Só a rua salva o Brasil
2 de março de 2016 § 4 Comentários
Artigo para O Estado de S. Paulo de 2/3/2016
Prender a polícia; a velha obsessão! Depois da proposta de “restabelecimento imediato” do programa econômico do PT para nos salvar … dos efeitos da persistência insana no programa econômico do PT, tirar Jose Eduardo Cardoso do Ministério da Justiça e entregar a pasta à “guarda baiana” do lulismo, sob um lugar-tenente de Jacques Wagner, o lugar-tenente de Lula, com a missão oficialmente definida de rachar o Ministério Público (o de SP já se acovardou) e “enquadrar a Polícia Federal” é a prestação da vez do golpe aos pedacinhos do PT, com epicentro sempre no Judiciário, diante do que não dá mais para negar, nem a respeito da multinacional baiana de empreitadas presidenciais bilionárias, nem do que esse esquema rendeu na forma de “dachas” e outros mimos para o seu criador e digníssima família.
O flagrante de contato de mucosas entre as offshores panamenhas das famílias Santana e Odebrecht intermediado por um notório operador de subornos do “petrolão” conforme instruções precisas escritas de próprio punho pela sorridente senhora Santana, com pagamentos da Odebrecht para o marqueteiro de Dilma durante a campanha de Dilma, pôs munição viva na roleta russa do “caixa-2-pau-pra-toda-obra” que vem sendo jogada pelo PT e desenhou com minúcias chocantes os contornos da “Internacional Bolivarianista” que instalou uma rede de ajuda mutua de presidentes eleitos de extensa ficha policial em países diversos da África e da América Latina com o concurso de campanhas roteirizadas pelo marqueteiro de Lula e “Conselheiro nº 1 de Dilma Presidenta” pagas com “obras” bilionárias para a Odebrecht, bancadas algumas pelo BNDES, tudo isso dando vida à receita que ele tantas vezes festejou no Foro de São Paulo.
Com o país atolado na sua assumida incapacidade de formular mais que o ataque ao poder e de construir o que quer que vá além dos meios de mantê-lo, a nova coleção de provas configura o universo real do petismo no governo à imagem e semelhança do sindicalismo pelego getulista onde finca raízes no qual, uma vez tomada uma corporação numa determinada praça tudo que ha a fazer é não perder mais as “reeleições” por aclamação de eleitores expostos às pressões, violências, chantagens e reformulações da regra que garantem a quem se dispuser a praticá-las sem nenhum limite manter para sempre o livre dispor do imposto sindical correspondente.
“Governar é locupletar-se dos meios de ganhar a próxima eleição” é a única lição que se aprende nessa escola. Faz todo o sentido, portanto, que os governos do PT desdenhem completamente os profissionais do fazer mas erijam em eminências pardas todo poderosas os assessores do dizer com notória especialização em revestir superfícies podres de purpurina dourada, não importa em que latitude, não importa em que idioma.
As provas acumuladas contra os Silva, os Santana e os Odebrecht às vésperas de um momento de catarse como o do 36º aniversário do partido parecem ter precipitado manifestações descoordenadas dos setores mais “soft” e mais “hardcore” do golpismo genético no PT, o que explica o anuncio em sequência do “divórcio de Dilma” (sem separação de corpos) e início oficial da construção da grande mentira de 2018 embutido na “reafirmação” preventiva como efeito de um “programa econômico” que é a causa da desgraça profunda que o Brasil vai viver nos próximos tres anos e mais, seguido da rasteira em Jose Eduardo Cardoso, uma vez refeito o partido do susto, para por em curso mais um dos “arranjos” judiciais no figurino do Foro de São Paulo para os quais o PT se vem articulando desde o primeiro dia dos seus quatro governos, e se faz necessário nesta emergência para manter Lula vivo até o momento de protagoniza-la.
Que ninguém se impressione com a falta de sentido real das “propostas” do partido; é isso mesmo que dá sentido prático a esse angu dialético. Ao reagir a todo e qualquer fato novo com bofetadas na cara da lógica e do senso comum, o PT tem conseguido fazer com que cada bofetada nova pareça menos chocante que a anterior, o que vai dessensibilizando o ouvinte até que agredir a lógica torna-se a regra, e portanto, a lógica, e não a excessão, que é aquilo que, por inusitado, aciona nossos alarmes cognitivos. É com esse expediente que ele se tem dedicado ultimamente à empreitada de transmutar o castigo em crime e fazer da adesão ao impeachment sem o qual não sobrevive o Brasil uma espécie de “confissão de culpa” da intenção oculta não de prender os criminosos, mas de deixar vagos os seus postos na organização criminosa.
