O diabo na rua, no meio do redemunho

4 de agosto de 2014 § 7 Comentários

O filme divulgado pela revista Veja é claro e explícito: quem montou a “cola” com as perguntas e as respostas passada a Maria das Graças Foster, José Sergio Gabrielli e Nestor Cerveró, os mais altos diretores da estatal “investigados” pela CPI da Petrobras que o governo foi obrigado a montar diante das sucessivas ondas de lama que emanam da “maior empresa do Brasil”, foram o assessor especial da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Paulo Argenta, o assessor da liderança do governo no Senado, Marcos Rogério de Souza e o assessor da liderança do PT no Senado, Carlos Hetzel.

O senador Delcídio Amaral, tido como o padrinho de Nestor Cerveró, o homem que esteve no comando da operação de compra da refinaria de Pasadena adquirida por investidores belgas por 280 milhoes de dolares e vendida à Petrobras por 1,2 bilhão de dolares no espaço de um ano quando Dilma Rousseff era a presidente do Conselho de Administração da Petrobras, foi mencionado como um dos articuladores da fraude. Já a CPI, propriamente dita, é presidida pelo senador Vital do Rego, do PMDB da Paraiba, e relatada pelo senador Marco Maia, do PT do Rio Grande do Sul, tudo para garantir que nada fosse descoberto nessas “investigações”.

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É tão impossível, portanto, que a presidente Dilma Rousseff, “chefa” direta dos fabricantes da “cola”, estivesse alheia a mais esta armação quanto é impossível que a compra de Pasadena tivesse sido feita à sua revelia enquanto ela presidia o Conselho da Petrobras, único titulado para aprová-la, que foi o que “concluiu” a investigação do governo a respeito.

É a hierarquia quem o diz. E se ha alguém que tem senso de hierarquia neste país, é a “presidenta” que se tornou tristemente célebre por não aceitar ordens nem conselhos de ninguém.

E no entanto, está aí o filme que mostra até onde vai a desfaçatez desse pessoal que governa o Brasil hoje e levou a Petrobras à condição financeira periclitante em que se encontra.

Mesmo a CPI cercada de PT por todos os lados para “investigar” chefões do PT que, por isso mesmo, já nasceu eivada de pecados originais, não passou de um suporte para uma farsa encenada em cima de outra farsa, cuidadosamente ensaiada para ser levada às telas das televisões e fazer o povo brasileiro duplamente de idiota às vésperas da eleição.

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E como reagiram os caras-de-pau a mais este flagrante da sua infindável má fé?

O presidente da CPI fraudada, que preside também a segunda CPI sobre o mesmo assunto, esta “mista” de senadores e deputados, apressou-se a dizer que “qualquer favorecimento que possa levar à mitigação do poder investigatório é (por óbvio) prejudicial ao trabalho desenvolvido pelo colegiado” e que, por isso, hã-hã, “determinará procedimento próprio para o necessário esclarecimento dos fatos” registrados em filme, diga-se de passagem, por alguém alto o suficiente na hierarquia para estar na reunião que urdiu a falcatrua mas que, tudo indica, ainda teme a deus o bastante para usar uma camera disfarçada numa caneta com todos os riscos que sabe que corre quem vive por dentro as armações do partido que tragou Celso Daniel.

Mas sua excelência não se faz de rogado. Segundo ele, isso “não tem nada a ver com a sua outra CPI”, a “mista”, sobre a qual nada, ainda, foi filmado.

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O nobre senador não se sente absolutamente em conflito para continuar a presidir a segunda CPI sobre os mesmos crimes apenas por ter sido flagrado fraudando a primeira.

A exposição do filme em circuito nacional tampouco resultou, até agora, em qualquer tropeço que fosse para qualquer dos envolvidos. Nem na mais remota ameaça de…

Continuam todos – os fornecedores e os tomadores da “cola”; os que redigiram as falsas perguntas e as falsas respostas e os que as decoraram e encenaram com caras de santo no Senado da República – refestelados nos seus postos regiamente remunerados da maior empresa de um governo em crise aguda de credibilidade; tão aguda que ameaça a estabilidade da economia nacional.

