para recuperar a credibilidade perdida” desde que um hacker divulgou, em 2009, e-mails trocados entre os cientistas que indicavam ter sido empregadas doses cavalares de “matemática criativa” para forçar conclusões alarmistas no relatório de 2007.

E, no entanto, as conclusões desta nova edição têm destaques tais como:

  • se antes a certeza de que o aquecimento é provocado por humanos era de 90%, agora é de 95%;terr9
  • se na edição anterior calculava-se que os oceanos subiriam entre 18 (nem 17, nem 19) e 59 centímetros (nem 58, nem 60) até 2100, agora eles subirão entre 26 e 82 centímetros, sendo o espaço entre a 1a e a 2a hipóteses de quase quatro vezes, como da vez anterior;
  • se a temperatura até 2100 ia subir “entre 1,1 e 6,4 graus” (6 vezes de diferença, incluídas as casas centesimais), agora vai subir “entre 0,3 e 4,8 graus” (16 vezes entre a mínima e a máxima!)…

Nunca me canso de me fascinar com esse negócio!

terr10

Se antes de 2009 havia dúvidas, depois tornou-se uma certeza que a história do aquecimento global tinha virado uma indústria e era isso que explicava o ibope que o tema dava. Era uma daquelas palavras mágicas que abriam, ao mesmo tempo, os cofres das instituições internacionais a toda e qualquer “pesquisa” que incluísse “aquecimento global” como seu objeto, e a cabecinha travada dos  jornalistas de manada sempre presa ao atávico pavor de pensar só com os miolos e correr o risco de ser fulminado por um “quiéquiéisso companheiro”.

Mas agora isso acabou e mesmo assim continuam gastando zilhões de bits e toneladas de papel com esse bestialógico.

terr8

Veja bem: eu não sou um eco-cético, como chegaram a chamar todos quantos apresentavam reações lúcidas a essa história. Não duvido, mesmo, que o globo possa até estar a se aquecer em função da interferência humana.

A minha questão é outra. A minha questão é: e daí?

É evidente que a metástese da espécie humana é uma doença potencialmente terminal do planeta, e eu poderia invocar toda a minha experiência de observador ultra especializado da natureza para apresentar as provas que indicam que assim é.

Mas não é necessária especialização nenhuma. Qualquer idiota pode ver, a esta altura, que o planeta não tem condições de sustentar 7 a 8 bilhões de pessoas nos níveis de consumo necessários para uma vida digna para todos e, ao mesmo tempo, manter a bio-diversidade que sustenta a renovação da vida.

terr11

Mais que isso. Não dá pra manter essa gente toda e ter, ao mesmo tempo, sequer um ambiente minimamente higiênico e salubre.

Agora, cretinice maior ainda só pretender que dá pra sustentar essa gente toda sem industria, agro-indústria, combustíveis fósseis, geração de energia com dano ambiental e defensivos agrícolas; pretender que da pra sustentar essa gente toda sem a destruição de todos os biomas naturais, sem o envenenamento paulatino de todos os fluidos de que depende a continuação da vida na Terra e tudo mais que está óbvio que já está acontecendo.

É claro que é urgentemente necessário tomar uma providência quanto a tudo isso, sendo a única providência que pode produzir efeitos remover a causa do problema, ou seja, reduzir fortemente as taxas de natalidade e a quantidade de seres humanos comendo e “obrando” por aí.

terr3

Porque então continuam gastando trilhões de dólares para fazer contas imbecis sobre a temperatura de daqui a 100 anos e ninguém fala em controle de natalidade quando já está óbvio que nos afogaremos em lixo ou, na melhor hipótese, morreremos de tédio olhando uns para a cara dos outros como única e solitária espécie sobrevivente neste planeta que já foi tão interessante, muito antes de chegar lá?

Porque essa discussão infindável sobre apenas um dos efeitos e nenhuma palavra sobre a causa do problema?

E eu mesmo respondo: pela mesma razão pela qual o PT investe bilhões em juntar gelo (de consumo sustentado com moeda falsa) em torno dos termômetros que medem a febre da miséria nacional mas não investe um tostão em educação, a única forma de removê-la de uma vez para sempre.

