Registro histórico
19 de outubro de 2011 § 1 comentário
O governo daquele partido do Lula da Silva diante de cujos olhos tudo se passou mas que “não viu nada”, “não sabia de nada”, e que formou pessoalmente esses ministérios todos de cegos e surdos que ha tres mandatos ininterruptos primeiro se lambuzam e depois naufragam na lama bradando sempre uma “indignada” inocência , acaba de anunciar a instituição da primeira “Comissão da Verdade” da história deste país.
O Judiciário manda a conta
27 de setembro de 2011 § 2 Comentários
Tenho repetido sempre que se Sherlock Holmes viesse, por acaso, cair no Brasil, ficaria desempregado porque aqui não ha nada por ser descoberto; é tudo sexo explícito.
Hoje tivemos mais uma prova.
Não demorou nem uma semana para que o Judiciário mandasse a conta pelos últimos favores prestados à famiglia Sarney com a anulação das provas colhidas pela Polícia Federal contra Fernando, filho de José, na “Operação Boi Barrica”.
Você se lembra: numa decisão que transcorreu em seis horas entre a entrada e a saída do Superior Tribunal de Justiça onde tudo leva no mínimo seis anos para acontecer, a famiglia Sarney conseguiu que a corte declarasse os relatórios de inteligência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o órgão do próprio governo que apontou movimentações financeiras suspeitas de Fernando Sarney, como “insuficientes” para justificar uma investigação dos Federais.
Com isso as provas das falcatruas suspeitadas efetivamente colhidas nos quatro anos subsequentes ficam anuladas. E como essa decisão faz jurisprudência já se formou extensa fila dos assaltantes filmados, gravados e fotografados rapinando o país nos ultimos anos pedindo a mesma regalia.
Muito bem.
Enquanto “fazia justiça” aos Sarney e a presidente Dilma discursava na ONU sobre as negras perspectivas da economia mundial e o que pode resultar para o Brasil da tempestade que se aproxima, os insaciáveis patriotas do Poder Judiciário mexiam seus pauzinhos para “dar a volta” na presidente depois de sua indignada decisão de não incluir no orçamento de 2012 o aumento de salário pleiteado pelos juízes além do que já lhes tinha sido concedido.
Em agosto, os meritíssimos tinham comunicado ao governo a sua “decisão soberana” de aumentar o teto dos salários do STF (os seus próprios), que regulam todos os salários do setor público, de R$ 26.723,13 para R$ 32 mil, o que implicará numa conta extra de R$ 8,350 bilhões para nós, contribuintes.
A presidente Dilma que, naquele mesmo momento, andava a braços com a tentativa de cortar R$ 50 bilhões dos gastos publicos sem comprometer serviços essenciais como os de educação e saude, resolveu “peitá-los” recusando-se a incluir a verba no orçamento da Republica.
Mas quem se importa com a Presidência da República?
O presidente do Supremo Tribunal Federal, Cezar Peluso, tido e havido como o supremo sacerdote do corporativismo do Judiciário, que arrasta atras de si todos os outros funcionários publicos do país, mandou sua reivindicação para o Congresso onde ela será avaliada – adivinhem! – pelos comandados do penhorado amigo José Sarney que têm plenos poderes para empurrá-la goela abaixo da presidente e do resto dos brasileiros…
Cezar Peluso é, também, quem empurra, nos bastidores, ao lado do relator Marco Aurélio Mello, a Ação Direta de Inconstitucionalidade impetrada junto ao Supremo pela Associação dos Magistrados Brasileiros e pela Associação dos Juízes do Trabalho, que será julgada amanhã, tirando o poder do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) de punir juízes corruptos.
O CNJ é o ultimo bastião da decência dentro de um Poder Judiciário apodrecido e vinha funcionando como uma espécie de corregedoria das corregedorias, já que as tradicionais, de cada tribunal, estão manifestamente aliadas à banda podre dos vendedores de sentenças.
Criado por Emenda Constitucional, o CNJ condenou 49 juízes envolvidos com corrupção e ligações com ramos diversos do crime organizado nos últimos seis anos. É pouco ainda, mas a instituição ja deu provas convincentes de estar disposta a muito mais.
