Feitios de oração

15 de julho de 2014 § 1 comentário

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Proporcionou “a melhor Copa da História fora dos gramados” quem, cara-pálida: o governo ou o povo brasileiro?

Pelo bico da Dilma, que não destravou nem na hora de entregar a taça, ela sabe pelo menos que ela é que não foi.

O que é que a imprensa internacional está festejando, a “organização perfeita” que já começa a ser enfiada na História do Brasil ou a tradicional simpatia do povo brasileiro mais a ausência do desastre anunciado que se fazia prever?

E o povo brasileiro, o que é que ele deve comemorar, já que futebol é que não é: a metade das obras que lhe foi entregue ou o dobro do preço das obras inteiras que ele pagou e vai continuar pagando por décadas a fio com juros e correção monetária?

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Que as festas brasileiras são as melhores do mundo não é novidade. Que a nossa permissividade ampla, geral e irrestrita é uma delícia para umas férias de 15 dias, idem. Mas agora que os 57 mil soldados do exército, um para cada brasileiro assassinado na rua no ano passado, vão voltar para os quartéis, nós é que vamos continuar tendo de criar nossos filhos no meio do tiroteio das feiras livres de drogas e da libertinagem geral. Os alemães vão voltar pra casa e criar os deles naquela chatice da paz, da abundância e das melhores educação e serviços públicos do mundo em que eles vivem.

No dia seguinte do Mineiratzen, diante da boa vontade geral com que o Brasil recebeu a “matemática criativa” do Felipão nos provando que aqueles 7 x 1 não foram nada, o time, na verdade, estava indo muito bem, fiquei sinceramente com medo que ele acabasse ganhando um ministério do PT. Veio a calhar, portanto, o 3 x 0 da Holanda para nos livrar de vez de pelo menos mais essa bizarrice acachapante neste país onde nada rende mais dividendos que um bom e velho “malfeito”.

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A terrível ameaça de que a Dilma e o Aldo Rebelo façam pelo futebol brasileiro o mesmo que o PT e o PC do B têm feito pela nossa economia e pela credibilidade do futuro do Brasil com as suas sucessivas “intervenções” pode, entretanto, ter aumentado com mais essa pá de cal.

Como não ha mesmo como exorciza-la até pelo menos o resultado da próxima eleição, só resta mesmo rezar…

No que diz respeito ao desempenho da Seleção – e não só o dela – o que explica tudo, aliás, não é mais que duas diferentes maneiras de rezar.

Os alemães e os holandeses são daquela religião em que a reza é o trabalho. Eles acreditam que deus só ajuda quem se ajuda e que o Paraiso conquista-se pelo tanto que cada um consegue acrescentar à obra coletiva fazendo o mais denodadamente possível por si mesmo.

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Já nós somos daquela religião que acredita que, sendo isto aqui um vale de lágrimas onde só rola o que deus manda independentemente do que façamos, cada um pode fazer o que quiser, inclusive e principalmente viver fora da regra de deus porque, sendo ele, no fim das contas, o culpado de tudo, nós já estamos previamente perdoados, faltando saber apenas quantas ave-marias teremos de rezar com todo o fervor na “hora H” para zerar a conta e aumentar a chance de que a intervenção divina impeça que colhamos aquilo que plantamos e os pães e os gols multipliquem-se por milagre.

Essa diferença faz pelo futebol a mesma coisa que faz pelo PIB nacional de cada um de nós, a menos que apareça um “salvador da pátria” que, em si mesmo, já seja um milagre ambulante, como já tivemos tantos, que produza esse efeito de desvincular a colheita da semeadura sem que seja preciso nem mesmo rezar.

Só que dessa vez não deu.

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Nascidos um para o outro

8 de julho de 2014 § 6 Comentários

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O PT e a Fifa foram feitos um para o outro.

Nunca antes na história deste país uma Parceria Público Privada funcionou tão azeitadamente.

Se para as práticas e as habilidades que se requer para conquistar o poder nos grotões do mundo onde ainda são aceitos truques e expedientes postos fora dos limites do receituário democrático nos países centrais o PT é professor e pontifica para todo aventureiro disposto a lançar mão deles de cima da tribuna do Foro de São Paulo em cuja platéia sentam-se disciplinadamente ouvintes do quilate de Fidel Castro, ninguém bate a Fifa em matéria do que pode-se acumular de conhecimentos ao longo de toda uma vida mandando incontestavelmente no “esporte das multidões”.

