Falta a boa e velha “terceira idéia”
26 de maio de 2021 § 28 Comentários

Toda hora alguém tira mais um nome da cartola. Mas não conseguem estabelecer-se os representantes tentativos da “terceira via” no baralho eleitoral de 2022 porque a esquerda, agarrada como é, inegociavelmente, ao osso dos privilégios da privilegiatura, bloqueia o caminho para a “terceira ideia” que poderia dar-lhes consistência: a da boa e velha democracia. Vagam todos por aquele mesmo deserto do gênero, da raça e do meio ambiente em que anda perdida a esquerda internacional depois que “o sonho acabou”, e mais, na versão macunaímica, deste patético “cloroquina ou não cloroquina” a que tudo se reduz no país onde já falta até a comida que só ele produz porque a adesão à democracia requer a guerra ao privilégio que é proibido declarar.
Existem mil razões sólidas como rochas para qualquer democrata ser antibolsonarista. Mas a esquerda só recorre às que não param em pé. Democracia, por definição e por registro histórico, é o repúdio do privilégio, a criminalização da desigualdade perante a lei em cuja defesa trabalham unidos os lulas e os bolsonaros e mais quase tudo que, no establishment político brasileiro, transita entre esses dois polos.

O Brasil é essa tragédia de ópera bufa porque o País Real permanece excluído da política que lhe é imposta pela progressiva estatização dos sistemas partidário e eleitoral que resulta em que menos de 30 dos 513 deputados federais “eleitos” receberam votos diretos em seus nomes. Todos os outros entram no Congresso pela janela do voto proporcional que, dado a indivíduos diversos, acaba sendo atribuído a partidos de que o eleitor não sabe sequer o nome que os redistribuem como querem aos diletos amigos do dono da agremiação, ela também criatura do Estado e não do povo.
Vindos obrigatoriamente da privilegiatura, posto que é “ilegal” um candidato engendrado pelos próprios eleitores passar ao largo dos “partidos”, chegam ao poder pelas trilhas viciadas do Sistema e, portanto, só com elas têm um compromisso de vida ou morte. Até os cargos executivos, os únicos que realmente expressavam a vontade declarada de cada eleitor à urna, estão hoje sob suspeição em função do insuspeitíssimo decreto dos 11 monocratas que declarou bolivarianamente “inconstitucional” o trecho da mini-reforma eleitoral de 2015 feita pelos representantes eleitos do povo brasileiro que aprovou a emissão de uma contraprova em papel do voto eletrônico depositado.

A “democracia brasileira” é, portanto, ela inteira, uma clamorosa fraude, e acoplar a ela a expressão “representativa” torna essa fraude um escárnio. É isso que nos faz miseráveis ao ponto de não termos condições de disputar vacinas na velocidade que faz por merecer quem trabalha triplicado para construir este país apesar desses parasitas.
O repúdio a esse estado de coisas, dos palácios da privilegiatura para fora, é tal, no Brasil inteiro, que ha risco de linchamento se qualquer dos produtos do Sistema ousar sair à rua sozinho. Por oposição depreende-se que quem se apresentar ao eleitorado defendendo a idéia de dar ao povo o direito de eleger quem ele quiser e deseleger quem o trair, junto com o de recusar as leis escritas com o único propósito de desviar dinheiro ganho com suor para comprar privilégios mediante recursos como o recall, o referendo e a iniciativa do povo de fazer leis com força impositiva aos “seus representantes”, em vez do contrário – vulgo democracia – será carregado em triunfo até o trono presidencial. E se mostrar ser sincero esse amor, protagonizará o milagre de fazer o Brasil percorrer voando os dois séculos e meio em que permaneceu excluido da modernidade e atolado no sistema feudal que ainda está aí.

