Eu não disse?

9 de agosto de 2011 § Deixe um comentário

Agora estão pegando a turma daquele velhinho bandalho que o Sarney nos impingiu no Turismo, de olho na Copa do Mundo e na Olimpíada. Ate este horário do almoço de terça-feira 38 já caíram na rede.

E tem pra todo mundo, inclusive figuras graúdas do PT como o ex-presidente da Embratur, Mario Moysés, que foi chefe de gabinete da Marta Suplicy, “articulou” as campanhas eleitorais dela e andou operando na prefeitura de São Paulo.

Bicho de pele grossa, portanto.

A Marta, é claro, vai relaxar e gozar, no mais tradicional estilo Lula.

O estilo Lula, a gente sabe, é tipo camaleônico: pega qualquer cor predominante no ambiente. Vai desde o “fomos traídos” das primeiras grandes roubalheiras do PT flagradas lá atrás, quando o volubilíssimo povo brasileiro ainda não se tinha acostumado com o “Eu sou, mas quem não é?” que precedeu o “liberou geral” seguido do franco e aberto alinhamento automático com o ladrão flagrado do segundo mandato em diante.

Eu faço fé que ela vai de “fomos traídos”. Mas tenho minhas duvidas. A Marta é meio lentona…

A gente vai saber que as coisas estão realmente mudando, aliás, quando o Lula sentir que chegou a hora de parar de chamar roubo escancarado de “erro”.

E não tenham duvida de que isso vai acontecer. Antes da próxima eleição ele ainda vai virar paladino da ética de novo.

Político é que nem passarinho: sente a menor aragem e está sempre com o bico virado na direção do vento.

Nessas ocasiões eu me lembro de um milico dos finais da época do regime militar que, entrevistado uma vez pelo Jornal da Tarde sobre se eles não temiam uma rebelião mais forte do Congresso, dizia: “Que nada! Essa gente não tem opinião formada sobre nada. É só dar uma ordem unida que eles batem continência”.

Continua sendo verdade.

Hoje a História foi reescrita e todos viraram heróis (inclusive com aposentadoria de herói porque, neste país, toda profissão, mais cedo ou mais tarde, acaba sendo regulamentada). Mas era assim mesmo, com as raríssimas exceções de praxe. Eu sou testemunha.

A Dilma pode seguir tocando creolina nessa tigrada que, se ela não der mole, eles engolem tudo quietinhos, até os graudões do PT como o Palocci.

Problema mesmo só se a imprensa apresentar algum flagrante pesado contra o Lula (que alguém igualmente grande certamente guarda no fundo de uma gaveta de Brasília naquele espírito “é melhor ter” dos seguros do Bradesco).

Aí a coisa é capaz de feder.

Senão, vamos melhorando aos poucos, controlando a síndrome de imunodeficiência contra a corrupção que ele instilou na veia do Brasil.

É o que dá pra fazer.

Não vamos nos livrar do PT tão cedo. O jeito é ir limpando ele por dentro pra que o país possa ao menos voltar a respirar sem comprometer definitivamente seus pulmões.

Você nos abre os seus braços e a gente faz um país

8 de agosto de 2011 § 3 Comentários

Chegou, finalmente, a vez do PMDB, e a Dilma balança.

Não é pra menos. Eles são os mais calejados profissionais. Gente perigosa…

Mas, no fundo, no fundo, tudo depende mesmo é da imprensa, como sempre aconteceu.

Não é só aqui não. No mundo todo é assim. Não é por outra razão que a imprensa com atuação institucional tem os privilégios que tem nas democracias, apesar do lixo todo que toma carona nesses privilégios.

Assim mesmo vale a pena. Não existe registro histórico de democracia que tenha se reformado, evoluído, senão forçada pela imprensa, a ferramenta que, de vez em quando, as populações mais organizadas conseguem usar com sucesso para impor reformas de fora para dentro do sistema.

Não ha outro jeito de fazê-las. Em todos os lugares e em todos os tempos os políticos só se movem a favor do povo e contra os seus próprios privilégios se a alternativa for a morte. (Ponha a expressão “Progressive Era” na caixa de busca aqui do Vespeiro e saiba mais a respeito).