Porque o que esse pessoal quer é voto e verba e não soluções. O mundo que se estrumbique depois que eles terminarem a festa deles “”.

terr4

Superconsumo

9 de abril de 2013 § 3 Comentários

Vídeo sugerido por Marcio Beozzo Junqueira

“Programa de índio”

31 de agosto de 2012 § 5 Comentários

Você é você e a sua circunstância. A sua história, o cenário onde ela se deu, a sua cultura.

Você é esse todo e se lhe arrancarem qualquer parte dele é você que estará sendo mutilado. Tanto quanto se lhe arrancassem um pedaço do corpo.

E ser humano nenhum se deixa despedaçar em silêncio e sem luta.

A natureza conservada é, por excelência, o locus da ausência do bem e do mal. Nela as coisa se dão ou deixam de se dar porque assim é. E essa é a lição mais importante que ela tem para nos ensinar.

Já no Brasil a coisa é bem mais “sofisticada”. Aqui, o que sobra de natureza conservada é, para a maioria de nós, uma coleção de imagens de televisão sublinhada pelas judiciosas considerações de algum “especialista” sobre as suas preferências pessoais em torno das ideias do bem e do mal.

Ninguém viveu lá. Ninguém nunca foi lá. Nenhum pedaço da sua vida, da sua história, da história de alguém que você conheça se deu lá.

Aquilo não faz parte das suas memórias nem das memórias das suas memórias.

Não faz parte da sua cultura. Não é seu.

Conforme o peixe que lhe tenha sido vendido na escola, na TV, nas fontes costumeiras de pensamentos “politicamente aceitáveis”, você – no vai da valsa ou até com paixão pela ideia – repete que é preciso “preservar o verde”, os bichinhos que você nunca viu, os matos que você nunca cheirou.

O seu “Avatar” particular, enfim, tão irreal e impalpável quanto o de James Cameron. Uma mera coleção de vagas palavras, ideias e imagens.

Quem, no Brasil, jamais pôs os pés na Flona (de “Floresta Nacional”) do Jamanxin? Ou pisou as Florestas Nacionais de Itaituba 1 e 2?

Quem, desta nossa massa de urbanóides, jamais ouviu falar que elas existem?

Algum amigo seu que, na adolescência, tenha ido acampar por lá com a primeira namorada? Que tenha passado uns dias de comer e beber o que elas têm para oferecer? Que, quase criança ainda, tenha feito ali a primeira caçada da vida na companhia do avô? Que tenha fisgado num dos rios que as cortam o seu primeiro peixe e nunca mais deixado de voltar a esse santuário das suas memórias? Que, tendo-o amado tanto e, mais tarde, ficado rico, tivesse doado sua fortuna para estender a outros o privilégio de também poder plantar as suas em cenários assim?

Nada!

Nos nossos “parques nacionais” é proibida a entrada. Ninguém conhece. Ninguém nunca foi. São ficções que só existem em discursos autoritários e em imagens da televisão.

A função do governo, aqui, é esvaziá-los de brasileiros e vedar-lhes a entrada neles.

Agora pergunte se existe algum americano de mais de cinco anos de idade que nunca tenha posto os pés no Parque Nacional de Yellowstone ou nas Florestas Nacionais de Sequóias da Califórnia onde cada árvore tem um nome de gente como nas confrarias de velhos conhecidos. Que nunca tenha acampado num deles, ainda que fosse só com os colegas de escola porque frequentar fisicamente a natureza, palpá-la com as mãos e o nariz, aprender a viver nela e dela é matéria tão obrigatória quanto inglês e matemática.

Pergunte a um europeu de qualquer quadrante se ele não conhece, não comeu e não dormiu todas as suas montanhas, todas as suas árvores, todos os seus frutos, todos os seus animais selvagens.

A função do governo, em cada um desses países, é levar todo cidadão para dentro dos parques; garantir os meios para que cada um deles possa usa-los.

“Educação ambiental” é isso: frequentar a natureza.

Nós falamos de natureza para pontilhar discursos sobre o bem e o mal.

Eles tratam de vivê-la.

Por isso eles reagem às eventuais ameaças contra esses pedaços do que são como quem defende um membro ou um órgão vital do próprio corpo.

Por isso nós abrimos mão dos nossos com a mesma emoção passageira de quem vê um filme de final infeliz e os deixamos ir com a mesma facilidade de quem muda de canal.

Esta semana li no Estadão mais um daqueles relatórios sobre o curso inexorável da devastação do Brasil.

