Como a Construtora Delta comprou o Rio de Janeiro
26 de maio de 2012 § Deixe um comentário
Filme sugerido por Eric Waechter
Constrangimentos? Ha os doces e ha os amargos…
22 de maio de 2012 § Deixe um comentário
Encerrada a exibição da solidez dos “direitos constitucionais” de Carlinhos Cachoeira frente à completa impotência dos quase 200 milhões de brasileiros que ele tem ajudado a assaltar na seção desta tarde da CPI mista da Câmara e do Senado da República, a Globonews especulava com os “especialistas” do costume sobre se é ou não é constrangedor que um ex-Ministro da Justiça do governo Lula, declaradamente interessado em usar este caso como instrumento de vingança contra quem o denunciou em falcatruas anteriores (o Mensalão), atue como defensor “deste homem que pode ser classificado como o maior inimigo da coisa pública na história recente deste país“.
Constrangedor seria se essa palavra não tivesse sido banida do dicionário do lulopetismo, sem dúvida.
Mas com o ex-ministro da Justiça do Brasil é assim: pagou tá novo. E ele é o de menos. Marcio Thomas Bastos sentado à esquerda do bicheiro que desafiava toda uma Nação esta tarde na “Casa do Povo Brasileiro” é só um pedacinho do escracho que se nos apresenta.
Amparando-o por baixo está também o ex-presidente do Banco Central do governo Lula, Henrique Meirelles, e mais o BNDES com 35% do capital + R$ 6 bilhões de reais em “empréstimos” à J&F, essa nem tão misteriosa empresa semi-estatal que em menos de 10 anos evoluiu de açougue de província para potência multinacional pluriespecializada e agora acode pressurosa para “comprar” a Delta Construções que nada mais é que o verdadeiro banco de provas vivas do sistema gigante de falcatruas de que Carlinhos Cachoeira é só a fachada.
Se as escabrosas gravações com que os brasileiros têm sido brindados diariamente como acompanhamento do jantar são, tecnicamente, “apenas indícios” como têm dito os juristas, os contratos da Delta, 108 dos quais com obras do PAC filho da Dilma contêm, preto no branco, as provas concretas da maior safra de falcatruas jamais flagradas na história deste país.
Daí o zelo do PT em mante-los enterrados.
Ainda segurando as pontas do sr. Cachoeira, com toda a cara de pau que deus lhe deu, sentava-se na bancada reservada aos inquisidores (dando mais respostas do que fazendo perguntas) o ex-líder da Câmara de Lula, Candido Vaccarezza, aquele que escreve bilhetes de amor do PT para com o governador Sergio Cabral, do Rio de Janeiro, que foi o criador dessa cobra.
Paira por cima de Carlinhos Cachoeira, portanto, de asas protetoras bem abertas, ninguém menos que Lula em pessoa. E Fernando Cavendish que se cuide porque por muito menos do que ele sabe Celso Daniel acabou desovado num matagal com o corpo varado de balas.
A possibilidade de um desfecho trágico, passados 10 anos de “amaciamento” da moral nacional desde Celso Daniel é, porém, remotíssima.
A aposta de Lula é na “poule de 10” da anulação das provas que o seu bem nutridíssimo Ministro da Justiça já está cuidando de pedir, conhecedor que é, melhor do que ninguém, de que “fazer justiça” no Brasil não é avaliar provas, discutir fatos nem especular sobre culpas e desculpas, é simplesmente impedir o funcionamento de um sistema Judiciário especialmente desenhado para deixar-se docemente constranger a tanto.
Uma baba!
Uma imensa Venezuela?
21 de maio de 2012 § 1 comentário
Em entrevista hoje para O Estado de S. Paulo o ministro da Justiça do PT, Jose Eduardo Cardoso, disse que “o ato de criação da Comissão da Verdade simbolizou o Brasil superando divergências políticas e ideológicas“.
Pra mim o que simbolizou o Brasil superando divergências ideológicas foi ver o Lula abraçando Fernando Collor de Mello e José Sarney.
Daí por diante, tudo tem sido só circo.
Eu acompanho a trajetória de José Eduardo Cardoso desde os tempos da Câmara Municipal de São Paulo, onde vi ele tomar algumas atitudes que provaram que ele já foi diferente da média do comportamento moral dos seus colegas de partido.
Mas vejam o que ele disse hoje:
“Nós vivemos numa democracia. Então, mesmo aqueles que no passado foram contra essa democracia hoje podem se valer dela para expressar suas opiniões. Talvez um dia, quem sabe, eles se convençam de que a democracia é bem-vinda”.