A “DR” pública do 36º aniversário do partido confirmou o que já se sabe desde o início da prova de apnéia que já vai muito além do limite do dano irreversível imposta à economia brasileira a partir da subida de Joaquim Levy ao palco: Dilma Rousseff não tem o mesmo estômago de Lula para recomendar com ar piedoso aos miseráveis que estrebucham em seus braços que tomem mais uns bons goles de veneno para se curar, mas também não tem grandeza bastante para sair de cima e deixar o país vir respirar na superfície. Ego por ego, os dois se anulam mutuamente, o que vai otimamente bem para o Brasil dos “Sem Crise” onde “demissão” é palavra fora do dicionário e aumento de salário se dá por decurso de prazo, haja o que houver com o “país real”, em que se irmanam, no mínimo na absoluta falta de pressa, situação e oposição.
Uma leitura objetiva do rame-rame e do prende-e-solta destes dois anos de enfrentamento surdo entre a trincheira solitária de Curitiba e o grande território ocupado do Judiciário de modo nenhum autoriza que se deixe de levar a sério a ameaça prometida de castrar a Polícia Federal e assumir oficialmente que nesta terra de avessos, pau que não bate em delcídio também não bate em marcelo nem, muito menos, em luis, por mais ululantes que sejam os fatos.
Só a rua salva este país. Se no próximo dia 13 o Brasil não der prova indiscutivel de apoio maciço à sua última célula saudavel, a doença terá vencido e não haverá segunda chance.

O que é que alimenta a mentira
30 de setembro de 2014 § 19 Comentários
O mergulho das “brases” na Bolsa de Valores de São Paulo soa como a “ficha caindo” da rendição daquele mítico “país do futuro” à mentira petista.
A interpretação mais benigna que se ouve é a de que, sim, nós vivemos em plena Torre de Babel e é impossível a comunicação no país dos 85% de analfabetos funcionais onde o “povão” não sabe de nada e está sujeito a qualquer mentira.
É verdade que isso é verdade e que os 85 milhões de cheques distribuídos pelo PT de mão em mão todo santo mês podem se transformar no empurrãozinho que faltava para que os dependentes do esquema façam vistas grossas para a mentira.
Mas mesmo entre esses não se perde a noção do verdadeiro e do falso. Pensar o contrário é embarcar naquela outra mentira que embala o petismo, de que o crime é função da miséria.
A verdade e a noção do certo e do errado têm força por si mesmas e quando são afirmadas com a necessária energia impõem-se igualmente para quem come bem e para quem come mal. Diante delas o criminoso e o vendido – rico ou pobre – só podem apresentar-se como o que de fato são. E isso cria um constrangimento que faz a maior parte das pessoas desanimar.
A campanha eleitoral na TV é uma oportunidade rara. Ela permite escapar ao cerco em que o poder invariavelmente tenta encerrar a verdade e mostrar ao povo, nua e crua e em rede nacional, mesmo aquela que só a parcela dele que lê conhece.
Mas não é o que tem acontecido. Ha, portanto, de fazer-se justiça à monumental incompetência das campanhas da oposição para explicar o movimento que as pesquisas estão registrando.
Campanhas nada menos que alienadas estão permitindo que o PT, reconfirmando a cada novo degrau galgado, até para a sua própria surpresa, que suas mentiras nunca lhes serão atiradas na cara, anime-se a seguir escada acima até chegar a essa inversão, que beira o surrealismo, de apresentar os próprios flagrados praticando esse crime como os paladinos da luta contra a corrupção e a impunidade.
Publicitários não são exatamente apóstolos da verdade. Não vai nenhum demérito nisso. É do metier. Mas até para eles ha um limite. O Conselho Nacional de Autoregulamentação Publicitária, que zela pela continuação da profissão e do negócio, não admite peças de propaganda inteiramente descompromissadas com qualquer fundo de verdade.
No presente momento brasileiro é diferente. A mentira sistematizada – junto com a corrupção no nível a que já chegou por aqui – é letal para a política. Mas este PT que sobrou depois da debandada da esquerda honesta não tem nenhum compromisso com a continuação da política “liberal” que, como sabe quem conhece um pouquinho da história recente deste nosso mundo, é a única que existe.
Política é, para eles, uma atividade provisória. O que eles entendem é a força. O PT que está aí é o que lutou de armas na mão, no século findo ha 14 anos, para impor ao Brasil a ditadura totalitária que ainda era possível naquela época. Agora lutam para nos levar para a ditadura tão total quanto ainda possível nestes grotões sul-americanos, a dita “bolivariana” que se conquista com mentiras e se mantém com as falsificações plebiscitárias que, do programa oficial do partido já saltaram, como avant premiére, para os decretos presidenciais.