Dezessete áreas protegidas estão dentro da zona de influência de projetos hidrelétricos e outros de natureza “estratégica” do PAC, filho da Dilma. Aproveitando o cheirinho de sangue no ar, os tribunais fervem de novas ações tentando arrancar mais um pedaço de alguma área indígena ou floresta nacional reservadas. Só por conta disso, mais 33 mil km2 do Brasil de sempre estão sob ameaças diretas…

E, veja bem, os nossos Yellowstones, as nossas florestas de sequóias ha muito já se foram. No país sem daniel boones; no país onde o escravo – índio ou negro – é que caçava para o branco ou empurrava o mato “ameaçador” sempre um pouco mais para longe, as araucárias, os ipês, os jequitibás de mil anos não são mais que lenha.

Programa de índio“.

É nesta terra de ninguém que afundam-se para sempre as Sete Quedas da vida sem que se ouça um único suspiro mais prolongado.

O que sobra em pé por aqui é aquilo que ninguém quis. O que até então ainda não se podia derrubar e por isso foi dado aos índios. Mas agora, com as novas estradas, a mineração, a tecnologia agrícola, as mega-hidrelétricas (dinossauros a quem a corrupção prolonga a vida), tudo pode seguir, como sempre, virando dinheiro fácil.

Venho de umas férias na amazônia boliviana.

Na Bolívia, como se sabe, é índio que sabe o que é bom pra índio. E, sendo assim, eles resolveram abrir a sua maior reserva preservada – aquela onde moram e de que vivem desde que o mundo é mundo – à exploração de pesca esportiva vendida e controlada por eles próprios, dentro dos padrões praticados em países que vêm sustentando assim as suas reservas naturais e o cenário dos idílios dos seus habitantes por séculos a fio.

Além do que de semelhante se oferece nesse programa ao que há de parecido com ele ao redor do mundo, está a oportunidade tão valiosa quanto é rara de observar o jeito como o indígena lida com esses ambientes com todas as valiosas lições que isso encerra a respeito do que somos, de onde viemos e para onde vamos, e a chance de se viver a experiência de darem-se culturas a conhecer dando saltos no tempo, incorporando uma da outra o que cada uma tem de mais aproveitável.

É tão bom que tem anos de fila na porta, apesar do caro que é!

No Brasil, onde quem sabe o que é bom pra índio é “especialista”, dir-se-á que tudo isso é politicamente incorreto; que tais praticas “contaminarão a pureza da cultura indígena”; que os ianques estão é de olho no que é nosso; que como “os outros” não sabem usar a natureza o jeito é proibir que o façam e blá, blá, blá…

Frequentar e usar a natureza no Brasil é contra a lei. Torna-se, assim, um privilégio só de quem vive de pisoteá-la (à lei). Aqui, em meio à aguda escassez planetária de florestas em pé, a natureza só tem valor econômico deitada.

Está condenada à morte.

Nós temos muito que aprender. Até com a Bolívia…

Em busca da vaca anaerofágica, ou, Eu não disse que eles não eram sérios?

5 de junho de 2012 § 4 Comentários

De uma olhada na postagem anterior.

Foi só eu falar e a prova veio a cavalo.

Não, não é uma alusão ao cavalinho do símbolo de O Estado de S. Paulo que publicou esta pérola. Com pouquíssimas exceções condenadas aos guetos, a imprensa inteira se põe de quatro e passa a ruminar assim que alguém pronuncia as palavras mágicas “aquecimento global”. E não é só no Brasil.

Eu sei de fonte segura que aqui e ali, dentro das redações que hoje só contratam corredores de revezamento, ainda há um ou outro sujeito que raciocina. Mas, em geral, estão disfarçados. Não têm fome de capim mas se atiram ao assoalho sobre os dianteiros e imitam os demais por medo de perder o emprego porque, com esse negócio de religião, sempre foi um perigo mexer.

O fato é que ha uma má consciência geral e a humanidade em peso acha secretamente que está merecendo o fogo do inferno. E havendo demanda…

Os cientistas e os funcionários desse tipo de banco dispensado de fazer dinheiro, como este senhor Walter Vergara, chefe da Divisão de Mudanças Climáticas e Sustentabilidade do Banco Mundial (BID) que falou ao Estado, pelo menos são pagos para apresentar o seu numero.