É das melhores provas disponíveis depois do fim do absolutismo monárquico para a verdade da máxima de lord Acton: “Se o poder corrompe, o poder absoluto corrompe absolutamente”.

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A Copa do Mundo da Fifa, afirmam alguns observadores em cujo critério confio, é um negócio que fatura “por dentro” algo como cinco a seis bilhões de euros por edição. Não é pouca porcaria para quem não tem nenhum mandato para nada e conseguiu criar essa rede aparentemente indestrutível de interesses apoiada exclusivamente nos poderes da lábia e do dinheiro mas sem exércitos nem bancos centrais com que sustentar seus delírios de poder.

Mas minha intuição diz que esse valor é troco perto do que realmente se movimenta por trás do pano, sobretudo se for incluído aí o tráfico internacional de passes de jogadores que dão saltos estratosférios a cada convocação.

Vende-se tudo no evento de Joseph Blatter & Amigos, a começar pela escolha de quem serão os Amigos de cada edição, conforme está sendo apurado neste momento com relação aos Amigos de Catar, que virão depois de Putin, este que esboça no momento a urdidura de uma União das Republicas Bandidas. Mas fiquemos só no que é mais diretamente palpável.

South Africa Brazil 2014 Soccer WCup Emblem

Pelo que se pode constatar pelo que está rolando no Brasil, a coisa evoluiu praticamente para o “aluguel” de um país inteiro pela empresa de Joseph Blatter & Amigos onde eles – e apenas eles e mais quem lhes outorga tais poderes – ganham pelo que o evento “acrescentar de movimento” às industrias nacionais coadjuvantes do acontecimento.

Essa lista de afinidades e de troca de amabilidades inclui:

1 – A exclusividade da geração de todas as imagens e entrevistas dos atletas participantes o que, além da chave para a valorização de passes, garante que somente as perguntas adequadas serão dirigidas aos participantes adequados e somente as imagens convenientes serão repassadas aos telespectadores.

Ter o controle absoluto das informações em torno do evento, nos limites do possível para quem está em terras estrangeiras e não dispõe de tropas nem de armamento pesado, é tão necessário para quem aborda a questão com as intenções que Blatter & Amigos aborda quanto é para o político mal intencionado, e pelas mesmas razões.

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O que ele exige quanto a essa questão não é, portanto, nada que os políticos brasileiros também não exijam, por enquanto só nos períodos que antecedem as eleições o que, pelo calendário vigente, deixa-nos um ano “livre” a cada ano censurado. O PT, aliás, declara todos os dias que quer acabar com essa exceção e passar a exigir a censura sobre seus atos e os de seus associados em qualquer dia de qualquer ano.

2 – Não é preciso lembrar que a transmissão do evento é também o mais suculento “filé” que ele serve. É essa a plataforma de toda a publicidade que sustenta o circo. Pegar uma beira nesse direito é coisa tão cobiçada, portanto, quanto ganhar um ministério no governo do PT. Mas custa aos candidatos nacionais à retransmissão o mesmo compromisso de cumplicidade com o “poder concedente” para que haja as mesmas garantias de “governabilidade” de todo o evento e do que mais possa ser incluído no aparentemente inesgotável saco de lesa-contribuinte/espectador que gira em torno dele.

Conforme ao clima geral de “explicitude” deste governo, chegou-se, no Brasil, ao extremo de modificar leis nacionais de segurança pública para não perder “bifes” grandes o suficiente nesse campo, como foi o caso da lei sobre consumo de álcool nos estádios.

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Sobre as outras regras draconianas impostas aos co-participantes nacionais ainda haveremos de saber um dia. Os comentaristas das TVs brasileiras, encurralados, as têm mencionado indiretamente a toda hora durante as transmissões, com indisfarçável tom de irritação.

3 – O contrato de aluguel do país sede inclui também as mais “icônicas” praias e praças públicas de cada capital ou cidade importante para a montagem dos Fifa Fan Fest’s, os telões, acompanhados ou não de shows, que extendem as platéias dos estádios reservadas aos VIPs e aos aspirantes a VIPs para a gente das ruas. Nós construímos; eles vendem. Em algumas, montadas em estádios de futebol, cobra-se ingresso. Em todas vende-se milhões em publicidade, não tendo sido informado se os “entes de governo” abaixo do federal também levam “algum” nessa.

