Para nos livrar dos blocos e centrões

25 de julho de 2018 § 15 Comentários

Artigo para O Estado de S. Paulo de 25/7/2018

O que se disputou até agora, faltando dois meses para a eleição, foram só os 12 minutos e 30 de televisão. Ninguém está nem aí pra você. Nem lhe dirigem a palavra. Cada mandato cooptado dá direito a mais alguns segundos. O PT tem 1 e 31, o MDB 1 e 27, o PSDB 1 e 13. Daí pra baixo, quanto mais novo na profissão menos segundos. Mas vale coligação. Os virgens estão condenados ao silêncio a menos que passem a rebolar-se para as bruacas velhas do “sistema”. A cada dono de partido as suas estatais e os seus ministérios. A cada “bloco” de donos de tetas, a reversão desta ou daquela “reforma”. Os candidatos “se viabilizam” inviabilizando pedaços do nosso futuro. E quem não jogar com a regra nem entra no jogo…

Mas não se indigne ainda. A indignação sem foco é o ópio do cidadão. Mata qualquer esperança de raciocínio objetivo e os põe exatamente onde os querem os profissionais.

O objetivo disso tudo não é dinheiro. Ninguém quer dinheiro pelo dinheiro. Dinheiro é só o meio mais eficiente de comprar poder. Por isso nenhum cofre jamais precisou ser arrombado no país mais roubado da história do universo. Os donos do poder é que os escancaram para comprar mais poder. E no entanto, a voz corrente é que o “poder econômico” é que é o agente e não o mero coadjuvante da ladroagem. A decorrência obrigatória dessa convicção é que o estado, o outro nome do poder, é a solução e não o problema. E tome fundo partidário + um cacife de minutos de suspensão da censura às mídias de massa para vender + o “financiamento público” de campanhas, tudo para “livrar a política da influência do poder econômico”, e cá estamos onde a indignação sem foco nos pôs: ninguém entra, ninguém sai. E como o voto é obrigatório e leva quem tiver a maioria que der, paparicar o eleitor pra quê?

Quem não vive de teta continua no escuro, tentando adivinhar quem “não é contra” esta ou aquela “reforma”. De reforma mesmo, sem aspas, nem os políticos, nem os “especialistas”, nem os seus mais aguerridos antagonistas são a favor. Uns só prometem e os outros só cobram meias-solas para impedir que o organismo parasitado morra já, ou porque estão embarcados na nau do marajalato, como estão todos os candidatos e família, ou porque assim lhes permite o silêncio reinante pois, no escurinho de cada consciência do Brasil com voz, ninguém quer arriscar o caquinho de migalha que as “excelências” e os “meritíssimos” têm a esperteza de conceder a todos e a cada um para dividir os otários. O resto, o Brasil sem teta nem voz, esse está no meio do tiroteio. Tem mais com que se preocupar.

China de um lado, “privilegiatura” do outro. Fusões e aquisições, supersalários e superaposentadorias, tudo sem limites. A classe média meritocrática está em vias de extinção. Só sobrou a corte debaixo do para-raio. O Brasil inteiro vive a “síndrome do Jardim Europa”: menos ricos muito mais ricos, comprando os vizinhos, construindo palácios, e o favelão continental crescendo em volta debaixo de tiro e debaixo de peste. No fim vão sobrar tres ou quatro castelos e quem sair fora das muralhas sem um exército à sua volta será comido vivo.

A sociedade dividida em dois extremos, sem meio, é tudo que os “venezuelanos” querem. Seja quem for que entrar, seguir poupando a corte em detrimento do povo vai nos jogar no colo deles. Eles sabem que só conseguirão segurar a barra que vem vindo a tiro mas é esse o seu diferencial: estão dispostos a saltar para esse nivel de crime. Vivem aplaudindo quem ja está nele. Não acreditam em mais nada e é isso que os faz duas vezes mais perigosos.

