Por um fio!
3 de maio de 2017 § 9 Comentários
Artigo para O Estado de S. Paulo de 3/5/2017
A era das manifestações sem povo e contra o povo vai chegando melancolicamente ao fim.
Só em Brasilia, onde o marajalato ameaçado de desmame não tem contra quem impor-se à força foram dispensadas as barricadas que, no resto do país, ilustraram com perfeição a nossa “luta de classes” pré-Queda do Muro: contribuídos x contribuintes; aposentados integrais x aposentados pela metade; barrantes x barrados; sindicalistas x trabalhadores. Foi uma desolação a tal “greve geral”. O dinheiro do imposto sindical ainda compra sindicalistas mas, definitivamente, não compra mais a massa dos compulsoriamente sindicalizados.
É uma situação única na História essa nossa. A “jabuticaba” das “jabuticabas”. Um lado ainda tenta mas já não cola. O outro lado só não cola porque não tenta.
Até o Congresso Nacional, que abriga os mais sensiveis narizes da raça às mais leves oscilações do vento, registrou oficialmente a virada nas votações da noite de 27/4. Falta ainda a confirmação por tres votações do Senado e da Camara neste país em que nem o passado é estável, é verdade, mas a virada moral, a rendição argumentativa, já foi votada e assinada. É um golpe de morte na essência da “privilegiatura” a queda do foro especial para 35 mil dos “pares da corte” pouco mais de um ano depois de ter sido o nosso “rei” oficialmente declarado submetido “a deus”, significando a prevalência dos fatos sobre as suas olímpicas “narrativas”, e “à lei” pela Operação Lava Jato e pelo STF. Isso e mais uma reforma trabalhista que avançou muito além do cosmético de sempre e, ainda, o “desdentamento” da Lei de Abuso de Autoridade literalmente imposto pela opinião pública à cafajestocracia que começa a ingressar no território do passado, definitivamente não é pouca coisa para um país indigente de comemorações como este andava.
A alegoria reacionária encenada no plenário pelos beneficiários diretos do peleguismo e do trabalhismo achacador afastados das tetas quase centenárias não deixou dúvida quanto à certeza deles próprios de estarem sendo empurrados para fora da História do Brasil. Foi a primeira brecha no dique do amestramento pelo estado das instâncias básicas de representação da sociedade que, começando com o imposto sindical de Getulio Vargas, petrificou-se com o Fundo Partidário da Constituição de 88 e chegou ao paroxismo com o financiamento público de Organizações Não Governamentais Organizadas pelo Governo do “lulismo” que fechou o país à democracia representativa, fez explodir a corrupção e pos o trabalho em vias de extinção em todo o território nacional.
Não existe força no mundo que possa constranger uma Câmara de Deputados, um Senado da Republica e um Supremo Tribunal Federal com o retrospecto e o pedigree dos nossos a fazerem o que o povo realmente não quisesse que eles fizessem só porque assim lhes tivesse determinado um governo provisório desprovido de qualquer sombra de charme e sem a chancela das urnas, como querem nos fazer crer alguns dos mais notórios falsários do “horário gratuito”. Por mais que soneguem à massa as informações que realmente importam, o repudio ao marajalato esta posto. Só falta quem, no governo ou fora dele, nos tres ou no 4º Poder, se disponha a puxar a fila indicando ao Brasil um caminho prático que lhe permita dar o chacoalhão que o país está louco para dar na árvore da qual pende essa fruta podre. O inimigo já reconhece na pessoa de Temer, aliás, a mão que quer arranca-lo da teta. É a unica glória do presidente interino e ele ja esta pagando o preço de te-la. Mas o outro lado das barricadas não o enxerga como o instrumento da virada, muito mais que pelo seu passado, por este presente no qual ele hesita em se lhe oferecer como tal.
A falha de comunicação do governo esta em dirigir-se à “2a classe” que não recusa, ainda que não aplauda, as reformas que sabe necessárias, para repetir-lhe o que ela ja está doloridíssima de saber: que se elas não forem feitas o futuro é o presente; viramos todos um imenso Rio de Janeiro. Como também não é absolutamente o caso de explicar à “privilegiatura” como ela está matando o Brasil porque ela sabe exatamente o peso que tem neste desastre – conforme fica diariamente demonstrado pelo fato de seus próceres não perderem tempo argumentando suas razões, tratam somente de criar miragens para desviar a atenção dos fatos – o que o governo tem de fazer é expor à minúcia o que eles tentam esconder, qual seja, a relação direta de causa e efeito entre esses privilégios e a miséria que custa sustentá-los.