De modo que dizer com o imortal jagunço Riobaldo Tatarana, de Guimarães Rosa, que o Brasil “nas juntas se desgovernou” e que hoje o Cujo, o Carantonho, o Que Diga anda à solta, e vivemos todos no fio da navalha com “o diabo na rua no meio do redemunho”, deixou de ser ficção.

É a mais pura realidade!

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Lula já entendeu. Mas…

4 de maio de 2012 § 1 comentário

No Ritz de Paris, Cabral marca o casamento entre o dono da Delta e Jordana Kfouri que viria a morrer na queda do helicóptero de Fernando Cavendish em Trancoso da qual o governador e seu filho por pouco escaparam mas que também matou sua futura nora

A divulgação dos detalhes das primeiras seções da CPI do Cachoeira confirmam o que foi previsto no artigo de quarta-feira.

O relator petista, seguindo ordens, propôs limitar a investigação da Construtora Delta aos seus contratos na região Centro Oeste do Brasil, uma tentativa constrangedora de tão bandeirosa. Bem traduzida queria dizer “investigue-se apenas Demóstenes e Marconi Perillo; esqueça-se o resto”.

Nem o Congresso Nacional onde todo mundo tem telhado de vidro podia engolir essa com todas as gravações que estão em cartaz neste momento em todos os jornais, rádios e televisões do país.

Já o ex-presidente Collor, aquele que foi escorraçado do Alvorada a pontapés pelo PT, despontou como o guardião do sigilo dos documentos, gravações e filmes guardados no pacote do inquérito do Supremo enviado ao Congresso que, por tudo que se divulgou até agora, incriminam o PT mais que ninguém.

Jordana Kfouri come caviar no Ritz de Paris

Um papel tão carimbado que ele sentiu-se na obrigação de explicar que, ao ameaçar todos os seus colegas com as penas da lei se “passassem informações por baixo dos panos a alguns confrades (repetidor da Globo nas Alagoas que é, ele se julga jornalista) para fazerem delas o uso que lhes convém“, ele não estava tomando uma posição “hipócrita, safada e jaguara” (de “cão ordinário”; de “pessoa de mau caráter e patife”, segundo o Houaiss), mas sim “defendendo a lei“.

O ex-presidente foi freudianamente exato nos adjetivos que selecionou…

Foi aparteado por Miro Teixeira que lembrou oportunamente que “pode vir o despacho (obrigando ao sigilo) da mais ilustre autoridade do planeta (e este veio do sempre genuflexivo ministro Lewandowski) o fato é que manter o sigilo é contrariar diretamente a Constituição“.

Resumiu bem a situação o ex-líder do governo no Congresso, Candido Vaccarezza: “Com tudo que a Polícia Federal já apurou, o único acordo possível é em torno do aprofundamento das investigações. Quem tentar abafar qualquer coisa vai se desmoralizar“.

O governador, seus secretários e o amigo Fernando na porta do Ritz

O próprio Lula, como confidenciou uma fonte do PT a Dora Kramer, do Estadão, já entendeu que o partido será o principal alvo das outras legendas nesta CPI porque é quem mais tem a perder.

Mas cautela e caldo de galinha nunca são demais. O resultado só sai depois que acaba o jogo. A velha raposa é persistente e conhece o poder que tem.

Enquanto a CPI se instalava resistindo às primeiras tentativas de sonegar ao país aquilo que o STF e o acuado Procurador Geral da Republica já sabem que contem o caminhão de lixo das organizações Delta-Cachoeira estacionado na sala-cofre do Senado, o sr. Luís Ignácio Lula da Silva, com a desfaçatez que o caracteriza, aparecia numa cerimônia pública ao lado de ninguém menos que o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, o mais irretorquivelmente corrupto dos corruptos colhidos em flagrante delito nesta que se anuncia como sendo a safra recorde das roubalheiras jamais desvendadas na história deste país.

Os secretários de Saude e Governo do Estado do Rio de Janeiro e o amigo Fernando (centro)

Cabral, como se sabe, é o pai da Delta, com cujo dono, Fernando Cavendish, costuma farrear em Paris e voar de helicóptero por aí, ainda muito mais que Dilma é a mãe do PAC, de cujas obras essa empreiteira detém 80%.

Lula conta cegamente com o “efeito Teflon” que lhe proporciona o fato de tantos brasileiros lhe atribuírem  responsabilidade direta por estarem desfrutando pequenos confortos básicos nunca antes tidos e havidos, o que em parte é mesmo mérito dele, e dá de ombros para o resto.

