Dilma e o Estado Islâmico
25 de setembro de 2014 § 36 Comentários
Pensei em iniciar este artigo lembrando que ao propor, de cima da única tribuna do planeta voltada para toda a humanidade, entre os costumeiros elogios a si mesma e à obra do PT, “o diálogo, o acordo e a intermediação da ONU” junto aos genocidas decapitadores, estupradores, cruxificadores, chicoteadores e apedrejadores de mulheres do Estado Islâmico que têm horrorizado um Oriente Médio treinado no cotidiano da barbárie, a nossa preclara “presidenta” colocou-se à esquerda da Al-Qaeda que, antes mesmo dos governos dos países atacados pelas bestas-feras que se escondem por tras daquelas máscaras negras, renegou essa seita sanguinária e instou o mundo a varre-la da face da Terra antes que não sobre ninguém até mesmo contra quem praticar-se o bom e velho terrorismo tradicional.
Mas logo lembrei-me de que valores mais altos se alevantam ou no mínimo se sobrepõem a esse posicionamento relativo. Ao proferir impropério desse grau em plena Assembléia Geral da ONU o “poste de Lula” coloca-se abaixo do mais desinformado entre os menos informados dos homens comuns e do mais alienado entre os alienados deste mundo. Coloca-se, portanto, em algum ponto entre a indigência mental e a incapacidade orgânica de processar os dados da realidade, condição que, se fosse finalmente diagnosticada, proporcionar-lhe-ia o bonus de inocentá-la de toda a carga de ignomínia e comprometimento moral embutido na insanidade que ela propôs aos homens que governam o mundo com cara de quem dá aulas a principiantes.
Como uma coisa puxa a outra lembrei-me, então, de que sua excelência não estava ali em mais um dos seus delirantes improvisos sem edição mas sim lendo um documento cuidadosamente elaborado pela elite da sua equipe de governo que traduz a visão oficial de mundo de seu partido e que, para vergonha nacional, estava sendo apresentada ao concerto das nações como a posição oficial de todos os brasileiros a respeito da carnificina que vem horrizando até os terroristas da velha guarda.
Consolei-me, então, com as provas que o mundo tem dado de que já entendeu a diferença entre o PT e o Brasil, de que nos dá testemunho o presente estouro da boiada dos investidores internacionais para fora de nossas fronteiras, esta que assume ritmo frenético cada vez que Dilma Rousseff e seu fiel escudeiro Guido Mântega, na sua incoercível arrogância, concebe uma nova intervenção para conter os efeitos da última intervenção.
Para que essa fuga em massa se tornasse possível hoje foi preciso que tivesse havido o movimento inverso antes, que se deu quando a aposta ainda podia ser feita no Brasil e nos brasileiros por cima dos quais Dilma e o PT parecem decididos a passar a galope, convencidos que estão de que é seu destino manifesto substituir-se a nós todos e às nossas história e tradições não só no concerto das nações como na obra de construção nacional.
O lado positivo deste episódio é que, estando ele fora das injunções da eleição, pode-se dizer que constitui-se numa rara manifestação autêntica e espontânea da verdadeira anima petista que, quanto mais se aproxima o 5 de Outurbo, mais se emburaca no mar de mentiras com que eles nos vêm intrujando.
Vai-se destacando como síntese perfeita do que esse partido se tornou o prefeito da maior e mais carregada de problemas concretos entre as metrópoles brasileiras, Fernando Haddad, que deixou de lado as pranchetas e as obras públicas e adotou um pincel e uma lata de tinta como seus únicos instrumentos de “realizações” com os quais vai esterilizando, rua após rua, as fontes de geração de riqueza e criação de empregos da maior cidade do pais criando barreiras intransponíveis entre comerciantes e consumidores em troca da “demagogia ciclística” que a imprensa resolveu comprar, do esquartejamento de vias públicas sufocadas por automóveis e combustíveis eleitoreiramente subsidiados e da distribuição “socialmente determinada” de privilégios no que resta de mobilidade numa metrópole atravancada à fatia mais gorda do eleitorado.
O PT, enfim, assumiu-se como fraude.
O que apresenta como obra sua e como provas de seu desempenho tem tanto valor quanto as faixas coloridas que o sr. Haddad esparge por aí a título de prestação de contas pelo uso e pelo abuso do maior orçamento da Republica depois do da União.
As contas públicas nacionais são uma mentira, a taxa de inflação é uma mentira, os números do desemperego são mentiras, a “crise internacional” só de Dilma é uma mentira, o programa de “remissão da miséria” do PT com os 85 milhões de cheques distribuidos de mão em mão todo mês é uma mentira, os preços represados da energia, bombas de neutrons contra o nosso amanhã, são mentiras.
