A libertação está nos fatos
24 de outubro de 2015 § 98 Comentários
Artigo para O Estado de S. Paulo de 24/10/2015
Poucas vezes terá havido situação semelhante à deste nosso banquete de horrores no qual 90% dos comensais declaram-se com nojo da comida que lhes tem sido servida mas são obrigados a continuar a traga-la simplesmente porque não sabem pedir outro prato.
Na 2a feira, 19, O Globo publicou nova reportagem da série “Cofres Abertos” sobre a realidade do estado petista. O título era “Remuneração em ministério vai até R$ 152 mil”.
Eis alguns dados:
Lula acrescentou 18,3 mil funcionários à folha da União em oito anos. Em apenas quatro Dilma enfiou mais 16,3 mil. Agora são 618 mil, só na ativa. 103.313 têm “cargos de chefia”. Os títulos são qualquer coisa de fascinante. Ha um que inclui 38 palavras. “Chefe de Divisão de Avaliação e Controle de Programas, da Coordenação dos Programas de Geração de Emprego e Renda…” e vai por aí enfileirando outras 30, com o escárnio de referir um acinte desses à “geração de emprego e renda”…
O “teto” dos salários é o da presidente, de R$ 24,3 mil. Mas a grande tribo só de caciques constituída não pelos funcionários concursados ou de carreira mas pelos “de confiança”, com estrela vermelha no peito, ganha R$ 77 mil, somadas as “gratificações” que podem chegar a 37 diferentes. No fim do ano tem bônus “por desempenho”. A Petrobras distribuiu mais de R$ 1 bi aos funcionários em pleno “petrolão”, depois de negar dividendos a acionistas. A Eletronorte distribuiu R$ 2,2 bilhões em “participação nos lucros” proporcionados pelo aumento médio de 29% nas contas de luz dos pobres do Brasil entre os seus 3.400 funcionários. Houve um que embolsou R$ 152 mil.
A folha de salários da União, sem as estatais que são 142, passará este ano de R$ 100 bilhões, 58% mais, fora inflação, do que o PT recebeu lá atrás.
Essa boa gente emite 520 novos “regulamentos” (média) todo santo dia. Existem 49.500 e tantas “áreas administrativas” divididas em 53.000 e não sei quantos “núcleos responsáveis por políticas públicas”! Qualquer decisão sobre água tem de passar pela aprovação de 134 órgãos diferentes. Uma sobre saúde pública pode envolver 1.385 “instâncias de decisão”. Na educação podem ser 1.036. Na segurança pública 2.375!
E para trabalhar no inferno que isso cria? Quanto vale a venda de indulgências?
Essa conversa da CPMF como única alternativa para a salvação da pátria face à “incompressibilidade” dos gastos públicos a favor dos pobres não duraria 10 segundos se fatos como esses fossem sistematicamente justapostos às declarações que 100 vezes por dia, os jornais, do papel à telinha, põem no ar para afirmar o contrário. Se fossem editados e perseguidos pelas televisões com as mesmas minúcia, competência técnica e paixão com que seus departamentos de jornalismo fazem de temas desimportantes ou meramente deletérios verdadeiras guerras-santas, então, a Bastilha já teria caído.
Passados 10 meses de paralisia da nação diante da ferocidade do sítio aos dinheiros públicos e ao que ainda resta no bolso do brasileiro de 2a classe, com a tragédia pairando no ar depois do governo mutilar até à paraplegia todos os investimentos em saúde, educação, segurança pública e infraestrutura, a série do Globo é, no entanto, o único esforço concentrado do jornalismo brasileiro na linha de apontar com fatos e números que dispensam as opiniões de “especialistas” imediatamente contestáveis pelas opiniões de outros “especialistas” para expor a criminosa mentira de que este país está sendo vítima.
Nem por isso deixou de sofrer restrições mesmo “dentro de casa” pois apesar da contundência dos fatos, da oportunidade da denúncia e da exclusividade do que estava sendo apresentado, a 1a página do jornal daquele dia não trazia qualquer “chamada” para o seu próprio “furo” e nem as televisões da casa o repercutiram. O tipo de informação sem a disseminação da qual o Brasil jamais desatolará da condição medieval em que tem sido mantido, tornou-se conhecida, portanto, apenas da ínfima parcela da ínfima minoria dos brasileiros alfabetizados que lê jornal que tenha folheado O Globo inteiro daquele dia até seus olhos esbarrarem nela por acaso e que se deixaram levar pela curiosidade página abaixo.
