Pra deixar bem claro quem é que não manda nesta merda!
20 de junho de 2013 § 9 Comentários
O PT não está entendendo nada.
Não é que ficou pra trás. Ele é a âncora que o país inteiro arrasta quando tenta andar pra frente.
Agora tá morrendo de saudade das manifestações “proprietárias”. Aquelas com dono, com carro de som, com pauta definida “por quem entende” e com leão de chácara pra manter todo mundo na linha e onde massa mesmo, que é bom, era só a “de manobra”.
Aí o dono sentava na mesa com o outro lado e dizia quanto ele estava cobrando para “restabelecer a paz social”.
O modelo Lula com as multinacionais automobilísticas. “O jogo do pacau”, como dizia o Jânio Quadros, aquele em que nós todos entrávamos com a bunda e eles com o pau.
No fim eles saíam com o salário aumentado, o trabalho encurtado e mais próximos do poder, e nós ficávamos com as carroças, a inflação e o desemprego que o acerto invariavelmente feito em torno de protecionismo e distribuição de tetas custava.
Educação e produtividade nunca fez parte das reivindicações ou do vocabulário deles.
O editorial do Estadão de hoje sobre a natureza dessas manifestações e o PT caindo das nuvens está brilhante (aqui).
Os ruis falcões e os zés dirceus podem espernear e chorar lágrimas de sangue; o Lula a Dilma e o João Santana podem ficar lá espetando o seu vudu; os militantes profissionais com a sua fé cega na intimidação fascista (e no dinheirinho do governo no fim do mês) podem até tentar partir pra violência, mas não vai adiantar nada.
Agora a coisa mudou. Agora a coisa é horizontal. É a primeiríssima vez que alguma coisa no Brasil acontece de baixo pra cima. E isso finca raízes profundas e i-nar-ran-cáveis.
É algo que eu já tinha desistido de esperar pra esta encarnação.
Sem partidos. Sem violência.
Vamos, afinal, deixar bem claro quem é que manda nessa merda. Ou, se não tudo isso porque ainda vai demorar pra traduzir esse urro que sai calmamente das entranhas do Brasil em algo que se possa por na mesa, ao menos pra deixar bem claro quem é que não manda nessa merda.
É um excelente começo!
Vai parar?
14 de junho de 2013 § 3 Comentários
Todo mundo perdeu, por aqui, a oportunidade de tirar lições da Turquia.
Os brasileiros em geral, até aqui excluídos apenas os homossexuais, a de que em se exigindo com veemência suficiente colhe-se o que quer que se queira da autoridade constituída, mesmo da mais surda e mais arrogante.
Dona Dilma a de que popularidade alta nas pesquisas não autoriza o governante a viajar na maionese, se agrandar e sair dizendo e fazendo o que bem entender como se todos os ouvidos que agride estivessem colados em cabeças de jumentos. Recep Edorgan tinha 73% de aprovação, tratou os turcos como idiotas e olha onde é que ele foi parar.

Alkmin e Haddad a de que conforme a dose da pancadaria ela se transforma na razão suficiente para a próxima pancadaria. É o “efeito Oriente Médio”: rola uma espiral que ninguém se lembra onde começou e ninguém sabe onde vai parar…
Mas como para nós deus só escreve mesmo por linhas tortas, acabou valendo a forçada de barra dos partidecos da esquerda radical em cima daqueles 20 centavos pros quais ninguém, a começar por eles próprios, está ligando a mínima.
Os ventos da incompetência sopraram a brasinha deles e agora a fogueira acendeu.

Como, neste país da roubalheira desenfreada, do tiro na cabeça ao vivo pela televisão, do doente chutado pro chão dos hospitais, das multidões empanturradas de carros mas sem estradas, da inflação comendo solta mas tratada como o sexo dos anjos, da mentira institucionalizada e da putaria sem limites dos políticos que não têm um minuto a perder com nada disso porque estão em imersão profunda no “agarre o que puder enquanto é tempo” todo mundo tem pelo menos 100 motivos pra chutar o balde, a moda tem tudo pra pegar.
O Brasil da Casa da Dilma Melhor pode ser que continue dormindo.
Mas a molecada urbana pós-impeachment, que frequenta a rede e carrega lá no fundo a má consciência da sua atitude bundona, parece que está achando que chegou a vez dela pular pra dentro do bonde da História.
E quando a fera acorda…
Seus problemas acabaram!
9 de janeiro de 2013 § 3 Comentários
Os contribuintes paulistanos podem dormir tranquilos porque, antes mesmo de assumir a Prefeitura, Fernando Haddad já tinha provado que é um homem que sabe fazer o dinheiro render.
