Batendo na porta do paraíso
14 de abril de 2014 § 5 Comentários
Fernando Cavendish, o ubíquo “campeão do PAC” da “faxineira” Dilma que, semana sim semana não, tem suas empresas declaradas “inidôneas” para fazer negócios com o poder público mas, rápido no gatilho que é, troca o nome delas e, assim, continua merecendo a confiança da “presidenta”; Fernando Collor de Mello, o “linchado redimido” (“amigos, amigos: negócios aparte…”) e seu afilhado Pedro Paulo Leoni Ramos cujas falcatruas na Petrobras são velhas de antes do impeachment; Renan Calheiros, o “relator” da CPI “X-tudo” instalada para “investigar” as roubalheiras cujo produto é “lavado-em-jatos” pelo doleiro Alberto Youssef, o amigo de 30 anos de André Vargas, o gorducho que mente pela gorja um pouquinho mais a cada novo palmo de bunda que lhe fica exposto; não ha nome infame da crônica do baixo lenocínio político brasileiro, enfim, que não tenha um ferrão fincado nesta Petrobras que o PT conseguiu empurrar até à beira da falência.
Cada dia fica-se sabendo uma nova.
Todos os ladrões de sucesso da Republica, aliás, têm o “seu” funcionário de alto nível amestrado da Petrobras. Só pé-de-chinelo é que não tem um “pet” desses em Brasília. É que como ha áreas e “projetos técnicos” para todos os gostos e mais de 220 bilhões de dólares no orçamento de “investimentos” da “nossa” petroleira até 2018, é uma vírgula estrategicamente colocada num contrato e – bingo! – está conquistada a “independência financeira” de mais um André Vargas com o seu doleiro ao pé.
Até salafrários internacionais, como o tal “barão” belga de Pasadena já conhecem o macete: um “técnico” com 20 anos de Petrobras intermediou a “venda”, por 277 vezes o valor pago um ano antes, aprovada por dona Dilma e pelo tal Nestor Cerveró, este que foi severamente “afastado”, doa a quem doer, com 13 anos de atraso, daquela bela refinaria em Pasadena, Texas, incapaz de processar os óleos extraídos em solo brasileiro.
Renan Calheiros, o chefe da investigação das falcatruas na Petrobras em pessoa, por exemplo, é o “dono”, pela interposta pessoa do “funcionário especializado” Sérgio Machado, da Transpetro, que tem o monopólio do transporte de todo o petróleo importado pela Petrobras.
Já o doleiro Aberto Youssef e o “diretor de Abastecimento”, Paulo Roberto Costa representam toda uma rede de roubalhões. Só falam em bilhões.
Este nobre senhor Youssef até viaja nas comitivas presidenciais que andam pelo mundo, de ditador em ditador, distribuindo “obras” financiadas pelo BNDES para donos de ilhas do Caribe, genocidas africanos e outros tipos de ilibada reputação e notório conhecimento na companhia dos quais o nosso Lula pretende transplantar para os grandes foros internacionais, como a ONU, os esquemas de “governabilidade” e articulação de “baixos cleros” em que é mestre, para ensinar ao mundo a dor e a delícia de se lidar com a natureza humana.
Outro dia foi flagrado na lista de convidados do governo para uma visita ao último bastião do socialismo no Ocidente, a Cuba dos Castro, onde a Petrobras “fura poços de petróleo” e todos nós, das palafitas de Belém do Pará para baixo, contribuímos para a construção de um porto pra Eike Batista nenhum botar defeito.
Não tem mixaria na caridade internacional do PT. É o momento em que brota do nada tudo que falta nas escolas e nos hospitais aqui no Brasil para ser investido em “obras” que ninguém nunca saberá sequer se chegaram a ser iniciadas um dia, já que se os nosso tribunais de contas não conseguem saber nem o que se passa debaixo do seu nariz aqui onde têm poder de polícia, que dirá pelo mundo afora.