É por aí que se agarra insidiosamente ao chão essa cultivada perplexidade do brasileiro que, em plena “era da informação”, traga sem nem sequer argumentar aquilo que já não admitia que lhe impingissem 200 anos atrás mesmo que a custa de se fazer enforcar e esquartejar em praça pública.
Do palco à platéia, Brasília vive imersa no seu “infinito particular“. Enquanto o país real, com as veias abertas, segue amarrado ao poste à espera de que a Pátria Estupradora decida quem vai ou não participar da próxima rodada de abusos, os criminosos mandam prender a polícia e a platéia discute apaixonadamente quem deu em quem, entre os atores da farsa, a mais esperta rasteira do dia.
Deter o estupro não entra nas cogitações de ninguém. A pauta da imprensa – e com ela a do Brasil – foi terceirizada para as “fontes” que disputam o comando de um sistema de opressão cuja lógica opõe-se diametralmente à do trabalho. Os fatos, substância da crítica que pode demolir os “factóides“, esses todos querem ocultados.
Perdemos as referências do passado, terceirizamos a “busca da felicidade” no presente, somos avessos à fórmula asiática de sucesso quanto ao futuro. Condenamo-nos a reinventar a roda em matéria de construção de instituições democráticas porque a que foi inventada pela melhor geração da humanidade no seu mais “iluminado” momento e vem libertando povo após povo que dela se serve, está banida das nossas escolas e da pauta terceirizada pela imprensa a quem nos quer para sempre amarrados a um rei e seus barões. Como o resto do mundo resolve os mesmos problemas que temos absolutamente não interessa aos “olheiros” dos nossos jornais e TVs no exterior que, de lá, só nos mostram o que há de pior…
A imprensa nacional está devendo muito mais à democracia brasileira do que tem cobrado aos outros nas suas cada vez mais segregadas páginas de opinião.
Mata Atlântica? Tá salva não!
6 de junho de 2015 § 22 Comentários
A Rede Globo anda espalhando por aí que “a derrubada de Mata AtIântica caiu 24% em 2014“. Bom, televisão a gente sabe como é. Essa “informação” era, na imediata sequência, diluída em imagens de uma anta albina “tida como assombração“, e por aí afora…
Mas a Rede Globo sabe fazer bom jornalismo quando quer e, assim, deveria ter mais cuidado com esses números sempre rescendendo a absurdo que passa adiante sem investir uma grama de raciocínio para checar a sua credibilidade quando o assunto é sério como este é e os possíveis prejuízos potencialmente irreversíveis como estes podem ser nos limites a que já chegamos.
Da até “gastura” falar dessas coisas com o país arrebentado como o PT o deixou, mas não dá pra ficar quieto. Vamos lá…
Eu frequento regularissimamente o maior pedaço de Mata Atlântica que sobrou neste planeta, no Vale do Ribeira, há mais de 40 anos. Vejo com meus olhos o que está acontecendo por lá quase metro por metro. A situação em São Paulo esteve mais ou menos estabilizada durante uns bons anos enquanto em Santa Catarina o pau comia solto. Até a predação “a tesourinha” dos palmiteiros, que mina na sua base a capacidade daquela floresta de produzir a fauna que trabalha para semea-la e mantê-la e que, toda ela, tem na semente da palmeira juçara uma fonte essencial de alimentação, tinha diminuído no Vale. Não em função da repressão da atividade mas, como sempre, do esgotamento que eles próprios conseguiram produzir no objeto da sua cobiça graças à falta dessa repressão. O de sempre: somos um país sem lei onde não ha crimes, só “atos infracionais” ou menos que isso, e ninguém vai preso por nada, de modo que correr atrás de palmiteiro é só se arriscar a ter de se enfrentar com ele porque, ainda que preso, será solto em poucas horas…
As tentativas de adaptar o açaí da Amazônia (Euterpe oleracea) á região não funcionaram. Surgiu naturalmente, por polinização, um híbrido dessa palmeira com a juçara nativa da Mata Atlântica (Euterpe edulis) que é estéril e ainda pode virar um problema enorme se não houver um esforço rápido para eliminá-las da região. E por tudo isso a febre palmiteira foi baixando. O Vale vivia da banana, os ladrões de palmito ficaram do tamanho do que restou para roubar, os processadores do produto do roubo, que tooodo mundo conhece desde sempre seguiram impunes como sempre, e por aí foi-se ficando.
