O homem diante da morte

19 de maio de 2021 § 10 Comentários

A doença forçou o reencontro comigo mesmo”, dizia na última campanha. “Obrigou-me a selecionar o que realmente importa. O que faz valer a pena”. 

Em meio ao espetáculo nauseante dos instintos desenfreados que tomaram conta da política brasileira – não direi diante da ameaça real da perda dos privilégios que nunca estiveram ameaçados, mas da mera troca de rótulo, pela primeira vez desde a “redemocratização”, da corrente no comando do Sistema que a direita e a esquerda da privilegiatura lutam, ambas, para perenizar – Bruno Covas, o homem diante da morte, destacou-se como um fugaz raio de luz em meio aos homens diante do próximo mandato, em meio aos homens diante do próximo banquete, na hora mais escura do Brasil.

Desarmado, cantou a canção da moderação entre os rosnidos das feras e transitou incólume entre as navalhadas desferidas pelas facções com a invulnerabilidade tranquila de quem só tem por objetivo defender a própria dignidade e garantir o seu lugar na História. 

No Brasil, o cargo público, o cargo político, são, em si mesmos, a conquista da “imortalidade”. “Depois da minha eleição, depois do meu concurso, o dilúvio“.

Só a precarização dos mandatos e dos cargos públicos – mantendo sempre a um passo de distância a morte política e a morte do “emprego” do representante e do servidor pela mão implacável do representado e do servido – poderá recolocar a História como agente disciplinador último da política e do serviço público no Brasil.

PSDB x PSOL

27 de novembro de 2020 § 13 Comentários

O PSDB é aquele partido que a todos os dilemas nacionais responde nem que sim, nem que não, muito pelo contrário, o que seria até uma resposta razoável se este fosse só mais um país perdido na confusão deste início de 3ro Milênio e não a vítima destroçada de um estupro coletivo que ainda não dispõe sequer dos equipamentos mais rudimentares de proteção universalmente adotados nas revoluções democráticas do século 19.

O resto dos competidores, ressalvadas as exceções que se quiser conceder, eram um monte de chefes de quadrilhas acenando com “proteção” tipo máfia a esta ou aquela fatia do eleitorado com a intenção explícita de comprá-la…


E, de repente, invade a modorra desse deserto o PSOL com sua roupinha surrada de Robin Hood de suruba, agitando “Sexo, drogas e revolución” … mas que, todo mundo tá careca de saber, só entrega mesmo é a metástase do funcionalismo público….

E convence quem?

Os jovens, aquela fatia do eleitorado para cuja inexperiência arrogante Nelson Rodrigues, o gênio da raça, propunha um único remédio lá naqueles anos em que toda a fúria da “patrulha ideológica” estava concentrada em “cancelar” tudo que tivesse mais de 30 anos: “Envelheçam! Rapidamente!

E vá você deixar rolar!

Tudinovo…

Ai que preguiça!

Onde estou?

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