A nossa doença

19 de julho de 2012 § 2 Comentários

Pelos dois sentidos da afirmação, não foi por acaso que Carlinhos Cachoeira foi preso dentro da casa que  Marconi Perillo vendeu.

O governador tucano de Goiás recebeu pela casa três cheques de uma empresa controlada pelo sobrinho do bicheiro que já tinham passado antes por duas contas fantasmas das organizações Cachoeira alimentadas pela Construtora Delta. De modo que não ha mais como desculpar a atitude do PSDB de fingir-se de morto e não tomar nenhuma providência contra o seu enlameado particular.

Pensa que está só resistindo a um jogo de cartas marcadas mas está começando a apodrecer como Lula queria. Não existe meia intolerância com a corrupção.

Já a Polícia Federal Productions, que ha anos ouvia todas as conversas do indigitado senhor e filmava todos os seus passos, sabia exatamente quando e aonde ele ia estar quando escolheu o momento do bote.

Ao mesmo tempo (sim, parto de artigo de Dora Kramer) não dá pra acreditar nem por um segundo que a empreiteira campeã do PAC, filho da Dilma, com sede no Rio de Janeiro dos companheiros de cama, mesa e banho (literalmente) de Fernando Cavendish, tenha surgido do nada e se tornado uma das maiores do Brasil agindo exclusivamente em Goiás, como querem fazer crer os gerentes petistas desta CPI da Marmelada.

Assim é que se já não havia nenhuma esperança de bandido com bolso ir para a cadeia pela via do Judiciário neste país onde processos bem advogados morrem como moscas de “vício formal” ou de “anulação de provas”, estamos assistindo agora aos últimos estertores do consolo da “punição política” com a desmoralização final  do recurso às CPIs.

Demóstenes expulso do DEM (e depois do Senado) só confirma que a lei, aqui, só vale pra quem tá longe do poder.

Tudo é feito às claras pois a intenção não é “ganhar” apenas esta parada, é contaminar e destruir instituições; limpar o horizonte de resistências futuras.

E qual era mesmo a parada?

Negar o Mensalão, o esquema em que a Delta da época, SMP&B, do Fernando Cavendish da época, Marcos Valério, lavava o dinheiro que o PT desviava dos cofres públicos para comprar eleições e consciências no Congresso. Ou provar que todo mundo faz igual.

Missão cumprida!

Odair Cunha, do PT de MG, relator da CPI do Cachoeira, é o deputado mais contemplado este ano com verbas do Orçamento Federal (RS 7,2 milhões) porque compactua com a marmelada. O partido de Paulo Maluf, procurado pela Interpol, atualmente sendo julgado na Ilha de Jersey, teve aprovadas em um mês R$ 36,6 milhões em emendas ao Orçamento porque se vendeu ostensivamente a Lula e ao seu candidato à prefeitura de São Paulo em cerimônia transmitida ao vivo e em cores para todo o país. A lambança pré-eleitoral vai toda por aí e não vale a pena ir ao detalhe…

E o PSDB vai se entrincheirando em coiteiro do Perillo.

O Judiciário deu-se o tiro de misericórdia no dia em que o Supremo Tribunal Federal, sob ordens, anulou sua própria sentença e entregou a Lula o perdão do assassino de que ele gosta. O Congresso completará o seu suicídio induzido quando entregar a Lula a sentença encomendada do “só Goiás“. E o último cachorro com que contávamos nesse mato escuro – o poder de investigar (o governo) outorgado ao Ministério Público pela Constituição – está amarrado pelas pernas à espera da paulada final na votação de um recurso num STF dominado que, por enquanto, está 4 a 4.

Lula é a nossa doença. E altamente infecciosa: tudo que ele toca, apodrece.

Fechô!

13 de julho de 2012 § 1 comentário

Ver Pedro Bial – o do BBB – reclamando “na moral” de invasão de privacidade e cobrando “uma espiadinha” de um paparazzi na casa dele com a mais plana cara de “pimenta no rabo dos outros não arde”  já é alguma coisa.

Agora ver Pedro Cardoso transformar isso num comício “contra os capitalistas que enriquecem comprando e publicando as fotos que esses paparazzi fazem” e tomar pela goela a informação de que tanto a revista (Quem) quanto o site da internet (G1) que mais compram e publicam tais fotos pertencem aos mesmos donos da Globo em plena Globo, é tudo!