Mas nem essa evidência destrava esses “candidatos” de proveta. Em vez disso, o antibolsonarismo, que é irmão gêmeo do próprio, só com sinal trocado, continua procurando – na televisão, nas redes sociais, nos circos e até dentro das cadeias onde Fernando Henrique Cardoso finalmente encontrou “o seu” – um indivíduo, uma pessoa e não uma idéia nova. O bolsonaro deles, enfim, que lhes garanta, só pelos seus belos olhos, a volta ao Poder que é, única e exclusivamente, o que lhes interessa, e não curar o Brasil da doença do privilégio institucionalizado que é terminal. Como não acha, apela para todo tipo de truque sujo, como os fabricados em série por esse STF ostensivamente aliado ao crime que está nos condenando a todos ao risco iminente de sermos transformados em mais um estado-bandido como tantos que já emporcalham o mundo por aí.
É o terror dessa perspectiva que elegeu Bolsonaro pela primeira vez. É o terror redobrado dessa perspectiva, depois de espetáculos espantosos como o dessa CPI e, antes dela, o da “saída do armário” do STF, que vai por o país pela segunda vez diante dessa escolha de Sofia.

Apesar da superexposição que lhe dá a imprensa da privilegiatura, essa direita que sonha com “regime militar” é um punhado de velhinhos que delira com um animal que já estava em extinção 57 anos atras, em 1964: os militares que foram morrer pela democracia na Itália sem te-la em casa, e que não duraram o suficiente nem para devolver o poder aos civis em 1965 como prometiam. Desde aquela época o país convive com os militares reais. Na essência do que os diferencia de nós nesses tempos de paz que não são suspensos desde a Guerra do Paraguai, são iguais ao resto dos funcionários públicos: sobem na vida, do ingresso na corporação até o túmulo ao fim de longa e tranquila aposentadoria (e em alguns casos até depois da morte) por decurso de prazo. Ainda que tendo de mostrar um pouco mais de serviço que o funcionalismo civil para ganhar o próximo galão no ombro, estão à salvo dessas tempestades cada vez mais frequentes que dizimam vidas inteiras de dedicação ao trabalho às quais estamos tanto mais sujeitos, nós plebeus, quanto mais leis garantindo a própria “excelência” os presidentes-sindicalistas dessa e das outras corporações do funcionalismo aprovarem para si mesmos.
Por isso a primeira providência do PT, se voltar ao poder, será STFizar esse funcionalismo armado para não sair nunca mais dele pois, se há algo que os diferencia da direita é que não cometem o mesmo erro duas vezes.
O resumo, senhoras e senhores, é que não ha saída fora da democracia, aquele regime em que o povo manda no governo e nos funcionários públicos, que só se estabelece se e quando ele se mune de armamento institucional concreto para dar-lhe poder para tanto. Se não surgir ninguém disposto a empunhar essa bandeira, o melhor é emigrar.

A CPI pela culatra
24 de maio de 2021 § 29 Comentários

Passei a quarta e a quinta-feira passadas inteiras assistindo, de cabo a rabo, o “depoimento” de Eduardo Pazuello à “CPI da Covid”. Pouca gente que não está na profissão teve o tempo ou a pachorra de acompanhar tudo de modo que ficará com o que a imprensa lhe disser que aconteceu.
Cuidado!
O presidente da CPI é Omar Aziz, o ex-governador do Amazonas que teve sua mulher e seus três irmãos presos pela Policia Federal em julho de 2019 na “Operação Maus Caminhos” que investiga corrupção na saúde pública daquele estado. O relator é Renan Calheiros, o da Transpetro, que dispensa apresentações. Os dois repetem a cada passo que já têm conclusão formada, seja o que for que a CPI “apure”. São, ambos, portanto, os homens certos nos lugares certos para reger a “investigação” ordenada aos representantes eleitos do povo brasileiro pelo monocrata Barroso e confirmada por 10 votos a 1 por aquele STF que solta os ladrões (e os barões do tráfico) e prende a polícia e que, também como quase toda a imprensa tradicional, “já tem opinião formada” sobre o que a CPI deve concluir seja o que for que venha a “descobrir”.
Com poucas exceções, foi esse o padrão naqueles dois dias. Como as primeiras respostas de Pazuello, sem edição, foram acachapantemente claras e fartamente respaldadas por documentação para quem esperava ouvir o “incompetente” quase mentecapto descrito pela imprensa, a CPI foi, progressivamente, deixando de fazer perguntas e, principalmente de ouvir respostas. Substituiu-se o interrogatório por discursos agressivos que começavam e acabavam com frases como “Eu não tenho a menor duvida de que…” o que o ex-ministro disse ou venha a dizer “…é mentira”, e daí para baixo…