4 – Não sei o que acontece com relação a passagens aéreas, mas os hotéis brasileiros foram constrangidos por prefeituras e ministérios a vender para a Fifa, pela interposta pessoa do mesmo senhor Ray Whelam, da subsidiária Match Services, preso ontem e solto hoje por venda de ingressos no câmbio negro, todas as suas reservas para o período do evento a preço de temporada baixa. Todo o sobrepreço fica para Joseph Blatter & Amigos, aí incluídas as autoridades nacionais outorgantes e, como estamos constatando agora, esse sobrepreço é nada menos que abusivo, ficando para o Brasil e para os brasileiros a pecha de exploradores de turistas.

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5 – Com os ingressos é a mesma coisa perpetrada pela mesma interposta pessoa. A Fifa não se contenta com vendê-los a preços apenas exorbitantes. Quer “privatizar” também as vendas no câmbio negro onde pratica-se a exorbitância da exorbitância da exorbitância. Assim o sr. Whelam fixa-se nos territórios-alvo com meses, às vezes anos, de antecedência para montar a necessária rede de varejo de distribuição da sua mercadoria ilegal, tomando o cuidado de construir uma “escada” de testas-de-ferro entre ele e o cambista da porta do estádio, de modo a dificultar a ligação entre uma coisa e outra. A Fifa posa de “democrática” vendendo ingressos a preço oficial pela internet e ajudando aos demagogos locais com um “corte” para vendedores de carteirinhas de estudantes, de vantagens para “idosos” e para donos de outras searazinhas particulares com alguma importância eleitoral mas, pelas costas, pega tudo isso de volta e muito mais explorando os US$ 200 ou 300 milhões do “mercado” de ingressos no câmbio negro.

No país do livre-grampo, deu-se mal. Está tão flagrado na falcatrua quanto 90% dos nossos políticos. Em compensação, contratando bons advogados ligados a ex-ministros, ainda é capaz de, como eles, sair como herói.

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6 – Shows de abertura e encerramento também correm por conta de Joseph Blatter & Amigos. O de abertura, de qualidade abaixo da crítica, foi atribuído a “uma empresa belga” cuja ligação com Blatter nenhum jornalista brasileiro se preocupou em desvendar mas que certamente existe para fazer com que U$ 18 milhões (oficiais) fossem entregues a eles para um espetáculo de dar sono em histérico no país mais festeiro do mundo e que tem à mão gente como o carnavalesco Paulo Bastos capaz de fazer o mundo tremer de encantamento por uma fração desse valor.

7 – Acrescente-se a isso o que deve estar rolando pelo direito de vender comidas e bebidas nos estádios, no transporte dos VIPs e não VIPs e até, quem sabe, na indicação “preferencial” de restaurantes e casas de divertimento e se terá uma idéia do porque os tais Amigos fizeram de Joseph Blatter um intocável, até pelas autoridades suíças que sabem quanto, de fato, ele fatura.

Os sinais são de que poder-se-ia encher uma biblioteca inteira com a história dos bilhões laterais e sub-laterais que rolam em torno da Copa, se houvesse tempo, dinheiro e disposição para por jornalistas infensos aos efeitos ideológico-eleitoreiros do evento e policiais dispostos no seu encalço. Isso sem contar, é claro, com a parte do leão de que muito já se falou, que são os “por fora” que os políticos corruptos sempre fazem nos estádios, aeroportos, estradas, viadutos e o mais que, adquirida a condição de amigos preferenciais de Joseph Blatter, eles conseguem colher em tempo recorde o que, de outro modo, levariam décadas para amealhar.

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A antiutopia pelêga

23 de junho de 2014 § 12 Comentários

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Artigo publicado em O Estado de S. Paulo de 23/6/2014

Volta à cena o discurso do ódio. Já não é plantação, é colheita. Nenhum ódio tem sido desprezado pelo partido do “nós” contra “eles”, este que patrocina o exército de apedrejadores profissionais que patrulha a internet. Está morto o Brasil em que Gilberto Freyre viveu e há muitos outros ódios no forno. Mas o ódio por tras de todos os outros; o ódio cujo nome o PT que sobrou não ousa mencionar é o ódio ao merecimento.

Ha uma boa razão para isso.

O PT não é causa, o PT é consequência. Essa corrupção toda não está no ponto de chegada, está no ponto de partida.

O que é essa “expertise” em se apropriar das bandeiras alheias e perverte-las para sustentar a Contra Revolução em nome da Revolução senão o velho expediente “corporativista” que Portugal inventou lá atrás para “fazer a revolução antes que o povo a fizesse” e, assim, abortar a da igualdade perante a lei, da meritocracia e dos representantes submetidos aos representados que vinha derrubando monarquia atrás de monarquia pela Europa afora?