Mas aí a gente lembra que a frase que o simpático Agostinho, de A Grande Família, mais gritava no seu comício era que: “É mentira; é tudo mentira o que esses capitalistas nos vendem na sua fome de lucros!”  e, de repente, se toca que, sendo aquele um programa editado do canal dos ditos capitalistas, até essa suposta  “saia justa” também pode ter sido (mentira).

Será!!

E por que não se este é o país em que o Lula nunca vê nada, a Dilma troca ladrão por ladrão, o Senado laranja por laranja e nem por isso a “dor em quem doer” passa de uma volta ao cargão público com direito a atrasados, ibopes e marcas de popularidade recorde?

Fechô! País coerente taí!

A infelicidade de ser levado ao ar

11 de julho de 2012 § Deixe um comentário

Leilane Neubarth, dando um show de ventriloqüia com o seu “especialista” de ocasião em cuja boca punha e tirava afirmações com impressionante desenvoltura, saudava a cassação de Demostenes Torres, hoje no final da tarde na Globonews, como “um dia histórico nesta nossa mudança para a democracia“.

Já eu não dou um tostão por mais esta “conquista”.

Transitar por esta nossa Babel, aliás, é um negócio que fica mais complicado a cada hora que passa.

A Rede Globo é macaca velha nessa coisa de produzir noticiários taylor made para cada horário de exibição. Não sei quanto dessa regra ainda são restos dos “territórios ocupados” que há em toda redação, oriundos da construção granmsciana cuja má fé se tornou indesculpável desde que o PT se sentiu a vontade para mostrar sua verdadeira face, e quanto leva o endosso explícito dos proprietários ou, ao menos, a falta de disposição deles de enfrentar a máfia e limpar definitivamente a área.

Mas que a coisa acontece, acontece.

Já faz décadas que a dose de liberdade permitida aos jornalistas da casa nas dezenas de jornais que a emissora apresenta em seus muitos canais e horários é inversamente proporcional à audiência do horário…

Mas deixemos a Globo pra lá.

Dia histórico para a democracia brasileira?

Vamos lá:

  • a estreia de Carlinhos Cachoeira nos jornais televisivos nacionais sob os auspícios da hoje monopolística do segmento Polícia Federal Productions se dá em 2004, na sala contígua ao gabinete do Presidente da República, Luís Ignácio Lula da Silva, em pleno Palácio do Planalto, estrelando Waldomiro Diniz, posto dono das loterias do Brasil pelo intrépido discípulo dos irmãos Castro, José Dirceu, a vender favores para o homem que “em toda a história deste país“, haveria de ser o maior plantador de laranjas da capital federal e cercanias e de lá até o Oiapoque e o Chuí;
  • não se sabe quantos anos antes de 2004 a Polícia Federal Productions já estava gravando os ires e vires do sr. Cachoeira;

  • oficialmente dão-no como dedicado ao jogo do bicho “ha 17 anos”, o que nos põe em 1995, mas ha controvérsias: datam dessa mesma época (2004), entre outros, os episódios estrelando o prefeito de Palmas, hoje acoitado no PT, Raul Filho, aquele que “teve a infelicidade de ser filmado” recebendo dinheiro dele naquele ano mas confessa que já se relacionava com o insigne “contraventor” desde 1994;
  • Raul Filho é um dos fornecedores de alimento à Delta Construções, a stella mater da constelação de empresas do “empresário” em questão, em cuja boca mantém as tetas uma vez concedidas mesmo diante de flagrantes de “malfeitos”, conforme o padrão estabelecido;
  • Leilane e seu “especialista” repisaram muito o “fator agravante” de Demóstenes ter “decepcionado” seus pares porque se apresentava como um paladino da ética na política até o momento em que foi flagrado “malfazendo”, esquecida de que de ex-paladinos da ética na política a Presidência da República deste país está cheia;
  • a “cronologia” do processo de cassação de Demóstenes, devidamente desacompanhado de qualquer das conclusões ou perguntas óbvias que ela enseja, foi o ponto alto da cobertura pois revelava a apurada técnica com que a Polícia Federal Productions mantém o suspense nas novelas que encena: a cada semana uma e apenas uma “revelação”, primeiro a de uma amizade suspeita sustentada por um numero vago (“mais de 300 telefonemas”); depois, um fogão e uma geladeira de presente de casamento; a seguir, R$ 3 mil reais para pagar um taxi aéreo; finalmente a menção à separação de “um milhão do Demóstenes”;
  • enquanto o Senado fuzilava Demóstenes, na Câmara dois petistas (Sande Junior e Rubens Ottoni) e um filo petista (Protógenes de Queiroz), também da lista de infelizes gravados “cachoeirando”, aproveitavam o ruído do tiroteio para safar-se ficando na rede apenas um peessedebista de cujo nome já nem me lembro;
  • seria ocioso, aliás, listar aqui todo o rol de interlocutores contumazes dos rádio-telefonemas e outros parceiros recorrentes das tramóias do sr. Cachoeira, bastando lembrar que inclui representantes de todos os partidos políticos em todas as casas de leis de todos os entes da federação e em todos os níveis do Poder, a começar pela Presidência da Republica cujo Programa de Aceleração do Crescimento – o PAC filho da Dilma – é tocado preferencialíssimamente pela “inidônea” (e convenientemente emudecida) Delta Construções;
  • para terminar, mandam avisar a quem interessar possa que sai Demóstenes e entra um tal Wilder Pedro de Moraes, dono de 24 empresas conhecido do Fisco por seus problemas de memória cuja relação mais próxima com a política está no fato de ter cedido a namorada para ninguém menos que – tchã, tchã, tchã, tchãããn! – Carlinhos Cachoeira!

