Ainda bem…

5 de setembro de 2013 § 1 comentário

ass2Ainda bem que ainda tem gente neste mundo que não consegue dormir se deixar barato a gaseificação indiscriminada de homens, mulheres e crianças em vez de ficar discutindo se “adianta” ou não punir monstros do calibre de Bashar Al Assad.

A gente está acostumado ao padrão Globo de qualidade moral de tanto tragar o desfile de monstruosidades que invade nossos lares na novela da hora do jantar desde pequenininho, e já se acostumou com esse tipo de raciocínio “realista”.

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Os americanos parece que ainda não completamente…

Olhado pela ótica deles, aliás, faz todo sentido a espionagem em cima da Dilma. Afinal o Brasil, se ainda não se declarou oficialmente como inimigo deles, declara-se aliado preferencial de todas as ditaduras em guerra fria ou semi-quente com eles, inclusive as que posicionam-se oficialmente como protetores dos terroristas que os têm como alvos preferenciais.

Na hora “H” segura as pontas até do novo Hitler do Oriente Médio e do seu vizinho apedrejador de mulheres.ass7

O Itamaraty, a Síria e os sonhos do Irã

30 de novembro de 2011 § 3 Comentários

O fato de ter sido um brasileiro insuspeito de viés ideológico avesso ao PT o autor do relatório da ONU sobre as atrocidades que vêm sendo cometidas pelo ditador Bashar al Assad apenas reforça a imoralidade da posição que o Itamaraty vem mantendo de bloquear toda ação internacionalmente coordenada para frear a carnificina na Síria.

Mas não se trata apenas de uma questão moral.

A cartada que se joga na Síria pode mudar totalmente o equilíbrio de poder naquele ponto do mapa mundi em que purga o mais perigoso e renitente dos abcessos que ameaçam a paz mundial. E se ha uma coisa sobre a qual não paira nenhuma dúvida é a perfeita coerência com que o Itamaraty tem jogado as suas mãos nessa parada.

Com a saída iminente dos Estados Unidos do Iraque abre-se um vácuo de poder que o Irã vem se preparando ostensivamente para ocupar, com a finalidade de estabelecer um corredor que irá do Afeganistão, na sua fronteira oriental, até o Mediterrâneo e inclui o controle do estratégico estreito de Hormuz por onde passa 40% do petróleo transportado por mar em todo o mundo.

Não é por acaso, portanto, que a Arábia Saudita e a Jordânia, na fronteira Sul desse potencial corredor, e a Turquia, na fronteira Norte, venham se articulando para substituir os Estados Unidos como força de dissuasão na região, e que a Liga Árabe, pela primeira vez desde a sua criação em 1945, baixou duras sanções contra a Síria, o primeiro país árabe a ser tratado por ela como inimigo.

O Irã, por seu lado, vem fomentando a rebelião das maiorias xiitas nas áreas de influência saudita (Bahrein e outros), enquanto trabalha para se armar de um artefato atômico.

A influência de Teerã sobre o governo iraquiano vem crescendo desde que o primeiro-ministro Nouri al-Maliki subiu ao poder e a virada final se dará com a retirada dos últimos soldados americanos no fim deste ano. E o Irã é o único país da região que segue apoiando o regime de Assad que, apesar da torcida contra, mantem sob firme controle as forças armadas nas quais todas as posições-chave estão nas mãos de membros da tribo alauíta à qual pertencem os Assad.

Eles tomaram o poder em 1970, com um golpe do pai do atual ditador, exatamente porque se infiltraram nas forças armadas até controlá-las completamente.

Os alauítas são uma minoria que não conta mais que 7% da população da Síria, de maioria sunita. Mas o fim de Kadafi deu a Assad e seus comandantes militares a senha de que é tudo ou nada, estão lutando por suas vidas, o que fez com que desaparecessem todos os limites para o uso da violência contra a rebelião interna.

A questão que une Síria e Irã, mais que religiosa é, portanto, de geopolítica (temperada pelo mais puro instinto de sobrevivência).

Os alauítas são muçulmanos heterodoxos que recusam as leis da sharia e estabeleceram um governo secular que se afirmava socialista (nasserista) e foi construído essencialmente em torno da estrutura militar.

