A falta que a democracia faz

13 de outubro de 2021 § 13 Comentários

A China tem apartamentos vazios suficientes para abrigar 30 milhões de famílias. O bastante para 90 milhões de pessoas, mais que as populações inteiras de países como França, Alemanha, Reino Unido ou Itália. Mas falta energia elétrica a ponto de paralisar a produção em vários pontos do país.

Como se explica isso?

Fácil. A “bolha imobiliária” tem o exato tamanho da corrupção no país do partido único, proprietário único de tudo, inclusive da única imprensa existente. Numa economia que saiu da escravidão absoluta para a abolição lenta, gradual e controlada por deliberação do partido único, dono de cada centímetro do território nacional, a franja mais extensa da privilegiatura fora da qual tudo que existe é submissão absoluta ou morte, são as células locais do Partido Comunista Chinês (PCC), equivalentes aos nossos governos municipais e suas subdivisões menores. 

É a eles que os “empreendedores imobiliários” apadrinhados pelos figurões mais altos do partido terão de pedir a cessão dos terrenos onde construir seus prédios. E, claro, como em todos os outros recantos habitados pelo bicho homem, ter-se-á de pagar para ter esse privilégio … em apartamentos do empreendimento futuro aos funcionários a quem cabe ceder ou não as terras. Far-se-á necessário, então, um financiamento do braço do banco estatal único controlado por alguém escolhido por outro figurão do partido, a esse “empreendedor imobiliário”. E tal autorização, naturalmente, também terá seu preço … em apartamentos no futuro empreendimento, pois para o “empreendedor”, o importante é fazer e não vender os prédios, mesmo porque o dinheiro que tudo move é “do povo”, que não tem prazo para recebê-lo de volta…

Assim foram construídos não apenas prédios-fantasmas (semana passada 15 foram implodidos ao mesmo tempo) mas até cidades-fantasmas ligadas por rodovias-fantasmas, tudo explicável pelo mesmo mecanismo da “economia” movida a decisões de figurões do partido e não a demandas de um anônimo mercado.

Com a multiplicação da quantidade de bilhões girando nessa ciranda a ganância despertada pela China vence fronteiras, e ela é admitida na comunidade econômica internacional como um “parceiro igual”. Para além do processo de “consolidação” de setores inteiros da economia para enfrentar a concorrência “igual” dos monopólio do capitalismo de estado chinês, com o correspondente massacre dos salários no Ocidente inteiro, os trilhões de yuans correspondentes aos milhões de metros quadrados de construções vazias passam a ancorar-se também em financiamentos em dólar. 

A Evergrande, a imobiliária gigante que acaba de estourar, ate dois anos atras era a “ação imobiliária” mais valiosa do mundo. O valor da empresa caiu de US$ 41 bi, no ano passado, para US$ 3,7 bi agora. 80 mil chineses detêm 40 bi de yuans de debêntures da empresa. O resto está com investidores ocidentais. O setor imobiliário contribui com 29% do PIB chinês. Mas as vendas de terrenos pelos governos locais caiu 90% nos primeiros 12 dias de setembro. Eram elas que geravam ⅓ da renda desses governos que acumulam uma divida de US$ 8,4 tri, perto de 43% do PIB…

E o que isso tem a ver com a crise de energia? 

Tudo. Como “democratizar a corrupção” com a mesma extensão que a “indústria imobiliária” permite fatiando usinas de produção de energia? Resultado: 30 milhões de apartamentos inúteis; nenhuma usina de força. Vêm ai alta do petróleo, do carvão e das emissões de carbono que o Biden se comprometeu a cortar.

O petróleo bruto subiu 64% este ano, a maior alta em 7 anos. Os preços do gás praticamente dobraram nos últimos 6 meses. Óleo para calefação subiu 68%. Carvão teve altas recordes. Não falta petróleo nem carvão para isso. Mas os grandes tubarões produtores aproveitam esse momento de volta da pandemia e apagão na China para abrir suas torneiras sempre com atraso bastante para justificar altas de preços desse calibre.

É a “tempestade perfeita”. Isso e a escassez de semicondutores e componentes básicos de eletrônicos determinada pelo desarranjo estrutural do “abre” e “fecha” dos lockdown de sabor político desmancham as supply chain chinesas que fizeram mais pela enormidade das Apples da vida que o próprio Steve Jobs. 

Mas, claro, não são esses os únicos predadores do sistema. Atrás deles galopam, sempre, as hienas da política. Pro resto do mundo vai ser mais complicado. Enquanto ele rebola para voltar a ajustar-se, o Brasil de Brasília, onde não ha desemprego nem pressa, já sabe exatamente o que fazer: basta que nos livremos do Bolsonaro. E, até para garantir isso, os governos estaduais, de par com o Poder Judiciário e seus mutirões de multiplicação de precatórios, são hoje os mais vorazes especuladores em dólar contra o favelão nacional.