Por isso, acreditam alguns, é que têm surgido nas anotações do nosso meticuloso doleiro, “comissões” de 50% do valor dessas “obras” que nenhum brasileiro jamais fiscalizará. É possível que se esteja “rachando” o valor inteiro da empreitada.
Inovação é o nome do jogo!
O que está acontecendo na Petrobras, enfim, é exatamente o mesmo que tem acontecido no Brasil como um todo. Já não se “aparelha” mais o órgão, a instituição, a empresa pública, naquele sentido ideológico de antigamente, para colocá-lo subrepticiamente a serviço de um projeto de poder. Loteia-se explicitamente cada um deles, em negociações “cobertas” pela imprensa, entre os “companheiros” e os “aliados”, segundo o volume de dinheiro movimentado por cada um deles.
Daí por diante é roubalheira de um lado e gestão temerária do outro anabolizando-se mutuamente.
Quando as falcatruas são eventualmente “descobertas”, reencena-se o “espetáculo da impunidade”.
A primeira providência é a tentativa de matar o mensageiro. Acionam-se as brigadas da internet que iniciarão campanha maciça de difamação do acusador e de apedrejamento da “imprensa golpista”.
A seu tempo o Ministério da Justiça e seus órgãos auxiliares – como o Cade e cia.ltda. – “darão acesso” a jornais e televisões a denúncias, dossiês e documentos “envolvendo” governos da oposição em episódios suspeitos de corrupção. Não importa se a denuncia incluir 25 governos petistas e/ou aliados e um da oposição, é só às falcatruas deste que será “dado acesso” à imprensa que, assim como dona Dilma com relação à inidoneidade da Delta Construções e seus “aliases”, não desconfiará de nada e publicará só o que seu mestre lhe mostrar para provar que é “equânime” nas denuncias que faz.
Se nada disso baixar a fervura chamar-se-á Lula em pessoa para coordenar a “limpeza” da porcaria, começando por uma ou duas reuniões públicas com os principais acusados para um par de coques e cascudos de reprimenda e a instrução púbica a respeito do que podem ou não podem dizer na frente da polícia.
Se nada disso funcionar, eventualmente tudo terminará com a desmontagem ao vivo e a cores da instituição encarregada de punir aquele “malfeito”, não importa o que isso possa vir a custar ao país. Desmonta-se o que for necessário, seja o IBGE porque publicou uma estatística julgada inconveniente para o momento eleitoral, seja o Supremo Tribunal Federal se tiver ousado condenar um petista segundo as provas constantes dos autos.
De qualquer maneira, estamos batendo nas portas do paraíso. A “caixa preta” da Petrobras – isso já é mais do que evidente – é grande o suficiente para levar para o fundo este governo inteiro, senão até mais que ele. Não ha nada maior nem mais alto para ser posto a nu, mas tudo dependerá exclusivamente da imprensa…
Da Petrobras em diante, é reto pra Venezuela.
Meu Brasil brasileiro
28 de março de 2013 § 4 Comentários
A Cidade Maravilhosa do País do Futebol está sem futebol. Até pelo menos meados de junho, para quando prometem a entrega do Maracanã (hã-hã), o Campeonato Carioca vai ser jogado em Volta Redonda onde está o último estádio do território estadual que resistiu aos políticos que atuam por lá.
Graças à expectativa da Copa, uma certificadora alemã fez uma vistoria no estádio do Engenhão, que vinha servindo de estepe, e evitou mais uma daquele tipo de tragédia carioca que Nelson Rodrigues não previu.
O Engenhão começou a ser construído pela Delta Construções, aquela “inidônea” mas ainda secreta sócia do atual governador do Rio e campeã das “licitações” do PAC, filho da Dilma, para os Jogos Panamericanos de 2007, ainda no governo César Maia.
Sabe-se lá por quais e quantas, a Delta parou no meio. A Odebrecht e a OAS para as quais, entre outras, Lula atua hoje como “vendedor”, como se definiu para o jornal Valor, terminaram a obra e acrescentaram a ela, para elevar o estádio à categoria exigida pela Fifa para a Copa do Mundo, uma estrutura metálica para sustentar uma cobertura para as arquibancadas.