O alegado amor de Dilma à democracia é mentira. O compromisso com a liberdade de imprensa de quem censura até o IBGE é mentira. Suas acusações contra os demais candidatos são mentiras. A “luta sem tréguas do PT contra a corrupção”, é a mãe de todas as mentiras.
Até os “eleitores” das campanhas dos ministros candidatos do PT são mentiras.
O próprio PT e sua candidata à reeleição são mentiras, enfim.
Mas a espontânea manifestação de apreço da “diplomacia” peto-marcoaureliana pelos genocidas do Estado Islâmico é genuina e verdadeira. É, no mínimo, aquilo que no jargão do tênis seria chamado de “erro não forçado”.
Mesmo assim, enquanto as carótidas são cortadas a faca pelo Oriente Médio afora e as hordas de mães e crianças em estado de choque se espremem em pânico nas fronteiras do “califado islâmico” para escapar à única forma de “diálogo” praticada pelos amigos de dona Dilma, Aécio Neves segue, inabalável na sua fleugma, dedicando todos os escassos minutos de que dispõe na televisão a prometer vagos “choques de gestão”, programas de “recuperação da malha ferroviária” ou esquemas de “poupança estundantil” e Marina Silva vai em frente especulando vagamente sobre sustentabilidade.
Que mentira é maior que a de coonestar tanta mentira, calando-se quando confrontados com elas?
É muita Cinderela! Mas…
25 de abril de 2014 § 4 Comentários
Fernando Gabeira escreveu um artigo brilhante no Estado de hoje. Chama-se Bom dia, Cinderela. Tem que ler.
Ele mostra como funciona a cabeça dos petistas; de onde vem essa obsessão deles de, mais que negar, apagar na marra as consequências de seus atos, impedir que a gente as veja, e para onde essa obsessão pode nos levar.
“A aliança do governo é aberta a todos os que possam ser controlados (…) Tudo que escapa, evidências, vozes dissonantes, estatísticas indesejáveis, tudo é condenado à lata de lixo da História”.
O próprio Estado também tem um editorial interessante sobre A estatização da CCEE que, além de mostrar quanto custou a brincadeira de dona Dilma para comprar votos com as contas de luz, analisa o remendo ainda mais desastrado e irresponsável que eles estão fazendo pra esconder o abalo sísmico que isso provocou mediante a destruição de mais uma instituição, a contratação de mais alguns bilhões em dívidas para serem atiradas pra cima da gente e a preparação de contas de luz dobradas de 2015 em diante.
O único defeito desse editorial é chamar tudo isso de “política energética de Dilma”.
Não existe uma “política energética de Dilma” assim como não existe política nenhuma para nada neste país. A única coisa que existe no governo do PT é uma política eleitoreira.
Tudo está a serviço dela.
Eles se apropriaram da máquina pública, detonaram todas as empresas estatais e toda a infraestrutura do país, corromperam as instituições e esmagaram as que lhes resistiram, destruíram a indústria nacional e o comércio exterior e agora, como o Gabeira registra bem, pra “provar” que nada disso aconteceu, estão tratando de destruir todos os medidores e sistemas de alarme da Nação, arrastando junto para o lixo os equipamentos que permitem fazer estudos abalizados para orientar, no futuro, a escala de prioridades e um direcionamento adequado dos investimentos públicos.
Tudo isso pra esconder o rombo no casco e ver se o navio afunda sem que os passageiros percebam.
Brigar com os fatos e tentar destruir quem grita que os está vendo é parte de uma cultura doente. “A concepção de aniquilar o outro não é vivida com culpa por certa esquerda, porque ela se move num script histórico que prevê o aniquilamento de uma classe pela outra“, lembra Gabeira.
Mesmo assim ele é otimista. Acha que “nem o poste nem seu inventor hoje conseguem iluminar sequer um pedaço de rua” e que nem a máquina do Estado, o prestígio de Lula, a montanha de grana gasta em propaganda e o exército de blogueiros amestrados do PT somados serão bastantes para impedir que se restabeleça um debate baseado no respeito às evidências que olhe um pouco adiante das eleições, o que acabará fazendo com que em 2014 eles “acabem se afogando nos próprios mitos“.
Ha mesmo sinais cada vez mais evidentes disso. Nos bilhões do doleiro Alberto Youssef, “irmão” de Andre Vargas e possivel sócio de ” Pad“, o ex-ministro da Saude candidato ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha, já está claro, cabe o PT inteiro, de Lula em pessoa para baixo. Nem a “bala de prata” de sempre pra quando a Dilma der xabu, portanto, tem mais aquele efeito 100% garantido.