Os jornalistas nem isso. Stulticia gratia stulticia. Menos mal…

A brincadeira que proponho é assim: em azul, sublinho frases do jornal e de seu entrevistado; (em vermelho) faço os meus comentários ao trecho. E você decide se eu tenho ou não tenho razão.

Segue então a integra das perguntas e respostas publicadas pelo Estado, escoimadas do “nariz de cera” que esse jornal ainda insiste em querer nos fazer engolir, repetindo nos primeiros quatro ou cinco parágrafos de qualquer entrevista que publica tudo que o entrevistado em pessoa vai dizer nos quatro ou cinco parágrafos seguintes. (Eles ainda hão de conseguir se curar dessa gagueira…)

Cabe registrar, antes de começar, que a Comissão Econômica da América Latina e do CaribeCepal, e o World Wildlife FundWWF, também endossaram o relatório aqui comentado que será apresentado nesta terça-feira, 5, em Washington e no dia 20 na Rio+20, no Rio de Janeiro.

Mas, mesmo assim, o pulso (do meu cérebro) ainda pulsa.

Vamos lá?

Custo do aquecimento global na

América Latina é de US$ 100 bi ao ano, diz BID

Fernanda Bassette – O Estado de S. Paulo

1 – O relatório aponta as perdas de US$ 100 bilhões por ano. De que forma chegaram a essa conclusão?

O relatório fez uma avaliação da literatura científica que identificou os diferentes impactos físicos. E conseguimos também na literatura fazer uma relação entre os impactos físicos e custos associados.. Para alguns impactos conseguimos as informações na literatura, para outros nós fizemos os cálculos. A novidade do estudo consiste em que pela primeira vez temos feito um cálculo de muitos impactos físicos, utilizando uma metodologia similar e colocando os custos financeiros em uma moeda que possa ser comparativo. Os custos foram calculados para dólares. Em resumo, fizemos uma avaliação de todo impacto físico com base na literatura e colocamos tudo em uma forma que fosse compatível para toda região.

2 – Quanto tempo demorou o levantamento?

Não demorou muito. O relatório começou a ser feito em dezembro de 2011 e conseguimos finalizá-lo agora, no início de junho.

(Repararam no detalhe? O tal “estudo” do banco consistiu em compilar a lista de ameaças constante “na literatura existente” sobre aquilo que continua sendo apenas uma hiper controvertida hipótese a ser confirmada daqui a 100 anos, e calcular todos os valores aventados nessa “literatura” em dólares pra que todo mundo possa fazer a sua própria conversão.

Agora, pense um minuto: que banco, senão um que não tenha de se preocupar em sobreviver num mercado competitivo, poderia se dar o luxo de manter, desde já, uma divisão inteira “de Mudanças Climáticas e Sustentabilidade” que talvez, e apenas talvez, venham a ocorrer daqui a 100 anos? E como justificar tal emprego e mais os dos autores da tal “literatura” senão, como este chefe de divisão que O Estado entrevista, fazendo acreditar a qualquer custo que tal hipótese de fato se realizará?)



3 – Os dados serão apresentados na Rio+20?

Sim, será apresentado no dia 20 de junho na Rio+20, num evento especial no Hotel Barra Windsor, às 9h.

4 – O relatório aponta que os investimentos em adaptação significariam 10% dos prejuízos de US$ 100 bilhões ao ano. Que tipo de ações seriam necessárias para reduzir os impactos ambientais?

Depende dos impactos. Por exemplo: o derretimento dos glaciares, nos Andes, trazem um prejuízo financeiro muito alto para as populações locais. Mas o derretimento pode ser compensado com algumas ações de adaptação para conservar a retenção da água no solo, nas montanhas, e também a construção de reservatórios de altura para aumentar a capacidade de armazenamento dessa água. No Brasil, temos um problema muito grave que é a perda de capacidade dos reservatórios hidroelétricos.

(Mas apesar da pertinente ressalva, o sr. Vergara já sabe que, sejam quais forem os impactos de daqui a 100 anos, as “adaptações” para preveni-los desde já importarão em apenas 10% do total dos prejuízos que haveria se a hipótese se confirmasse um dia…)


5 – O estudo inclui uma avaliação dessa perda, e haverá uma perda da capacidade de geração de eletricidade. O que pode ser feito?

