Eles sabem o que vem vindo por aí

19 de abril de 2013 § 2 Comentários

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Reforma eleitoral exatamente agora?

Que súbito amor pelo aperfeiçoamento das instituições e, em especial, pela fidelidade partidária é este que acomete os nossos “esquerdistas” abraçadores de josés sarneys, de valdemares da costa netos, de fernandos collors, de paulos malufs e de gilbertos kassabs de dez minutos atrás?

A “zebra” venezuelana parece ter causado funda impressão nos arraiais petistas.

La também “o jogo estava ganho”. Lá também os institutos de pesquisa apontavam uma “lavada” chavista. Lá também só eles tinham uma militância que se manifestava com estridência.

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Mas mesmo com todo o aparato institucional completamente dominado, processo que aqui ainda é incipiente para desespero da parcela do PT com cargos só dentro do partido e livre para dizer o que ele realmente pensa da “democracia burguesa”, o chavismo perdeu, ganhou raspando ou ganhou “no tapetão”, nunca se saberá ao certo.

O que foi que aconteceu?

Calada finalmente a incessante torrente verbal do onipresente líder bolivariano que não dava a seus súditos tempo para respirar, tornou-se mais visível a Venezuela real acuada pelo crime, com sua economia destruída, a inflação galopante e a miséria crescente que dona Dilma foi, hoje mesmo, negar de pés juntos que existe para os próprios venezuelanos que a estão vivendo na pele e exorcizando nas urnas. Assim como nega o que todo mundo que tem nariz já sente que está no ar por aqui também.

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Política é como nuvem”, dizem os mineiros. “A gente olha, ela está de um jeito; a gente olha de novo e tudo mudou”…

Don Lula I, que é um consagrado especialista em antecipar os movimentos das nuvens, olhou para o céu que a dupla Dilma/Mantega vem obrigando o Banco Central a tapar com uma peneira e viu nele os motivos que o Ibope ainda não detectou para antecipar em mais de um ano a campanha eleitoral.

Não foi o bastante. Sua majestade pelo jeito se deu conta de que o costumeiro jogo de joão-sem-braço de fazer campanha na hora errada, com as pessoas erradas e com o dinheiro errado, confiando na máxima de que em Presidente da Republica o Judiciário não toca nem que ele agarre a bola com as duas mãos dentro da pequena área, não vai ser suficiente.

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Partiu, então, para a botinada ordenando à sua tropa de choque na Câmara e no Senado que trate de negar à Rede Sustentabilidade de Marina Silva o tempo de TV e o dinheiro do Fundo Partidário que deram a Gilberto Kassab quando este se comprometeu a vender-lhes o rebanho que conseguisse amealhar roubando reses dos vizinhos para o seu Partido Sem Definição (PSD), até então imaculadamente virgem de urnas.

Marina Silva rouba eleitores de todo mundo. É, no mínimo, uma perigosa parteira de segundos turnos. Com Eduardo Campos à solta, além de Aécio, ensaia-se um perigoso foco de atração para a esquerda honesta. E, de quebra, a manobra mata também a articulação do “Solidariedade”, de Paulinho da Força, que vinha para fazer marolas nas águas plácidas da represa hoje exclusivamente petista do sindicalismo pelego.

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Como o mesmo STF que garantiu a teta a Kassab vai ser acionado para garantir isonomia a Marina, lá vai o Brasil perder mais uma oportunidade de tornar ilegal o lenocínio partidário, hoje tão generalizado e desmoralizante que os novos partidos já nem se querem chamar “partido” porque “partido” é sinônimo daquelas famosas casas que a esse metier se dedicam.

E mesmo que assim não seja, quem disse que amanhã o PT (ou quem mais interessar possa) não reverte a manobra com a mesma cara-de-pau com que a está forçando agora?

Enfim, a confirmação da legalização ou da criminalização por encomenda da prostituição partidária não representará garantia nenhuma de saneamento do nosso insalubre ambiente político. Este só começará a se dar de fato quando formos à raiz do problema e tornarmos ultra instável o emprego do político profissional dando um único voto a cada eleitor, referindo cada candidato a representá-los a um grupo específico deles e dando a esses eleitores condições de cassar a representação concedida muito rápida e descomplicadamente em caso de necessidade.