O Brasil está sonhando com uma ressurreição moral que sabe que não virá. O que faz o padrão moral da política é a regra do jogo e não a iluminação pelos céus de um mítico “candidato honesto”, seja de que “lado” for. Não haverá pacote de leis, nem que venha assinado pelo Homem de La Mancha em pessoa, que resolva isso. Nós somos todos testemunhas. Todas as leis anti-corrupção viraram as mais poderosas armas da corrupção. Prende este! Solta aquele! Mexeu no meu privilégio? Maldita Geni!

Tem dado pra trabalhar com esse barulho?

Seja quem for que inicie a cena, quem decide o final são sempre os titulares dos “direitos” que só a “eles” é dado “adquirir”. É essa dimensão coletiva, sem rosto, que os une a todos, os mais e os menos mal intencionados, pela ação ou pela omissão. Quem manda, quem escreve a regra, quem nunca sai do poder, é “o bloco” das corporações donas do estado.

A base de toda a trapaça nesse campo – e muito pouca coisa ao norte de Curitiba não é – é a ideia de que são as pessoas e não o “sistema” que esta errado. Se forem só as pessoas, basta prender as da hora e sonhar com a eleição de “um cara honesto” que passa. Se for o “sistema”, então estamos todos errados e será preciso suspender as hostilidades e mudar o país de dono antes de começar a prender de novo, agora para valer.

A lei é a força absoluta. Na mão de qualquer outro, vira uma arma e uma gazua. “Para os amigos, tudo; para os inimigos, a lei”. Por isso a grande invenção do milênio foi dar exclusivamente ao povo o poder de fazer e de acionar a lei. O jeito disso mudar de conversa para realidade demorou séculos para apurar. Voto distrital puro porque poder é um perigo e por isso precisa ser picado em pedacinhos. Eleições primárias diretas porque não dá pra funcionar senão por representação, mas nós precisamos da dos índios, não da dos caciques. Retomada de cargos e mandatos a qualquer momento para que os representantes nunca se esqueçam de quem é que manda. Referendo do que vier do Legislativo para que a lei não seja transformada em gazua nem em arma de opressão. Leis de iniciativa popular para que você paute o representante e não o contrário. Eleições de retenção de juízes porque o crime organizado ataca por cima e por baixo e as paradas e tentações são altíssimas.

Aí o controle do seu destino passa a ser seu. Fora daí é rezar, a cada quatro anos, para que o próximo déspota venha menos torto que o anterior.

Tudo de novo…

13 de janeiro de 2016 § 10 Comentários

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Todo mundo sabe, mas não custa afirmá-lo em voz alta, ainda mais eu que, sendo jornalista, estou exposto a ser confundido com o que não sou: as atuais “manifestações” em São Paulo têm tanto a ver com o aumento da tarifa de onibus quanto as ocupações de escolas estaduais de antes e de depois da suspensão do projeto, tinham a ver com o remanejamento de salas de aula e escolas do Alkmin.

Os “manifestantes” de hoje são tanto usuários pobres de transporte público no limite das suas possibilidades de gastar com ônibus e metro quanto os manifestantes do ano passado eram estudantes reais do 1º e 2º graus preocupados com a qualidade da educação. É muito provável, até, que uma pesquisa séria de imagens e “B.O.“s mostrasse que muitos deles são as mesmas pessoas.

manif3Este é só mais um lance desse joguinho de xadrês sem mistérios que tem por objetivo antecipar os movimentos da mídia e as emoções que esses movimentos vão produzir nos espectadores a que ficou reduzida a disputa de poder nos projetos de democracia empacados no padrão do finado século 20 onde todo mundo sabe que é exatamente assim que é, menos a própria mídia, peão do jogo, que se finge de tonta e continua tratando os participantes exatamente como eles próprios querem ser tratados e não pelos nomes, pelas descrições e pelas contextualizações que os identifiquem pelo que de fato são, condição essencial para que a farsa continue.