Se você não faz adaptação, os impactos físicos vão repercutir num prejuízo de disponibilidade de energia elétrica no Brasil. Nesse caso, uma medida de adaptação muito simples é trabalhar em bacias altas, acima dos reservatórios, fazer reflorestamento, conservar os bosques nessas áreas para que eles consigam reter a água e diminuir o impacto físico da perda de energia firme. Se você consegue conservar os bosques e reflorestar nas partes altas, você consegue diminuir a velocidade de escoamento das águas. Quando chove muito forte a água vai transbordar, não vai ter capacidade de armazenamento adequada, e com a conservação dos bosques você consegue diminuir o escoamento e armazenar no solo. Isso aumenta a capacidade dos reservatórios de manter a água para geração de eletricidade. Com a mudança climática, tem chuvas muito intensas. Essa água escorre e chega no mar rapidamente.

(Não vamos nos deter nos pormenores porque apenas os absurdos e contradições contidas nesta resposta dariam para encher toda a memória que me resta no WordPress. Fiquemos só com essa “adaptação muito simples” que requer, além, é claro, do principal de que nunca se fala que é prescindir de alguns pares de bilhões de seres humanos que disputam esse espaço para plantar sua ração, substituir-se à natureza e “plantar e manter bosques” nas áreas onde eles mais fazem falta como, por exemplo, o semi-árido nordestino, que já levava esse nome, não por acaso, alguns séculos antes do BID ou da primeira industria no Brasil existirem…)

6 – Esse tipo de ação é suficiente para diminuir o impacto do aquecimento?

O aquecimento vai acontecer. O que você precisa é se adaptar com medidas de ação para diminuir o impacto físico. Tem outras medidas de adaptação que talvez sejam mais fáceis de discutir. O aumento do nível do mar, por exemplo, vai ter um impacto em toda a costa do Brasil e da América Latina porque vai atingir cidades costeiras e estradas que ficam ao lado do mar. Muitas áreas poderão ser inundadas. O que fazer? São duas opções: você pode planejar a longo prazo e fazer novas obras de infraestrutura terra adentro, mais longe do mar. É uma medida de adaptação que vai prevenir prejuízos futuros.

Mas você pode dizer que não pode mudar uma cidade, nem mudar o local de uma rodovia. Outra medida seria construir uma defesa física para que essas cidades ou essas rodovias não sejam afetadas pelo aumento do nível do mar.

(“O aquecimento vai acontecer” ou o departamento que chefio no banco teria de desaparecer, deveria ter completado o sr. Vergara. E faltou lembrar  também que, na feliz hipótese disso tudo vir a acontecer, “vai acontecer” num montante de 2 graus a mais na média da temperatura do planeta e daqui a 100 anos. As providências “simples” que ele recomenda, contudo, devem começar a ser tomadas já…)

7 – Que tipo de defesa física, por exemplo?

Bom, a rodovia poderia ser levantada. Ficar mais alta. A cidade é muito mais complexo e vai precisar de defesas físicas como está acontecendo na Holanda, por exemplo, onde temos barreiras de contenção para impedir a entrada do mar na cidade. Isso possivelmente vai ser necessário por aqui.

(A Holanda, não custa lembrar, passou a existir com o tamanho que tem hoje porque roubou certas baias ao mar que sempre esteve onde está hoje, muito antes de haver qualquer “emissão de carbono” a custa de queima de petróleo ou qualquer outro “culpado” pelo aquecimento futuro definido “na literatura” em cuja infalibilidade o sr. Vergara acredita tão literalmente quanto um carismático acredita na Bíblia ou um fundamentalista islâmico acredita no Corão.)

8 – Se a América Latina e o Caribe contribuem só com 11% das emissões, por que são regiões tão vulneráveis?

Porque o aquecimento é um fenômeno global. Se um país produz muitas emissões, essas emissões vão afetar todo o planeta, não importa se estamos no Brasil ou no Vietnã.

9 – Quais são os principais prejuízos para esses países?

Um bom exemplo é a produção agrícola na América Tropical, Brasil, Bolívia, norte da Argentina. Todos eles vão sofrer com o aquecimento porque por um lado as condições climáticas mudam e a lavoura agrícola terá de se adaptar. Naquela área onde era possível plantar soja, por exemplo, terá de mudar e encontrar sementes que consigam se acomodar às mudanças de temperatura e umidade que vão ser resultado das novas condições climáticas.