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O PT que sobrou é o resultado dessa receita na versão retemperada por Getúlio Vargas apud Benito Mussolini e Juan Domingo Perón. O produto do sindicalismo pelêgo que saltou do papel de “coadjuvante assalariado” para o de dono do cofre e do Poder, ele próprio.

Essa evolução de “subornado” para “subornante” a que nós todos assistimos não foi apenas natural, portanto, era inevitável.

A receita não poderia resultar em coisa muito diferente.

Junte meia dúzia de “companheiros” dispostos a tudo e funde um sindicato sem trabalhadores associados que o governo vai lhe dar uma teta eterna no grande úbere do imposto sindical. Trate, daí por diante, apenas de não perde-la nas “eleições” por aclamação desse seu sindicatozinho do nada. É a primeira etapa do curso. Use dinheiro, use intimidação, use a imaginação: vale tudo nesse jogo sem juiz.

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Como força auxiliar dessa “forja de lideranças”, monte uma justiça paralela e diga a todo sujeito que trabalhou para alguém um dia que contrato, neste país, não vale nada: se ele mentir, inventar e trair, e se cabalar quem se preste a coadjuvá-lo nessa milonga depois de finda a relação, ganha um monte de dinheiro no mole.

“Seja desonesto que o governo garante!”, é a mensagem que desce do Olimpo. Essa sempre próspera indústria custou R$ 51 bi aos empregadores brasileiros só no ano passado.

Repita a mesma receita para a criação de partidos do nada. Adicione ao dinheiro do Fundo Partidário o tempo de TV negociável no mercado “spot” da governabilidade e você estará selecionando a “elite” dos mais sem limites entre os que não se põem limites para disputar esse tipo de “liderança”.

Cubra tudo com uma categoria de brasileiros “especiais” que, uma vez tocados pela mão que loteia o Estado nunca mais perde o emprego, nem que não trabalhe, nem que seja pego roubando.

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Decore com elementos da pornografia comportamental – essa em que todo mundo trai todo mundo dentro e fora da família; os filhos às mães e estas a eles e daí para baixo tudo, e “Tudo bem! Ai de quem disser o contrário!” – em que todo brasileirinho e toda brasileirinha é sistematicamente treinado, desde que nasce, pela televisão.

Está pronto! “Reserve” e deixe fermentar.

Que tipo de país pode resultar dessa mistura? Este cuja festa nacional evoluiu da ingênua “pátria em chuteiras” de ha pouco para esta Copa da corrupção com 57 mil soldados do Exército nas ruas para garantir a paz que não há, um para cada brasileiro assassinado no ano passado?

Não é um palpite absurdo…

Enquanto procura a resposta sobre se “é a arte que imita a vida ou a vida que imita a arte”, vá se perguntando que argumento tem uma mãe da favela para convencer seu filho a não entrar para o tráfico e continuar estudando nas nossas escolas publicas porque este é o pais onde quem se esforça vai pra frente!

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Esse é o único jeito de jogar o jogo do poder que o PT entende; aquele em que o partido nasceu e foi criado. Eventualmente “lá”, até por falta de qualquer outro tipo de repertório, é inevitavelmente mais do mesmo que o carregou até ali que o partido fará para manter o que conquistou.

Mas as contas, agora, são outras. Será preciso comprar 50% + 1 de todas as lealdades o que pode custar a destruição da economia. Para que essa relação de causa e efeito não seja percebida será necessário falsificar as contas nacionais. A confiança do investidor será, porém, a primeira vítima. E então o dilema se apresentará: para que os investimentos voltem será preciso admitir a verdade; mas para admitir a verdade será preciso admitir que se estava mentindo antes. Como, então, manter “aprovada” a farsa exposta senão substituindo a regra de maioria pela do “onguismo pelêgo”? A lei terá de passar a ser feita na rua; no porrete. Mas isso só será possível se o jornalismo livre for substituído por um “jornalismo” também “pelêgo”…

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Não é, portanto, uma questão de ideologia ou de coerência – e quem se importa com elas? – a progressão da antiutopia pelêga do lulopetismo. É um imperativo de sobrevivência.

