Sua avó subiu no telhado…

12 de fevereiro de 2014 § 3 Comentários

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Mais que o que virou o Brasil do PT o mundo descobriu – tarde demais para ser útil – quem é o PT do Brasil. Pra eles, sem problemas. É só vender as posições nas bolsas “emergentes” e a gente que se rale. Mas quanto valeu aquele “Este é o cara!” e aquele Cristo decolando para derrubar a última linha de resistência de um Brasil que sempre soube com quem estava lidando e, exatamente por isso, resistiu 30 anos a esse canto de sereia, a gente ainda está para ver.

O Cristo virou para baixo, desembestado como o rojão que matou o cinegrafista; a imprensa Europeia dá capas e mais capas sobre o que pode vir a ser a Copa com a brutalidade e o crime fora de controle; Janet Yellen falou e disse, mas agora é tarde. Ficamos nós com o abacaxi pra descascar e que é dos mais cabeludos.

Os sinais, cada vez mais, são de que o PT “assumiu”. Não quer mais convencer; quer comprar a eleição nem que tenha de quebrar o país inteiro para isso.

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Ha mais uma chance agora que a Aneel emitiu um relatório avisando que é necessário aumentar o preço da energia já para perfazer ao menos os 5,5 bilhões de reais de buraco, pouco mais ou menos, que ficaram entre a “redução do preço da energia” por decreto com que dona Dilma praticamente abriu sua campanha eleitoral ha um ano e meio e o que o Tesouro (nós, os que pagamos quase 40% do PIB em impostos) enfiou nas elétricas para cobrir o rombo aberto por essa esmolinha eleitoral. Mas a julgar pelo que foi feito com o preço dos combustíveis, que arrasta junto com a Petrobras toda a cadeia do álcool pro buraco, parece que eles vão apostar na mentira até à última carta.

Se confirmar isso depois do relatório que recebeu de seu ex-conselheiro de confiança, Mario Veiga, da PSR Consultoria, sobre o verdadeiro estado de coisas na sua antiga área de especialização – a de energia – dona Dilma estará dando o veredito final sobre si mesma.

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O que diz esse especialista acatado por todos, a começar pelo próprio PT, como uma das maiores autoridades do país no assunto, é que a crise do setor de energia elétrica “é muito grave” e a causa principal do problema “não é a falta de chuvas mas sim a de investimentos e gestão tanto na área de geração quanto na de transmissão de energia”, nesta entrada do 11º ano de governo do PT. O nível mínimo de segurança do sistema é dispor de 5% a mais que a carga máxima consumida e em janeiro ficamos abaixo de 1%. Mesmo que chova canivetes daqui pra frente, diz ele, o país não escapará, nos próximos dois anos, de problemas sérios de fornecimento de energia.

Os rombos mal escondidos por baixo do tapete abertos pelas “desonerações” seletivas de impostos, pela meticulosa incapacidade gerencial e pelo emprego em massa da militância petista e mais a catravaiada toda da horda de comerciantes de governabilidade na máquina do Estado, com a correspondente explosão dos custos a que se referiu indiretamente Janet Yellen em seu discurso de ontem, estão por todos os lados e a corrida ao dólar já começou.

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Tudo indica, portanto, que estamos entrando na segunda fase dos processos do gênero que é aquela em que o mercado se convence de que a vaca foi pro brejo e isso torna impossível que ela saia de lá porque, se mesmo quando os fatos não correspondem ao que o mercado acredita que vai acontecer aquilo acaba acontecendo porque ele passa a agir em função do que acredita, imagine-se com os fatos ajudando…

E que fatos são esses?

Os que corroboram que a cada sinal adicional do agravamento da crise mais o PT se concentra em ocupar o Estado, comprar a eleição e preparar-se para seguir aferrado ao poder a qualquer custo nos dias de apoio popular minguante que está prevendo pela frente. Não se movem para enfrentar os problemas, só para negá-los ou para adiá-los pra ver se dá tempo.

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Eles começam a ter dúvidas de que a eleição vá ser o “passeio” alardeado, tão rapidamente se vai carregando o céu no horizonte. Mas não se “avexam“. Dobram a parada. Tudo ou nada!

