Feche os olhos e sinta…

23 de fevereiro de 2012 § 1 comentário

Na volta do carnaval, feche os olhos e sinta a diferença: enquanto o carro estiver deslizando macio, você está no Brasil da iniciativa privada; quando começarem os saltos e os solavancos, você acabou de entrar no Brasil estatal.

Nem São Paulo é exceção.

É aqui, aliás, onde as melhores estradas do país acabam de ser reformadas, que se sente mais esse contraste ao sair das pistas nas mãos das concessionárias privadas e cair nas ruas cada vez mais esburacadas e craquelentas da cidade que os políticos disputam.

Vai longe este patriota!

2 de setembro de 2011 § 4 Comentários

Gilberto Kassab tem todas as anti-qualidades necessárias para escorregar como um quiabo ensaboado por entre as malhas do filtro negativo da política brasileira.

Adota e descarta amigos segundo as necessidades do momento sem pestanejar ou fazer exigências ingênuas quanto a caráter, comportamento pregresso ou ficha na polícia.

É objetivo e flexível. Declara-se sem ideologia nem sexo, podendo assumir a (ou o) que parecer mais apropriado para cada ocasião.

Troca de partido ao sabor dos imputs do Ibope, podendo criar um novo com a necessária flexibilidade se nenhum dos 37 hoje em oferta no mercado lhe parecer suficiente para abrigar tão rigorosa neutralidade.

Para tanto deixa Jesus Cristo no chinelo: caminha com tranquilidade sobre as águas turvas da nossa legislação eleitoral, ressuscita mortos e tira de letra o milagre da multiplicação das assinaturas.

Agora, na melhor tradição do “nosso guia”, acaba de abraçar Judas diante da necessidade que se apresenta de “fazer o que todo mundo faz” para concorrer a eleições. Faltando 15 meses para o fim do mandato, anunciou aos seus eleitores paulistanos que chegou a hora de confessar-lhes que o plano é vender às imobiliárias mais uma fatia do futuro da cidade deles.

Sensível às demandas do mercado como é, está inventando 452 mil metros quadrados antes inexistentes na já saturadíssima área da Faria Lima, a serem oferecidos a preço módico às imobiliárias na forma de 500 mil novos Certificados de Potencial Construtivo, essa linda invenção de Paulo Maluf, o nosso político mais procurado pela Interpol (olha o Brasil aí, genteeee!). É nada menos que a mesma quantidade que foi vendida nos últimos 10 anos, de onde ele espera conseguir arrancar no mínimo R$ 2 bilhões, imprescindíveis para dar ao seu charme um alcance nacional.

E é investimento sem risco: se não se eleger, no mínimo vira o próximo Valdemort da Costa Neto no multibilionário mercado do comércio de governabilidade lá em Brasília.

Vai longe este patriota!

A enchente nossa de cada verão

6 de janeiro de 2011 § Deixe um comentário

Chegou mais um verão.

Chegou mais uma temporada de enchentes nesta cidade construída à margem de rios em plena rain forest.

Serão mais três ou quatro meses com a imprensa e os políticos atribuíndo “culpas” pelas inundações e consequentes tragédias segundo as suas preferências partidárias e ideológicas.

Prato cheio!

Na rain forest chove forte todo dia no verão. Haverá uma safra farta de tragédias, como tem havido todos os anos desde que a cidade ocupou as áreas que seus fundadores e antigos moradores sempre souberam que são e continuarão sendo dos rios.

Não importa.

A cobrança aos políticos continuará sendo feita pela razão errada. As menininhas da Globo, com suas capas encharcadas, seguirão exigindo “o fim das enchentes” que é impossível entregar. E se sentirão reasseguradas em sua “missão” pelos noticiários internacionais mostrando catástrofes semelhantes pelo mundo afora.

É o aquecimento global, esse filho do capitalismo!

Não ha novidade nas enchentes dos rios tropicais, nos terremotos e tsunamis sobre as praias próximas às grandes falhas tectônicas, nos deslizamentos de encostas instáveis, nas secas e nos incêndios que sempre as acompanharam. A novidade é que os lugares onde tudo isso sempre se deu sem que houvesse ninguém para testemunha-lo estão hoje abarrotados de gente, e em geral gente miserável, sem informação ou alternativa que lhes permita precaver-se de sentar praça no centro de mapeadíssimas armadilhas nem recursos que lhes enseje remediar-se dos desastres a que por isso se condenam.

Pior que a deles é a atitude de quem supostamente “sabe das coisas”.

Enquanto jovens urbanóides nascidos e criados na era do video game onde tudo se resolve ao toque de um botão, feitos repórteres, insistirem em se comportar como gravadores com pernas resistentes à tentação de raciocinar com a própria cabeça e desafiar a cantiga decorada que repetem diante da sazonal reedição desses eventos, os políticos que realmente têm culpa no cartório – aqueles que vivem de promover invasões de áreas sujeitas a forças telúricas para depois vender por votos a promessa de regularização e “urbanização” das áreas invadidas – continuarão refestelados na sua impunidade.