De uns cinco a sete anos para cá, algo começou a mudar, e em velocidade crescente. A pupunha (Bactris gasipaes) é uma palmeira amazônica que nasce em touceiras de quatro, cinco troncos por planta, e produz um palmito de boa aceitação no mercado. E esta se adaptou ao Vale às mil maravilhas. Cresce mais rápido lá, onde chove mais que na Amazônia na média anual; não requer tanto trato assim depois de plantada e dá vários cortes em ciclos mais curtos que os anuais se bem manejada.
É, em resumo, um sucesso econômico, o que a arma da força que o dinheiro tem. E as derrubadas recomeçaram. Cada vez que vou lá vejo mais e mais encostas peladas encrespando de pupunha; a grilagem de áreas de parques e reservas ganhou novo impulso; não há diferença nenhuma na velocidade e na explicitude desse processo mais perto ou mais longe das sedes locais dos guarda-parques e reservas florestais. Ha dinheiro para fechar olhos ao que quer que seja…
O pau está comendo, ao contrário do que diz a Globo. A crise da Dilma reduziu, sim, um pouco desse ímpeto, porque o povo está comendo menos pizza e pastel de palmito, que é a porcaria em que se transforma a força da Mata Atlântica neste país sem informação nem pulso, mas isso é questão de tempo. O fato é que existe agora uma nova e poderosa força econômica empurrando a devastação da Mata Atlântica e se o ambientalismo brasileiro continuar insistindo em fechar os olhos a isso e atrapalhando ou proibindo a única alternativa que o resto do mundo adota contra a força da agricultura — que é a lei ajudar a fazer a caça e a pesca esportivas organizadas, que dependem da mata em pé, valerem mais do que os produtos da agricultura, que depende da mata deitada — a pupunha vai comer, já, mais um pedaço consideravel do futuro dos nossos fihos e netos.
Sabe com quem cê tá falando?
27 de maio de 2014 § 6 Comentários
Você pode nem se ter dado conta. Mas entre a quarta-feira e o sábado passados rolou na quase surdina que é o dado que mais terminantemente define a profundidade do drama que o Brasil está apenas começando a viver, uma dessas histórias que explicam como e porque este país mergulhou tão profundamente no estado de anomia e prostração moral em que parece estar condenado a purgar seus pecados sabe-se lá por quantos anos pela frente ainda.
76 ônibus incendiados depois, alguns deles com gente dentro, inclusive crianças, São Paulo e outras 16 cidades da insana mancha urbana em que esta megalópole se transformou viveram, naqueles dias, os maiores congestionamentos de trânsito de toda a sua história com mais de 2 milhões de trabalhadores forçados a voltar para suas casas a pé, em longas marchas sob a chuva, enquanto pipocavam nos jornais, em sequência aparentemente absurda, as notícias dando conta de acordos salariais firmados entre sindicatos e empresas de ônibus seguidos de “greves” e depredações dos carros dessas mesmas companhias.
Da esquerda para a direita, Luiz e Senival Moura e “Pad”: “Parabéns a você”
Foi no meio desse tiroteio, com o prefeito Fernando Haddad acusando a polícia do governador Alkmin de não agir contra os depredadores, que a imprensa “teve acesso” a um documento bombástico: o Boletim de Ocorrência (BO) de 17 de março passado lavrado pela 6a Delegacia de Polícia de Investigações sobre Facções Criminosas e Lavagem de Dinheiro dando conta do flagrante dado no deputado estadual Luiz Moura, do PT de São Paulo, umbilicalmente ligado ao Secretário Municipal de Transportes Jilmar Tatto, numa reunião para “ajuste de condutas” com 13 membros do PCC a facção que comanda o crime organizado em todo o Brasil a partir de presídios paulistas, e mais 26 indivíduos ligados aos sindicatos e “movimentos sociais” envolvidos com o transporte público em São Paulo na sede da Cooperativa Transcooper, de “perueiros” e afins, comandada pelo ilustre deputado.
Irmão do vereador Senival Moura, também do PT, que é fundador e presidente do Sindilotação e presidente da Comissão de Trânsito e Transporte, Lazer e Gastronomia (!!) da Câmara Municipal de São Paulo, Luiz Moura vem a ser um ex-presidiário recolhido a uma penitenciária do Paraná em 1990 por flagrantes de assalto à mão armada – nada que a presidente Dilma também não tenha feito nos bons tempos – para cumprir a pena de 12 anos e meio de prisão a que fora condenado.