Não ha um pingo de espontaneidade ou de verdade em tudo isso; nada do que está envolvido no jogo pode ser chamado com um mínimo de precisão de “movimento social”. É tudo pre-fabricado, falsificado ou financiado pelos titulares da disputa pelo poder como, aliás, está devidamente mapeado no caso desse Movimento Passe Livre e seu chefe Thiago Skarnio, bancados pela Petrobras e pelo Ministério da Cultura via Lei Rouanet para os propósitos que ele próprio explica no site oficial da organização e no da sua “marca fantasia” que, muito apropriada e honestamente mistura os conceitos de “mídia” e “alquimia“, chegando a “Alquimídia“, conforme apontado pelo jornalista Reinaldo Azevedo, um dos poucos que dá sinais frequentes de curiosidade e inquietação hoje em dia.

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O objetivo das presentes manifestações não tem nada a ver com os aumentos de ônibus que, no caso, são do prefeito Fernando Haddad, do PT. O alvo é a PM, do governador Alkmin, de quem, como sempre, se tentará arrancar vítimas – se o diabo ajudar fatais – e cenas bem bonitas de baderna e caras inchadas de porrada para uso em propaganda eleitoral, obviamente financiada pelos mesmos idiotas que ficam bloqueados nos engarrafamentos de trânsito enquanto elas são produzidas, sempre nos horários de “rush” da maior cidade da América do Sul: você e eu.

Todo mundo pode, portanto, por as barbas de molho. Enquanto o PT ainda estiver sonhando com o poder o trânsito, já de si infernal, piorado pelo esquartejamento das ruas da cidade em “faixas exclusivas” para diferentes classes sociais, raças, gêneros, “opções de gênero” e o que mais puderem inventar para nos dividir e atiçar uns contra os outros como é do gosto desse partido, será ainda mais infernizado por esses energumenos e seus quebra-quebras. O Alkmin pode puxar quanto quiser o saco do João Pedro Stédile que nada o demoverá – e aos seus “soldados” – de queimá-lo vivo em grande auto-de-fé ideológico em praça pública assim que conseguirem ajeitar as coisas para fazer isso impunemente, como vem fazendo a gente que pensa como ele aos “infiéis” desde que o mundo é mundo.

Não falta muito…

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PS.: Sobre black blocs, leia as informações incluídas no comentário do leitor Gustavo Gonçalves aí embaixo. Não o conheço pessoalmente mas ele certamente conhece o assunto. Confira.

Tijolos para Babel

5 de dezembro de 2015 § 43 Comentários

alk1

Não comprar a “roubada” dessa guerra, entende-se. Seria inteligente negar-lhes o que eles mais querem desde que ficasse claro que era disso que se tratava. Mas Geraldo Alkmin, o candidato-custe-o-que-custar que não conduz, é conduzido, fez muito mais que isso: atirou pedras no deus da educação pública que os fariseus arrastavam pelo calvário; renegou um plano de indiscutível melhoria da qualidade da educação e da gestão do dinheiro público para ajoelhar-se diante do me-engana-que-eu-gosto dos estudantes de araque do soviete da Apeoesp; reconfirmou a idéia de que neste país quem mete o pé na lei vence ao enche-los de rapapés e salamaleques…

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Herman Voorwald, diante desse ato oficial que veio estabelecer que não só o interesse público como também a educação deixaram de fazer parte do escopo da Secretaria de Educação, pediu, digno, as contas, educador e servidor sem aspas que é. Seja quem for o cabo eleitoral que sua excelência encontre para por no lugar dele é certo que não lhe renderá os votos pela adulação dos quais está humilhando São Paulo. Aquela turminha de gatos pingados que foi animada a cuspir nos direitos dos 12 milhões de paulistanos nas últimas semanas ficou desolada com a perspectiva do fim da farra e promete continuá-la indefinidamente para que fique mais uma vez bem claro que nada disso tem qualquer coisa a ver com educação, com reorganização escolar ou, muito menos ainda, com “diálogo“, é só mais um ensaio do que vem por aí quando o Brasil pedir que o estado petista dê um passinho atras para que a economia nacional consiga por o nariz um dedo acima do mar de lama.