O resumo dos temas explorados com o das respostas oferecidas foi, no entanto, o seguinte:
A compra da Pfizer que, como restou comprovado pelo que de fato aconteceu, prendia-se a antes ou depois da alteração da lei que impedia essa compra nos termos draconianos do contrato em que a farmacêutica eximia-se totalmente de responsabilidade por qualquer efeito ou falta de efeito que a vacina viesse a ter. Se a compra tivesse sido fechada naqueles termos, com a assinatura do Presidente da Republica em pessoa que, como revelou Pazuello, também era exigida pela multinacional, estaria dada a prova que a CPI tanto procura para o fuzilamento dele.
A compra ou não da Coronavac adquirida pelo governo de São Paulo também pelo governo federal que, como ficou igualmente comprovado pelo que de fato aconteceu, prendia-se, para além dos destampatórios de rua e dos tuítes presidenciais inconsequentes, a antes ou depois da aprovação da dita vacina pela Anvisa.
A falta de oxigênio nos hospitais de Manaus que teria sido “deliberadamente mantida e agravada” pelo homem cuja família – a filha, os netos, etc. – moram em Manaus. Esta foi esclarecida passo a passo, quase minuto a minuto, com abundância de documentação, como o que de fato foi: uma sucessão de falhas de comunicação da empresa fornecedora e das secretarias municipal e estadual de Saúde de Manaus e do Amazonas num contexto de caos absoluto, corrigidas com extraordinária presteza para as condições amazônicas depois que o ministério foi de fato informado do que estava acontecendo. Pazuello nunca disse que só faltou oxigênio por apenas três dias. Tudo que explicou, com meridiana clareza, foi distorcido pelo senador Eduardo Braga, candidato ao governo do Amazonas, e pelas televisões, os dois mais falsos que aquele preto retinto dos cabelos de sua excelência.

O interrogatório sobre porque o governo permanentemente acuado de Jair Bolsonaro não decretou intervenção no Estado do Amazonas … alguns meses depois que o STF decretou a intervenção dos governadores e prefeitos na Presidência da República para tudo que dissesse respeito à pandemia…
A mudança no modelo de apresentação de dados da evolução da pandemia, logo no começo, que não funcionava porque os sistemas de saude dos estados e municípios, informatizados ou não, não se comunicam, pelo que passou a funcionar três dias depois, apesar da imprensa manter desde então “o seu consórcio de informação” que não faz outra coisa senão reproduzir os dados colhidos pelo novo sistema integrado criado pelo Ministério da Saude.
O eterno “cloroquina ou não cloroquina”, aquela que não mata nem engorda e o Brasil toma ha 70 anos e que, lembrou o depoente, 29 países, entre eles, a China, o México, a Coréia do Sul e outros menos votados ainda hoje incluem nos seus protocolos oficiais de tratamento da Covid…
Sobre os meios e modos de acelerar a proteção do Brasil contra o mal que atinge o planeta com tais rebates, repiques e reconfigurações sucessivas do vírus, dos sintomas e das sequelas que deixa nos doentes que os cientistas discutem vivamente se a pandemia de hoje ainda é a mesma do ano passado, rigorosamente nada foi acrescentado pela CPI.