Mas desde já está claro até para ele que, longe de apagar a memória dos “malfeitos” do PT para ganhar o poder e comprar apoios apurados no processo do Mensalão, a CPI da Delta-Cachoeira vai mostrar a que nível da estratosfera a associação explícita entre os antigos “paladinos da ética na política” e os collors e sarneys de sempre em defesa da mais ampla, geral e irrestrita impunidade levou a corrupção no Brasil.

Enquanto a CPI era instalada…

O alvo desta CPI

2 de maio de 2012 § Deixe um comentário

Ao fim de nem tão surda batalha pelo “controle” da CPI do Cachoeira assisti, durante o almoço, ao primeiro passo da momentosa “investigação”, com o senador Vital do Rego, que o PT pôs à frente dos trabalhos, recebendo do STF um envelope selado com nove CDs contendo os 40 volumes do inquérito aberto para investigar o esquema. (É porque nossa justiça é sempre tão “econômica” em palavras, recorde-se, que nenhum processo chega ao fim nestes tristes trópicos).

Tudo (menos o que já se sabe) está, ainda, sob “segredo de Justiça”, conforme frisou o ministro Ricardo Lewandowski, relator do processo no STF.

Vai daí, diz o senador do Rego, “o primeiro e mais importante trabalho será conferir, entre as quatro paredes da ‘sala-cofre’ adrede preparada no Senado, o que já foi e o que ainda não foi vazado de tudo que foi recebido“…

 

O grosso do que vazou, e é só o que as televisões têm para martelar na cabeça do público por enquanto, é o que atinge o falso cavaleiro da esperança do DEM e o governador do PSDB de Goiás, mais a negociação para a aquisição “de porteira fechada” e por preço de ocasião do partido inteiro daquele gordinho, o tal de Levy Fidelix, hoje de propriedade do PT.

Sabe-se também que tudo isso é só o glacê e que o “bolo” mesmo, aquilo que mede a extensão da metástese da doença brasileira em todos os níveis da politica e da administração pública, são as aventuras e desventuras de Fernando Cavendish e a sua “Construtora Delta”, aquela que está para Carlinhos Cachoeira como a “agência de publicidade” SMP&B de Marcos Valério estava para José Dirceu no esquema do Mensalão.

Mas sobre os contratos que este senhor amealhou, relativos a 80% das obras do PAC filho da Dilma, ainda não vazou detalhe nenhum.

O governador do PMDB do Rio de Janeiro (aquele partido do vice-presidente da Dilma), que criou essa cobra e quase morreu picado por ela meses atrás na Bahia, tomou providências cirúrgicas a esse respeito.

O galante Fernando Cavendish é tido e havido como “o rei” da ex-capital federal onde não ha obra que não seja “dele”. Mas o dr. Sérgio Cabral, que se tornou uma das figuras mais translucidamente transparentes da Republica graças às relações de alto risco que mantem com ele sem proteção, só cuidou de tomar-lhe duas desde que o escândalo começou: a reforma do Maracanã, de R$ 789 milhões, e a Transcarioca, corredor de ônibus que vai do Galeão à Barra de R$ 931 milhões divididos com a Odebrecht e a Andrade Gutierrez, ambas do PAC filho da Dilma.

O resto, o que é só Rio com Rio, o dr. Cabral segue esperando pra ver como é que fica.

Tudo, portanto, caminha por enquanto em consonância com o padrão do Novo Brasil do PT onde todo mundo “é” e tem sido filmado e gravado “sendo“, mas ganha o jogo quem tem o poder de definir o que vaza e o que não vaza desse vasto e precioso acervo para o conhecimento do distinto público.

Abrir ou não abrir o pacotão do STF, o acervo cinematográfico da Polícia Federal e, muito especialmente, medir a extensão dos tentáculos da Delta é o verdadeiro nome do jogo.

A ver se, escancaradas as porta do Inferno com a instalação da CPI, será possível seguir controlando a diabaiada…

Lula em rota de colisão com Dilma

17 de abril de 2012 § Deixe um comentário

Ninguém errará a avaliação do caráter do senhor Luís Ignácio Lula da Silva por atirar baixo demais…

Eu, por exemplo, acertei só de raspão ontem por não baixar suficientemente a mira.