Tendo sido professor na USP, subsecretário da prefeita Marta Suplicy e, mais recentemente, ministro da Educação do governo Lula, é de se supor que tenha sido esse último o salário mais alto que ele desfrutou na vida.
O cargo, hoje, é remunerado na base de R$ 26.723,00. Não é grande coisa, admite-se, para uma família de quatro pessoas morando numa das cidades mais caras do mundo, como é a São Paulo de hoje.
Mesmo assim o ex-ministro conseguiu poupar o bastante para ir, com toda a família, passar suas férias de fim de ano de 15 dias na Pousada Estrela d’Água, a mais cara de Trancoso, ele também um dos mais caros balneários do mundo, hoje disputado a tapa pelos bilionários do jet-set internacional.
A grande imprensa contenta-se em tratar feitos épicos como este com meras notinhas em colunas sociais. Mas para se fazer justiça ao gênio do nosso novo prefeito é preciso fazer contas.
Não chega sequer a dar trabalho. As informações necessárias estão todas disponíveis na internet. O site da Estrela d’Água informa que suas diárias para a alta temporada (“com exceção de réveillon e carnaval”), variam entre R$ 1.270,00, a suíte simples, e R$ 2.490,00 a suíte master, incluído o café da manhã. De dois a quatro salários mínimos por dia, vá lá! Pacotes de 5 noites saem mais em conta: R$ 11.200,00 nas master e R$ 5.700,00 nas simples.
Considerando que o prefeito e família (mulher e um casal de filhos) passaram 15 dias hospedados “na Estrela” e que ele e a mulher tenham ficado nas melhores suítes e o casal de filhos tenha dividido uma das mais baratas (o que, admita-se, é improvável), estamos falando de R$ 50.700,00 só de diárias. Mais 15% de taxas de serviço e ISS (“não incluídos”) e a conta beira os R$ 60 mil se ninguém tiver consumido nada nos demais serviços do hotel.
Some aí o bar da praia/piscina, os quatro almoços e os quatro jantares diários no auge da temporada de um dos mais badalados balneários do mundo hoje e a continha no mínimo dobra. Isso se todos os membros da família tiverem abordado os cardápios com algum pudor, recusado os vinhos e os coquetéis e resistido às fascinantes lojinhas do “Quadrado”.
Bote aí mais as viagens diárias de ida e volta da praia onde fica a pousada para a vila ao redor do “Quadrado” em taxi ou em carro alugado, mais as oito passagens aéreas ida e volta São Paulo-Porto Seguro e, para sermos quase ingenuamente frugais, estaremos falando de uma conta montando a algum número entre 150 mil e 200 mil reais pelos 15 dias da família Haddad em Trancoso.
Pra Carlinhos Cachoeira é mixaria…
Mas vá você, com mais três nas suas costas, viver com um salário de ministro em bairros de classe média de São Paulo pagando moradia mais carro, escola (vê lá se ministro da Educação brasileiro é besta de por filho em escola pública!), supermercado, roupas, médicos, diversão e o mais, com todos os impostos que a Prefeitura (e mais os governos federal e do Estado de São Paulo) arrancam de cada paulistano.
Tem de dar nó em pingo d’água!
Mas isso não é problema para Fernando Haddad. Pois, se deixarmos aquela conta pelo numero muito mais que conservador de R$ 170 mil, concluiremos que ele conseguiu a proeza de pagar todas essas contas religiosamente a cada mês e ainda economizar o equivalente a 6,36 salários inteiros de Ministro de Estado para desfrutar as blandícias do melhor da Bahia, hábito de que a vanguarda da classe trabalhadora brasileira, a julgar pelo que se viu nesta virada de ano, fez nada menos que um must.
De modo que fique tranquilo, contribuinte paulistano. Seus problemas acabaram!
Com os R$ 15 bilhões do orçamento anual desta nossa cidade sofrida ele há de nos apresentar verdadeiros milagres.
…
Ou será que é o contrário?
Rumo à “oposição zero”
19 de outubro de 2012 § 1 comentário
São Paulo, onde a campanha vai de mal a pior, e Salvador, onde aparentemente vai menos mal, são as duas eleições que determinarão quanto sobrará de oposição digna desse nome à construção do “reich de mil anos” do PT.
Goste-se ou não do PSDB e de José Serra, ou do DEM e de ACM Neto, esses dois partidos são tudo o que continua excluído da salada geral da “base de apoio do governo” e sua sobrevida depende estritamente deles manterem o controle, respectivamente, da maior e da terceira maior cidades do país.