Não, não é do PT e daquele pessoal que, patrocinado por Cuba e pela Russia soviética, pegou em armas para implantar à força a “ditadura do proletariado”, aquela que murou países inteiros, matou 10 vezes mais que Hitler, criou os hospitais psiquiátricos para “tratar” quem era louco de discordar e continua espancando ceguinhos na China até hoje que ele estava falando.
Era aos que resistiram a tudo isso para preservar as “liberdades burguesas”, tais como as de eleger e deseleger seus governantes, mantê-los submetidos à mesma lei válida para todos e fiscalizados por uma imprensa livre que os petistas passaram a vida apedrejando que ele se referia.
Torturadores aparte, que estes são unanimidade, eram esses que os cesare battisti nacionais caçavam a tiro nas ruas antes que os milicos caíssem de pau em cima deles. Só depois é que os generais começaram a gostar da brincadeira. A verdade histórica é que foram eles que legaram ao Brasil os 20 anos de chumbo.
E vejam mais esta pergunta e esta resposta:
“Mas o sr. integrou a CPI dos Correios como deputado e, à época, disse que o Mensalão existiu. O sr. mudou de opinião?”
“Em nenhum momento eu disse que o Mensalão existiu. Cheguei até a pedir uma correção à revista Veja. Afirmei que existia uma situação de destinação de recursos ilegais, de caixa dois. Isso era indiscutível“.
Assim como José Dirceu “acredita cada vez mais” na própria inocência, eu sinceramente acredito que o ministro José Eduardo Cardoso acredita cada vez mais no que diz.
É fascinante, aliás, esse processo dentro do PT no poder. Quanto mais ele se distancia de um comportamento democrático e republicano, mais veementes ficam os discursos dos petistas afirmando o contrário, começando pelos da presidente Dilma que ninguém sabe dizer com certeza se mente na cara de pau como todos os outros ou se só viaja na maionese da sublimação de uma dignidade sincera mas impotente.
Seja como for, o fato concreto é que por trás desse palavrório atirado no poço sem fundo do esquecimento o partido segue, numa sólida linha de coerência, desmontando, tijolinho por tijolinho, todas as instituições de moderação do seu poder de executar (por enquanto só atos de rapinagem e de governo) sem dar satisfações a ninguém.
Neste preciso momento, por exemplo, enquanto mantem o seu fogo de barragem contra a memória do Mensalão, arma o tiro de misericórdia no poder de investigar e dirigir inquéritos criminais que a Constituição de 88 deu ao Ministério Público, a instituição que chamou de “quadrilha” os 39 figurões da nata do petismo que, chefiados pelo dito José Dirceu, arquitetaram e puseram em prática o esquema de suborno institucionalizado que o Supremo Tribunal Federal, por ordem do MP, ainda promete julgar antes da prescrição agora no meio do ano.
O agente do golpe é indireto, como sempre. Quem planta a bomba desta vez é a Associação Nacional dos Delegados de Polícia que faz parte da máquina sindical criada e gerida pelo PT.
A Polícia Federal comanda, em média, 70 mil inquéritos criminais por ano. O Ministério Público só uns 14 mil. Mas a quase totalidade deles refere-se a ações civis públicas por improbidade administrativa. Ladroagem de políticos e funcionários públicos para falar em português castiço. Na área criminal, o MP realiza menos de 1% do total de inquéritos conduzido pelas polícias que o governo nomeia.
Mesmo assim, são eles que assinam o Projeto de Emenda Constitucional (PEC nº 37) depositado na fila de votações do Congresso acompanhado de um comprometedor parecer da Advocacia Geral da União na época em que ela era comandada por José Antônio Dias Tóffoli, aquele advogadozinho do compadre do Lula que foi convenientemente plantado no Supremo Tribunal Federal nos últimos dias da presidência do padrinho da Dilma.
Diz o seguinte: “Revela-se fora de dúvida que o ordenamento constitucional não reservou o poder investigatório criminal ao MP, razão pela qual as normas que disciplinam tal atividade devem ser declaradas inconstitucionais“.
Foi também o MP que, em 2007, adquiriu o sistema de monitoramento de telefones Guardião que transformou num inferno a vida da ladroagem “oficial”.
Desmontada essa última arma de defesa da cidadania, não ficará mais nenhum obstáculo de monta na frente das ambições imperiais do petismo.

A imprensa, que tem se alimentado do que o sistema Guardião registra para fazer suas denuncias, está quase toda sob a batuta de “profissionais” formados nas escolas do PT.
As edições de sexta-feira passada, o dia seguinte do golpe que desmontou a CPI do Cachoeira e do escandaloso SMS de amor do ex-líder do PT na Câmara, Candido Vaccarezza, para o governador Sérgio Cabral do Rio, patrono da lavanderia Delta que tem 108 contratos de obras do PAC, filho da Dilma, são um exemplo veemente.