Mas eles ainda têm aqueles 70 milhões de cheques que distribuem todo mês, de mão em mão. É muita Cinderela pra acordar!
Mas o cheiro e o barulho já são tais que eu estou começando a acreditar que vai dar, dependendo do que mais a imprensa for capaz de desenterrar daqui pra frente.
Passado, presente, futuro
22 de abril de 2014 § 4 Comentários
Escaneio os jornais na volta do feriado e minha cabeça vai estabelecendo as relações entre os fatos registrados.
Passado, presente e futuro.
Leio que Cristina Kirshner – o fetiche masoquista de dona Dilma que quanto mais apanha dela mais “gama” – colheu em três meses com o seu programa de controle de preços nos grandes supermercados do país, o aumento de 10% da inflação que prometia para o ano inteiro.
E qual foi a reação daquela sensata dama?
Saiu gritando “Vitória!” e anunciou que vai estender o programa “Precios Cuidados” também para os pequenos supermercados e ampliar de 192 para 304 o número de itens com preços congelados.
Vai também, é claro, redobrar a campanha publicitária permanente em torno desse “esforço patriótico” e mandar mais e mais “brigadas kirshneristas” para as portas dos supermercados para responsabilizar os comerciantes (e os próprios consumidores) pela inflação e afixar cartazes “denunciando” os fornecedores dos produtos que desaparecem do mercado em função do congelamento de preços no espaço em que eles costumavam ser expostos nas prateleiras.
Vai reforçar, também, o “serviço de recepção de denuncias” do povo contra os fabricantes desses produtos ausentes, denuncias estas que serão avaliadas – se justas ou não para as devidas punições – por judiciosos funcionários da Secretaria de Comércio do governo ultraespecializados, como soi acontecer com todo funcionário público selecionado para este fim pelo partido, na arte de produzir bens com eficiência e a preço justo.
Medidas contra o déficit fiscal de 4% do PIB que esta na raiz da inflação argentina, evidentemente nenhumas.
No primeiro momento minha cabeça viajou lá para 1986 quando o hoje sócio e principal avalista do “sucesso” do PT nas armações em que ele necessita do concurso do Congresso Nacional, o grande patriarca José Sarney, inventou o seu Plano Cruzado – igualmente limitado a um congelamento de preços sem que nenhuma providência contra a orgia de gastos públicos que estava na raiz da inflação galopante que nos consumia fosse tomada.
Enquanto os marqueteiros dele convocavam os “Fiscais do Sarney” a patrulhar os nossos supermercados, o Jornal da Tarde publicava memoráveis capas convocando o povo a “Fiscalizar o Sarney” e seus gastos estravagantes. Com a redemocratização ainda fresca, não havia, na época, o clima que, mais tarde, permitiu a bolivarianos de todas as latitudes acabar com a imprensa independente.
Mas o PT, que mais adiante, faria tudo para sabotar o Plano Real, aquele que finalmente matou a inflação que Sarney fez chegar aos 80% ao mês e lhe rendeu a herança bendita de 10 anos de bonança apesar dos desatinos do lulopetismo, já estava na linha de frente desses “fiscais” do congelamento de preços, apesar de todo o cheiro de farda que ainda exalava forte do terno (de albene branco) do estadista maranhense…
Dessa notícia meus olhos saltam para outra: “o IBGE fará a segunda revisão do cálculo do PIB em menos de um ano”, o que poderá “aumentar” o pibinho dilmo-manteguiano de 2013 e jogar o “crescimento” de 2014 para mais perto de onde o PT decretou que ele deve estar neste ano eleitoral.
Tudo isso da-se na sequência destes dois anos de “contabilidade criativa” nas contas públicas, que puseram o Cristo que ia decolando em desembestado vôo para baixo, e bem no meio do barulho da última maquiagem imposta ao IBGE no cálculo de desemprego da pesquisa “PNAD Contínua” apresentada nas vésperas da Semana Santa…
Ou seja: se as consequências não são as que queremos, vamos tratar de disciplinar os fatos, em vez de tratar de alterar as causas.
Por aqui são só trovões e nuvens carregadas, ainda. Mas na Argentina já chove a cântaros e zune o vento e na Venezuela sem papel higiênico urra o furacão enquanto os motoqueiros mascarados de Nicolás Maduro, embriagados de “excesso de democracia” como os quer o nosso Lula da Silva, perseguem pelas ruas manifestantes antibolivarianos para abatê-los a tiros na cabeça.
E que deus ilumine os eleitores brasileiros a conduzir este país para a próxima saída — que pode ser a última — porque todos esses são só trechos mais e menos distantes da mesma estrada em que viajamos os três.














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