A explosão dos preços do petróleo e do dólar multiplicaram a base sobre a qual aplicam seus tributos e as receitas estaduais cresceram 10% reais (descontada a inflação) em plena paradeira da pandemia. A arrecadação do ICMS, que incide em média a 25% sobre o preço dos combustíveis que tudo movem no Brasil, aumentou 19% na média nacional. Isso levou o País Real de volta à cozinha à lenha que comeu metade da Mata Atlântica no século 19. Essa nova conquista do estado democrático de direitos adquiridos no país onde “o petróleo é nosso”, foi registrada na primeira página de O Estado de S. Paulo de domingo, um dia depois dele e a Folha “saudarem” em manchete a premiação com o Nobel de dois jornalistas contra os quais, se atuassem no Brasil, os dois estariam atiçando o Alexandre de Moraes. A lenha, depois da eletricidade, volta a ser a 2a fonte de energia mais utilizada nos lares brasileiros com 26,1% de participação contra 24,4% do gás de botijão.

Nem por isso os investimentos em educação dos estados saíram do padrão de sempre: caíram 6,4% versus 2020 e 7,4% versus 2019. E agora todos eles (os donos do nosso petróleo) estão acenando com aumentos para o funcionalismo no ano eleitoral de 2022. E, é claro, dificilmente o mesmo Congresso que acaba de cortar a verba para ciência e tecnologia em 92% porque esta é das poucas verbas que não contam nem com lobbies, nem com “bancadas” na “Casa do Povo” onde só quem não as tem é o indigitado povo, vai insurgir-se contra mais este esbulho.

Tudo isso, ainda que no Brasil já tenhamos experimentado uma meia sola, é consequência da falta que a democracia, o único antídoto contra a corrupção e a miséria de comprovada eficácia jamais inventado, faz naquela China que tantos de nós, especialmente em Brasília, hoje andamos invejando tanto.

A competição de colapsos

22 de março de 2021 § 13 Comentários

 

O governador democrata Gavin Newson, da California, ex-prefeito de San Francisco eleito em 2018, anunciou na 2a feira, 15, que começou a levantar dinheiro para financiar a campanha contra a eleição de recall que pode tomar-lhe o mandato ainda em novembro deste ano. Iniciada por mães de alunos que tiveram de deter sua rotina de trabalho para cuidar de seus filhos em casa em função do fechamento das escolas determinado pelo governador, a campanha teve forte adesão de eleitores proibidos de trabalhar pelas determinações de lockdown por ele baixadas.

Ele não deu nenhuma escolha a ninguém” disse uma signatária do recall à Associated Press. “Simplesmente nos proibiu de fazer qualquer coisa com um ‘é aceitar ou aceitar’”.

O Brasil ainda discute se deve ou não ter um comprovante impresso do voto. Na democracia americana não apenas esse comprovante existe – quase todos os votos são exclusivamente em papel – como o voto é um contrato assinado de próprio punho por cada eleitor, entre ele e a autoridade organizadora das eleições. E como o sistema eleitoral é o distrital puro, onde cada candidato só pode concorrer pelos votos de um único distrito eleitoral, ou seja, a representar os eleitores residentes num determinado endereço e pedaço do país, a assinatura no voto das eleições majoritárias passa a ser o padrão com o qual deverão ser cotejadas todas as outras manifestações dele dali por diante, como adesões a propostas de recall ou de leis de inciativa popular, aprovação de compras e obras públicas ou pedidos de referendo a leis dos legislativos, entre outras questões que lá o eleitor decide diretamente no voto.

Na Califórnia uma campanha de recall de funcionário do Executivo só vai a voto se seus organizadores conseguirem assinaturas correspondentes a 20% dos votos recebidos para elege-lo, o que no caso de Newson significa no mínimo 1,5 milhão. Os organizadores já conseguiram mais de 2 milhões que agora estão sendo conferidas.

A dúvida favorece sempre o eleitor, nunca o eleito. Somente uma assinatura com “múltiplas, significativas e óbvias discrepâncias” com a de votos anteriores pode ser impugnada. E mesmo assim, dois funcionários têm de concordar “acima de qualquer duvida razoável” para desqualificá-la. E como todo funcionário público também está sujeito a recall não ha duvida sobre para qual lado pende a lealdade do funcionalismo.

Na legislação da Califórnia o eleitor que assina uma petição de recall tem 30 dias para se arrepender. É para uma campanha com esse apelo que Newson está agora arrecadando dinheiro. Não que ele ache que pode evitar o recall. É que quanto mais longe tiver ido a vacinação e estiver a memória dos lockdowns no momento da votação, acredita ele, maior a sua chance de escapar da cassação que, no momento, parece muito provável. É de esticar prazos que se trata, portanto.