Com mais meio dia do leva e trás do PT em torno da CPI do Cachoeira as coisas já ficaram bem mais claras. Trata-se do duelo final: está aberto o processo de expulsão dos últimos pruridos de ética do antigo “partido da ética na política”, junto com quem insistir em agarrar-se a eles, a “faxineira” Dilma em primeiro lugar.

Senão vejamos:

  • se existe alguma coisa que pode abalar um ego como o de Lula, esta coisa é a Síndrome do Espelho, Espelho Meu: “Existe neste mundo alguém mais popular do que eu?E a resposta é: “Por baixo dos sete ministérios podres, atrás das sete faxinas, dorme Dilma Vana Roussef. Ela conquistou popularidade maior que a sua passado o mesmo tempo de governo“;

  • é de Lula, secundado por José Dirceu, que vem a ordem unida em torno da criação da CPI, em desafio à ordem de recuo dada por Dilma;
  • Dilma estava fora do país quando o golpe foi armado;
  • Fernando Cavendish, o judas que a oposição quer malhar na CPI, recebeu R$ 4,1 bilhões em obras do governo federal, 90% só com o DNIT, o primeiro antro herdado de Lula (excluído Palocci) que Dilma implodiu;
  • Não ha CPI que não acabe virando contra o governo“? Ótimo! Se a CPI pegar leve em Dilma aplaina-se a ultima e a mais incômoda colina da “igualitária” planície do “eu sou, mas quem não é” que, desde o Mensalão, é tudo a que se quer chegar; se pegar pesado, melhor, Lula volta em 2014 porque até 18 sabe lá deus, com essa doençarada toda;
  • Lula conta cegamente com os préstimos de Sarney para controlar a CPI; Romero Jucá, fuzilado por Dilma, e Renan Calheiros (idem indiretamente) são cogitados para presidi-la;
  • Se Dilma contava ontem com algumas vozes dentro do PT falando contra a CPI, hoje já não conta com nenhuma: todos voltaram atrás.

Você ainda tem alguma dúvida?

O cálculo de Lula

16 de abril de 2012 § 2 Comentários

O tema mais decisivo para definir a eterna oscilação do Brasil entre civilização e barbárie tem sido sistematicamente subestimado no debate político nacional porque envolve uma questão que fere o amor próprio dos jornalistas e envolve interesses diretos ou aspectos considerados sensíveis pelas empresas de informação que preferem não discuti-los em público.

Mas é contando com isso que Lula, do alto do seu olímpico desprezo por toda e qualquer convenção moral, faz os cálculos que embasam cada um dos seus passos na política.

A momentosa questão é:

Quanto realmente pesa o segmento livre da imprensa do Brasil? De que tamanho realmente é essa imprensa que investiga e faz denuncias? Quanta gente ela atinge?

A resposta curta e grossa é: quase ninguém.

Para ser preciso, ela é do tamanho dos jornais impressos de São Paulo, do Rio de Janeiro e de uns poucos estados mais com mercados publicitários capazes de sustentar um jornal, e mesmo assim, de nem todos os jornais impressos nessas praças. E atinge uma parcela da parcela (realmente) alfabetizada das populações dessas áreas.

O resto da imprensa ou está diretamente nas mãos do governo, ou vive da publicidade oficial ou é censurada – como são o rádio e a TV – pelos artifícios por baixo dos quais se esconde a censura dentro da legislação eleitoral à qual nós já nos acostumamos mas que escandalizariam qualquer súdito de democracias muito menos festejadas que a nossa.

Qual é o verdadeiro alcance do “efeito apagador” que o “horário eleitoral gratuito” proporciona? O que realmente fica gravado na cabeça do povão ao fim dos jornais das TVs: o capítulo do dia da novela da corrupção com os respectivos contraditórios exigidos pelas normas do bom jornalismo, ou as dúzias e dúzias de entradas dos mesmos políticos acusados se apresentando como santos abnegados na propaganda eleitoral enfiada nos intervalos desses mesmos jornais e ainda antes e depois deles?

Luís Ignácio Lula da Silva, que conhece como ninguém o Brasil dos grotões, sabe exatamente o que chega e o que não chega aos ouvidos do povão.

