Vem aí o Estado Brasileiro nº 2?

5 de agosto de 2014 § 3 Comentários

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É manchete do Globo de hoje: incapaz de aplicar um “choque de gestão” na Infraero, a estatal que controla todos os aeroportos do país e está absolutamente roída pelos “diretos adquiridos” dos seus funcionários, o governo do PT está prestes a criar a Infraero 2, uma empresa com as mesmas funções da outra, só que livre do seu passivo trabalhista de 213,5 milhões que fica só para nós na empresa original.

A pressa no lançamento da Infraero 2 deve-se ao fato de o governo estar prestes a entregar aos seus novos operadores os aeroportos do Galeão e de Confins, o que reduzirá os proventos da Infraero 1.

Como de gestão o PT não entende nada parece que ele está embarcando na empreitada dois sócios estrangeiros – a alemã Fraport e a espanhola Aena – na esperanca de prove-la. Eu duvido. Como já tenho dito tantas vezes aqui, acredito cada vez mais que civilização é pouco mais que a presença da polícia e como nós continuaremos não tendo polícia – sobretudo uma polícia mandatada para prender “eles” também – o estrangeiro que a “eles” se associar estará, em dois tempos, “no Brasil, como os brasileiros”…

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Aliás não é nem de entender ou não entender de gestão que se trata. É da apropriação de todo o aparato do Estado brasileiro pelos seus supostos “servidores” que não é obra exclusiva do PT mas que se agravou substancialmente depois que ele chegou ao poder.

Como vivemos regidos pela cláusula férrea, ígnea e diamantada do “direito adquirido”, aquele que diz que quem colocou, um dia, um pé dentro do Estado, não o tira mais de lá de dentro nem morto, o que está acontecendo com a Infraero 1 é idêntico ao que acontece com todos os outros órgãos públicos brasileiros: os funcionários vão enfiando mais e mais pezinhos lá dentro até que não sobre nada para pagar a prestação dos serviços nem os investimentos necessários ao crescimento do resto da economia a cargo desses órgãos.

É isso que acontece com a educação, com a saúde, com a segurança e com a infraestrutura públicas no nosso país como um todo.

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Com essa novidade da entrega “de jure” do “Órgão 1” para os funcionários que já são mesmo seus donos “de facto” e a crição de um “Órgão 2” para ao menos dividir com o público o dinheiro dos nossos impostos investido nele, parece estar-se inaugurando uma nova fase da história do serviço público e das relações entre Estado e sociedade no Brasil que é difícil saber se devemos comemorar ou lamentar.

Seria aquele em que teremos de escolher entre aceitar a perda do Estado que já esta mesmo perdido e criar outro paralelo que nos conceda ao menos um pedaço dos seus recursos traduzidos em serviços, ou continuar sonhando que, um dia, pelo menos aqueles “direitos adquiridos” mais acintosos que nos deixam no mato sem cachorro, rodarão num “choque de gestão” capaz de remover 500 anos de entulho legislativo e judiciário acumulado, pedrinha por pedrinha, sempre a favor do mesmo “lado”. E ainda rezar para o Bom Jesus dos Inocentes para demorar mais para acontecer com o “Estado 2” o que já aconteceu com o “Estado 1

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A segunda manchete do mesmo O Globo pode ajudá-lo a pensar esse dilema. Ela informa que os gastos do governo federal sobem continuamente desde 1997, data em que pesavam 14% do PIB e a arrecadação da União andava nos 18,1% do PIB, e hoje já chegaram a 18,8% do PIB enquanto a arrecadação (só da União) passou a pesar 25,3% do PIB, aí incluído todo o enorme crescimento do PIB ocorrido nesse intervalo.

Mesmo assim, desse novo total, 72,5% já são queimados nas despesas com “aposentadorias, transferências sociais, seguro-desemprego e abono salarial”.

Quanto aos benefícios colhidos pela população em função da apropriação dessas fatias adicionais do PIB por “eles”, nem é preciso falar: você os conhece melhor que ninguém.

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Argentina, aqui vamos nós!

6 de fevereiro de 2013 § Deixe um comentário

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Agora oferecendo o dobro das taxas de retorno garantidas antes (o que variava entre 6% e 7% ao ano agora vai de 10,8% a 14,6%), ampliando os prazos de concessões, aumentando os financiamentos do BNDES e os prazos de carência para começar a pagá-los, além de reduzir as garantias exigidas, o dr. Mantega que, a pedidos, baixou as contas de luz por decreto em 20% ha dois meses, tentava, ontem, vender a empresários privados a construção e exploração de ferrovias, rodovias, portos e aeroportos, de modo a fazer crescer o seu pibinho, atualmente em repouso por falta de investimento.

E mesmo assim, ninguém correu pra pegar essa “barbada”.

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Mas os mesmos jornais que noticiavam essa tentativa informavam que, à súplica de dona Graça Foster, amiga da Dilma, para que a autorizassem a ser empresarialmente racional na Petrobras sua excelência respondeu judiciosamente, sem fazer conta nenhuma, que “agora não é hora de aumentar preços”. E mais, que o nosso bom ministro está criando mais um daqueles seus “mecanismos” para fazer o superávit primário – uma conta técnica a ser compreendida e conferida por gente técnica – caber no limite prometido que já foi estourado no ano passado mesmo economizando, em 2013, 41,8% menos do que economizou em 2012.

Quer dizer: o doutor Mantega e sua patroa ainda não entenderam o que uma coisa tem a ver com a outra. E pelo jeito não vão entender nunca…

Argentina, aqui vamos nós!pib3

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