Menos de um ano e meio depois, porém, Luiz Moura fugiu da prisão e passou os 10 anos seguintes na clandestinidade como foragido da polícia – nada, outra vez, que gente como o ex-ministro da casa Civil de Lula, José Dirceu, não tenha feito também.
Nesse período começou a trabalhar como “perueiro” e a construir, junto com o irmão, o que viria a ser um futuro brilhante.
Tudo começou quando Marta Suplicy se tornou prefeita de São Paulo na eleição de 2000. O primeiro “abacaxi” que ela teve de descascar foi o problema dos “perueiros” clandestinos que competiam deslealmente com os concessionários de transporte licitados pela Prefeitura e que viviam fazendo acampamentos e malcheirosas “sardinhadas” na porta do Palácio das Indústrias, de onde, na época, madame “prefeiturava”, enquanto ela lhes ofereceu resistência.
Com o tempo, o modo petista de encarar as coisas foi prevalecendo. A “culpa” por tudo, claro, era da “política econômica de desemprego do governo Fernando Henrique” o que levou a prefeita Marta Suplicy a cooptar os “perueiros” e, assim, animá-los a se transformar num problema crônico.
Foi dentro desse contexto que o então foragido da penitenciária, Luiz Moura, apresentado à prefeita por Jilmar Tatto, fez por merecer tornar-se o homem de confiança de sua excelência para “resolver” a crise.
Mas cessa exatamente aí a hipótese de ausência de dolo na relação que, a partir de então, estabeleceu-se entre este senhor e o PT. Que Marta não conhecesse suas relações com o PCC e nem sua ficha na policia e tivesse aceitado sem saber a “ajuda” de alguém pertencente a uma organização que apoia seu sistema de poder na forma implacável como assassina quem lhe oferece qualquer resistência num momento de desespero para serenar um conflito que se estendeu por mais de dois anos de seu governo, vá lá.
Mas não foi isso que aconteceu.
Encarregado pela prefeitura, Luiz Moura, com os métodos que fazem do PCC o mais temido criminoso entre os criminosos do país inteiro, passou a “organizar” os perueiros independentes – que, naquele momento eram realmente desempregados a procura de um “bico” – em “cooperativas”.
Na verdade esses independentes eram – e continuam sendo até hoje, segundo investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público – forçados a “aderir” às cooperativas que ficam donas de seus carros e das quais se tornam empregados, na maioria das vezes em “transações” que sequer envolvem papéis. Quem descumpre o que lhe foi imposto ou fala no assunto aparece invariavelmente trucidado a tiros, o que produz o terror que dificulta as investigações do que mais se passa nesse submundo.
Desde então todo o segmento de transporte público de São Paulo e outras capitais brasileiras – por onde corre dinheiro muito grosso e é fácil desviar fundos para campanhas eleitorais – vem sendo tomado pelo crime organizado. A disputa pelos sindicatos do setor em São Paulo é conhecida pela truculência. 16 candidatos já foram assassinados. 18 diretores do Sindicato de Funcionários de Ônibus foram detidos por enriquecimento ilícito e formação de quadrilha, entre eles os dois que disputaram a última eleição, Isao Hosogi e José Valdevan de Jesus, o vencedor.
Em 2006, quarto ano do PT no poder federal, final do primeiro mandato de Lula e véspera da disputa presidencial entre ele e Geraldo Alkmin, com Cláudio Lembo recém chegado ao Palácio dos Bandeirantes para substituir o candidato do PSDB e Marta Suplicy pré-candidata ao governo de São Paulo, comandos do PCC começaram, do nada, a assassinar policiais por toda a cidade com requintes revoltantes de violência e acinte contra suas famílias e os poderes constituídos até conseguirem instalar uma guerra aberta que colocou a maior cidade do país em virtual estado de sítio.
Coincidentemente, na época, o maior trunfo eleitoral do governador Alkmin eram os números da segurança pública. Ele tinha conseguido baixar em 80% o numero de assassinatos em São Paulo, fato que foi cuidadosamente sonegado à opinião pública brasileira pela imprensa até se tornar finalmente mais “badalado” quando, ha menos de dois anos, o feito, inédito no mundo, acabou sendo saudado e recebendo um prêmio especial da ONU.