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Já aquela imprensa aliada dos opressores dos seus leitores que “turbina” cada ato do “Movimento dos Sem Crise” para vender traque por furacão e intimidar quem venha querer tocar nos seus privilégios, esta colocou mais um tijolo no tumulo no qual se vai emparedando. E os “publishers” desnorteados, incapazes de desviar o olho de qualquer coisa mais que o próprio bolso na sua incúria omissa, descem mais um degrau em direção ao Nono Círculo do Inferno, aquele mais baixo de todos que Dante reserva aos traidores da pátria aos quais nega até o fogo; condena ao gelo do opróbio eterno.

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RECORDE OS DADOS DO PROBLEMA

  • SP tem 5.108 escolas, 1.443 de ciclo unico, 3.186 de dois ciclos, 479 de tres.
  • É estrutura bastante para 6 milhões de alunos mas hoje só ha 4 milhões matriculados (ha cada vez menos crianças nascendo e, portanto, jovens em idade escolar).
  • Das 119.546 classes que estudam nessas escolas o equivalente a 2.956 (2,5%) estão ociosas e poderiam ser redistribuídas.
  • A reorganização proposta queria instituir ciclo único em todas as escolas: Fundamental I, Fundamental II ou Ensino Médio, com os alunos, todos na mesma faixa de idade em cada escola, podendo escolher, fora das obrigatórias, as matérias que preferem estudar como é do melhor receituário curricular moderno. Luxo de país rico!
  • A redistribuição dos alunos seria feita num raio de no máximo 1,5 km e as escolas desocupadas virariam creches que é o que mais falta no estado.
  • A resposta foi a depredação do Palácio dos Bandeirantes de sempre, a cargo dos insignes “educadores” indemissíveis filiados à Apeoesp que dão aulas de ódio ao mérito à juventude brasileira que terá de competir na arena universal.

O gigante tá com sono…

13 de agosto de 2013 § 2 Comentários

var7

O Congresso caiu mais nove pontos nas medições de avaliação das instituições pelo público.

O lado bom é que não enganaram ninguém com a tal “agenda positiva” de resposta às manifestações de junho.  Quer dizer, “bom” mais ou menos porque as medidas que foram aplaudidas na mídia como “vitórias do povo nas ruas”, como a redução das tarifas de ônibus e outros “presentes” do gênero, só fizeram confirmar e reforçar o poder imperial dos governos de remanejar dinheiro alheio de bolso para bolso segundo seus cálculos eleitorais que tem de ser a primeira coisa a acabar pra gente poder começar a pensar em virar uma democracia.

As únicas medidas na direção certa naquele contexto foram as anunciadas pelo governador Alkmin: extinção de uma secretaria, uma autarquia e uma estatal, fusão de três fundações estaduais e extinção de 2036 cargos e a venda de um helicóptero de transportar figurão.

Não tiveram a menor repercussão.

E depois, o Congresso logo “se emendou“. Já está até propondo tirar o compromisso com a ética do juramento de posse nos mandatos.

var13

O lado ruim é que cada ponto que o Congresso perde nos põe mais expostos ao golpe bolivariano com que a ala radical do PT nunca deixou de sonhar. Desde as manifestações de junho, o Senado aprovou medida diminuindo à metade as assinaturas necessárias para emplacar leis de iniciativa popular – de 1,4 milhão para 700 mil – e liberou que elas venham por internet. Barrou-se, ao menos, a obrigação de que essas propostas de leis, uma vez homologadas, ganhassem tramitação de urgência obrigatória, travando o resto da pauta, monstrengo evidente demais para passar mas que também estava no pacote amarrado por Lindbergh Farias, ex-UNE e sempre PT, que quer ser (e provavelmente vai conseguir) o próximo governador do Rio de Janeiro.