Só então eles começarão a jogar a nosso favor.

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Por um PT que roube mas faça!

22 de março de 2013 § 2 Comentários

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Os jornais desta semana estavam de deixar a gente pequenininho.

Começamos com a safra anual de cadáveres das enxurradas das serras cariocas, que desde 2011 correm por terrenos devastados que continuam exatamente como as daquele ano os deixaram. Os bilhões do socorro estão nos bolsos de sempre.

Terminamos com a revelação revoltante da ruina nova em folha dos prédios do Minha Casa, Minha Vida, o programa xodó de dona Dilma, em que foram atirados os sobreviventes pretos e pobres do afogamento em massa no lixo de dois anos atrás no Morro do Bumba.

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Tudo isso naquele mesmo Rio de Janeiro de Sérgio Cabral, o obsceno sócio de Fernando Cavendish, o ininvestigável dono da Delta Construções, campeã das campeãs das licitações das obras do PAC, filho da Dilma, em que Lula e ela vivem se esfregando sempre que podem.

De troco, levamos para o fim-de-semana a revelação de que Lula se transformou uma espécie de Rosemary Noronha da Dilma, levando e trazendo a “influência” do nome dela aos mais “barra suja” entre os títeres da África e da América Latina para conseguir para os tradicionais ladravazes da coisa pública desta república – Odebrecht, Camargo Correa e OAS – mamatas bilionárias aquém e além-mar.

Entre uma coisa e outra, assistimos à devolução cerimonial dos primeiros ministérios “faxinados” por sua excelência aos mesmos vendilhões que, em dias mais ensolarados que os últimos, ela houve por bem expulsar do templo.

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Como pano de fundo de tudo, fomos brindados com a notícia de que a popularidade de Dilma continua crescendo, já tendo ultrapassado até a de “deus pai”, e que a explicação para isto pode ser encontrada principalmente no Nordeste, onde a multidão dos tomadores de Bolsas Família embevecidamente agradecida a “Mãe Dilma” e “Pai Lula”, como eles são chamados naquelas beiradas de sertão, aumenta a cada dia com a seca, enquanto o candidato “de oposição de esquerda”, neto de Miguel Arraes, inicia confabulações com José Serra, o traíra fundamental, sinal seguro de que terá um vôo sem escalas para a cova do opróbrio e do esquecimento.

Tudo isso nos diz que dona Dilma relaxou, gozou e aderiu de corpo e alma à conta de chegar que inspira todas as ações estratégicas de seus correligionários, certa de que tem dinheiro bastante para comprar incontáveis milhões de miseráveis e dezenas de eleições antes que o Brasil acabe.

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Provavelmente está certa.

É que a carga tributária que foi sendo amontoada sobre os produtores brasileiros um pouco a cada ano ao longo dos últimos 114 anos de República, sempre para tapar buracos e fechar contas de chegar, incluia a expectativa de que pelo menos a metade dela nunca chegasse a ser arrecadada, graças à sonegação.

O que o Brasil e o PT nunca esperaram é que, justo na vez dele, todo o dinheiro e todas as transações do mundo fossem convertidas em bits e a Receita Federal, aparelhada com os supercomputadores da NASA, se transformasse no implacável instrumento de opressão em que se transformou.

Isso fez com que todos os 35% do PIB a que monta o par de milhões de leis, portarias, decretos e gambiarras escritas no último século e pouco com o propósito de nos arrancar dinheiro passassem a ser integralmente arrecadados.

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O resultado está hoje em matéria do Valor, reportando estudo encomendado pelo jornal à LCA Consultores, que mostra que os R$ 43 bilhões em renuncias fiscais distribuídos entre o povo e os amigos do PT no ano passado não chegam a custar 1% do que o PT arrecada hoje havendo, portanto, bife que chegue para ser distribuído a granel pelos próximos muitos anos, de modo a comprar mais governabilidade do que há para vender e a aumentar ilimitadamente a horda dos eternamente gratos a “mãinha” e “painho”, antes que os efeitos da morte da indústria nacional, que é o reverso dessa medalha, se façam sentir nas ruas.