Dos três jornais nacionais, apenas um, a Folha de São Paulo, registrou esses fatos em manchete. Os outros dois trouxeram chamadinhas anódinas para tudo isso em suas primeiras páginas e pedaços selecionados da história do que realmente se passou em suas páginas internas, e manchetaram com a decisão “faxineira” de dona Dilma de por na internet os salários dos funcionários do Poder Executivo. E, como o Lula bem sabe, um fim de semana faz o efeito de um milênio para a memória da “nova classe média brasileira” que tem mais o que comprar para se preocupar com bobagens como a investigação de corruptos.
Graças a isso o golpe que desmontou a CPI do Cachoeira já soava hoje, aos quatro dias de idade, como um eco distante do passado sem autoria definida…
O PT já mira bem mais adiante da old mídia, aliás, preparando-se para matar a resistência democrática que, logo logo, estará confinada à internet. Montou uma bem engraxada máquina de patrulhamento e boataria na rede onde “jornalistas” a soldo do partido escrevem “séries de reportagens” para acusar colegas que denunciam a corrupção de “conluio com o crime organizado”, acusação que seus agentes colloridos repercutem no Congresso, seus hackers e especialistas na mecânica do Google (SEO) “bombam” no Twitter e nas redes sociais, e os agentes “da sociedade civil organizada” pelo dinheiro do governo, de que a UNE é o exemplo mais acabado, transformam em ensaios de pogroms e “empastelamento” de redações aguerridas, como a da Veja, na melhor tradição fascista.
Por trás desse barulho todo, enquanto a economia rateia, o obediente dr. Mantega manda jogar na conta do Tesouro Nacional o alarmante excesso de créditos duvidosos do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal para libera-los para seguir financiando o consumo (e as eleições) passando ao largo das regras de Basiléia 3 (essas que foram criadas para evitar o surgimento de novas grécias) e dona Dilma possa dizer à multidão dos novos quase remediados que “o Brasil está 300% preparado para enfrentar a crise mundial“.
E vamo que vamo que quando a “nova classe média” acordar do seu sonho de consumo nós já teremos nos transformado numa imensa Venezuela.
Perde-se o mínimo; nada se transforma
14 de maio de 2012 § 3 Comentários
Com a “compra” da Construtora Delta pelo grupo J & F, acertada em um único almoço e antes que se saiba exatamente a quantas anda essa criatura nutrida, na infância, pelo governador Sergio Cabral, do Rio de Janeiro, o governo Dilma dá mais uma lição ao mundo sobre como combater a corrupção.
Inaugura-se uma nova era no modo petista de lidar com “malfeitos” inadvertidamente “vazados” para o distinto público: assim como os donos dos pedaços do Estado outorgados aos partidos que integram a base de sustentação do governo, pegos em flagrante de corrupção, são “condenados” a transferir para outro membro da mesma organização o comando do seu “distrito” (ou ministério), agora também os “proprietários” das grandes lavanderias usadas para transferir dinheiro do Estado para essas organizações, quando pegos em flagrantes dificilmente solúveis em água, são condenados a transferir a lavanderia inteira para outro membro da mesma organização e passar do palco para os bastidores, naturalmente sem prejuízo dos seus “direitos especiais” e outros bens “adquiridos”.
Negócios, negócios, amigos aparte. Perde-se o mínimo; nada se transforma.
E tudo, é claro, em nome “da causa“. O que mudou foi a causa…
Pelos termos do “negócio” assinado na segunda-feira, 7, e anunciado na quarta-feira, 9, após um rápido almoço entre Fernando Cavendish e Joesley Batista, a J & F “não utilizará um centavo de seus cofres para ficar com a Delta; usará a distribuição dos dividendos futuros da própria companhia para pagar seus antigos controladores“.
O primeiro passo da J & F na Delta será “enfrentar o imbroglio jurídico e político” já que, desde 24 de abril último a construtora está sendo investigada pela Controladoria Geral da União por falcatruas tramadas em conluio com o famigerado Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes) num processo que pode torná-la inidônea. Uma condenação implicaria o cancelamento automático de todos os seus contratos e a impediria de fazer novos negócios com os governos federal, estaduais e municipais, o que a levaria à morte, por assim dizer, por “supressão de habitat”.
José Batista Junior, um dos três irmãos que “controlam” a J & F, tem certeza, porém, de que esse é um obstáculo superado pois “seria uma conversa de bêbado ou de louco” pensar que isso não foi previamente acertado:
“Imagine se o dr. Henrique Meirelles (ex-presidente do Banco Central de Lula e atual Presidente do Conselho da J & F) ia fazer um negócio que o governo não quer“.