Os problemas, como se vê, são idênticos, apesar das abissais diferenças de níveis médios de renda e educação. A diferença está em quem tem o poder de participar das e decidir as discussões políticas. Nas democracias, onde “todo poder emana do povo e em seu nome ou por ele diretamente é exercido”, o povo debate, o povo decide e o governo obedece. Nas “democracias” de mentira que já estão podres mas ainda não caíram, os governantes “debatem” com seus especialistas de estimação e o povo, que assiste a tudo calado e de longe, apenas sofre a decisão que eles baixarem, isso se os 11 monocratas acharem que ela foi boa…

Ouço cada dia mais gente que herdou o luxo da liberdade, inconsciente da gota d’água que é a condição de desfrutá-la no vasto oceano da história da servidão humana neste “vale de lágrimas”, dizer de boca cheia, diante das idas e vindas desta pandemia nos países livres, que prefere o sistema chinês.

Ali sim, resolvem-se as coisas! Quando ‘o cara’ manda fechar fecha mesmo. Ninguém morre de covid na China”.

Primeiro é preciso saber se é isso mesmo. A avareza com que soltam para o exterior as doses das suas vacinas – menos para a África que é o mais imediato objeto da sua cobiça geopolítica – parece indicar o contrário. Não é atoa que ha anos sem fim víamos imagens dos chineses andando de máscara nas ruas, sem saber o que estava por trás daquela estranha “moda”. Ninguém morre de covid na China? Jamais saberemos ao certo, fato que diz a qualquer sujeito com um pingo de desconfiômetro tudo que é preciso saber sobre a quantidade de porrada que se distribui num país de extensão continental onde se amontoa 1/4 da espécie humana, para garantir que só se saiba, do que se passa lá dentro, aquilo que a ditadura do partido único quiser que seja sabido.

A China criou a covid, isso é absolutamente certo, reduzindo sua gente à condição de comer morcegos e, principalmente, a fazer isso em obsequioso silêncio. 

Mas o que move essa gente, pelo mundo afora, a insistir em sair de casa na iminência da catástrofe com a pandemia matando como está? 

“Negacionismo”? 

O que com certeza não há, posso garantir aos sem imaginação, é qualquer diferença na reação dos donos de botequins brasileiro, americano ou chinês – e mais ainda, na dos empregados quase miseráveis dessa fatia dos remediados que têm de batalhar hoje o prato que sua família vai comer amanhã. 

Quando “o cara” lhes diz que vão ter de perder tudo que conseguiram na vida arriscando, dia após dia, o seu sangue, o seu suor e as suas lágrimas, o que se instala é uma competição de colapsos: o da luta da vida de cada um versus o dos governantes, que eles desde sempre e com toda a justiça culpam por mantê-los no limiar da miséria apesar de toda essa luta, que não quer encerrar sua carreira com a colheita dos anos todos de incúria que levaram, ao primeiro desafio sério, à falência de sistemas de saúde e capacidade de produção de vacinas que o povo sempre pagou mil vezes melhores do que são. 

Então o remediado e o quase miserável chineses engolem em seco e voltam a comer morcegos porque a alternativa é o tiro na nuca. Já os nossos ainda podem chiar, enquanto Alexandre, O Pequeno, e cia. ltda., que dispensam-se olimpicamente das penas que impõem a quem precisa desempenhar para manter seu emprego e seu salário, não se tiverem tornado tão grandes quanto se enxergam ao se olhar no espelho.

O resumo, brava gente brasileira, é que pandemia desse calibre é, pra todo mundo – governantes e governados – andar sobre o fio da navalha. “Se correr o bicho pega, se parar o bicho come”.  Mas isso de democracia talvez seja como todas as outras conquistas humanas: pai rico, filho nobre, neto pobre. Vai embora quando se perde a memória viva da epopeia que foi para conquistar aquilo que, para o herdeiro estroina, não custa nada jogar no lixo.

Cuidado, Luciano Huck!

3 de março de 2021 § 19 Comentários

Domingo O Estado de S. Paulo deu duas páginas ao candidato a presidente, Luciano Huck, para a transcrição de uma conversa com Rebecca Henderson, “a professora mais disputada de Harvard”, autora de Reimagining Capitalism in a World on Fire, em que “faz a defesa do capitalismo e da necessidade de ajustá-lo para contemplar imperativos sociais e ambientais”.

Rebecca Henderson é o arquétipo do corte “light” da esquerda americana “liberal”, um tipo exclusivo lá deles, gente com forte propensão à autoflagelação que acredita sinceramente que é a lógica da moralidade e não a do poder que rege a História.

O perigo desse engano é que, embora sinceramente inspirado pela vontade de servir a democracia ele a trai na sua característica mais essencial, revolucionária e inovadora que é ter a recusa de ilusões moralistas com a natureza humana – tão enfaticamente destacada nos Artigos Federalistas – como a única inspiração para a construção das suas instituições.

