Haddad, Kassab e as novelas da Globo
13 de novembro de 2013 § 7 Comments
Um perigo essa guerra de arapongas!
Com a progressiva consolidação do “Reich de Mil Anos” do PT já não ha o que lhes resista. As tênues fronteiras e distinções de comportamento que chegaram a se esboçar dentro do território “deles” com os ensaios de meritocracia e responsabilidade fiscal da longínqua “Era FHC” vão perdendo a razão de ser.
Faz cada vez menos sentido ser mais realista que o rei que clama todos os dias, lá do trono, o seu “Eu sou. Mas quem não é”?, sublinhado pelos sucessivos “Eu não disse“? que a sua polícia distribui de jornal em jornal, cobrindo de lama vivos e mortos.
Como consequência cada vez mais gente “lá dentro” desiste de “não ser”.
Ocorre que num ambiente onde todos generalizadamente “são”, usar a arma da denuncia de corrupção é, cada vez mais, atirar no escuro: nunca se sabe em quem se vai acabar acertando.
Fernando Haddad, o petista bonitinho que gosta de posar de Robin Hood enquanto arranca o couro do povo com seus impostos escorchantes, achou que seria muito esperto, para abafar as manchetes contra o golpe do IPTU com + 35% à meia noite, “dar acesso” aos jornalistas do costume às provas das falcatruas de uns tantos fiscais ladrões escolhidos entre as hostes de fiscais ladrões dos ex-prefeitos que se apresentam como pré-candidatos a disputar com o PT o governo do Estado de São Paulo.
Dois coelhos com uma só cajadada!
Esqueceu-se sua excelência de que na nova realidade suborno-totalizante instalada no país não ha senão aliados do PT.
O mundo dos 32 “partidos políticos” brasileiros onde, fora os dois ou três com veleidades de disputa-la que reivindicam “neutralidade” enquanto a eleição não passa, todos os demais se declaram “de esquerda” e aliados dos atuais ocupantes do poder, parece-se cada vez mais com o das novelas da Globo que ninguém sabe se imitam a vida ou se são imitadas por ela.
Como todo mundo “come” todo mundo nesses ambientes gêmeos – velhotes e moçoilas, crias e criaturas de qualquer sexo, tipos normais e tipos “especiais”, homens, mulheres, híbridos ou “trans”, foi só disparar a primeira bala e ela não parou mais de ricochetear.
A hecatombe dos metro-sexuais da nossa política faz lembrar a das ruas aqui fora. Caem amigos e caem inimigos; caem alvos visados e caem alvos “perdidos“; caem os desvalidos e caem os protegidos. A diferença é que os alvejados aqui fora morrem de fato e os lá de “dentro” são apenas “afastados” até que tudo seja esquecido depois das quatro ou cinco semanas regulamentares.
O que fica são as ênfases nada sutis com que a televisão “dá” mentidos e desmentidos nos horários que o povão assiste e nos horários que o povão não assiste o que passa nas telinhas…
A pantomima, de qualquer maneira, diverte e (ainda) faz algum alvoroço. “Acessos” e mais “acessos” misteriosamente “obtidos” por diferentes órgãos de imprensa jogarão sal e pimenta nessas histórias provocando as divertidas reviravoltas que animam as noites da TV. Mocinhos virarão bandidos e bandidos virarão mocinhos ao sabor da arte da edição como pedem todos os folhetins que se prezam.
Mas, outra vez como nas novelas da Globo, no final tudo voltará às boas. Com a aproximação das eleições, diante da perspectiva de mais quatro anos no controle das tetas, corneados e corneadores, transgressores e transgredidos, acusados e acusadores perdoar-se-ão mutuamente e cantarão, abraçados, que “Hoje é um novo dia/ de um novo tempo que começou./Nesses novos dias, as alegrias serão de todos, é só querer”.
Todos os sonhos deles, enfim, serão verdade.
Nos mundos encantados do modelo globeleza de família brasileira e da “luta ideológica” que move os aspirantes a Brasília tudo sempre acaba bem.
(REMÉDIO PARA ESTA DOENÇA VOCÊ ENCONTRA NESTE LINK)
O longo caminho da abolição da malufagem
24 de janeiro de 2013 § 1 Comment
O promotor Silvio Marques, que corre atrás das falcatruas de Paulo Salim Maluf há 13 anos, pôde finalmente comemorar uma vitória.
Ele foi condenado a devolver R$ 58 milhões roubados à Prefeitura de São Paulo usando a Construtora Mendes Junior como gazua durante a construção da Avenida Águas Espraiadas, hoje Jornalista Roberto Marinho.
Ironicamente, quem receberá o dinheiro em nome da Prefeitura é Fernando Haddad, do PT, que o próprio Maluf, aliciado por Lula, ajudou a eleger.
A nota triste é que esta vitória solitária do povo de São Paulo contra o mais notório ladrão do erário paulistano não teve participação da Justiça brasileira. Foi decidida por um tribunal inglês, mais precisamente, o da Ilha de Jersey, e veio apertar um pouco mais o cêrco internacional a este conhecido predador que começou pela sua condenação pela Corte do Estado de Nova York que expediu contra ele um pedido de prisão e extradição a ser cumprido pela Interpol.
Paciência. Comemore-se assim mesmo!
Com o mundo ajudando, um dia a gente ainda chega à abolição da malufagem. Afinal, a primeira vez que os anti-escravagistas brasileiros puderam comemorar uma vitória também foi por causa de uma decisão dos ingleses: a de armar um bloqueio naval da costa brasileira para impedir a continuação do tráfico negreiro no Atlântico Sul que continuava rolando livre, leve e solto décadas depois que o resto do mundo já se tinha expurgado desse tipo especialmente monstruoso de crime.
