Nova aurora da democracia ou “canto do cisne”?

11 de outubro de 2012 § 4 Comentários

O voto com que o ministro Celso de Mello condenou Jose Dirceu, Genoíno e cia. ltda. na quarta-feira passada destacava a essencial diferença de natureza entre a conspiração que ficou conhecida como o Mensalão do PT e todas as outras armações, maiores ou menores, visando o enriquecimento ilícito de pessoas ou grupos da vasta crônica da corrupção política no Brasil.

Segundo o decano da suprema corte brasileira, tratou-se de “um atentado aos valores estruturantes do estado democrático de direito (…) uma ação visando asfixiar o exercício pleno da oposição política (…) um projeto criminoso de poder engendrado pelas altas instâncias políticas e praticado, em particular, pelos réus Genoíno e Dirceu”.

Demétrio Magnoli já tinha escrito o artigo definitivo sobre o verdadeiro caráter desta conspiração no início de agosto passado (aqui) mas o fato dele também ter sido registrado nos autos da Suprema Corte brasileira como tal garante que a inteira dimensão daqueles acontecimentos ficará registrada para a História, venha o que vier.

O turn over das gerações é rápido e pouca gente na massa dos eleitores de hoje sabe o que foi isso, sobretudo neste país sem escolas. Mas os nascidos nos meados do século passado, que viveram num planeta em que quatro quintos ou mais da humanidade vivia sob regimes totalitários sanguinários e o quinto restante convivia com os sequestros, os atentados e os “justiçamentos” promovidos pelos “focos” de guerrilha urbana e rural plantados em suas cidades e países ou enfrentavam o “patrulhamento” pesado dos que não admitiam essas exceções e lhes declaravam guerra lembram-se bem.

Foi como testemunha desses tempos de má memória que João Bosco Rabello deu, hoje no Estado (aqui), uma tradução mais viva daquilo que o ministro Celso de Mello apenas indicou.

A questão é que ‘nunca antes neste país’ houve um esquema de corrupção dentro da máquina do Estado de tal amplitude e com o objetivo antidemocrático de financiar um projeto hegemônico de poder. É essa ambição que explica a escala astronômica do esquema do Mensalão”.

O esquema não só era do conhecimento da cúpula partidária como por ela concebido e reflete a forma do PT de governar substituindo o processo político do debate e do contraditório pelo método da guerrilha, que não compõe, não aceita pontos de vista diversos e, muito menos, revezes”.

O conceito é eliminativo: à primeira divergência desqualifica-se o adversário na forma e intensidade necessárias à sua saída de cena. Até que não haja mais adversários”.

Mas, desta vez, esbarraram no Supremo Tribunal Federal, que não pode ser eliminado”.

Formados politicamente e treinados militarmente na mesma Cuba dos irmãos Castro em que Lula se esfrega sempre que pode até hoje, José Dirceu, guerrilheiro urbano, e José Genoíno, que tomou parte da guerrilha do Araguaia, são dois típicos representantes desse tempo e desse modo de “fazer política”.

A imprensa abusa do adjetivo “cinismo” para descrever sua reação, não só diante do flagrante e da exposição das provas que recheiam as centenas de milhares de páginas do processo do Mensalão mas, agora, também diante da condenação.

O adjetivo é mal colocado.

O PT, e esses seus próceres fundamentais em especial, nunca esconderam que o que chamam de “democracia” – esta pela qual José Dirceu promete “seguir lutando” (com os meios que Bosco descreve) na hora da condenação – não é o regime da sagração da tolerância e da convivência das diferenças como fundamento básico das relações humanas, e dos pesos e contrapesos em permanente jogo dialético e alternância no poder para garantir a liberdade que vem à mente da maioria de nós ao ouvir essa palavra, mas o regime monolítico cubano ou o “socialismo bolivariano” do coronel Hugo Chávez que a presidente Dilma, outra que teve seus tempos de “pregação de ideias a bala”, saudava como “uma democracia exemplar” nas vésperas da condenação de Jose Dirceu.

A outra, a democracia de todos nós, vem, no vocabulário deles, qualificada com o adjetivo “burguesa” e é, declarada e reiteradamente, o inimigo a ser destruído.

Se os tempos não estão mais para o paredón físico em que Fidel Castro, Raulzito e Che Guevara fuzilavam quem pensava diferente, estão como nunca para o paredón moral do dinheiro que extermina consciências e, de qualquer maneira, produz o mesmo efeito. Aniquile-se a oposição a bala ou com suborno, tanto faz. O que não se tolera é a dissidência.

O PT que sobrou, segue pensando e agindo assim porque nunca pensou ou agiu de outro jeito. Nem saberia como fazê-lo.