Por isso reage com tanto sarcasmo às ilusões  que a imprensa séria alimenta a respeito do alcance das denuncias que faz.

Esse caso da CPI do Cachoeira é exemplar.

O que teria levado o nosso Maquiavel de Garanhuns a soltar seus cachorros para levantar a caça que traria atrás de si, quando menos, a memória das “negociações salariais” entre Waldomiro Diniz, braço direito de seu chefe da Casa Civil, José Dirceu, e o chefão da jogatina Carlinhos Cachoeira, filmadas na sala vizinha àquela em que ele despachava como Presidente da Republica no Palácio do Planalto nos idos de 2003?

O presidente do PT, Rui Falcão, foi explícito na declaração que gravou para a página de entrada do site oficial do partido. Não;  é claro que não se tratava da reconciliação do PT com a ética na política. Falcão pedia o apoio dos seus correligionários à CPI do Cachoeira “para levar à investigação do escândalo dos autores da farsa do Mensalão” que um STF presidido por um dos últimos ministros anteriores à “safra Lula” promete começar a julgar no máximo até julho próximo.

Fogo de encontro, portanto.

A função dessa CPI, na expectativa de Lula e seus esbirros é, segundo suas próprias declarações, a fabricação da prova definitiva de que “eu sou porque todo mundo também é“…

O mais foi fruto de emoção. Lula é um sujeito vingativo e Demostenes Torres foi o senador mais atuante na CPI dos Correios, na qual foi revolvida toda a sujeira do Mensalão. E Marcondes Perillo foi o governador que, naquela ocasião, contou ao país que informou Lula com antecedência de tudo que estava acontecendo no esquema operado por Marcos Valério.

Ora, os homens que ousaram apontar um dedo acusador contra “deus” flagrados irretorquivelmente com a boca na botija das organizações Cachoeira era bom demais para ele permitir que o fato passasse sem um carnaval.

Mas é na emoção que mora o perigo.

Será que eles tinham ouvido todas as gravações da PF? Como tinham tanta certeza de que o feitiço não acabaria virando contra o feiticeiro se desde 2003 já havia figuras de proa do PT no bolso de Cachoeira?

A resposta é: não tinham. “Deus” também pode se precipitar e eventualmente … errar.

E ha uma particularidade, em especial, que pode tornar esse erro fatal.

Cercado de experimentados “arapongas”, Carlinhos Cachoeira julgava-se garantido no quesito “prevenção contra grampos”. Acreditou cegamente nos “assessores” que lhe juraram que a Policia Federal não tinha condições de gravar conversas feitas dentro do sistema Nextel de rádio-telefonia, sobretudo se as contas fossem contratadas fora do país.

Foi assim que Cachoeira passou a operar todas as ramificações da quadrilha, dentro e fora do sistema institucional, por meio das várias dezenas de contas Nextel abertas nos EUA.

Mas com um pormenor especialmente venenoso.

Fazia isso com toda a tranquilidade do mundo. Usando todos os nomes e números verdadeiros. Dizendo tudo explicita e minuciosamente como se estivesse numa sala entre amigos (onde ele julgava de fato estar). De tal modo que mesmo neste paraíso dos advogados de bandidos que é o Brasil, será muito difícil dar o dito por não dito e tirá-lo da prisão ou manter fora dela os seus principais interlocutores.

O resto é apenas o óbvio.

A roubalheira está onde o governo está. E sendo mais de 80% dos governos do PT ou dos sócios do PT, é assim também que se distribuem os negócios das organizações Cachoeira.

Não demorou nada para que, de Demostenes e Perillo, saltássemos para Agnelo e – tchã, tchã, tchan tchaan –  Fernando Cavendish, o rei do Rio, o rei da Copa, o rei da Olimpíada, o “brother” do Cabral, unha e carne com Agnelo Queiroz; o rei do lixo de Brasília e a sua famigerada e onipresente Construtora Delta.

Só que Fernando Cavendish, quem diria, é também o rei do PAC filho da Dilma!

A gravação mostra o tipo de cavalheiro de fino trato que o sr. Cavendish é. E, pelo jeito, é mais falastrão que o boquirroto do Cachoeira…

R$ 884 milhões no PAC só no ano de 2011!

Xii, seu Lula! Vai dar merda!

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