Rebecca sonha com “reinstalar, sem o racismo e a misoginia, aquele capitalismo americano dos anos 50 e 60”. Mas, no seu diagnóstico, não foi a revogação, na virada do século 20 para o 21, da orientação antitruste que Theodore Roosevelt imprimira um século antes à democracia americana, para enfrentar em termos chineses a competição com os capitalismos de estado socialistas, que determinou o desvio mortal em que entrou o capitalismo democrático e, com ele, as democracias ocidentais. Não foi instilada de fora a atual doença do capitalismo. É tudo apenas e tão somente um desvio moral em que embarcaram os empresários e os CEOs do Ocidente cuja ganância foi espicaçada por Milton Friedman e seus seguidores, bastando portanto, para corrigi-lo, ajustar-lhes o foco para outra direção.

Meio século de recordes diários de fusões e aquisições, cada vez mais dentro daquele “modelo Facebook/Amazon” de “fairplay meritocrático”, criando monopólios em cada setor de atividade na porrada, achinesando salários, rasgando conquistas trabalhistas que custaram milênios de sangue, suor e lágrimas, acabando com a liberdade de escolha de patrões e fornecedores, com a diversidade de opinião e, finalmente, no atual estágio, com a mera possibilidade de existir e fazer transações na praça pública eletrônica onde acontece a economia do mundo a quem ousar desafiar os donos do FATGA (Facebook, Apple, Twitter, Google e Amazon), não dizem nada à Henderson e aos seus correligionários.

Não são sequer mencionados.

Basta “elevar o patamar das relações entre CEOs e seus funcionários”, tratar dos desequilíbrios de gênero e raça dentro das empresas, reescrever as “missões” dos grandes conglomerados corporate dentro do parâmetro ESG (Environmental, Social and Governance), que todos os efeitos diretos desse novo  ambiente que está aí, capaz de criar fortunas (e poderes de corrupção) maiores que os PIBs de todos os países mais ricos do mundo menos três, desaparecerão. Eles acreditam não apenas que o tipo psicológico do tycoon não é incompatível com o de um filósofo moralista como, até, que é possível induzir a fabricação de híbridos de Tim Cook com Madre Tereza de Calcutá.

E então entramos na pior de todas as formas de negacionismo. Não, não é o totalitarismo chinês que está na outra ponta dessa competição! A transformação da mentalidade dos empresários há de chegar lá. Ha de furar a muralha de fogo da internet de Xi Jinping. Há de suplantar o medo do tiro na nuca. No fim “a democracia ha de vencer”…

As empresas de ponta desse credo fazem-me lembrar os países da antiga Cortina de Ferro. Quanto mais absoluto era o poder daquelas ditaduras e a submissão do povo pela violência e pelo terrorismo de Estado, mais “populares” elas ficavam, mais incluíam o apodo “democrático” em seus nomes – todas, sem exceção,  chamavam-se “República Popular Democrática Não Sei das Quantas” – e mais lições de democracia ditavam aos países democráticos.

Pois hoje, quanto mais “ganhos de escala” esses monopólios e quase monopólios conseguem achinezando salários em casa, explorando trabalho vil nos favelões do mundo, prendendo gente nas fábricas de pedaços de coisas das armadilhas de supply chain; quanto maiores os iates e os jatos dos “gênios” endeusados por esse tipo de “desempenho” que as bolsas festejam e os acionistas agradecem, mais dão lições sobre como “envolver” e “motivar funcionários” em “processos criativos” para formar empresas “com consciência social”, (até porque, cá entre nós, esse é o novo passaporte que se requer para continuar lucrando e “consolidando” em vez de “ser consolidado”).

Na arena ambiental rola coisa parecida. Os EUA obrigam-se a implementar os acordos internacionais que assinam. A China, propriedade de um senhor armado de bombas atômicas até os dentes que ninguém elegeu mas ja se atribuiu essa posse vitaliciamente e no momento dedica-se ao genocídio dos Uigur enquanto arquiteta o dos habitantes de Hongkong e Formosa, não se obriga a seguir lei alguma, nacional ou internacional. É a predação selvagem e sistemática de todos os oceanos do mundo com suas frotas pesqueiras piratas que define o compromisso de Xi Jinping com o meio ambiente, não a sua assinatura no pé do Acordo de Paris. Mas para os EUA esse acordo implica banir a nova tecnologia de fracking de maciços de xisto que transformou o país  de maior importador em maior exportador de combustíveis do mundo, proporcionou a queda vertiginosa do preço do gás e a volta de indústrias que pensava-se que tinham emigrado para sempre para a China onde sujar para produzir não custa nada.