O que os alemães descobriram é que a estrutura está podre. Não deram nela nem aquele prosaico banho de zinco – a galvanização – que qualquer sitiante exige para os arames das suas cercas, sabendo que sem ele o metal, já já, não aguenta nem o tranco de um bezerro.
Já o que os brasileiros descobriram, logo na sequência da descoberta alemã, é que, ciosas da qualidade do que constroem, a Odebrecht e a OAS fizeram a prefeitura do Rio assinar um acordo dizendo que qualquer prejuízo ou reparo na obra ficaria por conta dos contribuintes cariocas.
A cidade do Engenhão periclitante é a mesma onde o programa xodó de dona Dilma construiu os prédios que ameaçam cair antes de terminar de subir, para os miseráveis sobreviventes do Morro do Bumba. Sua Casa, A Vida Dela…
É lá também que fechou as portas na cara das crianças marcadas para morrer, por “falta de recursos”, o Hospital Federal de Bonsucesso, o único daquele Estado a fazer transplantes de órgãos em crianças.
E já que falamos no Estado do Rio, não custa lembrar que também é lá que ficam aquelas serras que se desmancham todo verão afogando na lama milhares de homens, mulheres e crianças cujas cidades estão em ruínas há anos porque toda verba que se aprova para socorre-las é sistematicamente roubada enquanto dona Dilma faz discursos comovidos para os mortos da estação bem ao lado dos ladrões.
Sabe quantas manifestações de indignação e revolta o povo do Rio de Janeiro protagonizou contra todos esses descalabros?
Nenhuma.
Ao contrário. Aquela gente que aprendeu a encarar a bala perdida de cada dia como um inevitável dado da natureza festeja a generosidade do governo que, se ainda não prende os chefões do tráfico, o que seria pedir demais no país em que o ministro da Justiça declara que é preferível a morte a ser trancafiado numa das prisões sob sua responsabilidade, ao menos exige hoje deles alguma discrição e compostura nos morros.
Milagre!
Assim abençoado o Rio embalou e “tá indo”. E, como lembra dona Dilma, “não se pode negar que as pessoas aumentaram o seu nível de consumo; de arroz, de feijão, de óleo, de pasta de dente…”
Quem morre, morre, é verdade. Mas quem escapa, escapa mais gordinho, mais limpinho…
Festa, portanto!
É tudo aquele Brasil do Carnaval que espanhol não entende fielmente representado no samba enredo do Congresso Nacional onde desfilam, na ala da Comissão de Finanças, um sujeito gravado tomando dinheiro sujo que está com as contas bloqueadas; na da Justiça, dois condenados a penas de prisão fechada pelo Supremo Tribunal Federal; na de Infraestrutura um ex-presidente da República destituído por corrupção; na de Ética um tipo indiciado por repasses ilegais de verbas; na de Meio Ambiente, o Átila do Cerrado; na de Agricultura o protetor dos matadouros clandestinos enquanto a de Educação se prepara para entrar na avenida puxada por um conhecido plagiador de teses detentor de diversos diplomas falsos.
Ah, tem ainda a de Direitos Humanos, onde se senta o pregador argentário suspeito de racismo e homofobia que, com toda a razão, não entende o que é que pode estar errado com a fantasia dele nessa festa cujo mote, afinal de contas, é todo mundo se travestir do avesso do que é.
No resto, que siga o estupro. E pode até matar, contanto que não seja eu!
Por um PT que roube mas faça!
22 de março de 2013 § 2 Comentários
Os jornais desta semana estavam de deixar a gente pequenininho.
Começamos com a safra anual de cadáveres das enxurradas das serras cariocas, que desde 2011 correm por terrenos devastados que continuam exatamente como as daquele ano os deixaram. Os bilhões do socorro estão nos bolsos de sempre.