Nesse mesmo ano de 2006, a vida de Luiz Moura começou a mudar. Orientado por bons e poderosos amigos ele assinou, em 2005, um “atestado de pobreza” para comprovar que não tinha vivido do produto dos assaltos que praticou (declarou uma renda anual de R$ 15.859,00), e conseguiu “reabilitação na Justiça por bom comportamento tanto público como privado” (aferido nas ruas?!!), com apagamento de toda a sua ficha pregressa e dos anos de prisão não cumpridos. Os pormenores desse processo que resume bem no que se transformou o Brasil podem ser encontrados neste link http://veja.abril.com.br/PDF/reabilita.pdf.
De lá para cá a Transcooper, a sua “cooperativa” pessoal com sede em Itaquera tornou-se detentora de concessões para a exploração de transporte público em três áreas da Zona Leste da cidade que lhe renderam, só nos últimos três anos, um faturamento de R$ 1,8 bilhão.
Em 2010, quando candidatou-se a deputado estadual pelo PT, a vida de Luiz Moura já tinha virado outra. Ele declarou ao Tribunal de Contas a posse de 11 propriedades e participações em empresas de transporte público e redes de postos de gasolina num valor total de R$ 5.125.587,00!
Ele enriqueceu rápido como um raio e sem medo do famigerado computador da Receita Federal igual ao da Nasa capaz de detectar qualquer centavo “suspeito” em circulação no Brasil…
Mesmo com todo esse dinheiro no bolso, entretanto, o atual secretário de Transportes, Jilmar Tatto, cuja família se fez na “política” incentivando invasões nas margens de Guarapiranga e trocando por votos as posteriores regularizações das áreas invadidas, fez questão de se apresentar como o maior doador individual da campanha eleitoral de Luiz Moura, com R$ 201 mil. Outra que fez doações foi Marta Suplicy, com R$ 35 mil.
Hoje, segundo o Gaeco, há provas conclusivas de que quatro das nove cooperativas de transporte em operação em São Paulo pertencem ao PCC. Sobre as outras cinco só ha indícios. Senival Moura, irmão de Luiz, tornou-se o vereador mais votado do PT e a “Bancada do PCC” na Câmara Municipal de São Paulo inclui pelo menos quatro, possivelmente cinco membros perfazendo 10% do total. Luiz, ele mesmo, dá expediente na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo.
Em março deste ano, finalmente, sua excelência, cujo sítio de internet ironicamente abre-se sob o dístico “2014, Ano de Muita Paz” foi flagrada “ajustando condutas” com nada menos que 13 membros da cúpula do PCC, entre os quais o famigerado assaltante do Banco Central no Ceará (R$ 164,8 milhões), Carlos Roberto Maia, o Carlinhos Alfaiate, foragido da Justiça. Só dois dos membros do PCC capturados nessa ocasião mantinham vínculos formais com cooperativas e empresas de transportes públicos. Os outros 11 não. Estavam lá apenas e tão somente na condição de membros graduados da organização criminosa.
Foi em função desse “ajuste de condutas” que a organização padronizou o esquema que tem paralisado São Paulo. Como o controle dos sindicatos e cooperativas do setor é o que está em disputa a ação se dá na sequência dos acordos salariais celebrados entre eles e as empresas visadas. Uma moto com um carona encosta na janela do motorista do ônibus, aponta-lhe uma arma para a cabeça, eventualmente manda os passageiros descerem, e a dupla incendeia o ônibus (possivelmente os dos concorrentes que mais lhes resistem) ou simplesmente, com mais brandura, retalha os pneus a faca depois de atravessar o veículo na rua para fechar a passagem, forçando assim as “greves” que nem os trabalhadores nem os sindicatos desejam e de que tanto o prefeito do PT quanto o governador do PSDB ficam loucos para se livrar.
Poucos dias depois do flagrante da polícia na Transcooper cabe registrar, Luiz Moura fez aniversário comemorado numa festança comandada por ninguém menos que o ex-ministro da Saúde e candidato do PT ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha (foto lá encima), aquele que era carinhosamente chamado de “Pad” nos telefonemas gravados pela polícia federal entre o “líder” André Vargas, do PT, e o doleiro Youssef para tramar o roubo de dinheiro da saúde dos pobres em escala suficiente para “garantir a independência financeira” de ambos. Conversas captadas, diga-se de passagem, nos mesmos “grampos” da Polícia Federal que registraram as falcatruas dos ladrões da Petrobras que o ministro amestrado de dona Dilma no STF mandou soltar da prisão.