Desta vez esbarraram no Supremo Tribunal Federal, que não pode ser eliminado”, dizia Bosco.

O ponto não é tão pacífico assim.

Ricardo Lewandowski e José Antônio Dias Tóffoli são duas pontas de lança plantadas dentro da veneranda instituição a nos lembrar que ela não é blindada. E o resultado das eleições municipais estão aí, a nos dar um testemunho acachapante do poder do dinheiro e a nos por a pulga atrás da orelha:

Este renascer de um judiciário independente pelas mãos firmes de Joaquim Barbosa terá sido a aurora de uma nova era para a democracia brasileira, ou o seu “canto do cisne”?

Repito: a decisão da eleição em São Paulo, último bastião de uma oposição consistente ao tsunami do escracho lulista, será o início da resposta a essa pergunta.

Chavez faz menos cerimônia…

10 de outubro de 2012 § 2 Comentários

Faltando cinco meses para a eleição que lhe daria o quarto mandato consecutivo (lembrando que a primeira tentativa foi a mão armada), o presidente Hugo Chavez, da Venezuela, relançou o Minha Casa Bem Equipada (sucessor da versão local do Minha Casa Minha Vida).

O plano consistiu na importação, a troco de petróleo fornecido pela PDVSA, hoje sócia da nossa Petrobras, de centenas de contêineres contendo fogões, geladeiras, TVs, máquinas de lavar e outros “espelhinhos e miçangas” fabricados pela estatal chinesa Haier, que foram vendidos com descontos de 60% e créditos dos bancos públicos venezuelanos como o Banco do Povo Soberano, que cobram juros de 6% ao ano.

Também fez parte desse desinteressado “programa social” a venda de automóveis chineses e iranianos, igualmente trocados por petróleo “nosso” (do povo venezuelano) repassados com preços 15% inferiores aos de mercado e três anos de prazo para pagar.

850 mil famílias “foram beneficiadas”…

Finalmente, “para garantir a paz e a ordem nas eleições”, as Milícias Bolivarianas, uma espécie de ONG armada sustentada com dinheiro público que hoje conta 150 mil homens e mulheres do partido do coronel presidente, passou, pela primeira vez oficialmente, a dividir com o Exército Venezuelano a tarefa de “garantir a paz” nas bocas de urna do país de Chavez.

Auxiliando essa força particular, inspirada nos seus equivalentes cubano e líbio (dos tempos do falecido Muammar), estavam “observadores internacionais” convocados para avalizar a lisura da votação, entre eles o “cérebro” da diplomacia lulista, Marco Aurélio Garcia.

Na segunda-feira, pelo meio da tarde, com a colheita já apurada (eles também estão “adiante do mundo” em matéria de eleições informatizadas), a presidente Dilma telefonou ao seu colega fardado, cuja vitória saudou por 15 longos minutos, fazendo saber ao Brasil que vê no pleito venezuelano “um processo democrático exemplar”.

Alguma dúvida?

9 de agosto de 2012 § 1 comentário

Charge do diário ABC, do Paraguai

Enviada por Cláudio Noschese

No ar, antes de mergulhar

1 de agosto de 2012 § Deixe um comentário

E o coronel Hugo Chavez, caçador de jornalistas, sócio das FARC, presidente perpétuo da Venezuela, entra no Mercosul que “exige democracia de seus sócios” pela rampa do Palácio do Planalto no lugar do Paraguai, cujo Senado, seguindo a letra da lei, impediu o presidente fomentador de massacres de fazendeiros por invasores “sem terra”.

É o PT dizendo ao mundo quem é e a que veio.

José Antônio Dias Tóffoli, advogado e ex-líder do PT na Câmara, consultor de suas campanhas eleitorais, assessor jurídico da Casa Civil sob José Dirceu nos tempos do Mensalão, Advogado Geral da União de Lula, advogado pessoal do “chefe da quadrilha” do Mensalão, companheiro de cama mesa e banho de Roberta Maria Rangel, defensora de diversos acusados no processo, declara-se “contrariado” pela acusação de conflito e informa que vai votar na decisão da “Ação Penal 470“.

É o PT dizendo ao Brasil o que pensa sobre o Estado de Direito, a separação dos poderes, a ética na política e as regras internacionais do jogo democrático.

Nada disso era de fato necessário pois ainda que seus 38 mensaleiros sejam condenados, o PT seguirá de qualquer maneira no poder até que a China caia, a onda na qual surfa nossa economia se esvazie e os eleitores brasileiros decidam que basta.