Terminamos com a revelação revoltante da ruina nova em folha dos prédios do Minha Casa, Minha Vida, o programa xodó de dona Dilma, em que foram atirados os sobreviventes pretos e pobres do afogamento em massa no lixo de dois anos atrás no Morro do Bumba.
Tudo isso naquele mesmo Rio de Janeiro de Sérgio Cabral, o obsceno sócio de Fernando Cavendish, o ininvestigável dono da Delta Construções, campeã das campeãs das licitações das obras do PAC, filho da Dilma, em que Lula e ela vivem se esfregando sempre que podem.
De troco, levamos para o fim-de-semana a revelação de que Lula se transformou uma espécie de Rosemary Noronha da Dilma, levando e trazendo a “influência” do nome dela aos mais “barra suja” entre os títeres da África e da América Latina para conseguir para os tradicionais ladravazes da coisa pública desta república – Odebrecht, Camargo Correa e OAS – mamatas bilionárias aquém e além-mar.
Entre uma coisa e outra, assistimos à devolução cerimonial dos primeiros ministérios “faxinados” por sua excelência aos mesmos vendilhões que, em dias mais ensolarados que os últimos, ela houve por bem expulsar do templo.
Como pano de fundo de tudo, fomos brindados com a notícia de que a popularidade de Dilma continua crescendo, já tendo ultrapassado até a de “deus pai”, e que a explicação para isto pode ser encontrada principalmente no Nordeste, onde a multidão dos tomadores de Bolsas Família embevecidamente agradecida a “Mãe Dilma” e “Pai Lula”, como eles são chamados naquelas beiradas de sertão, aumenta a cada dia com a seca, enquanto o candidato “de oposição de esquerda”, neto de Miguel Arraes, inicia confabulações com José Serra, o traíra fundamental, sinal seguro de que terá um vôo sem escalas para a cova do opróbrio e do esquecimento.
Tudo isso nos diz que dona Dilma relaxou, gozou e aderiu de corpo e alma à conta de chegar que inspira todas as ações estratégicas de seus correligionários, certa de que tem dinheiro bastante para comprar incontáveis milhões de miseráveis e dezenas de eleições antes que o Brasil acabe.
Provavelmente está certa.
É que a carga tributária que foi sendo amontoada sobre os produtores brasileiros um pouco a cada ano ao longo dos últimos 114 anos de República, sempre para tapar buracos e fechar contas de chegar, incluia a expectativa de que pelo menos a metade dela nunca chegasse a ser arrecadada, graças à sonegação.
O que o Brasil e o PT nunca esperaram é que, justo na vez dele, todo o dinheiro e todas as transações do mundo fossem convertidas em bits e a Receita Federal, aparelhada com os supercomputadores da NASA, se transformasse no implacável instrumento de opressão em que se transformou.
Isso fez com que todos os 35% do PIB a que monta o par de milhões de leis, portarias, decretos e gambiarras escritas no último século e pouco com o propósito de nos arrancar dinheiro passassem a ser integralmente arrecadados.
O resultado está hoje em matéria do Valor, reportando estudo encomendado pelo jornal à LCA Consultores, que mostra que os R$ 43 bilhões em renuncias fiscais distribuídos entre o povo e os amigos do PT no ano passado não chegam a custar 1% do que o PT arrecada hoje havendo, portanto, bife que chegue para ser distribuído a granel pelos próximos muitos anos, de modo a comprar mais governabilidade do que há para vender e a aumentar ilimitadamente a horda dos eternamente gratos a “mãinha” e “painho”, antes que os efeitos da morte da indústria nacional, que é o reverso dessa medalha, se façam sentir nas ruas.
Até lá, seguimos importando baratinho da China o que antes era feito aqui e aparelhando os barracos do Brasil de belos e reluzentes eletrodomésticos.