Sobre Lula e as FARC, procure esta revista colombiana no Google
Quem ainda não sabe com quem está falando quando fala com o PT no Brasil, portanto, não sabe rigorosamente porque não quer.
A violência, a corrupção e o crime sempre foram o caldo de cultura no qual se criou a escória do peleguismo sindical que é o que sobrou do partido que hoje governa o Brasil conforme a receita prescrita por Getulio Vargas apud Juan Domingo Perón e Benito Mussolini. Os sindicatos são criados do nada para mamar na teta do imposto sindical e servir os donos do poder e as “eleições por aclamação” pela posse desses sacos sem fundo sempre foram disputadas pelos mesmos métodos com que o PCC disputa o controle de celas e penitenciárias país afora, os mesmos agora empregados na disputa dos pedaços do “território” privativo que o PT parece ter reservado tacitamente a mais este aliado — o dos transportes públicos — exatamente como fez com o resto das fatias em que picou o Brasil que entregou a outros criminosos de métodos um pouco menos primitivos.
As relações com o crime organizado do partido que inaugurou a jornada nacional da sua marcha para solapar o regime republicano no Brasil com o assassinato de Celso Daniel não são propriamente novidade.
13 tiros no rosto, furando antes as mãos que a vítima estendeu na direção de seus executores no pânico da morte foi o primeiro sinal do que viria, mas isso era coisa desde sempre previsível à qual o Brasil, enquanto ainda são, intuitivamente resistiu por quatro disputas presidenciais seguidas. Afinal, o PCC é só a feição mais recente que assumiu a organização do crime no Brasil que começou, como se sabe, com as “aulas” ministradas a criminosos comuns perigosos por terroristas da “luta armada” dos anos 70, alguns dos quais hoje governam o Brasil, nos mesmos presídios e celas em que foram ambos encerrados pelo regime militar.
As notórias relações do partido com as FARC, a guerrilha colombiana que se apossou do grosso da produção e do tráfico de cocaína em toda a América Latina e dela para o mundo, assim como os ingentes esforços do partido para impedir ações afirmativas internacionais e dar tempo a todo e qualquer genocida em ação no mundo para completar sua obra de extermínio físico de toda e qualquer oposição são a face internacional dessas “afinidades eletivas” e dessas fronteiras sempre difusas entre o lulopetismo e o crime.
Os fatos que o indicam se têm sucedido com tanta regularidade que qualquer sujeito que não tenha sido lobotomizado já considerou a altíssima probabilidade de que tão impressionante série de coincidências entre as ações do PCC e outras organizações criminosas e os interesses do PT e seus aliados internacionais possam não ser fruto de mero acaso.
Que dirá o profissional da desconfiança que deve ser o jornalista digno desse nome!
E no entanto, embora todos os jornais e TVs brasileiras mantenham plantonistas e informantes dentro das principais delegacias de polícia, ou comuniquem-se diariamente com os palácios de governo, inclusive o dos Bandeirantes, obviamente interessado em que essa informação chegasse ao público, foi preciso que o secretário de Comunicação do Governo do Estado de São Paulo, Marcio Aith, dissesse ao vivo, no programa do Datena, da Rede Bandeirantes, durante uma altercação com Jilmar Tatto, o que constava do Boletim de Ocorrências que registrou as intimidades do deputado Luiz Moura com os chefões do PCC em plena guerra dos ônibus para que o assunto viesse finalmente a público.
Mesmo assim, os únicos órgãos da imprensa paulista a darem sequência ao caso no dia seguinte com o merecido destaque foram a Folha de São Paulo e o segmento eletrônico da Veja na coluna de Reinaldo Azevedo. O Estado de S. Paulo e as Organizações Globo como um todo fingiram que não sabiam de nada.
A Globo continua fingindo que não sabe de nada até hoje. A direção de redação do Estado acabou por registrar laconicamente os acontecimentos só no sábado, mas tomando o cuidado de fabricar mais uma manchete com o famigerado “caso Alstom”, esta perigosa ameaça contra a continuação da democracia no Brasil, para fazer-lhe a devida sombra.
E desde então esse assunto tão pouco jornalístico e irrelevante para o futuro da nacionalidade — a saber, as íntimas relações oficiais entre o partido que governa o Brasil e o “partido” que governa o crime organizado no Brasil — saiu da pauta de todos.