O quadro exibido nesta página, pintado por Benedito Calixto no distante verão de 1892, mostra a Várzea do Carmo, hoje centro de São Paulo (a construção em arcos é o Mercado dos Tropeiros, localizado onde hoje está a rua 25 de Março), inundada como fica em todos os verões antes e depois deste que ele retratou. Só que 118 anos atras, quando ainda se olhava para o céu e se respeitava o que se via nele, os paulistanos apenas curtiam essa mudança anual na paisagem sem se incomodar com mais que o crescimento da população de mosquitos que era tudo que essas enchentes acarretavam.

Matéria sugerida por Roberta Eluf

Abaixo os políticos cara de plástico!

11 de fevereiro de 2010 § Deixe um comentário

Quase dois meses com a cidade naufragando diariamente em seu próprio lixo!

Uma parte disso é a conta da corrupção. Décadas e décadas de invasões e loteamentos clandestinos em áreas condenadas à eterna desgraça incentivadas por aquele tipo de político “preocupado com o social” que vive de criar situações desesperadoras para depois vender o alívio por votos, sistematicamente legalizando e “urbanizando” os favelões resultantes.

Espero que estejam todos no Inferno, e que o bom e velho Lúcifer mantenha o braseiro sempre vivo para receber aqueles que ainda estão por aqui…

Mas não vem só daí a desgraça de São Paulo.

No final da semana passada a Globo mostrou cenas impressionantes das montanhas de sacos de lixo deixados nas calçadas de áreas sistematicamente inundadas, antes e depois da chuva do dia. Câmeras especiais, montadas como catéteres gigantes em cabos flexíveis, foram enfiadas galerias adentro, mostrando cenas desoladoras. Sólidos aglomerados de lixo de todo tipo, invariavelmente envolvidos em ou misturados aos onipresentes sacos plásticos, entupindo tudo. Quase tres mil kilometros de galerias pluviais pela cidade, todas com aterosclerose. E é indiscutivel que as finas películas de plástico que revestem todo e qualquer objeto oferecido no comércio hoje em dia, são o “colesterol” dessa doença fatal.

Mais que por qualquer outro fator, tomado isoladamente, é por causa deste que São Paulo infarta cada vez que cai água. 

E qual é a resposta das autoridades?

A do prefeito Kassab, que acaba de dobrar o valor do seu IPTU, foi vetar a lei que limita o uso abusivo de sacos plásticos envolvendo todo e qualquer objeto ou genero alimentício que circula pela cidade antes e depois de ser usado pelas pessoas. Até o próprio saco plástico, comprado isoladamente, vem dentro de outro saco plástico. Cada pessoa que passa pelo supermercado sai com mais 10, 20 sacos plásticos, aí incluídos os sacos plásticos, maiores e mais resistentes que os usados no movimento de entrada, para embalar a saída do que se comprou no supermercado, na forma de lixo doméstico. 

Cada uma dessas lâminas de petróleo aglomerado por processos químicos que produzem efluentes mortíferos, uma vez descartada, ficará 500 anos circulando pelo planeta, entupindo bueiros, assoreando rios e matando, em terra, por onde passar, até começar a matar tambem nos oceanos e terminar nos gigantescos vórtices de milhares de quilometros quadrados de lixo plástico girando em zonas esterilizadas que vêm se multiplicando em metástese em todos os mares do mundo.

É uma visão que literalmente arrepia quem ainda espera viver algumas décadas e aterroriza quem cometeu a temeridade de ter filhos.

Mas o dr. Kassab, veja bem, VETOU a lei aprovada pela Câmara Municipal que, nada menos que muito razoavelmente, se propunha limitar aos imperativos da verdadeira necessidade a circulação desse veneno!!!

Terá feito isso de boa fé?

Você decide…

Mas assim que decidir, tome uma atitude, porque está claro que nós temos de acabar com isso antes que isso acabe conosco!

Aonde estão, afinal de contas, a boa e velha sacola de feira que pode ir e voltar mil vezes ao supermercado? E a velha lata de lixo?

É preciso limitar o uso de sacos plásticos ao estritamente insubstituível. E começar a multar pesado, sim, qualquer porcalhão que atirar qualquer dejeto nas ruas, como acontece em toda cidade civilizada. Faturamento por faturamento, esta é uma forma mais honesta e socialmente util de produzí-lo do que ficar esfolando as pessoas com esses indecentes limites de velocidade que mudam a cada quarteirão. Saude publica por saude publica, esta é uma medida de alcance infinitamente maior que ficar infernizando quem insiste em fumar o seu inocente cigarrinho no meio dessa montanha de lixo impune dentro da qual vivemos atolados.

Tolerância zero para a plastificação desenfreada!

E pra esses políticos cara de plástico que fingem que não enxergam o óbvio, tudo que você sempre desejou pra eles.

Onde estou?

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