Caso a armação tenha sucesso, como tudo indica que terá, a banda podre do Judiciário não terá mais nada a temer já que, antes da criação do CNJ em 2005, nenhum juiz foi punido por corrupção embora existam centenas de queixas nas corregedorias, onde invariavelmente elas acabam sendo arquivadas por “decurso de prazo”.
Este pode ser o golpe de misericórdia nas esperanças dos brasileiros de exorcizar a barbárie e manter as condições de caminhar em direção à civilização.
Tem de pegar o primeiro da fila
13 de agosto de 2011 § Deixe um comentário
Não sou dos que aprova nem a violência judiciária nem a violência policial caso a caso, conforme quem a sofre. E isso porque aprendi, em quase 40 anos de observação do que rola no mundo nesse departamento, que a coisa mais facil que ha é abrir a porta do inferno e a mais dificil, depois, é cercar a diabada toda, empurra-la de volta la pra baixo e trancar a porta de novo.
Mas que da vontade, dá!
Tanto mais quando se trata dessa matilha que a gente ouve nas gravações da polícia. Porque, afinal, proteger a identidade deles e expor a dos assassinos que só matam um por vez, se essa gente que rouba comida de flagelado, hospital de doente pobre e educação de criança mata a granel, devagarzinho, com requintes de sadismo e indiscutivel dolo?
Porque é melhor que quem merece tenha um pouco de menos para que quem não merece não acabe tendo demais. Paciência que seguro morreu de velho…
Mas nem tanto ao mar, nem tanto à terra. A Dilma não tem nada que fazer mesuras a essa corja, nem que sêo Lula mandar.
E, alem do mais, não é aí, no momento da ação policial, que está o problema. A polícia brasileira, quando quer é tão eficiente quanto qualquer outra nesses tempos de portas e janelas abertas onde cada passo que se dá no mundo virtual – e é impossivel viver hoje em dia sem da-los o tempo todo – é filmado, fotografado e deixa rastros indeleveis visiveis até la de Jupiter.
Prende-los, como temos visto, é a coisa mais facil do mundo. Tão facil que isso ja virou ate instrumento de marketing eleitoral. Chega a véspera de eleição e o primeiro que grita “Prendam-se os ladrões dos outros” é justamente o bandalho do Lula…
Dificil, neste nosso paizinho, alem de aguentar os cínicos, é manter essa gente na prisão. É garantir que o corrupto pego não possa continuar com a exibição corrosivamente subversiva do seu sucesso, que destrói a moral da Nação e nos condena a um futuro cada vez pior.
E quanto a isso, eu não me canso de repetir: não adianta a gente se perder na análise de legislações que foram deliberadamente feitas para não fazer sentido, ou no estudo de laudos e processos passados vazados numa linguagem especialmente criada para não poder ser compreendida. Tudo isso que está aí e que chamam de sistema juridico brasileiro são criações artificiais que constituem a ecologia da impunidade.
Essa predação sistemática que tem mantido o país entre a prostração moral e os espasmos de raiva mal dirigida é fruto da impunidade que o recondito habitat criado no nosso sistema jurídico abriga. Uma impunidade tão sistematica que ja querem transforma-la em mais um “direito adquirido” a ser reclamado com ares de indignação por quem se sente, de repente, tolhido de seguir sangrando a Nação sem ser incomodado, como de costume.
A impunidade, especialmente num sistema que se baseia em nomeações, é uma cadeia fortemente apoiada na hierarquia. Se o primeiro da fila tiver impunidade garantida, todos os demais a terão também.
E vice-versa: basta acabar com a impunidade do primeiro da fila que acaba a de todos os demais.
Tornando-se o chefão imputavel pelos crimes de todos os seus nomeados “de confiança”, o problema de enquadrar e manter sob vigilância essa tigrada passa a ser dele. E ele conseguirá faze-lo com a mesma competência com que hoje manda fazer o contrário à rede de ladrões para nos roubar nomeados.