O PT vem ostensivamente desmontando instituição democrática por instituição democrática do país e colocando títeres de quem exige compromissos públicos de fidelidade canina como condição para a nomeação à frente de cada instrumento de controle do Poder Executivo certamente não porque queira prolongar a vida da democracia brasileira, mas a maior parte da imprensa brasileira faz o melhor do seu esforço para evitar que a opinião pública se aperceba disso.
O Brasil chega, portanto, às vésperas de uma eleição que pode ser a última muito mais graças à irresponsabilidade dos donos de redes de televisão e empresas jornalísticas que não têm nenhuma familiaridade com a profissão e vêm a imprescindível função institucional da imprensa nas democracias, ou como um incômodo empecilho, ou como uma ferramenta para se locupletarem, do que por uma real competência do PT na arte de enganar a todos o tempo todo.
O PT é o que é. Quem está lesando a pátria é quem tem, por ação ou por omissão, insistido em manter-se conivente, seja com sujeitos disfarçados de editores que dão provas diárias de que não passam de falsificadores de fatos, seja com idiotas ineptos ocupando postos críticos do sistema imunológico da democracia brasileira — do qual a imprensa é o elemento-chave — no momento em que ela passa pela mais grave ameaça de sua curta história de ser tomada por um microrganismo mortífero.
A alternativa é irelevante. Nenhuma das duas atitudes é perdoável.
E quem precisa de educação no Brasil?
1 de abril de 2014 § 9 Comentários
Foi tocar no assunto no artigo anterior e os fatos vieram em meu socorro.
A discussão sobre a última medida tomada da indigência educacional brasileira na Globonews, o canal de notícias com que a Globo mira a elite intelectual brasileira, mostrou que ela é ainda muito mais profunda do que registrou o último “Pisa”, um exame internacional que, este ano, deixou de lado as avaliações mais técnicas que costumava fazer em torno dos temas Leitura, Matemática e Ciências para se concentrar na solução de problemas de lógica e raciocínio.
Entre 44 países que participaram do certame testando alunos de 15 anos de idade, o Brasil ficou em 38º lugar…
A Globonews mobilizou seus amplos recursos entrevistando os “especialistas” do costume no Brasil e no exterior, que falaram longamente nas “causas” — também as do costume — da tragédia educacional brasileira, incluindo no rol os salários dos professores, a falta de verbas, a “inadequação do currículo à realidade do cotidiano dos estudantes”, etc., etc. e tal.
Mas, como de hábito, a todos passou despercebida a “pista” que, lá do início da lista de classificação, clamava aos céus a razão essencial pela qual não saímos dessa miséria, ao contrário, afundamos cada vez mais nela.
Quem são, pela enésima vez, os primeiros classificados nesse exame? Os asiáticos. Quais asiáticos? Aqueles que, tendo partido de situações infinitamente mais calamitosas que a do Brasil de hoje, importaram tecnologias institucionais modernas – uns depois de perder uma guerra mundial e levar duas bombas atômicas na cabeça, outros a partir de condições nacionais de semi-selvageria e miséria absoluta – e, graças a isso, colheram o mesmo resultado que tinham colhido, pela mesmíssima razão, os países que as tinham adotado antes deles.
Até a sequência dos três primeiros colocados aponta nessa direção. O último dos três a importá-las – Cingapura – é o primeiro colocado, o penúltimo – a Coréia do Sul – é o segundo, e o que as importou ha mais tempo – o Japão – é o terceiro.
São as consequências naturais da acomodação na abundância de quem a conquistou duas ou três gerações antes dos outros contra a disposição para a luta mais aguerrida em quem a tem desfrutado ha menos tempo.
Mas o que há de comum entre esses três países é que todos transplantaram para suas realidades os elementos básicos do ferramental institucional norte-americano, aquele que, no melhor momento da cultura da Humanidade, foi especialmente desenhado pela elite do Iluminismo fugida para a América para fundar uma sociedade que deveria ser a antítese da Europa feudal onde tudo que valia era ser amigo do rei, num processo revolucionário cujo sentido pode ser sintetizado na frase “nenhum dinheiro e nenhum poder que não seja fruto do mérito”.
A educação, que este teste procura medir, foi a faísca inicial da Revolução Americana.
Tudo começou pela perda momentânea do controle que a Igreja e os monarcas absolutistas mantinham sobre a circulação da informação provocada pela invenção da prensa de Gutemberg que disseminou para além das trancafiadas bibliotecas de uns poucos conventos edições completas da Bíblia, uma das quais caiu nas mãos de Martinho Lutero que, ao lê-la, deu-se conta de que a versão que davam dela os bispos e os padres de cima de seus púlpitos não tinha nada a ver com o que realmente estava escrito no livro. Era tudo uma empulhação para justificar pela palavra “de deus em pessoa” a exploração dos muitos pelos poucos espertalhões dispostos aos crimes mais hediondos — sendo o cultivo deliberado da ignorância o maior deles — para manter seus privilégios.