O PT já se assenhoreou, também, do site multinacional Avaaz.org, especializado em empinar leis de iniciativa popular e que conquistou perto de cinco milhões de brasileiros na sua lista de adesões à Lei da Ficha Limpa que ele emplacou sob a direção lá de fora.

var14

Agora está lá, fazendo e desfazendo, Pedro Abramovay, cria da nossa Martha Suplicy, cuja primeira providência foi instituir as práticas de linchamentos de indivíduos (no caso o pastor Malafaia de quem eu também não gosto mas que tem todo direito de pensar e dizer o que quiser) e de censura e banimento de propostas subscritas por milhares de cidadãos que, quando estrangeiro, o site aceitava, viessem de onde e de quem viessem.

Enfim, as armas estão aí. E quando e se chegar a hora, nenhuma lágrima será derramada pelo fechamento desse Congresso.

Já no STF acrescido de dois escolhidos de Dilma, o julgamento que pode confirmar ou não a prisão dos mensaleiros condenados que hoje se homiziam dentro do Congresso Nacional foi empurrado, por enquanto, até além da eleição de 2014…

Há esperança?

Sempre há. Pois não é que até os argentinos um dia se cansam de ter as suas partes pudendas chutadas de bico? A “presidenta” deles, no primeiro teste para as eleições de 2015, apanhou de 26 a 74% da oposição.

Agora só dona Dilma, que “respeita muito” até o ET de Varginha, mantém amor incondicional a Cristina Kirshner.

var3

Quem, na imprensa, “tá dominado”?

13 de agosto de 2013 § 1 comentário

trem1Está explicado porque foi que nem o Alkmin, nem o Ministério Público Estadual, nem o Ministério Público Federal, os dois últimos signatários, junto com o Cade, do “pacto de leniência” que fez com que seis altos funcionários da Siemens entregassem o esquema de cartel montado para a licitação do metrô de São Paulo, conseguiram, até hoje, acesso aos documentos que constituem a denuncia montada com o material apreendido pela Polícia Federal e entregue ao Cade.

No mesmo dia em que, a pedido de Alkmin, saiu a ordem judicial para que o Cade finalmente abrisse o seu segredo de polichinelo, o governo do PT lá em Brasília anunciou que está suspendendo sine die a licitação do famoso Trem Bala Rio-SP, a mais cara das obras do PAC, filho da Dilma, à qual concorriam quase sozinhas – adivinhe! – as mesmas Alston e Siemens acusadas de mutreta com o PSDB.

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Tem mais!

A procuradora Karen Kahn, do Ministério Público Federal, uma das negociadoras e signatárias do “pacto de leniência” com a Siemens, informa hoje ao Estadão, em manchete, que “algumas das principais empresas investigadas no caso mantêm e mantiveram contratos com a estatal federal Companhia Brasileira de Trens Urbanos (a CBTU, comandada pelo Ministério das Cidades de Lula e Dilma) desde 1998 até hoje” e que, além de SP, as 1073 páginas do inquérito incluem provas e indícios dos mesmos vícios encontrados nos contratos com SP em obras semelhantes em mais seis capitais, entre as quais Belo Horizonte, Porto Alegre e Recife onde “é a CBTU quem organizou a licitação e opera até hoje os sistemas de transporte”.

Karen Kahn informa, ainda, que além do cartel, “há indícios de corrupção internacional, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e formação de quadrilha”, sem especificar a que época se referem esses indícios.

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Na mais seca cara-de-pau, o Ministério das Cidades da Dilma manda dizer a mesmíssima coisa que Alkmin disse quando o PT lhe pespegou o apelido de passageiro do “trensalão”: “vai investigar qualquer irregularidade que eventualmente venha a surgir por causa de investigações tocadas pelo Ministério Público Federal”.