(Nas respostas às perguntas 8 e 9 subjaz o ponto enfatizado na postagem anterior: a culpa não é nossa, é dos ricos que “emitem” muito mais. Nós somos só as vítimas que vamos pagar com a fome pela ganância deles. Um “eles” dentro do qual, diga-se de passagem, incluem-se também e principalmente os plantadores de soja e quejandos do pérfido “agronegócio”…)  

Os prejuízos são muitos e o relatório aponta essa queda de produção agrícola, queda da produção de energia elétrica, inundação das áreas costeiras, branqueamento dos corais, o derretimento dos glaciais. Muitos impactos físicos.

(E embora o desastre ainda esteja por acontecer, na melhor hipótese ao fim de 100 anos como diz a primeira frase da resposta à pergunta 6, os prejuízos já estão todos presentíssimos…

Felizmente para todos nós e especialmente para o sr. Vergara, o BID está aí vigilante, com todo o seu departamento gastando preventivamente no presente para garantir que pareça sempre iminente o possível desastre futuro.)

10 – Em quanto tempo acredita-se que haverá esse aumento do nível do mar?

A literatura científica conclui que nesse século o nível do mar pode aumentar mais de um metro, quase dois metros. Essa é a literatura mais recente. Então, quando vai acontecer ninguém sabe, mas nós esperamos o aumento de um metro ainda neste século.

(Assim como a Terra já esteve no centro do Universo e O Profeta reencarnará, e morte a quem discordar…)

11 – Em quanto tempo o senhor acha que esse investimento deveria ser feito para reduzir os danos?

A minha sugestão é que esses investimentos em adaptação tem de ser feitos o mais cedo possível porque o processo de adaptação toma muito tempo. Imagine um país como a Guiana, em que a capital está um pouco abaixo do nível do mar. Imagine que o nível do mar vai aumentar e se as pessoas que moram na área costeira desse país não se prepararem com antecipação, vão sofrer muito com as consequências. Os países têm de iniciar os processos de adaptação agora mesmo. Já. Ontem. Precisam planejar com muito tempo e identificar quais são as ações mais efetivas para reduzir os danos da mudança climática.

(É nada menos que comovente a pressa do sr. Vergara em salvar as nossas almas…)

12 – Mas esses países são mais pobres, estão em desenvolvimento. Como adequar esse tipo de investimento à realidade de cada país?

Os países da América do Sul e da América Latina em geral são países que têm muitas prioridades de investimento em saúde, educação, habitação, todas as coisas essenciais para o desenvolvimento. Esses países tem muitas necessidades nessas áreas. Os prejuízos da mudança climática serão uma demanda adicional para os poucos recursos financeiros que esses países têm hoje. Por isso esse é um desafio muito importante para o desenvolvimento futuro. Como colocar o dinheiro que tem muitos usos básicos nessas ações, o que podemos fazer? Eu não sei a resposta para essa questão, mas o que eu posso dizer é que sem o processo de adaptação os prejuízos serão ainda maiores.

Uma coisa muito importante para evitar prejuízos ainda maiores ao planeta como um todo é reduzir as emissões rapidamente. O relatório faz um cálculo dos custos financeiros associados à diminuição rápida de emissões na América Latina. E a gente calcula que será necessário investir outros US$ 110 bilhões por ano para reduzir as emissões da América Latina do estágio de hoje para 2 toneladas per capita para o ano 2050. O cálculo que a gente fez é a única forma para ter uma chance de manter a temperatura para não mais de 2º para cima da temperatura normal. Para que o planeta não se esquente (sic) mais do que 2º neste século. Para fazer esse esforço, para reduzir as emissões, a gente fez o cálculo e os países da América Latina teriam de investir US$ 110 bilhões ao ano – coincidentemente a mesma figura do prejuízo estimado, de ao redor de US$ 100 bilhões ao ano.

(Sentiram firmeza na precisão? Pois é…

É caro mas, fazêuquê?

E, claro, nem uma palavra sobre a causa de tudo, que é a superpopulação e sua consequência mais direta, mais triste e mais ameaçadora que é a redução da diversidade biológica. Muito menos criar no BID um Departamento de Educação para o Planejamento Familiar ou coisa parecida. Isso desconcentra o investimento e dificulta as mordidas nesse bolo. De modo que façam filhos que depois a gente vê…

Pra ficarmos só no folclore, enfim, o resumo é o seguinte: vamos continuar enchendo o mundo de vacas pra essa gente toda poder comer, mas vamos tratar de impedi-las de peidar.)