Os primeiros “protestantes” das mentiras até então universalmente aceitas como verdades na Inglaterra, por exemplo, andavam pelos campos encapuzados, à noite, perseguidos de morte que eram, batendo de porta em porta dos camponeses analfabetos para ler-lhes à luz de velas trechos da verdadeira Bíblia e encerrar a visita com sua mensagem subversiva: “Não aceitem as verdades de segunda mão que o poder lhes impinge. Aprendam a ler para ir buscá-las diretamente na fonte. A libertação está na educação”.
Não é por outra razão que, desde sempre, o maior esforço de todo tirano é manter a informação controlada e fazer do sistema educacional uma máquina de falsificação da verdade.
O teste internacional “Pisa” mede precisamente a eficácia com que os tiranos brasileiros têm conseguido atingir esse objetivo, o que hoje depende essencialmente de manter todos longe da “prensa de Gutemberg” da hora, que é a internet. Não chega a ser uma tarefa hercúlea como pode parecer à primeira vista posto que, estando aqui dentro “tudo dominado”, o que resulta em que a esmagadora maioria mal fala português, é só deixá-la longe do inglês que eles só terão acesso ao que o poder constituído quiser lhes dizer. É, de qualquer maneira, impossível aprender democracia em português pois nenhuma sociedade que fala essa língua jamais viveu numa.
O controle absoluto das escolas e da imprensa – mais da primeira que da segunda porque uma coisa conduz naturalmente à outra – já dizia Antonio Gramsci, é o elemento essencial desse esquema de dominação.
A educação é o instrumento essencial da meritocracia. E a meritocracia a antítese do “amiguismo”, do “emprego sem trabalho” mas com aposentadoria gorda e precoce, e do “jeitinho” para se conseguir tudo isso.
Logo, os privilegiados de hoje fogem da meritocracia como o diabo da cruz.
Agora pense bem. Lembra-se de quando José Serra decidiu dar aumentos de salário por aferição de desempenho para os professores de São Paulo, ainda que sendo só um adicional sobre os aumentos automáticos que eles arrancam anualmente só na mumunha sindical?
O Palácio dos Bandeirantes foi cercado pela milícia do sindicato dos professores, o mais agressivo e radicalmente ideologizado entre todos do país, que por diversas vezes tentou invadi-lo, derrubou seus muros, agrediu quem tentava entrar e sair de suas dependências e jurou de morte o então governador.
E como professores que nunca na vida foram submetidos a qualquer avaliação de desempenho poderiam formar alunos para enfrentar a competição global onde o que desempata o jogo é o desempenho e o esforço individual minuciosamente medidos e aferidos?
Que incentivo tem o estudante brasileiro para ser mais que o 38º do mundo se o que decide quem vai se dar bem ou mal na vida neste país continua sendo a proximidade que as mãos sôfregas dos contendores estão do saco de “el rei” e se a diferença entre ficar ou não exposto à intempérie está em conseguir ou não saltar para dentro da nau dos exploradores entrando para o “serviço público” o que explica o fenômeno único no mundo da nossa juventude “concurseira”, que dedica a vida a entrar para o redil do Estado na base da água mole em pedra dura?
Quem precisa, enfim, de educação onde o esforço e o merecimento não contam para nada?
A primeira vítima dessa arapuca, ironicamente, são os próprios professores, já que salário não pode ser outra coisa, de forma sustentável, que função de resultado.
Mas como mudar isso se mais da metade da população já está direta ou indiretamente embarcada no Estado recebendo seu chequinho e vivendo de explorar a única minoria realmente discriminada deste país que é a que tem de trabalhar para viver?
Um dia inteiro de discussões na Globonews sobre o nosso vergonhoso desempenho no “Pisa” sem que a palavra “meritocracia” – um arranjo de sociedade que não admite meio termo: ou é ou não é – fosse mencionada uma vez sequer dá a medida do buraco. Porque reformas, mesmo nas democracias mais avançadas, só as puxadas pela imprensa. Os beneficiários do sistema é que não tomarão nunca a iniciativa de fazê-las. E no entanto a imprensa…
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