O mau sinal é que os preparativos concretos não são para “o que vamos fazer com o país que conquistarmos“. São, cada vez mais ostensivamente para prover os meios e modos de não larga-lo mais depois que a conta for aberta no dia seguinte e a vida se mostrar como ela é para a multidão dos eleitores iludidos de hoje. Estão tratando é de ir preparando um amanhã sem votos.

Ganham força as correntes mais reacionárias e anti-democráticas dentro do partido. Seus próceres desafiam e sabotam o último bastião da resistência no Supremo Tribunal Federal até quando ele sai de férias. O partido dispensa os moderados e arma em postos-chave a turma do “controle da mídia”; substitui os últimos técnicos dos ministérios por quadros políticos explicitamente inspirados pelo lema “tudo pela eleição”; coloca o ex-advogado de José Dirceu para zelar pela lisura do processo eleitoral; conspira com os sabujos do Legislativo para tirar do Ministério Publico o poder de julgar crimes eleitorais; empurra a campanha pelo fim das doações privadas de campanha (agora só valem os bilhões da esmola oficial e dos pequenos luxos da massa subsidiados pelo Tesouro); multiplica os assassinatos de reputações.

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E enquanto “mais e mais médicos”  cubanos correm na direção contrária, dona Dilma, sempre que pode – entre um fado e outro – dá um pulinho nos últimos estados policiais do planeta com a mala dos bilhões do BNDES que faltam aos nossos hospitais, às nossas escolas, à nossa infraestrutura debaixo do braço, para mais uma confraternizaçãozinha que é pra ninguém ter dúvidas sobre onde é que ela sonha chegar.

Brasil, faz tempo que “sua avó subiu no telhado”…

Mas nem tudo está perdido!

É digna de aplausos efusivos a resposta de Joaquim Barbosa à última tentativa de rasteira do melífluo Lewandowski.

Cana neles!

A democracia moderna nasceu na Inglaterra quando o Joaquim Barbosa de lá, o chief-justice Edward Coke, em 1605, afirmou o império da lei sobre tudo e sobre todos olhando nos olhos do rei. Se o Brasil se tornar uma democracia, um dia, não será exceção: é por esse caminho que ela virá. Golpes e revoluções só fazem a gente andar pra traz.

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“Shale gas” e pré-sal: o mundo é pequeno para os dois

21 de março de 2013 § 48 Comentários

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Duas tecnologias novas desenvolvidas recentemente nos Estados Unidos estão revertendo todos os prognósticos de rápida alteração no equilíbrio de forças econômico do planeta e podem afetar seriamente o sonho brasileiro de achar um corte de caminho para o clube dos grandes do mundo.

A primeira envolve injetar uma mistura de água, areia e produtos químicos em estruturas rochosas que contêm microporos cheios de gás e petróleo de modo a liberar os hidrocarbonetos aprisionados nelas. A segunda torna muito mais fácil chegar às mais finas camadas dessas rochas enterradas a baixas profundidades, além de permitir a perfuração de diversos poços a partir de um único ponto de partida.

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Essas duas novas técnicas de extração do que por lá se chama de “shale gas” estão provocando uma verdadeira explosão nos números de produção de gás e petróleo dos Estados Unidos e barateando de tal forma os custos de diversas industrias intensivas em energia que todos os prognósticos sobre a “crise sistêmica” da economia americana, que estaria irremediavelmente condenada a ser engolida por economias emergentes, estão sendo refeitos.

Os entornos de Pittsburgh que, nos últimos anos, pareciam um cemitério de velhas siderúrgicas desativadas, assistem hoje a uma corrida frenética de capitais americanos, russos, franceses e até chineses para voltar a fabricar aço com a energia mais barata do mundo.

O Maciço Marcellus, uma formação geológica de rochas arenosas impregnadas de gás e óleo se estende por quase 1.000 quilômetros ao longo das montanhas Apalaches do estado de Nova York até o de West Virgínia. Somente no ano passado o governo da Pennsylvania emitiu 2.484 permissões para a perfuração desse novo tipo de poço de petróleo. Os poços da porção do Maciço Marcellus nesse estado produziram 895 bilhões de pés cúbicos de gás em 2012, partindo de 435 bilhões no ano anterior. Em 2008 essa produção era igual a zero.