Que Gloria Perez que nada! Saio dessa novela pior do que entrei, me perguntando onde é que vai acabar essa história sem mocinhos onde nada acontece por acaso e a “infelicidade” não está em ter ou não ter um papel nela mas em ser condenado por juízes nem tão invisíveis assim a ter o seu capítulo escalado para ser levado ao ar.

O Congresso Nacional adverte:

18 de maio de 2012 § 2 Comentários

A menos que a opinião pública acorde, fica decretado que:

Não ha governo e oposição (salvo meia dúzia de gatos pingados negligenciáveis).

Ha nós e ha eles.

Os de dentro e os de fora do aparelho do Estado.

Os que cobram e os que pagam impostos.

Os que roubam e os que são roubados.

É este o resumo dos fatos de quinta-feira quando se comunicou ao país de que a CPMI (mista, isto é, da Câmara e do Senado, não se salvando nenhum) do Cachoeira melou antes de começar.

Foi servida a exata encomenda de Lula:

  • sobre a filial de lavanderia vulgo Construtora Delta, a maior executora de obras do PAC, filho da Dilma, em todo o território nacional, “serão investigadas somente as atividades na região Centro Oeste“;
  • o “nosso” Fernando Cavendish, dono da dita cuja até o momento da troca de ladrões pelos da lavanderia matriz, vulgo J & F Holding, não será investigado e continua tendo direito ao seu sigilo bancário e telefônico;
  • sendo assim, em nome da isonomia, também os governadores ficam, por enquanto, fora da investigação, exceto o “deles” Marconi Perillo (e Demostenes Torres) que será “pego na curva” da “investigação” da Delta no Centro Oeste;

  • fica por definir se o Distrito Federal do “nosso” governador Agnelo Queiroz (PT – DF), submete-se à sua localização para efeito dessa investigação ou se será declarado geograficamente neutro;
  • para o “nosso” incubador de lavanderias Sergio Cabral (PMDB – RJ) fica valendo a garantia que se pode ler acima, que a TV flagrou o ex-lider do PT no Congresso Nacional Candido Vaccarezza (PT – SP) enviando a sua excelência;
  • finalmente o “nosso” Fernando Collor de Mello também não vira a CPMI por enquanto contra os denunciadores de ladrões; mas ainda ha esperança, dependendo da reação da opinião publica à tentativa de golpe de quinta-feira.

Tudo isso estava acontecendo no mesmo momento em que dona Dilma derramava lágrimas de fervor republicano ao instalar a “nossa” Comissão da Verdade com palavras que, como todo discurso que ela profere, nada têm a ver com a realidade das práticas do seu governo.

Igualmente à la Lula diante do Mensalão o “nosso” relator da CPMI, Odair Cunha (PT – MG), pontuava assim a proclamação das decisões acima:

Nenhuma pessoa que foi corrompida ou cooptada pela organização criminosa do Cachoeira será blindada, seja jornalista, deputado, senador, governador, empresário, polícia, procurador ou juiz“.

Mais para a frente, é de se prever, os “nossos” historiadores do partido tratarão de fazer com que esses fatos e palavras passem – verdadeira e definitivamente – a corresponder uns aos outros.

O obra de Lula chega à sua plenitude!