A verdade que ficou evidente é que, à revelia da empedernida cretinice com que o presidente insiste em se referir ao assunto, a doença sobre a qual nada de muito seguro sabe o mundo evoluiu aqui exatamente como evoluiu no resto do planeta, com os agravantes da miséria medieval que é só nossa. É ela, e não o que Bolsonaro diz ou deixa de dizer que determina em que medida os nossos lockdowns “colam” ou não e se morre ou sobrevive boa parte dos brasileiros que contraem a doença.
Essa miséria que só pôde chegar ser a que é em função do que Jair Bolsonaro e a direita da privilegiatura têm em comum com seus detratores da esquerda da mesma privilegiatura – a saber: o compromisso fechado de ambas de preservar “o direito” dessa minoria de roubar a maioria com a arma das leis que os dois lados escrevem exclusivamente com a finalidade de locupletarem-se enquanto casta – e não pelo pouco em que as duas se desalinham – a saber: na negação da extensão desse “direito” à mesma casta de roubar o povo também contra a lei impunemente – diferença que resta confirmada pelo esforço da esquerda da privilegiatura, sua imprensa e seu judiciário de voltar ao poder pela mão do autor do “maior assalto de todos os tempos”, na definição do Banco Mundial, à custa da destruição das proteções democráticas mais elementares de todos os brasileiros.
O resumo daqueles dois dias é que até o governo Bolsonaro já superou Bolsonaro para o bem do Brasil. E se isso já era verdadeiro desde Pazuello, como ficou claro no depoimento, tornou-se mais verdadeiro ainda sob Marcelo Queiroga.

Agora só a esquerda da privilegiatura, sua imprensa e seus monocratas continuam, não digo levando Bolsonaro à sério mas, de forma absolutamente deletéria e mal intencionada, levando muito mais longe o papo furado dele sobre a pandemia, ao amplifica-lo histericamente, do que ele conseguiria chegar só por conta do autor.
Fazem isto porque sua referência é O Poder e não a proteção dos brasileiros contra a Covid ou, muito menos ainda, seu amor pela democracia. A chegada da pandemia, fica mais claro a cada dia em todas as linhas e entrelinhas do que dizem e do que fazem foi, ao contrário, festejada por todos eles como uma benção pois, não fosse a violência da doença e o tamanho da estupidez com que Bolsonaro reage a ela, ninguém mais ouviria falar de PT no Brasil.
A esdrúxula realidade que desse modo se reconfirma é que, se Bolsonaro, como já se sabia, é uma criatura da repulsa ao lulismo, à sua imprensa e aos seus supremos defensores, eles também já não podem sobreviver sem ele.

O Brasil como Pulitzer queria demonstrar
30 de abril de 2021 § 24 Comentários

Antigamente, quando se aprendia na escola os teoremas básicos da matemática e da trigonometria, essas verdades fundamentais eram batizadas com o nome do sábio que, pela primeira vez, as tinha demonstrado como tal e, ao fim dessa demonstração, fechava-se a lição com a sigla “c.q.d.” (“como queríamos demonstrar”), tradução do “quod erat demonstrandum” (greco)latino dos tempos de escolas mais cultas.
Com a revogação, quarta-feira, da prisão de Eduardo Cunha e a confirmação de Renan Calheiros como juiz supremo do “estado democrático de direito” do STF fecha-se o círculo. O Brasil está perfeitamente virado do avesso: os ladrões condenados na banca dos juízes e os juízes no banco dos réus.
Ha quem estranhe a volubilidade dessa imprensa que hoje abraça o ladrão da Transpetro depois de tê-lo apedrejado. Eu não. Se Átila, O Huno, se alistasse amanhã para o linchamento de Jair Bolsonaro também ele se converteria imediatamente em herói do “estado democrático de direito” que o STF não eleito, a esquerda derrotada na eleição e os jornalistas que se alinham automaticamente a eles prescrevem para o Brasil. E nem isso faria os herdeiros da imprensa brasileira entenderem que estão fabricando a corda com que serão enforcados…

