Quem é mesmo “de oposição”?
18 de outubro de 2013 § 2 Comentários
Estou longe de me considerar uma boa referência para medir as chances de empatia de discursos de campanha com as massas mas a do PSB tem me parecido das mais convincentes.
Não chega a bater de frente com o PT mas também está longe de ficar passando a mão nele como fez, ruinosamente, Jose Serra na última eleição.
Ela tem, sobre a de Aécio Neves, a vantagem de assumir propostas novas, como a do voto distrital, em vez de se limitar a sugerir contra o que se posiciona. Ou seja, afirma crenças próprias em vez de apenas negar as alheias. Posiciona-se pelo que diz ser e não apenas em referência ao outro.
Bem montada, clara e bem apresentada, com cheiro de juventude e coisa nova, tem chance real de colar mesmo que o PT consiga chegar a outubro de 2014 mantendo os níveis de consumo mais ou menos estáveis e a inflação ancorada onde está à custa de transformar o buraco que já cavou por baixo da economia que se esforça por fazer parecer que o país ainda tem num abismo sem volta.
O voto distrital, aliás, é daquelas obviedades ululantes de que falava Nelson Rodrigues. É impossível argumentar racionalmente contra ele e o sistema realmente muda alguma coisa naquilo que parece imutável, de modo que quem não é tonto trata de se apropriar da ideia.
Mas ainda ha espaço para quem quiser ser mais ousado que isso já que voto distrital só é um pouco mais que um cosmético neste país de caras-de-pau enquanto voto distrital com recall é uma verdadeira revolução, sendo facílimo demonstrar que assim é e, assim, passar na frente de quem se adiantou na largada.
Marina Silva aportando a credibilidade e a pureza ética que o “bom administrador” Eduardo Campos definitivamente não tem de sobra, como provam os seus esquemas com “mãinha” e outros agregados da família já abordados mais de uma vez aqui no Vespeiro é, portanto, uma dobradinha forte mas não invencível. Eles deixaram campo livre adiante de suas propostas, e campo tão amplo quanto o que diferencia uma vaga sinalização de perspectiva de mudança – o voto distrital – de uma virada revolucionária capaz e tirar a iniciativa das reformas que todo mundo quer das mãos dos bandidos e passá-la para as das suas vítimas, que é o que faz o voto distrital com recall.
De modo que, se houver disposição real de mudar as coisas por trás do blá-blá-blá de sempre, o PSDB ainda tem por onde avançar, e muito.
Outro termômetro seguro da vontade real de mudar as coisas para quem se apresenta pela vertente da oposição, é garimpar, ainda que seja só de leve, o Youtube e usar o que está lá como material de campanha. Os discursos do Lula de antes e do Lula de hoje sobre temas como o Bolsa Família ou a família Sarney, para citarmos só dois, são absolutamente mortíferos. Estão lá ha séculos, circulam de mão em mão pela rede como fogo de palha e, no entanto, ninguém ainda os usou numa campanha eleitoral, o que é simplesmente incompreensível.
Ou melhor, é tão óbvia essa obrigação de confrontar o PT consigo mesmo que abrir mão de fazê-lo constitui-se, em si mesmo, numa denuncia de má intenção.
Taí, portanto, a arma que pode desempatar as coisas no disputado campo da oposição: aquele que recorrer primeiro a esse material não estará apenas apresentando as provas do que é o lulismo fornecidas pelo próprio Lula; estará, sobretudo, denunciando o concorrente por ter mantido até hoje essas provas escondidas.
Isso sim decide a parada.
A esperança da família
21 de outubro de 2012 § 2 Comentários
E vai se tornando torrencial o pinga-pinga de “notícias” a respeito da nova “esperança da família” da “esquerda honesta”, aquela que já não consegue negar que o PT é aquilo que o ministro Joaquim Barbosa e seus oito mosqueteiros mostraram que é.
Os jornais deste domingo estão um festival! Não ha quem não pendure ao menos uma notinha a respeito.
Onde se vê que anda mesmo espessa a escuridão para Oeste do centro…
O tal Partido Socialista Brasileiro que se quer fazer nascer como “alternativa” à esquerda podre petista é aquele que foi do avô e hoje é do neto Eduardo Campos, governador de Pernambuco, cuja mãe, Ana Arraes, filha de Miguel, é deputada federal por PE e, apadrinhada pelo filho, foi guindada ao Tribunal de Contas da União.
Até aí, só os bons e velhos coronelismo, nepotismo e espírito de clã que vêm desde as sesmarias e estão sendo tão eloquentemente encenados em seus métodos de ação e componentes mais íntimos e recônditos na versão ora em exibição de Gabriela na Globo.
Mas é só isso?
Negativo…
Don’Ana já entrou no tribunal encarregado de zelar pelo bom uso do dinheiro publico com o telhado de vidro em pandarecos, flagrada que foi na contratação da “empresa locadora de automóveis” especialmente criada para a ocasião pela filha (Renata) do motorista, Esmerino Ferreira, de seu filho governador.
Filiada ao PSB em outubro de 2009, uma semana depois de “vencer a licitação”, Renata levou R$ 540 mil em contratos com a sua BSB Locadora, R$ 8 mil de “capital social” e “endereço” numa sala fechada na periferia de Brasília, o que melhorou muito a sua condição de funcionária terceirizada do Ministério da Ciência e Tecnologia, a parte que sempre coube ao PSB no latifúndio do governo Lula.
Mas, na boa tradição dos que têm a especial prerrogativa de “errar” sempre “para o bem”, Don’Ana “não abaixou a cabeça”.
Sua primeira grande providência no novo cargo foi rasgar os pareceres técnicos do próprio TCU e decretar retroativamente “legais” os expedientes antes julgados ilegais pelo meio dos quais Marcos Valério, ninguém mais ninguém menos, desviava dinheiro de estatais atendidas por sua “agência de publicidade” para o PT, entregando a ele em vez de devolver a elas os descontos obtidos junto a veículos de mídia.
R$ 106 milhões foram assim tungados somente ao Banco do Brasil para constituir o caixa do Mensalão.
Vinha de longe essa armação.
O processo do Mensalão estava em montagem desde 2005 e esta era uma das principais provas da peça de acusação do Ministério Público Federal. Quem “pegou” o sutil ponto e inventou a lei que Don’Ana viria a consagrar foi ninguém menos que José Eduardo Cardoso, logo feito Ministro da Justiça de Lula, que se encarregou de sancioná-la em 2010.
Bingo!
Conclusão: quase nada diferencia o PSB do PT por baixo dos ternos Armani da preferência das oligarquias canavieiras ou dos macacões do sindicalismo pelêgo made in São Paulo.




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