Vai parar?
14 de junho de 2013 § 3 Comentários
Todo mundo perdeu, por aqui, a oportunidade de tirar lições da Turquia.
Os brasileiros em geral, até aqui excluídos apenas os homossexuais, a de que em se exigindo com veemência suficiente colhe-se o que quer que se queira da autoridade constituída, mesmo da mais surda e mais arrogante.
Dona Dilma a de que popularidade alta nas pesquisas não autoriza o governante a viajar na maionese, se agrandar e sair dizendo e fazendo o que bem entender como se todos os ouvidos que agride estivessem colados em cabeças de jumentos. Recep Edorgan tinha 73% de aprovação, tratou os turcos como idiotas e olha onde é que ele foi parar.

Alkmin e Haddad a de que conforme a dose da pancadaria ela se transforma na razão suficiente para a próxima pancadaria. É o “efeito Oriente Médio”: rola uma espiral que ninguém se lembra onde começou e ninguém sabe onde vai parar…
Mas como para nós deus só escreve mesmo por linhas tortas, acabou valendo a forçada de barra dos partidecos da esquerda radical em cima daqueles 20 centavos pros quais ninguém, a começar por eles próprios, está ligando a mínima.
Os ventos da incompetência sopraram a brasinha deles e agora a fogueira acendeu.

Como, neste país da roubalheira desenfreada, do tiro na cabeça ao vivo pela televisão, do doente chutado pro chão dos hospitais, das multidões empanturradas de carros mas sem estradas, da inflação comendo solta mas tratada como o sexo dos anjos, da mentira institucionalizada e da putaria sem limites dos políticos que não têm um minuto a perder com nada disso porque estão em imersão profunda no “agarre o que puder enquanto é tempo” todo mundo tem pelo menos 100 motivos pra chutar o balde, a moda tem tudo pra pegar.
O Brasil da Casa da Dilma Melhor pode ser que continue dormindo.
Mas a molecada urbana pós-impeachment, que frequenta a rede e carrega lá no fundo a má consciência da sua atitude bundona, parece que está achando que chegou a vez dela pular pra dentro do bonde da História.
E quando a fera acorda…
Dando por dito o não dito
12 de setembro de 2011 § Deixe um comentário
Retomo, com as de hoje, minhas anotações da leitura dos jornais da semana passada. Estão todas relacionadas umas às outras.
De meados da semana, no Valor, matéria detalhada mostrando como os Estados do Sudeste (mas não só eles) aumentaram os seus superavits fiscais … cortando investimentos.
As arrecadações subiram. Umas 5% outras mais de 7%. As despesas correntes aumentaram em porcentagens variadas, mas sempre acima de 15%. E os investimentos foram cortados sempre em mais de 50% em relação ao ano anterior. Ha casos em que a redução chega a mais de 70%!
E qual a explicação?
Bem, este é o primeiro ano do mandato dos novos governadores. No ultimo do dos seus antecessores (e muitos foram reeleitos) os gastos explodiram. É assim que funciona: no ano em que eles precisam investir em si mesmos, na própria reeleição ou na eleição dos “seus” candidatos, o povo dá um passinho à frente; nos outros três, dá marcha à ré.
A média do que os governos estaduais do Brasil investem em relação ao que arrecadam fica entre 1% e 2% do total.
Na União as proporções não são muito diferentes.
É assim que se consegue deixar pobre um país rico como o Brasil: 40% do PIB em impostos e só 1% ou 2% disso investidos em educação, saúde, segurança , infraestrutura…
O resto é do ladrão.
Tem crise no horizonte? A saúde publica está um caos? Vamos criar mais um impostozinho porque pedir mais 1% do que entregamos a Brasília aos senhores juízes e deputados, nem pensar!
Você já está vendo a descida da ladeira mas eles ainda estão longe de onde querem chegar. Quebrando tetos salariais a força de golpes judiciais.
E uma reformazinha dos códigos de processo para tornar um pouco menos obscena a pletora de recursos que torna todo processo infindável? Esses “recursos” que garantem que menos de 1% dos criminosos que chegam aos tribunais de fato paguem alguma pena?
De jeito nenhum! Advogados, unidos, jamais serão vencidos! Se processo tiver prazo para acabar de que é que eles vão viver?
Não é atoa que, com o gás injetado em nossa economia pela China, este país se parece cada vez mais com um corpo “bombado” e cheio de músculos, mas com um sistema circulatório e portas de saída atrofiados.
Somos um Frankenstein mal costurado. A produção é do Brasil real; a infraestrutura, do país oficial. Empresas de bilhões, com tecnologia de ponta, mas com insumos e produtos viajando de carroça.
Cadê as estradas? Os portos? Os aeroportos? A saúde? A educação? A segurança que nós pagamos tão caro?
Roubaram!
Mas fala baixo porque se atirar isso na cara dos ladrões eles travam o governo, arrebentam os orçamentos públicos, derrubam o presidente, param o país…
Estamos todos, como os cariocas dos morros, nos esgueirando entre bandidos travestidos de policiais e policiais travestidos de bandidos: pagamos e não chiamos que senão a conta ainda aumenta ou nos acontece coisa pior. Somos os que vivemos no fogo cruzado; os que viramos as costas às câmeras das TVs: “Não senhor; nada a declarar. Borrem a imagem do meu rosto, pelo amor de deus…”
Hoje tem mais nos jornais.
O fosso entre a educação publica e a privada está maior do que nunca. Não ha um Estado em que as escolas do governo tenham classificado mais que 7% de sua rede na nota mínima admissível. Cada exame do Enem é mais uma razão para você desistir de remar contra a maré, esquecer as ilusões do esforço e do mérito e pensar em entrar para o crime, como todo o mundo.
O apartheid social é a maior industria deste país. Semeia-se analfabetismo para colher votos baratos.
E, no entanto, quem lê os jornais precisa ter imaginação pra se indignar. Eles conseguem tornar tudo isso doentiamente confortável. Foi preciso um “programa cômico” que assume o deboche como linguagem – o CQC – para que o povo tivesse uma chance de saber que tipo de antro de fato é o Congresso Nacional e que grau de mixórdia pauta os pensamentos, palavras e obras dos atores disso que a imprensa corporate recobre de verniz e insiste em descrever como a “normalidade política”.
Indignação não é de bom tom. Na grande imprensa e na TV todas essas histórias são vazadas em termos muito comportados e “profissionais”. A “normalidade” é dada pelos bandidos que, afinal, são a maioria.
Desde as escolas; desde a mais tenra infância treina-se o brasileiro para aceitar o inaceitável, a tomar o dito por não dito. O Jornal Nacional é “isento” e “profissional” na sua cotidiana exibição da sessão roubalheira seguida da sessão morte no chão do hospital, sem nunca estabelecer a relação de causa e efeito entre as duas.
A novela que entra em seguida, ou aqueles professores das escolas abaixo de 7% que vivem cercando o Palácio dos Bandeirantes é que, granmscianamente, traduzem o que ele mostra e dizem ao Brasil o que é certo e o que é errado; quem é o bandido e quem é o mocinho…








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