Se exibir exaustivamente o gráfico e os personagens arquetípicos da “distribuição da renda” no universo da previdência comparando a 1a com a 2a classe e, dentro da 1a classe, os “barnabés” com os “marajás”, o “sistema” já cai de podre. Mas se, junto com isso, mostrar com os respectivos custos os jatinhos e os carros de luxo ao lado dos trens de subúrbio; as mordomias ao lado dos barracos; as escolas na Inglaterra pagas aos filhos dos “marajás” pelos pais das escolas das balas perdidas, os “auxílios” mil isentos com o imposto sem correção sobre os salários quase mínimos, os planos de saude eternos ao lado dos hospitais do horror; se expuser tudo isso ao lado das falcatruas em série tipo Bolsa Pesca em Brasilia, os milhões de Benefícios de Progressão Continuada pagos a gente na flor da idade dispensada de exame médico; os 9 milhões de aposentadorias do setor rural quando só ha 6 milhões de pessoas em idade de se aposentar no campo segundo o Censo; se o “dream team” mostrar, enfim, na ponta do lápis, que diferença tudo isso faria descontado do sacrifício extra que está pedindo aos aposentados de R$ 1,6 reais, aí sim a “pelegada” toda ia ficar sabendo o que é uma MANIFESTAÇÃO DE MASSA e não demorava nem cinco minutos para que uma verdadeira reforma do Brasil, com a da Previdência dentro, fosse aprovada por unanimidade no Congresso Nacional.
Faltam 33 votos para o golpe
13 de julho de 2013 § 16 Comentários
O golpe do “Plebiscito já” continua andando. E rápido!
PT, PDT e PC do B convocaram, sexta-feira, os chefes das centrais sindicais das passeatas fracassadas para consolá-los dizendo que estão mobilizando suas bancadas no Congresso onde é mais fácil juntar gente para propósitos como esse que nas ruas.
Pelas contas feitas entre Rui Falcão, o mais alto encarregado da articulação do golpe, e Jose Guimarães, o da cueca, irmão de Genoíno o condenado, reunidos sexta no Congresso, o golpe já conta com os 138 votos das bancadas somadas dessas tres “agremiações democráticas” que fecharam questão no “Plebiscito já” que pode salvar o PT do desastre quase certo em 2014 a que Dilma o condenou.
Para os 171 votos requeridos para um “Decreto Legislativo” impondo o “Plebiscito já” (figura jurídica que é uma contradição em termos, mas vá lá, isto é o Brasil…) faltam só 33, a serem colhidos entre sólidos baluartes da legitimidade democrática como Valdemar da Costa Neto, Paulo Salim Maluf, Fernando Collor de Mello, José Sarney e outros sócios preferenciais deste governo, só pra mencionarmos alguns dos mais interessados em que o poder jamais troque de mãos e a “caixa preta” da verdade inteira sobre a roubalheira na “Era PT”, que poderá leva-los à prisão perpétua, jamais venha a ser aberta.
Na terça-feira que vem os presidentes dos três partidos reúnem-se com a mais recente aquisição do peleguismo nacional, nada menos que a Ordem dos Advogados do Brasil. Este antigo baluarte da democracia hoje está que é “cú e cueca” com Rui Falcão e José Guimarães…
Não esquecer, finalmente, que a missão da “Jornada de Luta” sem lutadores desta última quinta-feira era explicitamente essa: reviver o “Plebiscito já“. E que quando não conseguiram quórum, partiram para o quebra-quebra que se viu no Rio.
Quanto mais isolados se virem, quanto mais notoriamente sem apoio, quanto mais ameaçados de perder o poder, portanto, mais esse pessoal “fecha” com a idéia de um golpe.
Essa é a turma que “cutumô” com jatinho da FAB e o mais que vem junto. Foram 1664 vôos neste primeiro semestre, 9 por dia, 39% a mais que no ano passado. Um monte deles passou por cima das manifestações de massa com massa onde o povo bradava nas ruas do país inteiro pelo fim do deboche no uso do dinheiro público.
Só o Alexandre Padilha, Ministro da Saude, voou 110 vezes nestes seis meses. Quase todo dia, portanto. Só o jatinho dele e mais esses vôos valem duas, tres vezes mais que o pacote de miseros 12 bi que dona Dilma magnanimamente e com o estardalhaço de sempre concedeu pra todo o sistema nacional de saude publica na semana passada.
Gente desse nível de cara de pau é capaz de tudo!
“É tudo legal“, reagem em coro os nossos novos “jet-setters“. Legal segundo o decreto real, digo presidencial, nº 4244 que estabeleceu que assim é, e quem não gostar que coma bolos.
Não se engane, prezado leitor: assim como fazer o povão andar pra traz, por pouco que seja, depois de experimentar o melado é razão suficiente para a derrubada da Bastilha, não perder futebol na Tribuna de Honra, Trancoso de graça, carona pra corte em jatinhos particulares, puxação de saco e segurança perpétuas sem ter de trabalhar nem brilhar num mundo cada vez mais instável e competitivo é razão mais que suficiente pra qualquer golpe.
Por muito menos que isso centenas de milhões de litros de sangue têm sido derramados e Gulags inteiros têm sido erguidos e mantidos pra calar a boca dos descontentes ao longo da História da Humanidade.
De modo que é hora de voltar pra rua e não sair mais dela até que esse plebiscito esteja definitivamente enterrado.
PS.: A Polícia Federal “concluiu” após “exaustiva investigação” que não houve crime no boato sobre o fim do Bolsa Família. Do que decorre que houve crime no modo como o PT tentou explorá-lo pra confundir a sua proverbial incompetência com uma tentativa de golpe da oposição.









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