Isso nos traz de volta à oposição. Numa guerra de mentiras vence o profissional em embalagens mais treinado na mentira. E nesse campo ninguém bate João Santana, o homem que modula as palavras na boca de Lula ha vária décadas.
O modelo formal da verdade, em política, está no bom jornalismo. Assim, só uma campanha feita com base no modelo jornalístico, como tem sido a de Geraldo Alkmin, é capaz de derrubar uma campanha inteira e assumidamente baseada na mentira.
Alexandre Padilha não é o maior fracasso da história de Lula e do PT apenas pelos belos olhos dele. Nem, muito menos, pelo sex apeal do governador que tem feito as alegrias do novato escatológico que o ninho de cobras do PMDB pariu para correr na paralela e comer São Paulo pelas bordas.
O que tem acontecido é que os marqueteiros de Alkmin não deixam ninguém esquecer por um minuto sequer quem é o “Pad”, como era carinhosamente chamado o ex-ministro da Saude de Dilma nas mensagens que o vice-presidente da Camara dos Deputados do PT, Andre Vargas, trocava com o doleiro Alberto Youssef, parceiros no crime ha décadas, para tramar entre os tres o golpe que garantiria a todos a tão sonhada “independência financeira” às custas da saude do brasileiro pobre.
O que tem acontecido é que as mentiras do PT sobre São Paulo não ficam um minuto sequer sem resposta. A contraprova vem na sequência da mentira posta no ar, e em geral no mesmo dia, como foi o caso com relação à controvérsia recente surgida com a tentativa de factóide lançada contra o sistema de prevenção do crime importada de Nova York pelo governador ou, mais ainda, com as de culpá-lo pela falta d’água em São Paulo, mesmo com ela de fato existindo e apesar das repetidas manifestações fajutas da militância profissional pela ruas da cidade.
A campanha de Alkmin serenamente trata de reportar os fatos na sequência em que aconteceram e de por no ar suscintas e contundentes reportagens sobre o estado das represas, a intensidade da seca e as medidas adotadas para enfrentar a emergência.
Os números confirmam que não ha telespectador, seja qual for a classe de renda, que não as compreenda.
Ja Marina e Aécio Neves, por mais acintosa que seja a última mentira exibida pelo PT, continuam olimpicamente falando em vagos “choques de gestão” e outras amenidades do gênero, como se essas fabricações não lhes dissessem respeito.
Alguém se lembrará de que sendo uma novata e o outro o dono de um currículo apenas estadual, não teriam o que apresentar sob esse formato jornalístico a um eleitorado nacional.
Mas não se trata de mostrar o que eles fizeram ou pretendem fazer. Trata-se de mostrar o que o PT não é mas afirma solenemente ser e, o que é melhor, pela boca dos próprios protagonistas das mentiras aventadas.
Imagine-se a edição dessa conversa sobre “a luta sem tréguas do PT contra a corrupção, doa a quem doer” entremeada das 12 vezes em que Paulo Roberto Costa, o agente colocado pelo partido para rapelar a Petrobras, se “reservou o direito de permanecer calado” na CPI, das cenas de André Vargas fazendo o mesmo gesto de Zé Dirceu e Genoíno na cara de Joaquim Barbosa, da construcão das suites especiais da Papuda, do Lula gritando do palanque que “tem o meu aval” uma mobilização da militância contra a condenação dos mensaleiros pelo STF, da “aposentadoria” precoce de Joaquim Barbosa e dos ministros amestrados do STF soltando a corja de volta pra rua. Ou de trechos de qualquer dos vídeos, catados a esmo, exibidos nesta postagem.
Qualquer estudante de primeiro ano de edição de imagens é capaz de matar a pau as mentiras petistas. Se pesquisar um pouquinho mais para tras no Youtube, então, põe os próprios mentirosos se desmentindo a si mesmos. Ou até se auto-denunciando como nos filmes que todo mundo sabe que estão lá, onde Lula explica que esquemas como o da sua “bôça família” é o mesmo truque sujo dos portugueses dando miçanga pra comprar índio. Ou aquele outro em que explica porque cooptar a familia Sarney só pode ser coisa de criminoso mal intencionado.
Seriam os responsáveis pelas campanhas de Marina e Aécio os únicos brasileiros minimamente ilustrados que não sabem da existência da internet? A esta altura já não importa. De qualquer maneira eles já são culpados de crime de lesa-pátria.
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