Se formos ainda mais longe, como nas democracias mais avançadas, e acabarmos com todas os foros especiais que eles se auto outorgaram, onde só os próprios ladrões podem julgar os ladrões e só os relapsos podem decidir o destino dos relapsos; se plantarmos, afinal, o primeiro tijolo da democracia que é ter uma só lei e uma só Justiça à qual todos estão submetidos; se pudermos demiti-los a qualquer hora e por qualquer motivo – por entrega insuficiente de serviço, como acontece com você e comigo – então muda tudo. Eles passarão a trabalhar a nosso favor pela mesma razão que nós trabalhamos a favor das empresas que nos pagam o salário: porque a alternativa é a rua.
O resto é conversa mole pra enganar trouxa.
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Dilma na encruzilhada: ou eles ou nós
12 de agosto de 2011 § Deixe um comentário
A semana foi complicada para mim e estou devendo uma sequencia sobre os novos desenvolvimentos da “limpeza” da Dilma.
Escrevo em resposta aos comentários de Varlice ao artigo “Você nos abre os seus braços e a gente faz um país“.
Vai sem as costumeiras ilustrações em função das limitações de blogar a distância via iPad.
A paulada no Turismo, tudo indica, ja é fruto de “fogo amigo” (do PT contra a Dilma). Ate aqui ela vinha reagindo a denuncias da imprensa o que dava a ela uma boa “cobertura”, tipo “Não fui eu que comecei, mas não posso deixar de tomar uma atitude diante do que foi revelado“.
Desta vez o tiro veio de um órgão do governo, a PF, que ja nos tempos do Lula agiu por um tempo com autonomia ate que ele a enquadrasse e instrumentalizasse como tudo o mais. A PF passou, então, a ser mais uma das ferramentas para o projeto de poder dele, prendendo exclusivamente “os ladrões dos outros” e só nos momentos que lhe convinha.
Agora mudou de novo. A PF diz que agiu a mando do TCU e do Ministério Publico e, de fato, corria ha tempos uma investigação da máfia do Turismo nesses dois órgãos. Mas tudo indica que a coisa foi feita na hora que foi feita pra jogar a Dilma na fogueira. Essa história de que o José Eduardo Cardozo (ministro da Justiça) não sabia de nada e a polícia caiu de pau em cima da alta ladroagem peemedebista bem na hora em que o partido estava mais ouriçado em função do que vinha se passando nas vizinhanças por mero acaso não me convence.
Nesses casos, acredito na máxima do Salazar, o velho ditador de Portugal, que dizia que “Em política aquilo que parece, é“.
Mesmo assim, como as provas estão gravadas e são as que tem sido mostradas na TV, ela ainda tem como reagir diante de tanto deboche, mesmo com toda a falta de sex appeal e dificuldade de falar ao eleitorado de forma apelativa que caracteriza a presidente. E mesmo que venha a ser encurralada, pode haver a revelacão de qualidades inesperadas em Dilma quanto a esse quesito, como acontece com qualquer fera a quem não se deixa outra saida.
Desde ontem, porem, a coisa tomou um rumo ainda mais explosivo.
Com o foco se fixando cada vez mais nessa deputada do Amapá a briga sobe para o nivel dos chefões: essa mulher e o Sarney são unha e carne; indistinguiveis e indissociaveis. De modo que a coisa tende a ficar mesmo preta.
Compreendo perfeitamente a hesitação da Dilma. Lidar com esse tipo de profissional é pra tirar o sono de qualquer um e é preciso andar com muito, mas muito cuidado mesmo naquele terreno pantanoso de Brasília.
Mesmo assim eu ainda pago pra ver como é que esses caras vão reivindicar o direito de roubar em paz e se ela vai engolir isso.
É o que o Lula esta mandando que ela faça.
Mas tudo vai depender da imprensa. Se ela apoiar firmemente a “limpeza”; se seguir cumprindo o seu papel e revelando os detalhes sórdidos da rapinagem dessa horda; se não recuar de furar todos os novos tumores que estão à vista, pedindo pra ser furados, a Dilma pode retomar o controle da situação e voltar a encurralar os bandidos como estava acontecendo e como seria muito melhor para o Brasil que voltasse a acontecer.
Agora é ou eles ou nós. A economia brasileira ficou pequena para tanto ladrão.
– Posted using BlogPress from my iPad


















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