É verdade que Bolsonaro fornece todas as inestimáveis desculpas para o comportamento dessa imprensa na questão da pandemia. Mas isso não vem ao caso pois se não fornecesse dava no mesmo, como prova a questão do meio ambiente. Nenhum fato pode convencer os lobos que juraram esse cordeiro de morte a não destroçá-lo a dentadas levando junto o Brasil, nem que sejam fatos bastantes para convencer Joe Biden.
As represálias do patrulhamento ideológico, uma vez contadas como certas, têm o efeito de uma bomba de nêutrons: passam a matar a verdade e a dignidade humana sem precisarem mais ser disparadas a cada vez. E se isso é verdade em qualquer lugar, muito mais ainda no Brasil onde a política é uma espécie de abscesso fechado em si mesmo, que encerra na mesma bola de pús, dos monocratas do STF até o limite inferior da privilegiatura onde se aloja diretamente ou por interposto nepote grande parte da militância que as redações abrigam.
Pendurado no corpo do favelão nacional, o abscesso é cada vez mais independente dele. O Brasil ainda elege o presidente da República, os deputados e os senadores que o abscesso engendra em função dos seus processos inflamatórios internos inacessíveis ao comum dos mortais, mas eles estão reduzidos estritamente ao direito de mamar. Os 11 monocratas não eleitos anulam os seus atos e fazem deles e dos eleitores deles gato e sapato sem que ninguém retruque com um gemido sequer.

Se conseguiram isso com o que restava da classe média meritocrática desfilando sua indignação nas ruas do país inteiro – coitada! – e com quase 58 milhões de votos expressamente dados CONTRA o maior assaltante de todos os tempos, segundo a descrição do Banco Mundial, imagine do que não serão capazes se, conforme a encomenda, o STF conseguir enfia-lo de novo na Presidência com a eleição sem recibo!
O mundo já entendeu, e não quer pagar pra ver. É isso que explica a debandada das multinacionais que apostaram no Brasil nos últimos 100 anos, e não, obviamente, a estupidez – por monumental que seja – de um governo que tem só mais um ano e meio de mandato.
A parada que se joga no Brasil pretende durar bem mais que isso. Desde que desistiu de tomar o poder a tiro, como tomou em todos os lugares onde ainda permanece nele sozinha, e decidiu-se a agarrá-lo pelo voto, a esquerda antidemocrática, no seu pragmatismo amoral e no profundo conhecimento que tem do que há de pior na natureza humana, logo se deu conta de que é a imprensa que pauta a política e não o contrário. Depois de confirmar, por ensaio e erro, que o político chinfrim como são 99,999% dos que vivem de seduzir multidões, faria e diria sempre aquilo que sabe que rende manchetes, concluiu que tomar os postos que determinam o que vira e o que não vira manchete é que é o “Abre-te Sésamo” da Caverna do Poder.

O ser humano comum, desprevenido das regras do jogo do poder, na sua ingenuidade, é que confunde as coisas devaneando sobre a moral e o livre arbítrio, sem se dar conta de que essas expressões não tratam do que existe, tratam do que deveria existir, estando portanto no território da ética e não no da realidade. Quer dizer, moral e livre arbítrio não mandam no jogo, servem apenas para inspirar uma engenharia institucional que favoreça que assim seja, exatamente porque sem esse tipo de empurrão, mantida a lei da selva, não chegarão sequer a influencia-lo jamais.
Era disso que falava Joseph Pulitzer (1847-1911), o primeiro a entender completamente a função institucional da imprensa num sistema republicano. Foi só quando, graças a ele, o foco da americana desviou-se da luta suja das facções pelo poder para alinhar-se ao interesse do povo de governar o governo que foi possível induzir as reformas da virada do século 19 para o 20 (viés antitruste + ferramentas de democracia direta) que empurraram a democracia deles para o estado de plenitude em que viveu até meados dos anos 80 de que a humanidade começa a sentir dolorosas saudades.
Pulitzer dizia que “É impossível matar mesmo uma democracia muito imperfeita se sua imprensa estiver minimamente saudável”, e que, assim, “se uma democracia estiver dando sinais irreversíveis de que está caminhando para a morte é porque sua imprensa já tinha morrido antes dela” e afirmava que “nossa Republica e sua imprensa vão se consolidar ou desaparecer juntas” e que, portanto, “o poder de moldar o futuro da democracia estará nas mãos dos jornalistas das próximas gerações”. Mas advertia que “uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formaria, com o tempo, um público tão vil como ela mesma”.
Pois aí está, c.q.d….

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