Análise do debate da Band

17 de outubro de 2022 § 6 Comentários

Quem perdeu o debate?

31 de agosto de 2022 § 8 Comentários

Se o debate de domingo na Band serviu para alguma coisa além de embalar o seu sono foi para provar que Lula não resiste a um grama de contraditório. Ele só está nesta eleição porque ainda não tinha tido nem isso da imprensa nacional. E só acabou sendo chamado na cara exatamente daquilo que é domingo porque nem Alexandre de Moraes pode, por enquanto, prender e arrebentar por “fake news”, “discurso de ódio” ou “ato antidemocrático” todos os outros candidatos a presidente fora Bolsonaro como acabará fatalmente fazendo se não for detido.

Resposta?

Nenhuma, pois não ha resposta possível para o que Lula é senão a que lhe deram os 9 unânimes juizes das três instâncias profissionais do sistema judiciário brasileiro que o monocrata Edson Fachin, guindado ao STF pela militância aguerrida que tinha no MST, revogou com uma única canetada expressamente inconstitucional.

Quem ainda hesita em aplicar a essa imprensa os qualificativos que ela pede pode basear-se nas primeiras páginas e nas páginas editoriais de terça-feira, passados dois dias, em que se lê que cobrar Lula pelo “maior assalto de todos os tempos”, na definição do Banco Mundial,  é “ataque pessoal”, não havendo qualquer diferença digna de nota entre os 13 anos de saque à nação que o levaram à cadeia e a tentativa rejeitada de suborno que, segundo um obscuro cabo de uma guarda municipal, “teria havido” na compra que não aconteceu da vacina Covaxin.

Nada de novo, portanto, já que essa imprensa é aquela que jura de pés juntos que o que realmente ameaça a democracia brasileira é “o potencial de financiamento de atividades digitais ilícitas e incitação a atos antidemocráticos” do velhinho da Havan e outros “empresários bolsonaristas golpistas” noticiados por um site de internet mais obscuro ainda e não as prisões e as des-prisões ilegais, as violências inconstitucionais, a censura prévia, os bloqueios de contas de familiares de suspeitos, as prisões sem julgamento e a espionagem chinesa do WhatsApp de gente menos abastada mas igualmente protegida pela Constituição concretamente perpetradas por Alexandre de Moraes. É aquela imprensa, enfim que, olhando nos seus olhos com cara de séria, jura que a urna do Barroso “é inviolável” e que tudo que Lula deve ao Brasil são “desculpas” e “explicações” sobre o que fará para “deixar de ser” o que sempre foi…

Quanto ao mais, quanto aos demais candidatEs, homens e mulheres no corpo com que nasceram ou no que acham que têm lá dentro das suas cabeças feitas, o debate foi o que faz deles a bizantina legislação eleitoral que transforma a “democracia brasileira” na piada triste que é: um espetáculo de mau teatro “levado” por candidatos de si mesmos, por si mesmos e para si mesmos, produtos de “partidos políticos” estatais, propriedade intransferível de “líderes” sem liderados, com que o eleitorado brasileiro nada tem a ver nem antes, nem durante, nem depois de tiradas das cartolas as suas “candidaturas”, ora fazendo-se de bravinhos e indignados, ora querendo ser engraçados.

Nenhum deles vê defeitos no sistema de (não) relacionamento entre o País Oficial e o País Real garantidos pela muralha do “voto proporcional” de que todos os problemas brasileiros decorrem e sem a solução do qual nenhum, por definição, poderá ser resolvido dentro de um contexto democrático. 

Decorre dessa falsificação do fundamento que define a democracia que todos juram querer macaquear que tudo se resuma a mais um debate de “eus” inteiramente apoiado no “quesejismo”: “Eu quero um país que seja assim e assado e partidos e políticos que sejam isto ou aquilo” sem qualquer palavra que indique que suas excelências suspeitem que são diferentes tecnologias institucionais que determinam que tudo processado por elas “seja” inevitavelmente como é, e contemplem ainda que remotamente a ideia de montar um sistema que permita que o povo brasileiro, que sabe melhor que ninguém do que exatamente é que precisa, possa governar por si e para si como é da definição da democracia verdadeira.

Pajelança pura, mas com a desvantagem de que os nossos modernos morubixabEs não acreditam nem por um segundo, como os dos bons tempos da Idade da Pedra, nos “passes” que estão dando.

O debate da Band

27 de agosto de 2014 § 7 Comentários

a1

Aécio Neves foi brilhante em todas as respostas que deu de improviso.

É autêntico, elegante, tem senso de humor, acredita no que está dizendo e tem conhecimento de causa de sobra para ensacar todos os outros contendores juntos sem parecer arrogante por isso.

Mas temo que tenha posto tudo isso a perder no seu minuto e meio final quando pos todos os seus talentos de lado, cedeu aos marqueteiros e baixou os olhos tres ou quatro vezes como se estivesse lendo o que eles escreveram para ele dizer.

TV é olho e coração, muito mais que ouvido e cérebro…

a3

Aécio faria muito bem, aliás, se dispensasse esses marqueteiros que, depois do debate ficou mais que provado, têm feito ele parecer muito menos do que é nos filmes da campanha.

Ele é de longe o melhor candidato para este momento do Brasil mas é, também, a candidatura da racionalidade, coisa a que este país sempre resiste mesmo quando ela não é atingida por um avião carregado de emoções em pleno voo.

Marina Silva se estrumbica sempre que tem de dizer algo sobre qualquer coisa que não seja ela própria. Mas vence tudo isso pela humildade de admitir suas limitações e pela inteligência de propor-se a incorporar tudo que os melhores já fizeram ou lhe oferecerem de bom, venha de onde vier.

a4

Isso não resolve todos os problemas de pilotar um país continental e complicado como poucos antes mesmo de tirar carta de arraes amador mas, sem ter sequer de mencionar-lhe o nome, fulmina o PT com o seu sectarismo carregado de bilis e com a sua permanente semeadura de ódios.

O PT é a conflagração pela conflagração: entre os “bons” e os “maus”, os ricos e os pobres, os brancos e os negros, os ilustrados e os não ilustrados, os hetero e os homossexuais e o que mais o partido conseguir catar por aí de pares que possam ser insuflados um contra o outro.

Marina propõe a união nacional, tema que pode e deve ser copiado com a maior ênfase possível, mesmo porque quem ganhar, se não for o PT, terá de se haver com a fúria dos “donos” do Estado brasileiro de quem se vai tirar o doce de dentro da goela.

a7

A tendência declinante da economia brasileira tem raízes estruturais que a esbórnia petista aprofundou e vai ser parada roxa revertê-la. Tão roxa que se o Estado (isto é, a “militância”) peitar o Brasil no meio da sua luta para não se afogar, talvez cheguemos mais cedo do que seria de esperar ao duelo final que vai ter de acontecer um dia para que este país saia, finalmente, do passado, e possa começar a olhar para o futuro.

Seria até bom. Melhor que deixar o país se arrastar por mais uma geração na mesma lenga-lenga em que a minha teve de chafurdar.

Deixei a Dilma por último porque é esta a colocação em que o debate a deixou. Ela confirmou ao longo do programa inteiro ser o desastre que se conhece, de execução e de comunicação. De modo que se não estivesse pendente da perspectiva de Lula assumir o lugar dela até 20 dias antes do 1º turno (15 de setembro), o Brasil, pelo menos quanto à perspectiva de permanência no campo democrático do qual só ele tem força para nos expulsar, poderia dormir tranquilo.

a5

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