Posta essa perspectiva, e considerando que pelo grau de estrangulamento em que vamos a agricultura é a próxima a morrer de aterosclerose rodoviária e falência múltipla dos portos e aeroportos, pus os prós e os contras na balança e, bem pé no chão, proponho ao país uma nova campanha, mais condizente com a nossa realidade de irreversível miséria moral.
“Rouba, PT! Mas faz, pelo amor de deus!”
Seriam só bois que a JBS anda matando?
20 de fevereiro de 2013 § 5 Comentários
O Estado de ontem noticiou que o Cade vai iniciar uma investigação sobre o crescimento vertiginoso do frigorífico JBS.
A JBS e a holding J&F “à qual pertence” é caso, no mínimo, para o dr. Roberto Gurgel e o seu Ministério Público, o último xerife que paira acima de qualquer suspeita neste país bichado.
Mas antes o Cade do que nada.
Diz a agência que eles triplicaram de tamanho nos últimos quatro anos, indo de 15% para o controle de 40% da carne bovina vendida no pais (na verdade, já é bem mais que isso).
Fora as que registraram no Cade, a JBS fez pelo menos outras 70 operações de aquisição ou arrendamento de frigoríficos no país e 20 ou mais no exterior que nem se deram o trabalho de comunicar à agência de controle da concorrência.
Só os abatedouros e processadores arrendados somados constituiriam, hoje, o terceiro ou quarto conglomerado do setor, afirma o Cade.
Muitos dos arrendamentos, queixam-se os criadores que estão nas mãos desse monopólio, são feitos para fechar os abatedouros envolvidos e, assim, eliminar a concorrência.
E para completar o quadro, comentam os investigadores do Cade, “a já elevada capacidade ociosa da empresa torna essas aquisições questionáveis do ponto de vista da racionalidade econômica, reforçando as suspeitas de estratagema para eliminar a concorrência”.
O “caso JBS” é mais uma daquelas obviedades rodrigueanas, “que clamam aos céus”. Não só é evidente que não se trata de operação que responda a imperativos de racionalidade econômica como, mais ainda, todas essas compras têm sido feitas com dinheiro do BNDES, hoje caudatário do Tesouro Nacional, ou seja, com transferência líquida de dinheiro dos contribuintes para a “família Batista” que é quem aparece à frente desse vasto “empreendimento”.
O fato de entre o primeiro e o terceiro colocado, encarnado pela soma das empresas “arrendadas” por esse mesmo grupo, estar a Marfrig, outra fabricação do BNDES, já indica de modo clamoroso que há, sim, forte racionalidade política nessa vasta armação feita com dinheiros públicos.
Seria uma forma eficiente de, por exemplo, resolver o problema que todos os governos socializantes, desde o primeiro lá na Rússia soviética, enfrentaram, de encontrar meios e modos de controlar o setor fortemente pulverizado da agropecuária e dos pequenos e médios produtores agrícolas, sempre um calcanhar de Aquiles nesses projetos de controle total da economia.
Acredite em coincidência se preferir. Mas que é preciso investigar a fundo porque interessa a um banco nacional de desenvolvimento de um pais mendigo de infraestrutura, educação e saúde gastar centenas de bilhões para fazer da família Batista não o rei mas o imperador do gado no Brasil e no mundo, disso não há dúvida nenhuma.
Afinal, com uma migalha do que se enterrou na JBS, poder-se-ia, só para dar um exemplo, resolver a crise de todas as Santas Casas do país, que decorre de um endividamento de meros R$ 15 bilhões e ameaça por em colapso todo o Sistema Unificado de Saúde que atende a esmagadora maioria dos brasileiros que não podem pagar um médico e um hospital decentes.