Na guerra do Líbano, alinharam-se aos cristãos contra os radicais xiitas e, desde o início, tiveram forte apoio do Irã para calar a pau a sua própria maioria sunita.

Com a revolução dos aiatolás, no começo dos anos 80, porém, os iranianos mudaram de lado e passaram a ser o centro do islamismo radical xiita que, desde então, trabalha para sublevar as populações xiitas, frequentemente majoritárias mas submetidas a governos sunitas, pelo mundo árabe afora.

Ideológica e religiosamente falando, portanto, a Síria dos Assad e o Irã dos aiatolás não podiam, em tese, estar mais distantes um do outro.

A aliança entre a Síria e o Irã consolidou-se principalmente no alinhamento dos dois países para interferir no Líbano, que a Síria considera como território ilegitimamente destacado do seu. E o seu instrumento de ação no Líbano passou a ser as facções radicais xiitas apoiadas pelo Irã. O Hezbollah é, de certa forma, obra de ambos. Através do Irã, essa organização se transformou num instrumento do poder da Síria sobre o Líbano.

A chave para conseguir a queda de Assad está em dividir os militares. Mas esta parece cada vez mais uma missão impossível. Outra ação militar da Nato como a da Líbia provocaria reações em todo o mundo árabe, já suficientemente conturbado neste momento. E os Estados Unidos em crise não têm mais como pensar em sustentar guerras por muitos anos ainda.

Se Assad sobreviver, o que essa conjunção de fatores torna mais provável, o grande vencedor será o Irã, restando a possibilidade ao mundo árabe de atuar sobre o Iraque que, por enquanto, parece estar totalmente alinhado com o projeto do corredor para o Mediterrâneo.

Apoiam os interesses do Irã a Rússia (que vê com bons olhos esse corredor), a China e os párias da comunidade internacional de sempre, mais o Brasil, menos agressivo sob Dilma que, entretanto, também nisso se mostra impotente para decidir as coisas em consonância com o seu próprio discurso.

Na outra ponta, Estados Unidos, Israel, para quem, durante muito tempo, Assad foi “o demônio conhecido”, mais seguro que as maiorias muçulmanas ortodoxas, Turquia e os demais países árabes ainda sob situações políticas estabilizadas, além da Europa, é claro.

Itamaraty sabia o que estava fazendo ao endossar a carnificina na Síria

18 de agosto de 2011 § 2 Comentários

Quando o Itamaraty, junto com a Índia e a África do Sul, assinou a declaração contra a aplicação de sanções contra Bashar al-Assad que ha cinco meses vem promovendo um massacre contra manifestantes desarmados, alegando que o ditador tinha prometido “reformas políticas” e precisava apenas de tempo para coloca-las em prática, a diplomacia brasileira já sabia que isso era mentira e que o “tempo” que Assad pedia seria usado exatamente para o contrário.

Desde então, ele acrescentou também sua marinha aos blindados e à aviação que já vinha usando contra as cidades mais envolvidas na rebelião. Hama, que seu pai, Hafez, tornou tristemente célebre em 1982 quando a bombardeou por dias a fio matando pelo menos 40 mil pessoas pelas mesmas razões que o filho repete a dose agora, foi varrida, a partir do mar, por uma verdadeira tempestade de balas de metralhadoras pesadas e, em seguida, invadida pelas tropas de Assad que iam de casa em casa arrombando portas e fuzilando sumariamente todos que encontrava, mulheres e crianças inclusive.

Feito o “serviço”, a televisão estatal síria transmitiu, em 4 de agosto, cenas horripilantes de pedaços de corpos flutuando nas águas vermelhas de sangue do rio Orontes, que atravessa a cidade, para sinalizar aos manifestantes do resto do país o que os esperava. Para o exterior, disse cinicamente que se tratava de corpos dos seus soldados “despedaçados pelos manifestantes”.

Não parou por aí, como se sabe. Depois de Hama, os subúrbios de Damasco também passaram por uma carnificina, assim como as cidades de Deir al Zour, Abu Kamal e Latakia. Mais de 2.500 pessoas foram trucidadas até agora.

A redobrada brutalidade que o Itamaraty vem ajudando a prolongar apenas confirma o que fontes ligadas ao serviço secreto israelense já tinham antecipado em relatórios circunstanciados demais para serem postos em duvida que foram publicados no mundo inteiro.

Assad estava correndo contra o relógio.