Até lá, seguimos importando baratinho da China o que antes era feito aqui e aparelhando os barracos do Brasil de belos e reluzentes eletrodomésticos.

Posta essa perspectiva, e considerando que pelo grau de estrangulamento em que vamos a agricultura é a próxima a morrer de aterosclerose rodoviária e falência múltipla dos portos e aeroportos, pus os prós e os contras na balança e, bem pé no chão, proponho ao país uma nova campanha, mais condizente com a nossa realidade de irreversível miséria moral.

Rouba, PT! Mas faz, pelo amor de deus!

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A esperança da família

21 de outubro de 2012 § 2 Comentários

E vai se tornando torrencial o pinga-pinga de “notícias” a respeito da nova “esperança da família” da “esquerda honesta”, aquela que já não consegue negar que o PT é aquilo que o ministro Joaquim Barbosa e seus oito mosqueteiros mostraram que é.

Os jornais deste domingo estão um festival! Não ha quem não pendure ao menos uma notinha a respeito.

Onde se vê que anda mesmo espessa a escuridão para Oeste do centro…

O tal Partido Socialista Brasileiro que se quer fazer nascer como “alternativa” à esquerda podre petista é aquele que foi do avô e hoje é do neto Eduardo Campos, governador de Pernambuco, cuja mãe, Ana Arraes, filha de Miguel, é deputada federal por PE e, apadrinhada pelo filho, foi guindada ao Tribunal de Contas da União.

Até aí, só os bons e velhos coronelismo, nepotismo e espírito de clã que vêm desde as sesmarias e estão sendo tão eloquentemente encenados em seus métodos de ação e componentes mais íntimos e recônditos na versão ora em exibição de Gabriela na Globo.

Mas é só isso?

Negativo…

Don’Ana já entrou no tribunal encarregado de zelar pelo bom uso do dinheiro publico com o telhado de vidro em pandarecos, flagrada que foi na contratação da “empresa locadora de automóveis”  especialmente criada para a ocasião pela filha (Renata) do motorista, Esmerino Ferreira, de seu filho governador.

Filiada ao PSB em outubro de 2009, uma semana depois de “vencer a licitação”, Renata levou R$ 540 mil em contratos com a sua BSB Locadora, R$ 8 mil de “capital social” e “endereço” numa sala fechada na periferia de Brasília, o que melhorou muito a sua condição de funcionária terceirizada do Ministério da Ciência e Tecnologia, a parte que sempre coube ao PSB no latifúndio do governo Lula.

Mas, na boa tradição dos que têm a especial prerrogativa de “errar” sempre “para o bem”, Don’Ana “não abaixou a cabeça”.

Sua primeira grande providência no novo cargo foi rasgar os pareceres técnicos do próprio TCU e decretar retroativamente “legais” os expedientes antes julgados ilegais pelo meio dos quais Marcos Valério, ninguém mais ninguém menos, desviava dinheiro de estatais atendidas por sua “agência de publicidade” para o PT, entregando a ele em vez de devolver a elas os descontos obtidos junto a veículos de mídia.

R$ 106 milhões foram assim tungados somente ao Banco do Brasil para constituir o caixa do Mensalão.

Vinha de longe essa armação.

O processo do Mensalão estava em montagem desde 2005 e esta era uma das principais provas da peça de acusação do Ministério Público Federal. Quem “pegou” o sutil ponto e inventou a lei que Don’Ana viria a consagrar foi ninguém menos que José Eduardo Cardoso, logo feito Ministro da Justiça de Lula, que se encarregou de sancioná-la em 2010.

Bingo!

Conclusão: quase nada diferencia o PSB do PT por baixo dos ternos Armani da preferência das oligarquias canavieiras ou dos macacões do sindicalismo pelêgo made in São Paulo.

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