Essa é a realidade. Mas para o “liberal naïve” americano tudo parece apenas uma questão moral doméstica…

A democracia ainda sobrevive nos livros e até nas leis mas vai sendo expulsa da vida real até dos estadunidenses. Sem a de escolher patrões e fornecedores, nenhuma outra liberdade fica em pé. E negar essa evidência é o que elege os trumps da vida. O que faz diferença concreta na distribuição da renda, diz-nos a História, e em especial a história americana de que poucos americanos envolvidos nesse debate se lembram em voz alta, é uma única coisa: a relação de poder que o Trabalho estabelece sobre o Capital desde que o governo garanta um nível elevado de competição na economia. Um pouco de patrulhamento moral pode ajudar os tim cooks a terem um pouco mais de pudor? Eu duvido, mas vá lá. Mas aumento de competição não se consegue “elevando o patamar da relação” entre os CEOs e os funcionários que restarem empregados depois dos “ganhos de escala” todos, mas proibindo a formação de monopólios. Só que para poder dar-se esse luxo, é preciso antes recusar o livre ingresso dos produtos dos monopólios das chinas da vida, especialmente os que mais notoriamente exploram trabalho quase escravo, roubo de patentes e outros comportamentos pouco republicanos.

Cuidado, candidato! O mar, agora, é o dos grandes tubarões!

Democracia e monopólio são realidades mutuamente excludentes. Ou nos unimos para trazer o padrão chinês para o do estado de direito, obra exclusiva da Civilização Ocidental, ou achinezamos também os nossos sistemas políticos.

Nostra culpa, nostra maxima culpa

1 de fevereiro de 2021 § 17 Comentários

São Paulo está em 7º lugar em contágio e 17º em mortes por 100 mil entre os estados. O Brasil, segundo a CNN Internacional (AQUI), em 36º em contágio e 27º em mortes por 100 mil no mundo. Democracia e lockdown são conceitos mutuamente excludentes e, sem um absolutamente radical, só possível em ditaduras totalitárias como a chinesa, não se consegue deter a progressão do vírus. Por isso, até a chegada das vacinas quaisquer que fossem as ações os resultados eram ruins para todos os governos do mundo. Fará diferença eleitoral, eventualmente, a estupidez com que uns e a sofreguidão com que outros abordaram a questão. O resto, o povo sabe com a pele, é luta pelo poder e corre por conta do “jornalismo” deletério que se faz a respeito.

O curto-circuito suicida do discurso dos governos ocupados por aquela direita que mordeu a isca da politização da doença, seja como for, resolveu o problema da total ausência de propostas capazes de mobilizar a multidão dos excluídos deste mundo da esquerda americana, e não só o dela. Na reta final da campanha, à medida em que se ia materializando o fantasma da derrota, o componente doentiamente infantil e auto-centrado da personalidade de Donald Trump deu a senha. E a união em torno da ideia de não ser Donald Trump, ainda que raspando a trave, deu conta do recado.

Devolveu-se a amabilidade. A Trump mesmo já tinha bastado, em 2016, afirmar-se como o avesso dos seus oponentes, sem acrescentar qualquer outra idéia própria aproveitável, para eleger-se. 

O persistente negacionismo da esquerda e da direita – a lá deles e as outras todas ao redor do mundo – quanto à causa evidente do naufrágio do “sonho americano” e, por tabela, da qualidade de vida de quem vive de salário em todo o mundo, e a insistência cada vez mais delirante dos dois lados em apontar falsos problemas e falsas soluções como saída, deitam raízes nos seus respectivos “pecados originais”.

O da direita carrega a culpa de ter iniciado esse círculo vicioso. O “cavalo de Tróia” teórico que plantou a semente da destruição da democracia antitruste americana foi montado por Robert H. Bork e Ward S. Bowman, da Yale School of Law, no final dos anos 60, e realimentado pelos economistas da escola austríaca em ascensão desde a Era Reagan, ao formular a tese de que ao coibir fusões de empresas que levassem a “ganhos de escala” e “reduções de preços” essa política estava lesando e não protegendo os consumidores. 

A exigência legal de um nível mínimo de competição em cada setor da economia como garantia dos direitos básicos do trabalhador e do consumidor por oposição ao objetivo único de enriquecer ilimitadamente empresários e acionistas mesmo que por competência, definida como baliza inegociável de toda política econômica democrática pela reforma antitruste de Theodore Roosevelt na virada do século 19 para o 20, passou gradualmente, desde então, a ser igualado pelas cortes americanas a “redução de preço”, sinônimo de “eficiência econômica”.

Essa foi a armadilha jurídica em que caiu para morrer o maior avanço já conquistado pela gente que vive de salário desde sempre pois hoje o mundo todo aprendeu a duras penas que essas “reduções de preços” se dão à custa de reduções de salários só possíveis num ambiente de monopolização geral da economia dentro do qual o desfrute de qualquer liberdade individual se torna impossível.

Mas como essa monopolização crescente se deu empurrada pela competição desonesta e predatória dos monopólios do capitalismo de estado chinês, o ultimo bastião do socialismo real, lá embarcou nela a esquerda do mundo à custa da traição da bandeira histórica da aliança com o proletariado que a fizera nascer e sobreviver até então. Os fatos criaram, para ela, uma armadilha dialética pois tornaram impossível chegar à verdade sem apontar o socialismo como o que é: o maior inimigo do assalariado.