“Mudado o controlador o motivo do processo de inidoneidade se extingue“, disseram à IstoÉ Dinheiro pessoas ligadas à direção da J & F que sabem onde estão pisando. Por isso, sob a nova direção, “será mudado quem for necessário por razão técnica ou jurídica“.
O princípio da isonomia foi, portanto, rigorosamente respeitado. Trata-se exatamente do mesmo procedimento de segurança que garante que das relações promíscuas entre ministros da Republica lulopetista e múltiplos parceiros privados de risco não nasçam aprofundamentos de investigações nem processos jurídicos incômodos que, com o aval da Secretaria de Estado do governo dos Estados Unidos da América, fez do PT uma referência mundial de “combate à corrupção”.
Para quem, partindo de um pequeno açougue em Anápolis, no interior de Goiás (sempre Goiás…) conseguiu saltar, nos últimos 10 anos, para a posição de 3ra maior empresa do Brasil atrás apenas da Petrobras e da Vale, ficar dono de mais de 50 marcas, pagar 140 mil funcionários em todo mundo e, last mas absolutamente not least, tornar-se sócio do BNDES e dos fundos de pensão do Banco do Brasil, da Petrobras e da Caixa Econômica Federal (eventos que não ocorreram necessariamente nessa ordem), dinheiro não é problema.
Nem para a Delta, aliás.
Saindo do nada ha bem poucos anos, ela se tornou a sexta maior empreiteira do país. Faturou R$ 3 bi em 2011 e tem R$ 4,7 bi de contratos em carteira, quase todos de obras do PAC, filho da Dilma.
Mas, neste caso, não é de dinheiro que se trata: “Vamos supor que tudo dê errado (que ainda reste algum foco oculto de resistência moral no país, acrescento eu). Nesse caso devolve-se a empresa aos seus antigos controladores. Não ha risco financeiro assumido nesse negócio“, diz candidamente o pessoal da J & F.
Ou seja, se colar, colou…
Viva nóis, viva tudo, viva o Chico Barrigudo!
9 de maio de 2012 § 1 comentário
O país que, cheio de indignação, processa um PM por jogar spray de pimenta nos olhos de uma cadela agressiva, praticamente ignora os parlamentares que, diante do maior escândalo de corrupção da história do Congresso Nacional, estão jogando pimenta nos olhos do povo, a quem tratam pior que aos cães, para impedi-lo de ver as provas da bandalheira trancadas na sala-cofre do Senado da República.
Trancar as provas de um crime contra o povo e proibir os seus representantes eleitos de “vazar” para os seus representados o nome de quem os está assaltando, sob as penas da lei!?!!
Uai! Mas não devia ser o contrário?
No Brasil não é.
E só faz sentido uma coisa dessas passar batida numa casa que funciona na base da maioria se houver mais gente no Congresso com culpa no cartório do que os interessados em expor as dos outros.
Do jeito que a coisa vai, estar na lista dos parlamentares expostos com a mão nas águas da cachoeira já está quase soando como uma atenuante; uma prova de que ele só se envolveu em pecadilhos menores e não na conspiração em torno daqueles de que não se pode nem falar.
Mas não é só.
Enquanto a batota do Congresso defende de braços dados a porta da sala-cofre, lá fora a “turma da limpeza” trabalha freneticamente.
A Delta Construções, que é o ventiladorzão que espalha esse barro, por exemplo, está pondo de lado os testas de ferro. A matriz vai assumir inteiramente a “empresa”.
Que Fernando Cavendish que nada! Passa tudo logo praquele açouguezinho do interior que o dr. Jose Dirceu, o BNDES e os fundos de pensão controlados pela barra pesada do petismo transformaram “numa das maiores empresas do mundo” que, de prosaicos bifes de carne de segunda e miúdos de frango passou a vender até usinas hidrelétricas, passando por tudo que está no meio.
Brasília, terra dos milagres!
Já o Planalto teve reação igualmente inequívoca diante do tsunami de revelações das organizações Delta-Cachoeira: de fevereiro para março, enquanto o Congresso discutia a sua CPMI, quadruplicou o valor das despesas com emendas de parlamentares, elevado para R$ 350 milhões, valor que se repetiu em abril.
E o Judiciário? Este atira no Procurador Geral da República e articula para tirar do Ministério Público, que insiste em encher o saco desenterrando podres, o poder de investigar crimes, enquanto no STF trata-se de baixar o fogo da fervura do Mensalão que está cai não cai na prescrição.
E só pra não deixar a peteca no chão, lá está o presidente nacional do PT, “jornalista” Rui Falcão, aquele bonequinho com cara de chupeta que, toda vez que a gente aperta, pede o “controle social” da imprensa.
E viva nóis, vida tudo, viva o Chico Barrigudo!



















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