Esses caras não têm limite na sua radical desonestidade e na sua inabalável fé na cretinice do povo brasileiro!

Mas isso você já sabia.

O “plus” é a oportunidade que se abre para você medir nos jornais e nas televisões quais vão dar o mesmo destaque para o lado da história que o PT ocultou que deu nos últimos 15 dias para o lado da história que o PT pôs na mídia e, assim, ficar sabendo quem, neste último bastião da demoracia brasileira que é a imprensa, “tá dominado” ou não tá.trem9

Anota aí, Dilmão:

22 de junho de 2013 § 7 Comentários

nota1

Na quinta-feira prometi para sexta o artigo onde explicaria aos habitués do Vespeiro porque estas manifestações me encantam e me entusiasmam quando as olho pela perspectiva brasileira mas não me animam tanto quando as avalio no contexto da geléia geral em que vai o mundo desde que a herança maldita do socialismo real empurrou o planeta inteiro, ironicamente, de volta para o capitalismo selvagem.

Escrevi a peça mas decidi publicá-la antes na página 2 do Estadão da segunda-feira que vem, de modo que ela vai ter de esperar esse dia pra ser republicada aqui.

Mas nesse meio tempo dona Dilma falou (ou foi o Lula ou o João Santana pela boca dela). Usou um monte de vaselina e coisa e tal, mas por baixo estava a mentiraiada de sempre.

De modo que, anota aí, Dilmão, só pra ficar registrado que nem todo mundo é trouxa neste país:

nota3

1 – Não é a violência dos pitbulls infiltrados nas manifestações que “envergonha o Brasil“. As coisas que envergonham o Brasil precederam e motivaram estas manifestações, estão todas nomeadas nos cartazes que os manifestantes carregam e quase todas elas lhe dizem respeito diretamente.

2 – “Minoria violenta e autoritária” que envergonha mesmo o Brasil é essa que tentou fazer rolar uma “onda vermelha” por cima de uma manifestação pacífica e provocar uma batalha campal em São Paulo, esforço que falhou não por falta de empenho e de sucessivas convocações oficiais da militância pelas figuras de proa do seu partido, mas porque mesmo os bate-paus profissionais do petismo olharam pro tamanho da encrenca e meteram o rabo entre as pernas. Melhor assim.

nota1

3 – Não foi “pela democracia“, foi por uma ditadura como as que ensanguentaram o século 20 e entraram para a história da humanidade como “genocidas” depois de assassinar dezenas de milhões de pessoas sob os aplausos entusiasticos de dona Dilma e seus “companheiros de luta armada” que ela e a turma dela, financiadas e treinadas pelas próprias, foi às ruas e pegou em armas no século passado.

4 – Desde então não se emendam. Por falta de genocidas no mundo civilizado, continuam abraçando os genocidas que sobraram pelos cantos da África, do mundo islâmico e da Ásia. Até em Bashar el Assad, o gaseificador de criancinhas, eles deram uma namoradinha. Isso sem falar nos fazendões dos Castro e dos Chaves, com suas pilhas de cadáveres e presos políticos que, segundo Lula, merecem o tratamento de Carandiru misturado com tuberculose que recebem.

nota3

5 – Declarar-se antidemocrático aqui nas vizinhanças, aliás, é não só a condição sine qua non para cair nas graças do PT mas também para comerciar com o Brasil ou nos roubar impunemente como adora fazer a muy amiga Cristina.

6 – Ouvir tanta mentira com tanta cara de pau é, a propósito, a principal razão desse BAAASTAAAA! que o Brasil está urrando.

