A pacificação de Dilma
21 de janeiro de 2013 § 2 Comentários
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A presidente Dilma disse quinta-feira no Piauí que 2013 será “o ano do crescimento sério, sustentável e sistemático“.
Com isso reconheceu implicitamente que o crescimento exibido até aqui não foi nem sério, nem sustentável, nem sistemático.
Agora, quer reduzir os encargos sobre o trabalho e outros impostos “em todos os setores da economia” ou, ao menos, “naqueles que o desejarem”. Mas não disse uma palavra sequer sobre onde vai cortar os gastos hoje sustentados pelos impostos de que pretende abrir mão.
Eu acredito até que é sincero o esforço de Dilma na economia.
Os objetivos que lhe apontam os seus empresários amestrados e as medidas receitadas para obtê-los estão corretas. O problema é a “mentalidade revolucionária” que parece acreditar que para mudar a realidade basta apontar-lhe uma arma.
Sem a outra ponta da equação resta ao dr. Mantega o triste papel que ele tem desempenhado, tentando convencer a patuléia de que para resolver o problema do aquecimento global basta chegar uma pedrinha de gelo na ponta do termômetro.
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Filha e neta de professores universitários europeus (do Leste mas europeus) a preocupação de Dilma com educação é a mais sólida marca distintiva entre ela e Lula; o seu PT e o dele. E o Ciência sem Fronteiras a maior prova da intensidade do sonho que ela alimenta de mudar a qualidade do ensino brasileiro.
A superação do nacionalismo xenófobo implícita em criar um programa de bolsas no exterior ja não é pouca coisa para quem tem o retrospecto ideológico dela e enfrenta a patrulha que ela enfrenta dentro do PT.
Mas ha mais que isso nessa medida. Ela é, indiretamente, o reconhecimento de que barrado o caminho da meritocracia – tabu no PT e no universo do funcionalismo público em geral – é inutil atirar dinheiro em cima e esperar qualidade desse nosso sistema de educação publica carcomido pelo corporativismo. Para produzir alunos à altura dos desafios do Terceiro Milênio, só mesmo indo formá-los lá fora, onde o desempenho dos professores pode ser medido e cobrado como acontece com todos os brasileiros aqui da colônia que Brasília explora.
Sem isso não ha melhora de qualidade possível. Em nada, que dizer em educação.
O Ciência sem Fronteiras, em outras palavras, é o PT assinando embaixo o atestado de falência de tudo que ele próprio representa.
Já não é preciso convencer, portanto. O problema do Brasil é como promover a reconciliação entre os pensamentos, as palavras e os atos de dona Dilma Rousseff.
É a sustentabilidade, seus idiotas!*
3 de dezembro de 2012 § 1 comentário
Esse negócio de incentivos pontuais ao emprego e ao consumo aqui e ali, ao sabor das eleições, não convence quem investe a longo prazo porque é manifestamente insustentável.
O governo é o primeiro a afirmar isso, alias, já que as medidas vêm com prazo de validade curtinho, o que é uma confissão de que são uma enganação e não mudança pra valer de uma conjuntura intrinsecamente adversa ao desenvolvimento sustentado.
É como se o governo dissesse: “Sim, admitimos que com o ambiente que criamos (de desvario tributário, de infraestrutura sucatada, de burocracia paralizante, de educação em frangalhos, etc.) é impossível sobreviver no mercado globalizado e por isso vamos dar um alívio temporário em alguns dos componentes desses custos letais para a competitividade do produto nacional de modo a prolongar um pouco a vossa agonia”.
Mas continua recusando-se a extirpar o cancer.
Nunca tivemos juros reais tão baixos, cambio tão alto e economia indo tão mal ao mesmo tempo.
Por que?
Porque, como indicam os números dos aportes do Tesouro para o BNDES que começaram de leve em 2009 a título de medida para combater a crise mundial e, em dois anos, saltaram para 51% do que o banco empresta hoje, pesando o financiamento desse ralo mais de 20% da divida pública (veja matéria completa no Valor), não ha mais como sustentar esse tipo de “espetáculo do crescimento“.
Os números do PIB divulgados sexta-feira apontam para uma expansão do consumo das famílias, em 12 meses, de 3,4% enquanto a produção industrial, mesmo turbinada com reduções de IPI e juros subsidiados, caiu 0,9% e os investimentos privados (- 2%) seguem diminuindo.

Estamos financiando consumo com endividamento publico e só quem lucra com isso são os chineses que fabricam a tralha que encanta a “nova classe media”. A indústria nacional não consegue dar conta da demanda e o governo corre pra lá e pra cá atras dos fatos, apagando incêndios.
Isso agrava o clima de desconfiança que é o veneno que mata os investimentos.
Está chegando a hora da verdade. O PT terá de escolher entre o fim da festa da “companheirada” e dos “aliados mercenários” e o fim da festa da “nova classe media” que sustenta os índices de popularidade dos seus presidentes.
Já lá vão 10 anos queimando reservas pra ir distribuindo “poder de consumo” e empurrando as reformas estruturais com a barriga.
Acabou!
Sem reformas pra valer não vai.
* “It’s the economy, stupid“, foi a frase que James Carville, diretor da campanha de Bill Clinton contra George W. Bush, colocou num cartaz na parede para que a equipe focasse naquilo que realmente interessava.






















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