Outro aspecto para o qual vale a pena olhar é o seguinte: quem tem a rede de empresas que o BNDES jogou nas mãos dos Batista em todos os continentes do mundo não precisa de bancos ou quaisquer outros canais para lavar dinheiro suspeito. É só “comprar” aqui, “vender” ali, “arrendar” acolá que tudo se resolve dentro de casa…
Não afirmo que é isso que esteja acontecendo. Mas quem não se lembra que meia hora depois que veio à tona tudo que estava enterrado na fossa da Construtora Delta, rainha do PAC filho da Dilma, no trono da qual sentava-se o ininvestigável Fernando Cavendish, o menos traquejado dos irmãos Batista jogou a holding da família na arena propondo comprar a empresa que acabara de ser declarada inidônea “de porteiras fechadas” antes mesmo de examinar qualquer um dos seus números, projeto de que só recuou em função do escândalo que tal oferta produziu num momento em que de escândalos este governo já estava superlotado?
E mais: não é a J&S, também, que, com a gordura dos seus bifes, criou a sua própria empreiteira e está mordendo nacos suculentos das obras de infraestrutura que o PT está terceirizando para a iniciativa privada?
Não é ela, finalmente, que a par de financiar sozinha, por trás dos panos, inúmeras revistas e publicações pelo país afora, está começando a assumir agora também as suas pretensões no setor de mídia com a anunciada compra (ainda não confirmada) do Canal Rural do grupo RBS do Rio Grande do Sul?
Seja como for, uma coisa é certa. Muito pouco desse império supersônico foi construído com bifes ou com alguma secreta alquimia capaz de transformar carne de vaca em diamantes. Tudo foi amealhado com o inestimável concurso do dinheiro fácil do BNDES.
De modo que, senão por outra razão, ao menos por essa isso seria caso para o dr. Gurgel e o seu Ministério Público, mesmo porque o resto já morreu. Mas ainda que seja via Cade, que alguém precisa jogar um pouco de luz dentro desse imenso matadouro, isso sem dúvida nenhuma, precisa.
Cai na real, Brasil!
8 de janeiro de 2013 § 4 Comentários
Presidente da República inaugurar linha de ônibus em véspera de eleição e ser ovacionado pela graça concedida é coisa que se você contar por aí afora ninguém acredita.
E, no entanto, é assim que é neste país de cachorros chutados que abanam o rabo, coitados, pra qualquer osso que se lhes atire.
Aos seis dias do mês de junho do ano da graça de 2012, nas vésperas da reeleição do prefeito que o presidente mais popular da história deste país foi apontar para “o povo pobre do Rio de Janeiro” como a melhor garantia de que “o bife que hoje você pode comer todo dia não venha a lhe ser arrancado do prato”, uniram-se em triunfo para dar lições aos grandes do mundo e apresentar à patuléia agradecida a resposta “histórica” da parceria entre o governo do Estado patrocinador de Fernando Cavendish, o ininvestigável proprietário da “inidônea” Delta Construções que segue sendo a campeã do PAC filho da Dilma, a Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro e o governo federal da “sexta economia do mundo” às exigências de um mínimo de “mobilidade urbana” feitas pelo COI à cidade que vai receber a próxima Olimpíada.
A saber, 56 kms de blocos de cimento enfileirados – da Barra até à base aérea de Santa Cruz – constituindo uma “guia” ou “meifii” com preferem dizer os cariocas, a separar da própria o acostamento de uma estrada velha, por onde passaria a trafegar o “Ligeirão”, um reles ônibus articulado de nariz rebaixado, gambiarra com que se quer fazer lembrar os trens de alta velocidade ou os metros que já nos cobraram cem mil vezes mas nunca entregaram, e mais um túnel (fechado também, ameaçando desabar, quatro dias depois da 1a publicação deste artigo).
Passados seis meses, mesmo esse tanto pouco está nas condições registradas na foto aí em cima…
Agora dispare este vídeo. Vale a pena ver de novo!
E olhe outra vez para estas fotos quando Lula disser que, até que ele viesse nos salvar, “político só lembrava de pobre em época de eleição”; que “a gente não gosta de comprar coisa de segunda”; que ele está aí “para resgatar a dignidade de um povo” e, principalmente, que “cuidar dos pobres é a coisa mais barata do mundo”.

























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