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Isso representou uma injeção de US$ 14 bilhões na economia da Pennsylvania no ano passado (dados da Economist).

Arkansas, Louisiana, Oklahoma e Texas viveram explosões semelhantes. A produção de gás e petróleo extraído dessas rochas quadruplicou nos Estados Unidos entre 2007 e 2010 e acrescentou 20% à produção nacional de petróleo nos últimos cinco anos. Técnicos da British Petroleum afirmam que a produção deve continuar crescendo à base de 5,3% ao ano até 2030 e que, já no fim deste ano os Estados Unidos ultrapassarão a Rússia e a Arábia Saudita e se tornarão o maior produtor de petróleo e gás do mundo.

O preço do gás nessa região caiu de US$ 13 o BTU em 2008 para US$ 1 a 2 no ano passado, o segundo preço mais baixo do mundo depois do Canadá. As fabricas americanas consumidoras de gás estão pagando 1/3 do que pagam as alemãs e ¼ do que pagam as coreanas.

Gás barato também se traduz em eletricidade barata. Em 2011 as fábricas americanas nessas regiões já estavam pagando metade do que custa a energia para suas concorrentes no Chile ou no México e ¼ do que se paga na Itália.

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Não é só a indústria de metalurgia que se beneficia com isso. Além de todas as demais, as de uso intensivo de energia, como as de plásticos, fertilizantes e outras também se tornam imbatíveis. E, além disso, os Estados Unidos têm a maior rede do mundo de oleodutos e gasodutos, o que permite espalhar facilmente essa riqueza a preço baixo por todo o país.

A Costa do Golfo, onde existe outro maciço dessas rochas, também vive um forte renascimento industrial. Fabricas instaladas no Chile estão sendo desmontadas e transportadas inteiras para a Louisiana. A Bridgestone, a Continental e a Michelin, revertendo um longo processo de declínio, estão reativando e aumentando suas fábricas de pneus na Carolina do Sul. Tudo gira em torno do início da exploração de novas jazidas de rochas porosas como as da Bacia Permian, na Louisiana, a de Eagle Ford Shale, no Texas, a da Formação Baken em Dakota do Norte e a Mississipi Lime, que atravessa o subsolo de Oklahoma até o Kansas.

O efeito da redução das importações de petróleo no déficit comercial americano foi de US$ 72 bilhões no ano passado, ou 10% do déficit total. Esse “petróleo não convencional” gerou US$ 238 bilhões em atividades econômicas diretas, 1,7 milhão empregos e US$ 62 bilhões em impostos só no ano passado, sem contar os efeitos indiretos decorrentes da redução nos preços da eletricidade, do gás e dos produtos químicos.

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Analistas do Citigroup e do UBS calculam que só essa indústria vai gerar um crescimento de 0,5% do PIB norte-americano por ano nos próximos anos além de ensejar um renascimento das industrias de manufaturas nos Estados Unidos. As decisões recém anunciadas da GE de trazer de volta da China e do México para o Kentucky a produção de sua linha branca, e da Lenovo, o gigante chinês de hardware que comprou a linha de computadores pessoais da IBM, de produzi-los na Carolina do Norte são apontados como os primeiros passos desse processo de reversão.

O efeito dessa inovação nos preços internacionais do petróleo ainda são pequenos. Mas os Estados Unidos, que foram os maiores importadores do mundo e rapidamente se tornarão autosuficientes, não são o único lugar do planeta onde existe esse tipo de formação rochosa que, lá, praticamente aflora do chão.

De modo que o Brasil, que já está gastando por conta de reservas de petróleo enterradas a seis ou sete quilômetros debaixo do fundo do oceano, cuja extração começa a se tornar economicamente palatável com o barril acima de US$ 100 no mercado internacional, deveria por as barbas de molho e pensar melhor antes de jogar dinheiro fora.

Pois, por tudo que já se sabe por enquanto, o mundo ainda é pequeno demais para o “shale gas” e o pré-sal ao mesmo tempo.