Mas voltemos à Dilma e ao PMDB.

Por enquanto ela fuzilou só o tal Milton Ortolan, conexão flagrante e flagrada de um certo Julio Fróes aquele que entra e sai do Ministério da Agricultura arrastando malas (pretas).

Como em todas as limpezas precedentes, Dilma age exclusivamente na esteira da imprensa. Não dá pra ser de outro jeito. Com o escracho que o Lula disseminou nessa matéria, é obvio que o governo inteiro está podre. Não importa onde você bate, cada enxadada é uma minhoca.

Aquela meticulosa organização dos Transportes para o crime em cada uma das suas ramificações não é a exceção; é a regra.

Na Agricultura foi só dar o primeiro apertãozinho e pulou aquele monte de carnegões. Tem filho problema de todo mundo espalhado por lá. E aquele monte de “assessores” sem cargo mas com sala, secretária e funcionários, assessorando, assessorando…

Desse jeito o país morre de anemia!

A Dilma não pode tomar nenhuma iniciativa nesse campo. Ou tinha de começar pelo Lula, que é o mais notório e explícito pai dos barrigudos que impaludam a máquina publica. Ela só pode ir atrás do que a imprensa mostrar. E toda vez que a imprensa mostrou bem mostrado por enquanto não falhou: cai mesmo.

Ela escreveu uma nota de apoio ao ministro Wagner Rossi?

Claro que escreveu. Tinha de escrever! Pois o homem é afilhado do vice-presidente da republica, aquele fiscal do PMDB junto a presidente de quem o ACM dizia que tem cara de mordomo de filme de terror.

Ela também escreveu uma nota de apoio ao Palocci antes que a imprensa trouxesse à tona o necessário para tornar a sobrevivência dele num governo que se quer minimamente decente impossível. Quando a imprensa ofereceu isso ao país, Dilma fez o que tinha de ser feito.

A mesma coisa com o Antônio Nascimento, dos Transportes. Ela fez o papel dela junto aos aliados e ao chefe enquanto foi possível fazê-lo. Mas a imprensa trabalhou bem, foi puxando o fio da meada e mostrado como o Valdemort da Costa Neto conseguiu os R$ 2,5 bilhões que teve o desplante de declarar à Receita Federal com a quadrilha que plantou nos Transportes e, cada vez que os jornalistas lhe puseram balas na agulha, Dilma foi atirando.

Se a imprensa mantiver o seu papel no que diz respeito à Agricultura, faço fé que a dose se repete. Logo, logo, já não vai ser necessário nem insistir muito. O próprio ladrão flagrado vai tomar a iniciativa de se demitir, como acontece no resto do mundo.

Não me interessa especular, a esta altura, se é isso que a Dilma quer ou não. Depois dessa de enfiar o Celso Amorin na goela dos milicos já não sei mais nada. Vai ver até ela tem outros planos.

Mas, que interessa?

A imprensa está sendo lembrada pelos fatos de como funciona o processo; que ela não precisa comprar a lógica dos bandidos e discutir chantagem como se fosse politica, como se fosse normal. Se seguir fazendo o seu papel, daqui a pouco se lembra de ir olhar para o pós “afastamento” nesse negócio da corrupção. E aí vai começar a esbarar nos podres do Judiciário, cobrar o papel dele para por os ladrões onde eles devem permanecer para que não possam seguir exibindo o seu sucesso, subversivamente; para arrancar-lhes de volta o dinheiro que não lhes pertence. E se expuser os juízes que impedem que assim seja com a mesma competência que tem exposto os ladrões do governo, talvez surja uma Dilma do Judiciário que não se permita deixar de fazer o que tem de ser feito diante da esbornia desvendada. Depois, talvez se lembre do pré “afastamento”; de expor os ladrões privados que compram os favores que os ladrões públicos vendem. Aí prendem o primeiro e a coisa acaba virando padrão…

É assim que funciona, imprensa: você nos abre os seus braços, e a gente faz um país!


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