O PSDB (e, nestes quesitos, até José Serra) tem posições civilizadas quanto à necessidade de reforço das instituições fundamentais que devem balizar os processos da política e da economia. E o DEM, se é mais flexível quanto a essas questões mais “abstratas”, tem ao menos um posicionamento ideológico claro quanto à defesa da livre iniciativa, o excesso de intervenção do Estado na economia e o excesso de impostos.
O resto é o resto. Faz, automaticamente, a opção preferencial por quem estiver no poder. Ou então, é o PT de amanhã com o mesmíssimo discurso do PT de ontem, como é o caso do PSOL.
O DEM caiu de 340 para 276 prefeitos e uma capital (Aracaju) por enquanto. Longe das “alianças” em torno do poder ha mais de 10 anos, o que ficou lá ficou por compromisso ideológico. Tudo que, dentro dele, tinha aquele cheirinho de cola-a-tudo (que venha a vencer) mas não podia bandear-se para o PMDB, dono da cadeira cativa à direita de todo e qualquer “deus” que vier a se tornar “pai”, correu para o PSD de Gilberto Kassab que é uma espécie de PMDB da direita que só não está hoje alinhado ao PT porque o partido não sentiu que valia a pena comprá-lo, oferecido que foi, mesmo a preço de ocasião.
Tem, de qualquer maneira 494 prefeitos entre roubados ao DEM e saídos do forno agora, surgindo como a 4a maior agremiação (o DEM fica sendo a 8a).
O festejado PSB, que afastou-se momentaneamente do PT mais em função da inabilidade deste em torno de quizílias envolvendo praças específicas do que de qualquer diferença de princípios que se note, poderia surgir como uma força real se o país mostrasse que quer uma esquerda menos poluída depois do Mensalão.
Mas tudo indica que não é este o caso.
Já o PSDB, segue com o problema de sempre: tem currículo mas não tem voz e vive mergulhado no seu dilema hamletiano, nem reivindicando o que foi e fez, nem afirmando desabridamente o que será ou o que se recusa a ser. Ou seja, segue negando-se como alternativa a uma massa de eleitores órfãos que, desde Marina Silva, vaga pelo deserto oferecendo-se para adoção.
O efeito dos mensalões e cachoeiras em duas das capitais mais diretamente atingidas por eles é eloquente nesse sentido. Em Goiânia, terra de Delúbio, de Demóstenes Torres e de Carlinhos Cachoeira, os votos nulos subiram 220% este ano ainda que a abstenção tenha sido a menor desde a eleição de 2000 e uma das mais baixas entre as capitais. Ou seja, os eleitores fizeram questão de votar, mas para anular seu voto em protesto.
Já na São Paulo de José Dirceu e de Genoíno, o aumento dos votos nulos foi de 67% e a taxa de abstenção foi a maior desde 2000. Ou seja, ha mais desilusão com o poder do voto que em Goiânia junto com um forte crescimento do voto de protesto.
Nos dois casos, porém, ninguém conseguiu se apresentar como uma alternativa capaz de atrair os votos negados aos, ou em protesto contra os bandalhos o que, no final das contas, reverteu em favor … do próprio petismo.
No país inteiro, cresceu 27% o numero de eleitores que deixaram de votar, anularam o seu voto ou votaram em branco.
Ha, portanto, uma boa parcela de brasileiros que resiste a deixar-se anestesiar pelas injeções de anabolizantes do consumo do lulismo, mas que também não consegue raciocinar com clareza sobre as implicações práticas de suas decisões na mecânica da democracia à brasileira.
Ha aí uma falha não só dos candidatos e partidos que poderiam ter investido em esclarecê-los, mas também da imprensa em geral, que não alertou suficientemente os indignados e os desiludidos sobre o resultado prático do seu gesto de negação.
Seja como for, perdidas Salvador e São Paulo, desestruturam-se as bases para a construção de alternativas, não digo competitivas, mas ao menos “perturbativas”, de oposição organizada.
Neste caso o inevitável prognóstico seria seguirmos derrapando para um “chavismo” tanto mais “cordial” (no sentido buarquiano da expressão) quanto menos favoráveis forem os ventos que movem os grandes importadores de commodities do mundo. Enquanto eles seguirem colocando nos cofres que compram “poder de consumo” para a “nova classe média” movida a crédito subsidiado mais do que sai deles para pagar a colonização do Estado pela companheirada e a montagem do anel de ferro dos monopólios “privados” satélites do BNDES, vamos na maciota.
Depois que o vento mudar…



















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