Acorda, gente! Esse pessoal não é sério!

4 de junho de 2012 § Deixe um comentário

A população da Terra era calculada em 250 milhões de pessoas no Ano 1 da Era Cristã. Passou para 500 milhões em 1500.

1500 anos para dobrar.

Por volta de 1800 chegou a 1 bilhão de habitantes.

300 anos para dobrar.

Em 1922 atingiu 2 bilhões de pessoas.

122 anos para dobrar.

A esta altura fazia um bom meio século que já não era possível sustentar todos sem produção em escala industrial.

Em 1975 chegamos a 4 bilhões.

53 anos para dobrar.

Nos 13 anos seguintes (até 1988) houve um acréscimo de mais 1 bilhão. Mais 11 anos (1999) e somamos outro bilhão à conta. Total: 6 bilhões.

Neste ano da graça de 2012 chegamos a 7 bilhões de habitantes do planetazinho azul.

Seremos 8 bilhões em 2015 (e terão sido 40 anos para dobrar de novo se nada for feito), e 9 bilhões em 2050.

Quando a Rio 92 estava se reunindo pela primeira vez no Aterro do Flamengo, 20 anos atrás, nós éramos 5.478.595.455.

No momento do início da Rio+20, seremos 7.052.135.000.

1.600.000.000 de pessoas foram acrescentadas à conta entre uma festividade e outra.

E, no entanto, nem na Eco 92, nem na Rio+20, “superpopulação” é o tema central da Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável. Na verdade esse assunto mal chega a ser mencionado nos debates que essa entidade promove.

Continuam com aquela coisa do “aquecimento global”, gastando trilhões de dólares para investigar até quanto os peidos das vacas contribuem para a hipótese de termos 2º centígrados em média de aumento na temperatura global nos próximos 100 anos, e em quantos centímetros subirá o nível dos oceanos se isso acontecer.

Se entre a Eco 92 e a Rio+20 tivessem investido 1% do que foi gasto “pesquisando o aquecimento global” para fazer campanhas e programas de educação em massa para as pessoas terem menos filhos já teríamos a questão ao menos sob controle.

Mas não.

Enquanto fazem filhos muito além da conta da reposição ou da redução da população humana na Terra, ecologistas, cientistas ávidos por verbas “para pesquisas” e os governos dispostos a fornecê-las a ambos mas apenas para as pesquisas e as campanhas “certas” (apedrejando o dito “aquecimento global”), seguem sugerindo ao mundo que a causa dos nossos problemas são os efeitos da superpopulação (dos quais o aquecimento global pode ser que venha a ser um) e não o contrário, e como se fosse possível alimentar 7 bilhões de bocas sem massacrar a diversidade biológica, produzir em escala industrial ou gerar o lixo e os dejetos correspondentes.

Isso acontece porque superpopulação é uma questão que não comporta controvérsia ideológica e aponta mais para os pobres que para os ricos, o que não é nada bom para eleições, enquanto o “aquecimento global” sim, põe os ricos no banco dos réus e condena o “modo capitalista de produção” sem o qual seria impossível essa multidão sobreviver. Ou seja, desculpa a maioria (e mais os corruptos que estão pendurados na ponta do fio dessa meada) e culpa a minoria (a “zelite”, os ricos, os gananciosos) como convém à boa matemática eleitoral.

Ha sinais positivos nos esforços privados que vêm sendo desenvolvidos nos últimos anos para conseguir energia limpa e melhores formas de tratamento dos dejetos mas, bem feitas as contas (que a imprensa costuma evitar a todo custo mencionar), todas as pessoas honestas entendem imediatamente que isso só adia um pouco o desastre.

Solução mesmo, só diminuindo a quantidade de gente na Terra.

O fato dessa conferência reunir “mais de 100 chefes de Estado” – ou seja, políticos profissionais “de sucesso” que é a variedade mais tóxica dessa erva daninha – já deveria bastar para todos quantos vivem sob “chefes de Estado” e ainda não foram lobotomizados entenderem que isso não é sério.

Mas como parece que não basta, eu repito:

Acorda, gente! Esse pessoal não é sério!

Onde estou?

Você está navegando em publicações marcadas com sustentabilidade em VESPEIRO.

%d blogueiros gostam disto: