Quem vai domesticar quem?
31 de outubro de 2012 § 3 Comentários
Do lado de cá, tenho acompanhado com crescente ansiedade as tentativas que encontro pelos jornais de analisar com excesso de benevolência o quadro que se desenha da sequência julgamento do Mensalão–eleições municipais.
Não discuto a pertinência das conclusões que extraem da aritmética da votação (sobretudo quando incluem os números da deliberada e maciça não-votação) em todo o país e nem a verdade do que muitas delas afirmam sobre a legitimidade das pretensões do PT ao poder em escala nacional (e até além dela).
Mas não é disso que se trata.
Fora das democracias plenas, privilégio muito recente de meia dúzia de povos, se tanto, verdade e legitimidade sempre tiveram muito pouco a ver com aquilo que de fato define a conquista e o exercício do poder.
É um dado histórico. E a plena aceitação dessa verdade sobre o real poder da verdade e da legitimidade no jogo do poder, posta ao lado das hesitações dos que acreditam que basta reafirmá-la para se defender das feras, é a principal arma com que Lula tem contado para comer como tem comido.
Se não podemos e nem queremos agir como ele, é preciso, ao menos, pensar como ele ao avaliar o campo de batalha para ganhar um mínimo de eficácia na luta que virá.
A questão, daqui por diante, é simples. Trata-se de saber quem vai domesticar quem: a imprensa e o Judiciário ao PT ou o PT à imprensa e ao Judiciário.
Do lado de lá, jogo mais claro impossível.
O PT não aceita que lhe exponham os podres e nem, muito menos, que se o condene por isso. Para que não fiquem mal entendidos, ovaciona todos os dias os seus condenados e manda avisar a quem interessar possa que, qualquer que seja a pena que venha, vai passar a trote por cima da instância máxima da ordem institucional brasileira, cujas decisões não acata, para atirar por cima dela a contra-sentença de algum dos muitos circos que os restos da esquerda bandida ainda mantem armados pelo mundo afora para ocasiões como essa.
O padrão exemplar de “democracia”, repete-se de Dilma a Lula com igual convicção e fervor, é a Venezuela de Chávez, a Argentina dos Kirchner e o Equador de Correa, onde qualquer interessado poderá visitar as diferentes etapas de desenvolvimento do mesmo projeto que o PT afirma querer transplantar para cá, todos eles, por sua vez, inspirados na Cuba dos Castro que é onde os quatro sonham chegar.
Não pode haver ilusões. O PT é aquele tipo de adversário que, em contendas supostamente balizadas por regras civilizadas, leva para o ringue, além das luvas, o seu inseparável revólver. Enquanto estiver ganhando, limitar-se-á ao uso das luvas, ainda que abusando dos golpes abaixo da cintura. Se sentir a perspectiva da lona, puxará o revolver e acionará o gatilho.
Nada, rigorosamente nada do que o PT tem dito e feito indica o contrário. Cada declaração, cada gesto, cada ato de governo tem o claro e reto objetivo de fechar a porta à alternância no poder. A desculpa de que é tudo “para fazer avançar a democracia social” é uma daquelas mentiras rodrigueanas que clamam aos céus.
Se a sequência julgamento do Mensalão–eleições municipais provou alguma coisa por enquanto, é que não existe barreira nenhuma contra a “democracia social”, que pode avançar tão perfeita e livremente quanto for o desejo da coletividade dentro do limpo terreno republicano.
Mas nem mais esta prova palmar da inexistência da tenebrosa criatura da “zelite” que eles vivem denunciando impede que eles sigam gritando “Lobo!”
Ao contrário.
O PT renunciou faz tempo à utopia socialista. Trata-se agora de edificar o capitalismo de Estado brasileiro à chinesa, onde tudo se resolve entre amigos (que, enquanto “fazem avançar a democracia social”, como acaba de demonstrar o New York Times com relação à família Wen do patriarca Jiaobao, costumam ficar bilionários).
Para essa tarefa, as armas do passado são substituídas pelo dinheiro, e o acesso ao dinheiro necessário para desígnio tão grandioso se dá pelo controle das verbas públicas e a cooptação/fabricação de megaempresas globais.
A primeira etapa – assenhorear-se com dinheiro de Caixa 2 do Poder Executivo “para fazer avançar a democracia social” – está completa e voluntariamente confessada.
A segunda – anular com dinheiro público desviado, qualquer sombra de resistência do Congresso (“ao avanço da democracia social”, é claro) – foi a que o Supremo Tribunal Federal acaba de descrever e condenar, tanto nos seus métodos quanto nos seus objetivos.
Antes e depois de cada uma, corre a colonização da máquina pública e a partidarização do Estado com o objetivo de amealhar mais dinheiro “para fazer avançar a democracia social”, isto é, para comprar votos e consciências com suborno, assistencialismo, consumo subsidiado e bondades de véspera de eleição, conforme a necessidade. E entre os mais preciosos produtos de tais operações o PT colhe os primitivos argumentos que alega para sobrepor “legitimidade política”, êxito econômico e popularidade ao império da lei.
E da cappo…
O projeto é claro como o sol, e há muito que não é mais só projeto.
Ha esperanças?
Ha.
O bicho homem tem de ser tangido a pau para fora do seu egoísmo e do seu instinto predatório naturais. Democracia é isso, e é isso que o Supremo Tribunal Federal, ainda que tardiamente, começou a fazer pela primeira vez na história deste país com o julgamento público e didático do Mensalão e a condenação dos bandidos.
Abre-se, assim, a oportunidade de o Judiciário vir juntar-se à imprensa e dar consequência prática à tarefa de impor democracia que ela, desde o início da República, vinha a duras penas tentando empreender sozinha e a mão desarmada.
Os predadores dos níveis mais altos da cadeia alimentar, como os políticos e os mega“empresários” a eles associados, entretanto, nunca são completamente domesticáveis. Poder e dinheiro são o gatilho do “cheiro de sangue” sempre pronto a detonar a volta deles à sua condição selvagem original.
Os nossos, hoje solidamente associados e cercados dos comedores de restos que costumam acompanhar esses especimens, estão próximos demais da carótida do Brasil para aceitar afastarem-se placidamente dela.
Só o farão se doer muito.
A questão é que restam muito poucos do lado de cá para garantir que assim será. Sim, há 11 partidos dividindo o poder nas 26 capitais. Mas só um e meio podem, em sã consciência, ser classificados fora da categoria dos comedores de restos. O que há de sólido são as duas pontas do sistema que não vivem de votos – imprensa e Judiciário – e mais a metade do eleitorado que, votando ou deixando de votar, provou que não se vende.
O único recurso dos que se recusam a entrar no ringue carregando armas proibidas é a rapidez de resposta. É preciso derrubar o adversário sempre que ele levar a mão em direção ao coldre e antes que ele possa puxar o revólver. A imprensa e o Judiciário (e com ele o Ministério Público “empoderado” pela Constituição de 88) têm de articular uma rede de alarme e resposta rápida aos ataques que virão de modo tão profissional e eficiente, respeitadas as regras do jogo democrático, quanto o inimigo declarado que jura os dois de morte articulou a sua.
Mesmo porque, o que acontecer com uma acontecerá com o outro, e vice-versa.
José Guimarães (PT – CE), irmão de José Genoíno (PT – SP), é aquele cujo assessor direto, José Adalberto Vieira, foi preso no Aeroporto de Congonhas em São Paulo com US$ 100 mil escondidos na cueca, e mais R$ 209 mil numa maleta de mão, quando embarcava para Fortaleza.
Para que o STF possa ir das palavras aos atos
3 de outubro de 2012 § 3 Comentários
Do ponto de vista da ética e da moral, os seres humanos poderiam ser divididos em três categorias: os puros de alma, capazes de resistir às pressões do meio, tão raros que quando ocorrem costumam ser saudados quase como santos, os podres de alma, para os quais não ha remédio, e a massa do meio que busca apenas o caminho mais curto e mais seguro para “o sucesso” e que pende para um ou para o outro desses extremos conforme a regra do jogo que se lhe apresente.
O Brasil comemora aliviado a afirmação da independência do Poder Judiciário que, com o julgamento do Mensalão, deteve o processo de liquefação acelerada das nossas instituições que vinha rolando avassaladoramente sob o tsunami da sem-vergonhice assumida do lulopetismo.
Hoje é que a onça começa a beber água (escrevo antes da seção decisiva desta tarde) mas o que rolou até aqui já vale muito.
Dos 10 juízes envolvidos no julgamento só Lewandowski se ajoelhou. Nem o ex-empregado do PT, Dias Toffoli, comprou a tese do Caixa 2 só porque Lula mandou.
Não é por acaso que ser juiz do STF é para toda a vida e ser presidente da Republica é só para quatro anos. As artes de mr. James Madison, referência permanente aqui do Vespeiro, realmente operam milagres.
E é exatamente por ter visto esse tipo de efeito funcionar por tantas vezes numa já longa vida de observador profissional desse tipo de acontecimento, que acredito piamente que os milagres dependem, essencialmente, desses práticos empurrões das instituições humanas.
Os discursos dos ministros feitos nos últimos dias no STF e comentados hoje na página de editoriais do Estado poderiam ser traduzidos livremente como um aviso a quem interessar possa de que “o jogo mudou; nós sabemos bem de onde ele emanava e só não vamos mexer com essas estratosferas agora para não criar uma crise institucional. Mas daqui pra frente – cuidado! – a música vai ser diferente“.
Mas para que isto de fato aconteça será preciso mais do que discursos.
Marco Aurélio Mello, por exemplo, falou em “rotina da desfaçatez e da indignidade” que leva à “apatia dos cidadãos cada vez mais surpreendente“, “como se tudo fosse muito natural (…) e o erro do passado justificasse os erros do presente“.
É uma descrição falseada do que realmente se passa. E falseada porque esse futuro do condicional de que o ministro se serve para descrevê-la não existe de fato na realidade descrita. Pois nela, a impunidade do erro do passado realmente justifica o erro do presente, explica e induz a apatia dos cidadãos e faz da desfaçatez e da indignidade rotinas.
Outro americano notável, Theodore Roosevelt, dizia sempre que “O problema não é haver corrupção, vício inerente à espécie humana; o problema é o corrupto poder exibir o seu sucesso, o que é subversivo“.
Com nosso sistema penal permitindo que os corruptos permanentemente exibam o seu sucesso, o Brasil tem vivido sob a égide do triunfo dos podres de alma a arrastar as massas para (o ministro que me desculpe) uma apatia nada surpreendente e um comportamento geral cada vez mais imoral e antiético em todos os níveis das relações humanas e sociais porque este, os fatos lhes confirmam todos os dias, é o caminho mais curto e seguro para o sucesso.
Nesse Brasil, resta aos puros de alma (tenho Arnaldo Jabor, que ontem estava genial no Estado – aqui – , em mente) uivar desconsoladamente para a lua…
O que precisamos agora é de reformar as penas e sintonizá-las à importância dos crimes. E os crime de corrupção, todos nós sabemos, são os que mais lesam e matam, tanto física quanto moralmente, pois que têm efeitos disseminados por todo o organismo social atingindo especialmente os mais pobres.
Mesmo com este importante sinal emitido pelo STF, que vem para deter o “ladeira abaixo” em que iam as instituições brasileiras, é preciso ser realista. O Judiciário não faz, ele executa as leis existentes. Quem faz estas que peço são exatamente os alvos que ela visa. Esse tipo de reforma não virá, portanto, de dentro do sistema a ser reformado. Propô-la e empurra-la é papel da imprensa que, nas democracias, tem a função de parteira de reformas.
É este, portanto, o passo essencial. A corrupção tem de passar a ser uma escolha de vida de altíssimo risco. É preciso haver a certeza de que uma vez pego, o corrupto está perdido para sempre. Aí sobrarão em cena apenas os irremediavelmente podres de alma, que não são tão numerosos assim. Toda a massa do meio, que responde mais à oportunidade que à coragem, penderá para o caminho mais seguro, o sinalizado pelos puros de alma.
É isso, e apenas isso, que faz a diferença entre os graus suportáveis de corrupção, que permitem a uma sociedade prosperar e enriquecer, e aqueles que a afundam recorrentemente no duplo atoleiro da miséria moral e material como vem acontecendo com o Brasil ha 512 anos.
Isto não é só um bate-boca entre indivíduos
31 de maio de 2012 § Deixe um comentário
Agora acusam Gilmar Mendes de se ter excedido não só por denunciar (“um tanto tardiamente“) a tentativa de chantagem que sofreu da parte do ex-presidente Lula da Silva como pelos termos crus (mas indiscutivelmente precisos) que usou para qualificar as pessoas por trás da campanha aberta – e até, mais que isso, da bandeira oficialmente assumida pelo PT -para “fazer melar o julgamento do Mensalão” usando os expedientes mais torpes.
Esquecem os críticos de Gilmar que a tentativa de chantagem de Lula apoiava-se na ameaça de acusa-lo – falsamente como ele provou conclusivamente com os comprovantes de compra e uso de passagens aéreas – de se ter beneficiado de favores prestados pelo senador Demostenes Torres e pelo bicheiro Cachoeira para visitar a filha que mora em Berlim, ameaças estas que foram repetidas na véspera do início dos depoimentos na CPMI em curso por conhecidos “jornalistas” pagos pelo PT para jogar boatos na internet que a sua “militância hacker” trata de ampliar e repercutir até que se tornem “fatos”.
Gilmar Mendes fez sua denuncia, portanto, no momento em que foi forçado a tanto, sob pena de ver-se atirado na fogueira da CPMI que Lula se jacta abertamente de “controlar” antes que tivesse esboçado qualquer reação que pudesse preservar sua reputação.
O que interessa, aliás, é que isto não é só um bate-boca entre indivíduos. A decisão de demolir a mais alta instância do Poder Judiciário, a única força investida de poder institucional para frustrar a vocação imperial do PT (e da qual a imprensa livre, alvo secundário do partido, é só um agente coadjuvante) tem sido persistentemente perseguida desde os primeiros dias do governo Lula.
Essa demolição, é bom lembrar, está garantida pela conjugação da longevidade dos mandatos do partido na Presidência da Republica com o sistema de nomeação de ministros do Supremo e os prazos de aposentadoria por idade. Com as próximas duas aposentadorias compulsórias, mantido o critério das nomeações de novos ministros que o PT vem ostensivamente usando – e já são seis num colegiado de onze membros – também o Supremo Tribunal Federal estará seguramente “dominado”.
É só uma questão de tempo, e de muito pouco tempo. Mas de um tempo que, teoricamente, pode resultar, ainda, na imposição ao partido do vexame de ver condenados boa parte dos membros da sua mais alta cúpula e, junto com eles, ainda que apenas indiretamente, também o todo poderoso Lula da Silva, coisa que ele se sente com força para “não admitir”, custe o que custar.
Os passos do processo são inequívocos. Nos últimos minutos de Lula na presidência o próprio STF já dava a entender que não custará muito a entregar os pontos quando, revogando a sua própria decisão de poucos dias antes, abriu mão de exigir do presidente o cumprimento da lei e o respeito aos tratados do Brasil com países amigos ao transferir a ele a prerrogativa de dar a última palavra no caso Cesare Battisti.
Um final melancólico, diga-se de passagem, para uma instituição com as tradições do STF.
A nomeação de figuras como a do jovem advogadozinho de ninguém menos que José Dirceu, “o chefe da organização criminosa” que montou e operava o Mensalão, em pessoa, como ministro do Supremo Tribunal Federal não deixam nenhuma duvida, igualmente, sobre para que o PT e seus vorazes aliados querem um Judiciário castrado.
Por tudo que vimos até aqui e mais o que já está reservado na agenda nacional, portanto, é muito provável que esta tenha sido a primeira e a última vez que don Lula da Silva 1º terá tomado um “não” pela cara.
O que mais Gilmar Mendes tenha feito na vida antes deste episódio não vem ao caso neste momento. Sua decisão de fazer-se respeitar – e à lei e à instituição que representa – merecia outro tipo de tratamento dos órgãos de imprensa. Mesmo porque, encilhado o Judiciário, eles próprios estarão transformados em fabricantes de um tipo de munição que nenhuma arma do depauperado arsenal institucional brasileiro estará mais em condições de atirar.
(Sobre a semelhança deste momento da vida brasileira com um dos grandes turning points da história da humanidade, leia também O ano em que voltamos ao século XVI, aqui mesmo no Vespeiro).
Constrangimentos? Ha os doces e ha os amargos…
22 de maio de 2012 § Deixe um comentário
Encerrada a exibição da solidez dos “direitos constitucionais” de Carlinhos Cachoeira frente à completa impotência dos quase 200 milhões de brasileiros que ele tem ajudado a assaltar na seção desta tarde da CPI mista da Câmara e do Senado da República, a Globonews especulava com os “especialistas” do costume sobre se é ou não é constrangedor que um ex-Ministro da Justiça do governo Lula, declaradamente interessado em usar este caso como instrumento de vingança contra quem o denunciou em falcatruas anteriores (o Mensalão), atue como defensor “deste homem que pode ser classificado como o maior inimigo da coisa pública na história recente deste país“.
Constrangedor seria se essa palavra não tivesse sido banida do dicionário do lulopetismo, sem dúvida.
Mas com o ex-ministro da Justiça do Brasil é assim: pagou tá novo. E ele é o de menos. Marcio Thomas Bastos sentado à esquerda do bicheiro que desafiava toda uma Nação esta tarde na “Casa do Povo Brasileiro” é só um pedacinho do escracho que se nos apresenta.
Amparando-o por baixo está também o ex-presidente do Banco Central do governo Lula, Henrique Meirelles, e mais o BNDES com 35% do capital + R$ 6 bilhões de reais em “empréstimos” à J&F, essa nem tão misteriosa empresa semi-estatal que em menos de 10 anos evoluiu de açougue de província para potência multinacional pluriespecializada e agora acode pressurosa para “comprar” a Delta Construções que nada mais é que o verdadeiro banco de provas vivas do sistema gigante de falcatruas de que Carlinhos Cachoeira é só a fachada.
Se as escabrosas gravações com que os brasileiros têm sido brindados diariamente como acompanhamento do jantar são, tecnicamente, “apenas indícios” como têm dito os juristas, os contratos da Delta, 108 dos quais com obras do PAC filho da Dilma contêm, preto no branco, as provas concretas da maior safra de falcatruas jamais flagradas na história deste país.
Daí o zelo do PT em mante-los enterrados.
Ainda segurando as pontas do sr. Cachoeira, com toda a cara de pau que deus lhe deu, sentava-se na bancada reservada aos inquisidores (dando mais respostas do que fazendo perguntas) o ex-líder da Câmara de Lula, Candido Vaccarezza, aquele que escreve bilhetes de amor do PT para com o governador Sergio Cabral, do Rio de Janeiro, que foi o criador dessa cobra.
Paira por cima de Carlinhos Cachoeira, portanto, de asas protetoras bem abertas, ninguém menos que Lula em pessoa. E Fernando Cavendish que se cuide porque por muito menos do que ele sabe Celso Daniel acabou desovado num matagal com o corpo varado de balas.
A possibilidade de um desfecho trágico, passados 10 anos de “amaciamento” da moral nacional desde Celso Daniel é, porém, remotíssima.