À necessária autocrítica preferiu-se partir para a destruição do próprio conceito de verdade. É para seguir negando o inegável que foi preciso inflar ao nível do absurdo as bandeiras eleitorais subsidiárias tais como raça, gênero e meio ambiente a ponto dos seus portadores, os integrantes da pequena elite auto-referente diretamente envolvida na disputa pelo poder mais a imprensa que fala por ela, descolarem-se progressivamente do mundo real. 

Os sinais dessa perda de contato com a realidade multiplicam-se em todas as latitudes. Ilustro com dois exemplos da hora. 

Ao norte do equador, depois de meses de campanha eleitoral intensa e passados já mais de dois da vitória de Joe Biden, causa imenso constrangimento ver o desfiar daquele “a 1a mulher, a 1a negra, a 1a filha de imigrantes na vice-presidência dos Estados Unidos” que todo jornalista ao redor do globo declama a cada vez que pronuncia o nome de Kamala Harris. Perdeu-se a noção do quanto é ofensivo, preconceituoso, racista e misógino reduzir a isso uma pessoa … especialmente se com o objetivo declarado de combater o preconceito, o racismo e a misoginia. Marilyn Monroe, em tempos menos doentes, suicidou-se porque era referida exclusivamente pelo seu invólucro…

Ao sul, onde não existe pecado, temos o “fator quilombola”. Verdadeiros ou não, eles são “decendentes de escravos fugidos” que moram em áreas rurais doadas pelo governo. Porque estariam os índios e os quilombolas todos sob risco maior de morrer de covid que os milhões de favelados de qualquer “raça” e idade amontoados em barracos sem água nem higiene, esgueirando-se por ruelas apertadas e espremendo-se em transportes coletivos de 5a categoria? E no entanto, em plena “guerra da pandemia”, com vidas em jogo na definição da fila das vacinas, nenhum jornal, nenhuma rádio, nenhuma televisão ousou fazer a pergunta óbvia, o que dá uma boa medida do estado de saúde da mais básica de todas as liberdades, sem a qual nenhuma outra existe, neste nosso tão incensado “estado democrático de direito”, aquele que se define por ninguém ter direitos maiores que os dos outros…

Dispor um “exemplar” de cada “minoria” em um canto da sala dos governos ou discriminá-los favoravelmente na lei a pretexto de terem sido discriminados negativamente no passado, seja como for, só fará, como já tem feito, aumentar o ódio que envenena o mundo.

A questão ambiental, o ultimo pé que essa esquerda mantém na realidade, também ameaça ser expulsa dela. A única solução real para o problema ambiental, que não é outra coisa senão o excesso de nós, é aquela em que ninguém toca: controle de natalidade. No mais, as medidas que Joe Biden acaba de anunciar evidenciam os limites que a realidade impõe ao tratamento do tema. Trocar a frota do governo por carros elétricos e incentivar iniciativas de fabricação de energia limpa são manifestações simbólicas de boas intenções com algum possível efeito menos que residual num prazo incerto. Proibir o “fracking” de maciços de xisto em terras federais como preâmbulo para uma proibição total é coisa mais concreta. 

Essa tecnologia, que por pura sorte coincide com a Era Trump e foi a grande responsável pelo “boom” econômico ocorrido nela, transformou em poucos anos os Estados Unidos de maior importador em um dos maiores exportadores de energia do mundo, e no dono do gás industrial mais barato do planeta, o que permitiu a repatriação de industrias e empregos que tinham migrado para sempre para a China porque lá sujar e explorar o trabalho vil para produzir não custa nada. 

Sem dribles tecnológicos como este, tudo em que é possível mexer para competir com os monopólios estatais chineses é o acirramento das fusões e a continuação do achinezamento dos salários no Ocidente pois a China, embora sendo signatária do Acordo de Paris, não segue nem precisa seguir lei alguma nacional, internacional ou humanitária, do que dá provas todos os dias sujando para produzir, predando selvagemente todos os oceanos do planeta, prosseguindo metodicamente com o genocídio dos Uigurs, massacrando a liberdade em Hongcong, recrudescendo a repressão política interna com a criação em metástase de “campos de concentração” urbanos e investindo maciçamente na construção de uma máquina militar monstruosa que certamente tem mais aspirações na vida que desfilar anualmente na “Praça da Paz Celestial”.

E no entanto a imprensa ocidental inteira leva à sério as “lições de moral” que o onipotente Xi Jinping passa diariamente no mundo onde a lei vale mais que o governante de plantão, uma forma particularmente ofensiva à inteligência de negacionismo que justifica e garante o apoio maciço dos ofendidos à radicalização em sentido contrário dos discursos dos trumps da vida que, só denunciando o tamanho da má fé desses fariseus, elegem-se sem ter de provar mais nada.