Mas Lula, o intocável, não quer assim. Quer o Brasil inteiro ajoelhado diante da mentira, pedindo perdão por ter namorado a verdade.

De modo que confirma-se: a decisão sobre o Mensalão no STF é que define se seremos só mais uma república bananobolivariana, mesmo sem Bolívar jamais ter posto os pés aqui como antecipa a nova configuração do Mercosul, ou se seguimos na disputa por um lugar entre as Nações civilizadas.

E o Oscar de Direitos Humanos vai para…

26 de fevereiro de 2012 § 2 Comentários

Human Rights Foundation publicou uma “Lista de Nomeações” para os “Oscar de Violação” e “Oscar de Apoio aos Direitos Humanos” no mundo das artes e das celebridades que repercutiu intensamente em toda a imprensa e na televisão americanas.

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Indicados para o Oscar de Violação dos Direitos Humanos:

 Hilary Swank, Jean-Claude Van Damme, Vanessa Mae e Seal, por terem aceito dinheiro (“cheques de seis dígitos”) para viajar para Grozny e participar do show pelo 35º aniversário de Ramzan Kadyrov, o ditador que a Russia de Putin mantem na Chechenya. Kadyrov é conhecido por usar estupros, tortura, desaparecimentos e assassinatos para se manter no poder.

Beyoncé Knowles, Nelly Furtado50Cent, Usher e Mariah Carey por terem aceito um milhão de dolares cada para cantar na festa particular de reveillon do filho de Muamar Ghaddafy numa ilha do Caribe.

Sean Penn Danny Glover por várias ações e manifestações e apoio aos ditadores Fidel e Raul Castro, de Cuba e Hugo Chavez, da Venezuela. Seann Penn chegou a propor publicamente que fossem para a prisão os jornalistas americanos que chamassem Hugo Chavez de ditador. Já Danny Glover, depois de diversas manifestações a favor de Chavez, conseguiu US$ 20 milhões de “financiamento” do governo da Venezuela para a sua companhia de cinema.

Pagando ela faz…

Wyclef Jean, músico e ex-candidato a presidente do Haiti, flagrado por desvio dos fundos da fundação de “ajuda a pobreza” e “socorrro às vítimas do terremoto” que ele mesmo mantinha.

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Indicados para o Oscar de Apoio aos Direitos Humanos:

Christian Bale por desafiar as autoridades chinesas e visitar o ativista de direitos humanos cego Chen Guangchen que está em prisão domiciliar, quando foi à Pequim.

George Clooney, Don Cheadle, Matt Damon e Brad Pitt pela fundação de uma entidade que se dedica a chamar a atenção do mundo para atrocidades em massa como o genocídio em curso no Sudão, os refugiados de Burma e as vítimas do regime do Zimbabwe.

Gary Kasparov por sua luta de resistência contra a autocracia de Vladimir Putin.

Lady Gaga e Rufus Wainwright por sua luta pelos direitos das minorias sexuais.

Ben Afflek e Javier Barden por suas campanhas pelas vítimas do regime congolês.

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Daryl Hannah e Ricky Martin por sua luta contra o tráfico de seres humanos para porstituição e trabalho escravo (Somália).

Kevin Spacey e Jude Law por suas marchas e campanhas na Inglaterra contra a ditadura de Alexander Lukashenko (condecorado por Lula) na Belarussia.

Colin Firth por suas campanhas pelos

direitos humanos na África Central.

Mia Farrow por sua longa militância pelos direitos humanos com foco especial em crianças da África.

Maria Conchita Alonso, cantora, atriz e ex-Miss Mundo por suas campanhas contras os regimes de Cuba e Venezuela.

Ira Newble, astro do basquete, por suas ações em favor das vítimas e refugiados do massacre de Darfur (Sudão) e suas ações de denuncia do regime chinês na Olimpíada.

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Robert Redford, Robert de Niro, Paul Thomas Anderson, os irmãos Cohen, Francis Ford Coppola, Ang Lee, Richard Linklater e Martin Scorcese por suas campanhas pela libertação do cineasta iraniano Jafar Panahi, condenado a seis anos de prisão como inimigo do regime de Ahmadinejad.

Anjelica Houston, Paul McCartney, Jennifer Aniston, Jane Birkin, Sylvester Stallone, Sarah Silverman, Ellen Page, Damien Rice e Will Farrell por campanhas contra a ditadura de Burma e pela libertação de Aung Suu Kyi, chefe da oposição. A ditadura de Burma anunciou um prograna de redemocratização no mês passado.

Glória Estefan e Andy Garcia por sua longa luta contra a ditadura cubana.

Richard Gere e Annie Lennox por sua luta pela libertação do Tibet da China.

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