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E quem decolou foi o México…

12 de março de 2013 § 4 Comentários

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Lula, chegando ao poder pela primeira vez em 2002 depois de dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso à frente do governo do PSDB, e Enrique Peña Nieto, levando este ano o Partido Revolucionário Institucional (PRI) de volta ao poder após dois governos do Partido da Ação Nacional (PAN), de centro direita, tiveram ambos uma oportunidade única na história política do Brasil e do México: os dois puderam concentrar-se no futuro de seus países em vez de, como todos os seus antecessores, terem de gastar metade de seus mandatos tentando arrumar a bagunça herdada dos governos anteriores.

Tanto o PSDB, no Brasil, quanto o PAN, no México, graças a uma condução civilizada das finanças públicas que os dois transformaram nas suas marcas registradas, entregaram seus países prontos para crescer aos seus sucessores.

Uma herança tão essencial e tão valorizada no Brasil de então por uma população traumatizada pela inflação devastadora herdada do hoje sócio do PT, José Sarney, que Lula só passou a ser palatável para o eleitorado depois de assinar um documento comprometendo-se formalmente a não dilapidá-la como o seu partido jurava que faria.

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Outra característica a aproximar os dois presidentes é que seus respectivos partidos, de tradição populista “de esquerda“, têm pleno controle sobre os sindicatos e as demais forças tradicionais de resistência contra reformas modernizadoras de economias amarradas por anos sem fim de servidão corporativista, o que abria uma oportunidade única para que eles finalmente libertassem seus povos dessas amarras seculares.

Mas cessam por aí as semelhanças.

Lula passou seus dois mandatos tratando de eliminar, pela corrupção, toda e qualquer sombra de oposição ao seu poder pessoal e nunca sequer tentou fazer reforma alguma ou, muito menos, levar adiante a obra iniciada por Fernando Henrique de modernização da economia nacional.

Já Enrique Peña Nieto começou a faze-lo antes mesmo de tomar posse.

Em 1º de dezembro, levou seu partido a propor e um Congresso que sempre resistiu a elas a aprovar um pacote de reforma das leis trabalhistas que, segundo a unanimidade dos analistas mexicanos, vai injetar grandes doses de dinamismo à economia local.

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Em seguida, fez aprovar uma lei nos moldes da de Responsabilidade Fiscal, pilar da “arrumação da casa” brasileira conseguida por Fernando Henrique que Dilma, a criatura de Lula, vai endereçando à lata de lixo, para forçar a transparência e o manejo responsável das finanças estaduais e municipais que, como aqui no passado, são o maior ralo da economia do México.

Para completar o acerto nas contas nacionais, prepara agora uma reforma para reforçar as receitas fiscais do governo e abrir o setor de energia, aí incluídos principalmente os de petróleo e gás, aos investimentos privados nacionais e estrangeiros, base para o relançamento da economia nacional.

Menos de 24 horas após sua posse, aliás, Peña Nieto havia arrancado dos presidentes do seu e dos demais partidos políticos do país a assinatura de um “Pacto pelo México”, comprometendo-se com 95 reformas de base. E no fim de semana retrasado, enquanto a do PT se reunia para aprovar o “controle social da mídia” fez a Assembleia Nacional do PRI mudar os estatutos que impediam membros do partido de votar o imposto sobre valor agregado que civilizará a ordem tributária mexicana ou modificações no setor estatizado da energia.

mex15No início deste mês, Peña Nieto mandou prender Elba Esther Gordillo, a poderosa e corrupta presidente do sindicato dos professores do México que se punha à frente das reformas, inclusive a que pretende fazer também no setor decisivo da educação.

Gordillo, tida como um símbolo do poder intocável dos sindicatos foi levada para trás das grades mais ou menos no mesmo momento em que Rosemary Noronha e José Dirceu comemoravam juntos num resort da Bahia o feito de sua liberdade ter sobrevivido, um a uma condenação do Supremo Tribunal Federal, a outra aos flagrantes de corrupção e tráfico de influência, além de crimes menores semelhantes aos que levaram Gordillo, que também pagou seus luxos e suas operações plásticas com dinheiro público, à cadeia.

Finalmente anteontem Peña Nieto enviou ao Congresso um projeto de lei que vai sacudir os setores de telecomunicações e televisão, hoje concentrados nas mãos de Carlos Slim, “o homem mais rico do mundo”.

