Passado, presente, futuro
22 de abril de 2014 § 4 Comentários
Escaneio os jornais na volta do feriado e minha cabeça vai estabelecendo as relações entre os fatos registrados.
Passado, presente e futuro.
Leio que Cristina Kirshner – o fetiche masoquista de dona Dilma que quanto mais apanha dela mais “gama” – colheu em três meses com o seu programa de controle de preços nos grandes supermercados do país, o aumento de 10% da inflação que prometia para o ano inteiro.
E qual foi a reação daquela sensata dama?
Saiu gritando “Vitória!” e anunciou que vai estender o programa “Precios Cuidados” também para os pequenos supermercados e ampliar de 192 para 304 o número de itens com preços congelados.
Vai também, é claro, redobrar a campanha publicitária permanente em torno desse “esforço patriótico” e mandar mais e mais “brigadas kirshneristas” para as portas dos supermercados para responsabilizar os comerciantes (e os próprios consumidores) pela inflação e afixar cartazes “denunciando” os fornecedores dos produtos que desaparecem do mercado em função do congelamento de preços no espaço em que eles costumavam ser expostos nas prateleiras.
Vai reforçar, também, o “serviço de recepção de denuncias” do povo contra os fabricantes desses produtos ausentes, denuncias estas que serão avaliadas – se justas ou não para as devidas punições – por judiciosos funcionários da Secretaria de Comércio do governo ultraespecializados, como soi acontecer com todo funcionário público selecionado para este fim pelo partido, na arte de produzir bens com eficiência e a preço justo.
Medidas contra o déficit fiscal de 4% do PIB que esta na raiz da inflação argentina, evidentemente nenhumas.
No primeiro momento minha cabeça viajou lá para 1986 quando o hoje sócio e principal avalista do “sucesso” do PT nas armações em que ele necessita do concurso do Congresso Nacional, o grande patriarca José Sarney, inventou o seu Plano Cruzado – igualmente limitado a um congelamento de preços sem que nenhuma providência contra a orgia de gastos públicos que estava na raiz da inflação galopante que nos consumia fosse tomada.
Enquanto os marqueteiros dele convocavam os “Fiscais do Sarney” a patrulhar os nossos supermercados, o Jornal da Tarde publicava memoráveis capas convocando o povo a “Fiscalizar o Sarney” e seus gastos estravagantes. Com a redemocratização ainda fresca, não havia, na época, o clima que, mais tarde, permitiu a bolivarianos de todas as latitudes acabar com a imprensa independente.
Mas o PT, que mais adiante, faria tudo para sabotar o Plano Real, aquele que finalmente matou a inflação que Sarney fez chegar aos 80% ao mês e lhe rendeu a herança bendita de 10 anos de bonança apesar dos desatinos do lulopetismo, já estava na linha de frente desses “fiscais” do congelamento de preços, apesar de todo o cheiro de farda que ainda exalava forte do terno (de albene branco) do estadista maranhense…
Dessa notícia meus olhos saltam para outra: “o IBGE fará a segunda revisão do cálculo do PIB em menos de um ano”, o que poderá “aumentar” o pibinho dilmo-manteguiano de 2013 e jogar o “crescimento” de 2014 para mais perto de onde o PT decretou que ele deve estar neste ano eleitoral.
Tudo isso da-se na sequência destes dois anos de “contabilidade criativa” nas contas públicas, que puseram o Cristo que ia decolando em desembestado vôo para baixo, e bem no meio do barulho da última maquiagem imposta ao IBGE no cálculo de desemprego da pesquisa “PNAD Contínua” apresentada nas vésperas da Semana Santa…
Ou seja: se as consequências não são as que queremos, vamos tratar de disciplinar os fatos, em vez de tratar de alterar as causas.
Por aqui são só trovões e nuvens carregadas, ainda. Mas na Argentina já chove a cântaros e zune o vento e na Venezuela sem papel higiênico urra o furacão enquanto os motoqueiros mascarados de Nicolás Maduro, embriagados de “excesso de democracia” como os quer o nosso Lula da Silva, perseguem pelas ruas manifestantes antibolivarianos para abatê-los a tiros na cabeça.
E que deus ilumine os eleitores brasileiros a conduzir este país para a próxima saída — que pode ser a última — porque todos esses são só trechos mais e menos distantes da mesma estrada em que viajamos os três.
De onde saiu esse plebiscito?
1 de julho de 2013 § 8 Comentários
É como na história da namorada, depois esposa, depois ex-esposa:
Quer testar um “guerrilheiro da democracia” dos “Anos de Chumbo”? Ponha ele no poder. Quer conhecê-lo de fato? Ameace tirá-lo do poder.
Eu sempre soube que o Brasil só conheceria o PT real na hora em que ele estivesse realmente ameaçado de perder o poder.
Agora ele está.
De 70 e tantos para 57% e daí para 30% em menos de quatro semanas é um trambolhão de que será difícil levantar. Ainda mais a Dilma que está mais perdida que cego em quarto escuro procurando um gato preto que não está lá.
Sempre tem o Lula, é verdade. E seria até bem feito se fosse ele que tivesse de descascar o abacaxi peludo que a Dilma vai deixar em vez de passar o resto dos seus dias no bem bom agora que enricou.
Isso seria o definitivo “reforço” da vacina anti populismo que o povo brasileiro está começando a tomar agora e ainda vai doer muito, mas muito mesmo.
Mas um pálido consolo porque quem vai descascar esse abacaxi pra valer como sempre somos nós mesmo.