O massacre dos empregos e dos salários do Ocidente só cessará se e quando os produtos do roubo de patentes e do esmagamento da dignidade do trabalho passarem a ser tratados do mesmo modo como exigem que sejam tratados os do desmatamento da Amazônia: com o banimento sumário dos nossos mercados e a imposição de tarifas que anulem a recompensa que hoje se dá a esses crimes de lesa humanidade.

Fora daí, esqueçam! 

Os 74 milhões de votos em Trump aumentarão a cada novo emprego perdido e a cada novo salário esmagado, até que só mesmo adotando também o modelo político chinês, como a internet dos cinco donos do FATGA (Facebook, Apple, Twitter, Google e Amazon) que contam entre os poucos a lucrar indecentemente com todas essas mentiras e distorções já está ensaiando fazer, se poderá evitar que eles sejam eleitos ou que o mundo acabe numa grande explosão.

Donald Trump, nós e a democracia

11 de janeiro de 2021 § 25 Comentários

Este mundo está mesmo de pernas para o ar. Até a democracia americana perdeu a virgindade… 

Antes, porem, de abordar os fundamentos físicos da doença dos Estados Unidos, o epicentro de onde se espalha para o mundo a pandemia do ódio, é preciso deter-se na avaliação dos seus aspectos psicossomáticos, pois é a comunicação em torno do que está acontecendo mais do que concretamente o que está acontecendo que determina a velocidade da multiplicação e da disseminação desse vírus, e essa é a parte que nos toca desse latifúndio.

Os adoradores e os “odiadores” de Donald Trump são criaturas uns dos outros num processo clássico de entropia. Uma das definições que a Wikipedia dá de “entropia” vem a calhar: “Se dois corpos estão a temperaturas diferentes, colocando-os em contato a energia fluirá do corpo com maior para o corpo com menor temperatura até alcançar a fusão se não houver troca de energia com outros sistemas”. Ou seja, “amar” ou “odiar” intensamente Donald Trump faz parte da mesma patologia pois não é razoável que pessoas adultas amem ou odeiem seus políticos eleitos com essa intensidade num contexto democrático de alternância certa e mapeada do poder por decisão direta do povo como o que existe nos Estados Unidos.

Para conter a pandemia do ódio o mundo precisa antes de mais nada, portanto, tomar distanciamento social da chuva de perdigotos conceituais que cada novo ato dos protagonistas dessa novela sinistra desencadeia pois o fato de Donald Trump ser o que é de modo algum faz com que seus “odiadores” deixem de ser o que são, e vice-versa.

Dou alguns exemplos. 

Não é porque é mentira que tenha havido fraude capaz de mudar o resultado da eleição americana que deixa de ser mentira que o sistema brasileiro é invulnerável e que é possível afirmar que aqui nunca houve fraude. Lá isso pode ser, como foi, conferido, preto no branco, pela checagem de cédulas físicas assinadas pessoalmente por cada eleitor e as leis de cada um dos 50 estados que teriam de entrar nessa “conspiração” impõem recontagens e outras formas de aferição disparadas quando as margens de votos indicam que isso pode fazer diferença e aqui não existe lei nenhuma para isso nem muito menos qualquer comprovante físico do voto dado. A mentira para esconder a fome de poder a qualquer custo de Donald Trump, pela qual seria bastante educativo que ele pagasse ainda antes do fim do mandato, não anula de forma nenhuma a mentira para esconder a fome de poder a qualquer custo por trás da máquina de votar brasileira.

Espernear contra a entrega do poder depois de perdida a eleição é uma atitude tão antidemocrática quanto usar todo tipo de recurso espúrio para impedir um governo eleito de governar segundo a receita que mereceu a aprovação da maioria do eleitorado, ainda que uma dessas formas de violência possa ser focada num único indivíduo e a outra esteja dispersa entre milhares ou mesmo milhões movidos exclusiva e confessadamente pela defesa de seus privilégios, só porque estes são mais difíceis de apedrejar.

Do mesmo modo como nada, rigorosamente nada, pode tornar democrático ou mesmo apenas decente aumentar salários e privilégios de uma privilegiatura empanturrada com uma mão e impostos sobre remédios e alimentos do favelão nacional doente e faminto com a outra em plena pandemia, nada pode tornar democrática uma ordem institucional onde uns poucos tomam o resultado do esforço alheio brandindo as leis que escrevem exclusivamente para proveito próprio enquanto todos os outros são constrangidos a entregar o seu para não sofrer as penas prescritas nesses golpes legislativos sorrateiros que não lhes é dado referendar. Apesar do ritual, o nome disso continua sendo assalto. 