Há um Brasil submetido à meritocracia – senão por outra razão porque a internacionalização do jogo econômico o impõe implacavelmente – no qual educação é a única medida do merecimento, e há um Brasil que, a um preço cada vez mais proibitivo para o outro, só subsiste se conseguir mante-la longe dele. Esses dois Brasis são mutuamente excludentes na nova realidade globalizada. A opção hoje está em entrar nele pelo mérito ou sair do mundo e viver bolivarianamente à margem dele.

Pense nisso antes de decidir qual das alternativas de caminho postas à sua frente conduz ao beco sem saída do ódio e qual a que, com todas as dificuldades que houver, deixa aberta a porta da esperança. Sua escolha vai decidir o destino de toda uma geração.

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A novela da meia entrada

14 de outubro de 2011 § Deixe um comentário

A novela da meia entrada na Copa do Mundo é um desses casos que deveria fazer cair a ficha aos habitantes desta ilha cercada de língua portuguesa por todos os lados para a distância abismal que nos separa das praias alguma vez já banhadas pelas águas da democracia.

Os donos dessa teta se levantam em defesa dela com o discurso da soberania nacional ameaçada e, em pleno Terceiro MiIênio ainda vejo alguns jornalistas salivando pavlovianamente e fazendo-lhes eco sem enrubescer, carregados de “indignação cívica” contra esses loiros de olhos azuis intrometidos, para nos lembrar como vai fundo o aparelhamento das nossas escolas e o quanto ainda nos pesa o isolamento linguístico em plena era da internet.

Mesmo assim, não ha como fazer entrar em cabeças que ainda pensam uma aberração como esta. Ainda que queira, como de certo quer já que também eles estão se fartando de mamar nessa festa que Lula nos armou, a Fifa simplesmente não tem como fazer contas a esse respeito de modo a fechar um business plan que faça um mínimo de sentido.

Pois não ha meios de saber que parcela de cada arquibancada de cada jogo desta Copa será ocupada por detentores de carteirinhas da UNE ou por “idosos” de 60 anos e mais com carteira de identidade brasileira, para que se possa calcular quanto cobrar a mais, para fechar a conta, de todos os outros mortais nacionais e estrangeiros não aquinhoados com o pedacinho de privilégio que o PC do B está autorizado a vender para ter como comprar os votos que seu discurso não consegue mais angariar.

Como é que é?

Isso mesmo. Se não é do seu tempo fique sabendo que distribuir “carteirinhas de estudante” que dão direito a meia entrada deixou de ser uma atribuição de qualquer escola, como foi um dia no passado, o que era apenas um absurdo, e passou a ser, graças ao finado presidente Itamar Franco, um privilégio exclusivo do PC do B, o que transformou a coisa num crime eleitoral consentido.

Como o PC do B é, coincidentemente, o partido do ministro dos Esportes, eles não tardarão a aprender o modo brasileiro de fazer justiça que é chutando os preços dos ingressos todos muito lá para cima de modo a garantir que entre mortos e feridos morram e sejam feridos apenas os rabos de sempre para que os deles fiquem garantidamente incólumes.

Pra brasileiro tudo bem já que, desde que nascemos, estamos acostumados a comprar carroças por preço de carruagem e pagar três vezes por qualquer coisa pra sustentar Brasília e cia. ltda, e o fazemos sem chiar desde que as prestações caibam naquilo que sobra do nosso salário depois da mordida do Leão.

Mas e os estrangeiros, estarão dispostos a pagar essa conta toda? Quantos desistirão de vir ao Brasil depois de conhecer os nossos preços londrinos por facilidades africanas e o custo do pacote de ingressos depois que o PC do B recolher o seu imposto particular?

É outra conta simples a que resulta da resposta a essa pergunta. Prejuízo essa Copa vai dar de qualquer maneira. Pois se o prejuízo for maior que o esperado, tudo bem, já que quem paga é de qualquer jeito este nosso povo alegre que não faz contas especialmente num mês tão feliz, recheado de feriados, porque jogo de futebol e trabalho ao mesmo tempo é coisa que a nossa infraestrutura de transportes que divide arrecadação com os pecês-do-bês da vida não comporta.

Por conta das queixas de lesa-soberania da Fifa, a UNE aproveitou mesmo foi pra passar o  “Estatuto da Juventude” em sessão tumultuada da Câmara, lá em Brasília, que estende a meia entrada em cinemas, teatros e eventos esportivos também para as passagens de ônibus intermunicipais, interestaduais e de turismo e, de quebra cria “Conselhos da Juventude” em todos os Estados e nos mais de 5.500 municípios para abrigar mais uma galera da companheirada.

E vamo que vamo que país rico é país sem miséria!

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