Lula já entendeu. Mas…

4 de maio de 2012 § 1 comentário

No Ritz de Paris, Cabral marca o casamento entre o dono da Delta e Jordana Kfouri que viria a morrer na queda do helicóptero de Fernando Cavendish em Trancoso da qual o governador e seu filho por pouco escaparam mas que também matou sua futura nora

A divulgação dos detalhes das primeiras seções da CPI do Cachoeira confirmam o que foi previsto no artigo de quarta-feira.

O relator petista, seguindo ordens, propôs limitar a investigação da Construtora Delta aos seus contratos na região Centro Oeste do Brasil, uma tentativa constrangedora de tão bandeirosa. Bem traduzida queria dizer “investigue-se apenas Demóstenes e Marconi Perillo; esqueça-se o resto”.

Nem o Congresso Nacional onde todo mundo tem telhado de vidro podia engolir essa com todas as gravações que estão em cartaz neste momento em todos os jornais, rádios e televisões do país.

Já o ex-presidente Collor, aquele que foi escorraçado do Alvorada a pontapés pelo PT, despontou como o guardião do sigilo dos documentos, gravações e filmes guardados no pacote do inquérito do Supremo enviado ao Congresso que, por tudo que se divulgou até agora, incriminam o PT mais que ninguém.

Jordana Kfouri come caviar no Ritz de Paris

Um papel tão carimbado que ele sentiu-se na obrigação de explicar que, ao ameaçar todos os seus colegas com as penas da lei se “passassem informações por baixo dos panos a alguns confrades (repetidor da Globo nas Alagoas que é, ele se julga jornalista) para fazerem delas o uso que lhes convém“, ele não estava tomando uma posição “hipócrita, safada e jaguara” (de “cão ordinário”; de “pessoa de mau caráter e patife”, segundo o Houaiss), mas sim “defendendo a lei“.

O ex-presidente foi freudianamente exato nos adjetivos que selecionou…

Foi aparteado por Miro Teixeira que lembrou oportunamente que “pode vir o despacho (obrigando ao sigilo) da mais ilustre autoridade do planeta (e este veio do sempre genuflexivo ministro Lewandowski) o fato é que manter o sigilo é contrariar diretamente a Constituição“.

Resumiu bem a situação o ex-líder do governo no Congresso, Candido Vaccarezza: “Com tudo que a Polícia Federal já apurou, o único acordo possível é em torno do aprofundamento das investigações. Quem tentar abafar qualquer coisa vai se desmoralizar“.

O governador, seus secretários e o amigo Fernando na porta do Ritz

O próprio Lula, como confidenciou uma fonte do PT a Dora Kramer, do Estadão, já entendeu que o partido será o principal alvo das outras legendas nesta CPI porque é quem mais tem a perder.

Mas cautela e caldo de galinha nunca são demais. O resultado só sai depois que acaba o jogo. A velha raposa é persistente e conhece o poder que tem.

Enquanto a CPI se instalava resistindo às primeiras tentativas de sonegar ao país aquilo que o STF e o acuado Procurador Geral da Republica já sabem que contem o caminhão de lixo das organizações Delta-Cachoeira estacionado na sala-cofre do Senado, o sr. Luís Ignácio Lula da Silva, com a desfaçatez que o caracteriza, aparecia numa cerimônia pública ao lado de ninguém menos que o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, o mais irretorquivelmente corrupto dos corruptos colhidos em flagrante delito nesta que se anuncia como sendo a safra recorde das roubalheiras jamais desvendadas na história deste país.

Os secretários de Saude e Governo do Estado do Rio de Janeiro e o amigo Fernando (centro)

Cabral, como se sabe, é o pai da Delta, com cujo dono, Fernando Cavendish, costuma farrear em Paris e voar de helicóptero por aí, ainda muito mais que Dilma é a mãe do PAC, de cujas obras essa empreiteira detém 80%.

Lula conta cegamente com o “efeito Teflon” que lhe proporciona o fato de tantos brasileiros lhe atribuírem  responsabilidade direta por estarem desfrutando pequenos confortos básicos nunca antes tidos e havidos, o que em parte é mesmo mérito dele, e dá de ombros para o resto.

Mas desde já está claro até para ele que, longe de apagar a memória dos “malfeitos” do PT para ganhar o poder e comprar apoios apurados no processo do Mensalão, a CPI da Delta-Cachoeira vai mostrar a que nível da estratosfera a associação explícita entre os antigos “paladinos da ética na política” e os collors e sarneys de sempre em defesa da mais ampla, geral e irrestrita impunidade levou a corrupção no Brasil.

Enquanto a CPI era instalada…

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