Se fossem esperar exclusivamente por decisões espontâneas das autoridades brasileiras é provável que a escravidão continuasse até hoje.
Uma sugestão para José Serra
11 de setembro de 2012 § Leave a comment
Entre Haddad e Russomano o acerto é com deus (o da terra ou o do céu), sempre com a mediação do grande sacerdote de ambos, o reverendíssimo Paulo Salim Maluf.
Melhor não se meter.
Mas para o Serra a sugestão vale.
Lula parece que não estava chegando e a Dilma agora entrou na campanha com a conversa de que “Juntos (Haddad e ela) podemos consolidar projetos fundamentais do governo federal como o Proinfância construindo muitas creches“.
Ora, se alguém ainda duvidava que direito autoral não vale mais nada, está aí a defecção da ministra Ana de Holanda, que defendia que se pague a quem produz arte ou vive de escrever do mesmo modo e pela mesma razão porque se paga a quem produz coisas e por isso foi atirada para fora do governo do PT em favor de Marta Suplicy que de cultura entende tanto quanto eu de botox e vestidos cor-de-rosa.
Assim como Lula roubou a estabilização da economia e, dizem eles, até o Bolsa Família do PSDB, porque Serra não rouba do Haddad esse Proinfância?
Digo, com o nome e tudo já que construir creches não é propriamente produto exclusivo do tirocínio criativo dos candidatos petistas às prefeituras “deste país“.
Se fosse ele eu o faria assumida e cerimonialmente.
Gravaria um programa inteiro para anunciar que “estou assumindo o programa petista de construção de creches e espero do governo da União o mesmo compromisso de executá-lo ou financiar a sua execução numa São Paulo peesedebista ou, em caso contrário, ofereço o meu próximo horário eleitoral para que a presidenta Dilma explique aos paulistanos como se vingará nas criancinhas da cidade se seus pais não votarem no candidato dela“.
Ficaria por considerar a conveniência de lembrar ou não, neste mesmo programa, quanto o governo federal arranca e quanto devolve para São Paulo. Mas desde já tenho certeza de que, ainda que tal estratagema não bastasse para virar o jogo, teria um grande efeito educativo para o eleitorado brasileiro.
Uma doença antiga e 4 notas maldosas
26 de novembro de 2011 § Leave a comment
O Brasil vive ha 500 anos atolado nesse mesmo brejo: o descalabro anterior é sempre o que se alega para justificar o descalabro seguinte. Em vez de providenciar o conserto do membro danificado, deixemos que ele caia de podre e que o corpo todo se entorte para se adaptar a essa irremovível “realidade”.
Um exemplo?
Deu nos jornais da semana que passou que o Ministério da Justiça destacou um grupo que vai se empenhar sistematicamente em reduzir a “inflação penal”, que é como eles chamam as “dezenas de projetos em tramitação no Congresso” que, respondendo a eleitores em pânico com a falência da segurança pública, aumentam as penas para inúmeros crimes.
O argumento é na linha de sempre: nossas prisões são tão indecentes que se transformaram em fábricas de feras. Logo a solução é deixar os criminosos soltos nas ruas e os cidadãos presos nos seus casebres, onde as “celas” são melhorzinhas…
Se, seguindo a moda em voga no mundo, o governo instituísse um único “Dia Nacional sem Roubo” por ano, dava pra arrumar todas as prisões existentes e ainda construir as que estão nos fazendo falta.
Visto que, também nesta mesma semana, noticiou-se que o Brasil gasta em proporção ao PIB e à população o mesmo que os países mais seguros do mundo gastam com polícia, confirma-se que só ficaria faltando acabar com a galopante inflação de recursos e firulas formais que valem mais que os fatos nas discussões e decisões dos nossos advogados, promotores e juízes – inclusive e principalmente nos julgamentos a respeito da corrupção dos seus pares – pra resolver o problema da segurança pública no Brasil.
Mas aí como é que esse povo trabalhador do sistema judiciário ia sustentar os seus pequenos luxos?
Nem pensar!
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Jorge Gerdau Johanpeter, que foi imperialmente remunerado, via BNDES, para não ter mais que pensar em suas empresas e poder se dedicar “ao Brasil”, concluiu, após 8 ou 9 meses sentado no gabinete dentro do Palácio do Planalto de onde coordena a Câmara de Gestão e Planejamento do governo Dilma Roussef, que “é impossível governar com 40 ministérios e 25.500 cargos de confiança“.
Obrigado, dr. Jorge…
Mas o problema da administração pública brasileira nunca foi de falta de diagnóstico. É de recusa sistemática dos governos de tomar o remédio que todo mundo conhece contra o seu velho vício de subornar partidos políticos, fabricar e distribuir cargos públicos e cooptar empresários para lhes comprar eleições e perenizar no poder.
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E de repente, não mais que de repente, toda a legião dos banqueiros públicos e dos temidos fiscais do PT que têm acesso a cada movimentação nas contas de cada empresa do Brasil online e em tempo real no famoso computador da Receita Federal que deixa o da Nasa no chinelo, grita em uníssono sobre a compra pela Caixa Econômica Federal daquele banco do Sílvio Santos que eu e a torcida do Corinthinas sabíamos que estava arrombado: “Fomos traídos!“
Coitados…
O Silvio Santos é o dono daquela rede de TV da bolinha de papel na careca do Serra que selou a sorte da última eleição.
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Kassab, acusado de ladrão, é cria de Maluf, condenado como ladrão, que é padrinho de Negromonte, flagrado como ladrão.
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A USP se transformou na nossa madrassa. É lá que são fabricados os nossos aiatolás.































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