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Nada a ver, é claro, com o “controle social da mídia” do PT. Ao contrário. Slim detém 70% do mercado de telefonia celular e 80% do de linhas fixas do México. E com o que aufere aí, sustenta a sua Televisa que detém 70% da audiência de televisão no México. Lá de fato existe uma concentração excessiva, semelhante à que o PT tem posto nas mãos dos diversos “barões do BNDES” que está criando em setores-chave da nossa economia. A lei de Peña Nieto vai na direção contrária: dá poderes a agência de controle do setor de exigir a alienação (para outros players privados) de tudo que ultrapassar 50% de ocupação de cada mercado.

Graças a tudo isso o problema do México é, no momento, o inverso do brasileiro: eles não sabem o que fazer da horda de investidores internacionais que batem à sua porta se oferecendo para participar a qualquer preço da onda de progresso que já está rolando.

De modo que, se derem certo os planos anunciados do PT de levar-nos, primeiro ao degrau argentino com o fim da liberdade de imprensa e a aniquilação do Judiciário, depois ao estágio venezuelano de extinção do direito de propriedade e finalmente ao éden cubano de adoração obrigatória a um Lula já caquético mas ainda cheio de vontade de cagar regras como o seu guru do Caribe, você já tem mais um lugar para onde poderá, eventualmente, emigrar.mex13

O que está tornando Washington idêntica a Brasília

3 de novembro de 2011 § Deixe um comentário

Com todas as explicações amenizadoras que estão sendo aventadas, o dado revelado pelo Census Bureau de que Washington se tornou a cidade mais rica do país pela média de ganhos por residência chocou os Estados Unidos e está jogando lenha na fogueira do Occupy Wall Street.

Os americanos nunca avaliaram tão mal o seu governo quanto agora e com certeza as razões que tornaram Washington tão rica são as mesmas que explicam porque o país passou a detestar tanto o que aquela cidade simboliza e abriga.

Está ocorrendo uma metástese dos parasitas. Existe uma rede de empresas privadas e empregados do governo, uns trocando empregos e contratos com os outros, que explica esse fantástico enriquecimento. E ele está ligado, também, ao crescimento exponencial do valor dos contratos negociados num contexto onde se misturam os gastos astronômicos de um país permanentemente em guerra e obcecado pela segurança interna e as gigantescas operações de resgate dos grupos financeiros que ameaçam quebrar a Nação“, diz uma fonte ao Economist.

Até 2010, San Jose, na Califórnia, onde moram os zilionários das novas tecnologias, era a cidade mais rica dos Estados Unidos. A diferença entre os muito ricos e os remediados é muito maior lá do que em Washington, sendo as super fortunas que puxam a média tão alto.

Na capital federal a diferença é menor. Não ha tantos super ricos mas há uma quantidade impressionante de ricos e muito ricos.

Não é só porque o governo paga bem. Nem o grande número de advogados que também ganham muito. É que os empregados do Estado e a burocracia do Congresso sempre acabam ‘assessorando’ as empresas privadas ou se empregando naquelas a quem ajudaram a ganhar subsídios estatais ou regulamentações favoráveis“.

Há, ainda, outra causa subsidiária desse enriquecimento. Embora fale se muito em austeridade, até agora não se viu nada nesse sentido. Todo o processo de retomada continua pendurado nas operações de resgate financeiro. E com isto a crise afeta os empregos privados enquanto os empregos públicos continuam preservados.

Nós conhecemos de cór esse filme…

As relações do Estado com a indústria bélica, de qualquer modo inevitáveis, sempre foram o foco crônico da corrupção nos Estados Unidos. Mas, fora disso, o governo pouco se metia diretamente com a economia.

Nas últimas décadas, porém, isso foi mudando progressivamente. A competição com o capitalismo de Estado chinês ensejou uma interferência cada vez maior do governo e do Congresso na economia até que a subsequente crise financeira jogou uma boa parte das maiores empresas americanas diretamente nos braços do Estado.

O resultado é que, pela primeira vez na história daquele país Washington se tornou para os Estados Unidos aquilo que Brasília sempre foi para o Brasil.

Conclusão: não existe meio termo; se não é o mérito, é o Estado quem decide quem ganha e quem perde no jogo econômico. E quanto mais o Estado se mete na economia mais ganha quem se especializa em puxar os sacos certos e mais perde quem investe e se esforça no trabalho.

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