De qualquer jeito, o momento é dos mais perigosos. Quando gente como o Rui Falcão começa a salivar incontidamente é porque a liberdade e a democracia estão seriamente ameaçadas de tomar uma mordida potencialmente fatal.
Em primeiro lugar, pense bem: de onde foi que saiu essa ideia de plebiscito?
Da “voz das ruas” é que não foi. Eu não vi nenhum cartaz pedindo “Plebiscito já!” Os que eu tenho visto, aliás, falam de coisas que não requerem reforma nenhuma. O que se pede, no mais das vezes, é só que se cumpra as leis existentes e que elas valham para todos.
Acabar com a impunidade dos dois tipos de criminosos que nos infernizam a vida, hospital melhor, escola melhor, menos rapinagem no uso do dinheiro publico, etc., nada disso precisa de plebiscito nem de mexida na Constituição.
É só começar. Por os 80% de sócios que o governo tem no Congresso votando as coisas certas.
Em vez disso dona Dilma tira um plebiscito da cartola e começa a chamar, dia após dia, todos os “movimentos sociais” que foram explicitamente escorraçados de todas as manifestações que tentaram usurpar com suas bandeiras vermelhas para sentarem à mesa onde o PT pretende elaborar a pauta do “seu” plebiscito.
Impossível não pensar que “aí tem”, ainda que esteja claro pra qualquer pessoa com um pingo de juízo que se esses malucos golpistas prevalecerem arriscam levar o país a uma guerra civil.
A questão espinhosa, porém, é que o problema real que dona Dilma foi construindo com sua arrogância e sua incompetência autoritárias é de um tamanho e de uma profundidade tais que já não tem conserto. E ninguém sabe melhor disso do que eles. A economia vai chegar em frangalhos a outubro de 2014. Tem uma metade do país – mais os estrangeiros todos que bateram asas, coisa que vai acelerar muito esse processo – que já se deu conta do que vem vindo aí. E essa metade, que está nas ruas, já deixou claro que está perdida pro PT.
O risco de perder o poder e ter a verdadeira “caixa preta” aberta pro país inteiro saber o quanto é pouco o que ele já sabe e o indigna tanto, coisa que levaria muita gente boa pra trás das grades, é real.
Assim, estão jogando para esse Congresso marrom e cúmplice que o Lula criou a alternativa de aderir ao golpe para salvar a pele ou se apresentar ao público como “surdos à voz das ruas”.
Essa sinuca de bico é a lenha ideal pra fogueira de um plebiscito envenenado.
A aposta, portanto, parece ser a de que, com um plebiscito, o outro Brasil sem internet também virá às urnas insuflado por discursos sabor “luta de classes”, podendo a “Primavera Brasileira” sofrer o mesmo destino das “Primaveras Árabes” que começaram com a classe média ilustrada e conectada pedindo liberdade nas ruas e acabaram com as multidões penduradas nas “bolsas” lá dos fundões aprovando governos islâmicos mais duros que os que tinham sido derrubados.
Taí, pra não me deixar mentir, o Egito chamando o exército pra ver se sai da encalacrada.
Uma reforma política mais ampla via plebiscito, poderia até ser uma resposta, já que não se pode esperar muito do Congresso Nacional que temos em matéria de reformas a nosso favor.
Mas para se provar honesta, ela teria de começar pelo afastamento da hipótese golpista pelo expediente simples de definir, desde já, que o que o plebiscito decidir só vale pra 2016. E então começar a procurar com calma caminhos para montar uma pauta honesta para ele.
Em vez disso, a senhora “presidenta” que não pode nem mostrar a cara no Maracanã, convoca a cada dia um dos “Não nos representa!” para “representar o povo” na mesa de negociações do “seu” plebiscito.
Se for por esse caminho vamos mal…
No ar, antes de mergulhar
1 de agosto de 2012 § Deixe um comentário
E o coronel Hugo Chavez, caçador de jornalistas, sócio das FARC, presidente perpétuo da Venezuela, entra no Mercosul que “exige democracia de seus sócios” pela rampa do Palácio do Planalto no lugar do Paraguai, cujo Senado, seguindo a letra da lei, impediu o presidente fomentador de massacres de fazendeiros por invasores “sem terra”.
É o PT dizendo ao mundo quem é e a que veio.
José Antônio Dias Tóffoli, advogado e ex-líder do PT na Câmara, consultor de suas campanhas eleitorais, assessor jurídico da Casa Civil sob José Dirceu nos tempos do Mensalão, Advogado Geral da União de Lula, advogado pessoal do “chefe da quadrilha” do Mensalão, companheiro de cama mesa e banho de Roberta Maria Rangel, defensora de diversos acusados no processo, declara-se “contrariado” pela acusação de conflito e informa que vai votar na decisão da “Ação Penal 470“.
É o PT dizendo ao Brasil o que pensa sobre o Estado de Direito, a separação dos poderes, a ética na política e as regras internacionais do jogo democrático.
Nada disso era de fato necessário pois ainda que seus 38 mensaleiros sejam condenados, o PT seguirá de qualquer maneira no poder até que a China caia, a onda na qual surfa nossa economia se esvazie e os eleitores brasileiros decidam que basta.
Mas Lula, o intocável, não quer assim. Quer o Brasil inteiro ajoelhado diante da mentira, pedindo perdão por ter namorado a verdade.
De modo que confirma-se: a decisão sobre o Mensalão no STF é que define se seremos só mais uma república bananobolivariana, mesmo sem Bolívar jamais ter posto os pés aqui como antecipa a nova configuração do Mercosul, ou se seguimos na disputa por um lugar entre as Nações civilizadas.
















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