Cerca de 80% de sua força militar é constituída por soldados conscritos. No dia 2 de agosto (um dia antes do Itamaraty perpetrar a sua perfídia), quando terminava o prazo de serviço de 6 mil deles, o governo anunciou um decreto revogando a sua baixa. É que a chamada de reservistas feita no início de 2011 teve menos e 30% de respostas. Ao mesmo tempo, as deserções vêm aumentando todos os dias. Em meados de julho, 12 mil soldados foram oficialmente declarados desertores. O numero teria subido para 18 mil, segundo fontes israelenses, até a segunda semana de agosto.

Ate 7 de agosto passado seu ministro da defesa, general Ali Habib, de 72 anos, ainda foi visto dando expediente normalmente em seu gabinete. Desde o dia 8, porém, ele desapareceu misteriosamente. Para desmentir os boatos de que tinha sido assassinado em sua casa (houve vários casos de “expurgos” desse genero na alta cupula militar antes), Assad mandou a televisão oficial transmitir “uma declaração do general” feita por uma voz em off enquanto a TV exibia uma fotografia dele, dizendo que se afastara para tratar-se de um câncer de próstata de que se teria operado em julho. Mas não ha nenhum registro dessa “operação”. Habib nunca deixou seu posto antes.

Assad, entretanto, não mostrou nenhuma pressa em substituí-lo. Embora estivesse em curso a semana mais sangrenta do que ele chama de “uma guerra contra terroristas” que desafiam seu governo, o novo ministro, general Daud Raja, nomeado ha poucos dias, é conhecido por nunca se ter envolvido diretamente em operações de campo. Ele cuidava de desenvolver misseis de longo alcance e adaptar outros em poder de Assad para carregar ogivas com agentes químicos.

Mas porque teria o ditador se disposto a alterar toda a cupula do seu comando militar bem no meio dessa “guerra”?

Porque Assad atribuía o problema das deserções e da dificuldade de recrutar novas tropas à crescente resistência do general Habib em seguir massacrando seu próprio povo.

Na verdade, o mundo inteiro sabe que Habib tinha sido jogado para escanteio ha mais tempo e que a operação de erradicação pelas armas de qualquer dissidência ao regime vem sendo comandada pelo cunhado de Assad, general Asif Shawqat, chefe do serviço de inteligência militar, e pelo seu irmão mais moço, Ali Masher Assad. Mas diante da crescente pressão internacional, Bashar prefere não deixar muito evidente que a carnificina tem estado a cargo das três principais figuras do clan que, ha duas gerações, mantem os sírios sob um regime de terror.

O que Assad pediu ao Itamaraty e a diplomacia lulista concordou em lhe dar, foi o tempo que necessitava para, multiplicando a violência da carnificina, aplicar o golpe de misericórdia contra os homens, mulheres e crianças que, por toda a Síria, vêm enfrentando heroicamente a sua ferocidade de mãos nuas.

Agora ele parece convencido de que conseguiu o que queria. Por isso voltou ontem a falar em conceder “reformas”.

Como lembra Demétrio Magnoli em artigo para O Estado de hoje, a constituição brasileira prescreve, no seu artigo 4to, que o Brasil “rege-se, nas suas relações internacionais” pelo principio da “prevalência dos direitos humanos”.

Depois do alinhamento automático aos apedrejadores de mulheres que se dedicam a construir bombas atômicas que prometem usar assim que estiverem disponíveis do período Lula, Dilma, na sua primeira ação nessa área, acompanhou um voto internacional de repudio ao Irã. Mas já em março, ao abster-se de apoiar a ação internacional para deter o genocídio na Líbia, mostrou hesitação. Em junho a recusa de receber a iraniana Shirin Ebadi, Premio Nobel da Paz, sinalizou o recuo. E em 3 de agosto, a rejeição à condenação da Síria no Conselho de Segurança da ONU concluiu a restauração da política de Lula, Celso Amorin e Marco Aurélio Garcia que, pela primeira vez na história deste país, condena as próximas gerações de brasileiros à vergonha de termos sido cumplices de um genocida.

Como parece estar começando a acontecer com a decisão de levar adiante a “faxina” depois da primeira conversa a portas fechadas com Lula na semana passada, durou pouco a “primavera de Dilma” no terreno da politica externa.

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