O fato dos donald trumps do mundo terem ganho acesso a um canal para expressar seus ódios não apaga o fato histórico dos objetos desse ódio terem passado os últimos 100 anos usando e abusando da exclusividade de fazer essa mesmíssima coisa e cercando e apedrejando sedes de poderes executivos e legislativos pelo “mundo democrático” afora diante da simples verbalização de qualquer proposta tímida de redução dos seus privilégios.

Assim também, nem o machismo brega e a estupidez arrogante de Donald Trump tiram do ensaio de ditadura LGBT+ o caráter de ditadura, nem o direito à liberdade dos abreviados de cada uma dessas letras de procurar sua felicidade do jeito que bem entender exclui o de Donald Trump de procurar a dele assumindo-se como um machão brega e mesmo estúpido, contanto que cada um seja o que é sem trespassar o limite dos direitos dos outros.

Nada jamais foi dito de mais sábio e definitivo sobre isso do que o “Se todos os homens menos um partilhassem da mesma opinião, e apenas uma única pessoa fosse de opinião contrária, a humanidade não teria mais legitimidade para silenciar esta única pessoa do que ela, se poder tivesse, para silenciar toda a humanidade” de John Stuart Mill naquele longínquo século 19 da consolidação da democracia do qual o Brasil foi expulso pela Contrarreforma e pelas fogueiras da Inquisição.

Tudo isso é certo e sabido mas a chuva de cusparadas que se segue aos atos perpetrados por essas ambições desenfreadas em luta, que as imprensas locais automaticamente tragam e traduzem, tratam de “provar” que não, o que espalha a doença para o resto da pequena parcela do mundo que ainda pode fazer umas poucas escolhas.

Nenhuma agressão à democracia que possa vir da personalidade doentia de Donald Trump poderá tornar democrático o ato de calar pela censura todas as vozes dissonantes, venha ele de algum dos moleques que, pela combinação de caminhos tortos e falhas de regulamentação, construíram, como os “rober barons” dos tempos das ferrovias, monopólios de comunicação neste alvorecer da migração da economia e da politica para as redes sociais ou da velha imprensa doente cujos ditames esses moleques não ousam desobedecer. 

Nem a reprodução desse tipo de violência pela nossa corte supremamente macunaímica, nem a repetição ao infinito do apoio a tais brutalidades por baixo de logotipos vetustos pode suscitar, numa consciência sã, a confusão inocente do nosso Undecimovirato Monocrático com democracia e com “estado de direito”. Ou é má fé, na hipótese benigna, ou é debilidade mental na hipótese incurável.

E isto nos traz aos dois principais fundamentos físicos da doença que tornou metade dos Estados Unidos, por enquanto, suscetível a discursos como o de Donald Trump e farão o problema sobreviver a ele. 

O fenômeno da ascensão de populismos mais calçados na bizarrice dos seus protagonistas que em ideias concretas não é causa, é consequência das ameaças reais que vêm roendo as democracias. A mais recente é a reação que o advento da internet proporcionou contra os grupos organizados de interesse que, não pelo debate de ideias e pelo convencimento mas pela especialização na manipulação das falhas das regras do sistema e pelo controle por censura dos seus canais de voz, têm “cavalgado e desmoralizado as democracias para colocá-las a serviço dos seus privilégios. A censura é o achinezamento da internet que tampa a panela e criará a próxima geração de trumps com garras e dentes e disposta a matar ou morrer, se não for levantada. A mais antiga é o achinezamento das relações de trabalho que a precedeu.  

Por pior que seja a intenção com que Donald Trump apedreja a China – e ele sempre o fez do jeito e pela razão menos republicana – nada pode apagar o fato de que aquele é um regime totalitário a serviço de um ditador armado até os dentes em pleno delírio de onipotência que não segue lei nenhuma e não se detém diante de nada; um estado bandido que cresceu pelo roubo sistemático das invenções alheias e da reprodução e venda a preço vil do produto desse assalto sistemático ao resto do mundo por uma multidão de quase escravos a quem só é dada a alternativa do tiro na nuca.

Aceitar esse desafio dos párias da civilização baseada na tolerância conquistada ao fim de milênios de sangue, suor e lágrimas, sem condicionar estritamente o acesso aos seus mercados ao respeito à dignidade do trabalho e ao direito de propriedade, e responder nos termos deles, pela revogação sumária da democracia antitruste, a única que preserva o ambiente de ampla concorrência vital para a mera possibilidade do exercício da liberdade (de escolher patrões, salários, fornecedores e imprensa tão diversificados quanto diversa é a humanidade), acabou com o sonho americano de vencer pelo trabalho sem ter de implorar a ninguém o favor de permanecer física ou economicamente vivo que, pela primeira e única vez na história da humanidade conseguiu nos livrar dela por algum tempo, e devolveu o mundo à selva dos monopólios incubados pelos reis.

Os donald trumps não criaram, eles só surfam essa onda maligna em que nós sempre andamos semi-afogados, cujo peso sufocante os americanos apenas estão começando a experimentar.

 

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