7 – Não é com o Congresso elaborando um Código de Mobilidade Urbana – mais um! – que ela vai melhorar. Quando o Congresso e o resto dos comerciantes de governabilidade pararem de criar códigos pra tudo e deixarem o país trabalhar em paz sem ter de pagar fiscais de códigos para ter esse direito, aí sim a coisa vai começar a andar.

nota1

8 – Também não é com pacto com governadores que o serviço publico vai melhorar. Só melhora se acabar com a estabilidade automática no emprego que, mais que um convite, é uma imposição para que todos que cruzem os portais do Estado brasileiro “abandonem toda esperança” de não se corromper, e se puserem a meritocracia no lugar disso.

9 – Nem mesmo com todos os royalties do petroleo uma educação publica dispensada da meritocracia melhoraria um centímetro.

Enfim, dona Dilma, as pessoas estão nas ruas porque ninguém acredita mais em arrumação de “malfeito” por “malfeito” desta nossa fábrica de malfeitores.

É preciso desmonta-la.

nota3

A única cura pra essas doenças todas chama-se democracia e vosselência ficaría surpresa de ver quanta coisa se endireita ao mesmo tempo para quem se decide a experimentar uma, se de fato fosse isso que estivesse procurando fazer.

É a velha receita de sempre: 1 homem, 1 voto; igualdade perante a lei (de foro, de cela de prisão, de tudo…); identificação entre representantes e representados, sem a qual não pode haver controle de nada; nenhum imposto sem autorização prévia de quem vai pagá-lo…

O básico, enfim.

O be-a-bá da democracia sem aspas, que NÃO É a “democracia” que temos nem, muito menos, a “democracia” do PT.

nota1

Pra deixar bem claro quem é que não manda nesta merda!

20 de junho de 2013 § 9 Comentários

b3

O PT não está entendendo nada.

Não é que ficou pra trás. Ele é a âncora que o país inteiro arrasta quando tenta andar pra frente.

Agora tá morrendo de saudade das manifestações “proprietárias”. Aquelas com dono, com carro de som, com pauta definida “por quem entende” e com leão de chácara pra manter todo mundo na linha e onde massa mesmo, que é bom, era só a “de manobra”.

Aí o dono sentava na mesa com o outro lado e dizia quanto ele estava cobrando para “restabelecer a paz social”.

O modelo Lula com as multinacionais automobilísticas. “O jogo do pacau”, como dizia o Jânio Quadros, aquele em que nós todos entrávamos com a bunda e eles com o pau.

ESPECIAL PET FABIOLA REIPERT - SP

No fim eles saíam com o salário aumentado, o trabalho encurtado e mais próximos do poder, e nós ficávamos com as carroças, a inflação e o desemprego que o acerto invariavelmente feito em torno de protecionismo e distribuição de tetas custava.

Educação e produtividade nunca fez parte das reivindicações ou do vocabulário deles.

O editorial do Estadão de hoje sobre a natureza dessas manifestações e o PT caindo das nuvens está brilhante (aqui).

Os ruis falcões e os zés dirceus podem espernear e chorar lágrimas de sangue; o Lula a Dilma e o João Santana podem ficar lá espetando o seu vudu; os militantes profissionais com a sua fé cega na intimidação fascista (e no dinheirinho do governo no fim do mês) podem até tentar partir pra violência, mas não vai adiantar nada.

b4

Agora a coisa mudou. Agora a coisa é horizontal. É a primeiríssima vez que alguma coisa no Brasil acontece de baixo pra cima. E isso finca raízes profundas e i-nar-ran-cáveis.

É algo que eu já tinha desistido de esperar pra esta encarnação.

Sem partidos. Sem violência.

Vamos, afinal, deixar bem claro quem é que manda nessa merda. Ou, se não tudo isso porque ainda vai demorar pra traduzir esse urro que sai calmamente das entranhas do Brasil em algo que se possa por na mesa, ao menos pra deixar bem claro quem é que não manda nessa merda.

É um excelente começo!

III Manifestação: Que se Lixe a Troika! Queremos as nossas Vidas! - Portimão

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