A aposta de Lula é na “poule de 10” da anulação das provas que o seu bem nutridíssimo Ministro da Justiça já está cuidando de pedir, conhecedor que é, melhor do que ninguém, de que “fazer justiça” no Brasil não é avaliar provas, discutir fatos nem especular sobre culpas e desculpas, é simplesmente impedir o funcionamento de um sistema Judiciário especialmente desenhado para deixar-se docemente constranger a tanto.
Uma baba!
Uma doença antiga e 4 notas maldosas
26 de novembro de 2011 § Deixe um comentário
O Brasil vive ha 500 anos atolado nesse mesmo brejo: o descalabro anterior é sempre o que se alega para justificar o descalabro seguinte. Em vez de providenciar o conserto do membro danificado, deixemos que ele caia de podre e que o corpo todo se entorte para se adaptar a essa irremovível “realidade”.
Um exemplo?
Deu nos jornais da semana que passou que o Ministério da Justiça destacou um grupo que vai se empenhar sistematicamente em reduzir a “inflação penal”, que é como eles chamam as “dezenas de projetos em tramitação no Congresso” que, respondendo a eleitores em pânico com a falência da segurança pública, aumentam as penas para inúmeros crimes.
O argumento é na linha de sempre: nossas prisões são tão indecentes que se transformaram em fábricas de feras. Logo a solução é deixar os criminosos soltos nas ruas e os cidadãos presos nos seus casebres, onde as “celas” são melhorzinhas…
Se, seguindo a moda em voga no mundo, o governo instituísse um único “Dia Nacional sem Roubo” por ano, dava pra arrumar todas as prisões existentes e ainda construir as que estão nos fazendo falta.
Visto que, também nesta mesma semana, noticiou-se que o Brasil gasta em proporção ao PIB e à população o mesmo que os países mais seguros do mundo gastam com polícia, confirma-se que só ficaria faltando acabar com a galopante inflação de recursos e firulas formais que valem mais que os fatos nas discussões e decisões dos nossos advogados, promotores e juízes – inclusive e principalmente nos julgamentos a respeito da corrupção dos seus pares – pra resolver o problema da segurança pública no Brasil.
Mas aí como é que esse povo trabalhador do sistema judiciário ia sustentar os seus pequenos luxos?
Nem pensar!
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Jorge Gerdau Johanpeter, que foi imperialmente remunerado, via BNDES, para não ter mais que pensar em suas empresas e poder se dedicar “ao Brasil”, concluiu, após 8 ou 9 meses sentado no gabinete dentro do Palácio do Planalto de onde coordena a Câmara de Gestão e Planejamento do governo Dilma Roussef, que “é impossível governar com 40 ministérios e 25.500 cargos de confiança“.
Obrigado, dr. Jorge…
Mas o problema da administração pública brasileira nunca foi de falta de diagnóstico. É de recusa sistemática dos governos de tomar o remédio que todo mundo conhece contra o seu velho vício de subornar partidos políticos, fabricar e distribuir cargos públicos e cooptar empresários para lhes comprar eleições e perenizar no poder.
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E de repente, não mais que de repente, toda a legião dos banqueiros públicos e dos temidos fiscais do PT que têm acesso a cada movimentação nas contas de cada empresa do Brasil online e em tempo real no famoso computador da Receita Federal que deixa o da Nasa no chinelo, grita em uníssono sobre a compra pela Caixa Econômica Federal daquele banco do Sílvio Santos que eu e a torcida do Corinthinas sabíamos que estava arrombado: “Fomos traídos!“
Coitados…
O Silvio Santos é o dono daquela rede de TV da bolinha de papel na careca do Serra que selou a sorte da última eleição.
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Kassab, acusado de ladrão, é cria de Maluf, condenado como ladrão, que é padrinho de Negromonte, flagrado como ladrão.
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A USP se transformou na nossa madrassa. É lá que são fabricados os nossos aiatolás.























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