Bye, bye Constituição
25 de setembro de 2010 § 3 Comentários

O deputado paulista Candido Vacarezza, “cria” de José Dirceu desde os seus primeiros passos na política, integrante do núcleo da campanha de Dilma à presidência, líder do PT e do governo na Câmara em seu primeiro mandato federal na legislatura que vai chegando ao fim, é o candidato do partido à presidência da Câmara Federal a partir de 2011.
É nele que o PT deposita suas expectativas de ter mais força no governo Dilma do que teve no governo Lula, nos moldes da receita confidenciada por José Dirceu aos petroleiros da Bahia na semana passada, aos quais falou pensando que a imprensa não estava presente.
Trata-se de um “quadro” disciplinado da máquina partidária que passou por cargos-chave nos diretórios municipal e estadual de São Paulo, e no diretório nacional, onde foi o secretário-geral entre 1997 e 1998 quando José Dirceu presidiu o partido.
“Sou do governo, da tropa de choque do governo. Não sou de movimento social. Sou dirigente político”.
É assim que ele próprio se define.

Na sua pauta para a próxima legislatura está estabelecido como “prioridade” impor limites à atuação de órgãos como o Tribunal de Contas da União, aquele que detecta as roubalheiras, e o Ministério Publico, que é o encarregado de investigar e processar os ladrões.
“Os órgãos fiscalizadores estão muito fortalecidos e os executores enfraquecidos”, diz ele repetindo palavras de Lula.
Mas esta, pode-se afirmar, é a periferia da sua pauta. O cerne está na reforma da Constituição dentro da qual até a essência do regime político vigente pode ser mudada.
A criação de uma Assembléia Constituinte exclusiva para a reforma política e o voto em lista, bandeiras do PT, não o empolgam. “Prefiro dar poder constituinte ao Congresso e especificar quais itens serão mudados na Constituição”.
Por enquanto, a perspectiva desenhada pelas pesquisas é que o PT e seus aliados conquistarão maioria absoluta na Câmara e maioria superior a 3/5 no Senado, o que lhes permitirá virar a Constituição de ponta cabeça sem enfrentar grandes resistências.

Se a imprensa tivesse a competência que Lula lhe atribui em seus comícios preparatórios do amordaçamento final, estaria chamando diariamente a atenção dos eleitores para o perigo dessa perspectiva e a importância de se concentrar as atenções em criar um baluarte de resistência ao menos no Senado já que a maioria na Câmara parece irremediavelmente perdida e a corrida para a Presidência esta definida. Mas o despreparo das redações de hoje é um elemento chave da “tempestade perfeita” que se aproxima do Brasil e vai arrastá-lo para aquele que já é o padrão geral dos governos dos nossos vizinhos de esmagamento explicito da liberdade de expressão, obra cuja autoria Lula reivindica para si na memorável entrevista que deu ontem à Telefônica de Espanha (vulgo portal Terra): é fruto do trabalho que ele comandou no Foro de São Paulo, de reorganização tática da esquerda latino-americana para a tomada do poder pela via eleitoral.
Se tudo der errado e por alguma zebra por enquanto inimaginável o PMDB tiver forças ou mesmo tentar resistir à blitzkrieg petista à qual hoje se deixa docemente constranger para exigir para si a presidência do Congresso, o candidato é Henrique Eduardo Alves, do Rio Grande do Norte, o homem que vive ha mais tempo (40 anos ininterruptos) dentro do ambiente saudável que é o Congresso Nacional.
Ao contrario de todos os outros ramos do partido, o PMDB potiguar tem uma militância ativa que lembra a do PT, capaz de promover “mobilizações populares”.
E a previsão de Alves com esta eleição é a seguinte: “Ficaremos próximos ao tamanho que já temos, mas a diferença é que mais de 90% do partido estará absolutamente alinhado com a Dilma”.

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