Relaxou…

30 de agosto de 2013 § 4 Comentários

dir2O tiro saiu pela culatra.

O voto de confirmação do mandato do deputado presidiário Natan Donadon não vai levar apenas à mobilização do Congresso para por um fim aos votos secretos.

O próprio José Dirceu acha que aquilo foi demais e jogou a pá de cal sobre suas últimas esperanças de escapar da prisão. Pelo menos um dos seus aliados no Supremo, aliás, balançou e já está dando sinais de que vai roer a corda.

Quem prestou atenção na seção de ontem já sabe quem é…

Ele está preparando as malas, conformado com a ideia de dedicar o período sabático que tem pela proa a escrever o seu livro, do qual os últimos capítulos, conforme se desenrolarem as coisas, podem se transformar uma daquelas bombas de rachar a República ao meio.

Notícias, naturalmente, pendentes de confirmação…

OPI-3001.eps

O Brasil tem remédio?

25 de maio de 2012 § Deixe um comentário

No artigo O Brasil tem remédio, publicado ontem no Estado, Jose Serra fez um relato pormenorizado de como ele conseguiu quebrar a resistência das multinacionais, a fraqueza das nossas instituições e a inépcia da burocracia do Estado brasileiro para iniciar a fabricação e a distribuição de medicamentos genéricos no país.

Mesmo abandonado pelo PT, o programa ainda mantém 17 mil produtos à venda pela metade do preço dos remédios de marca, tendo proporcionado uma economia de R$ 22 bilhões para a população doente brasileira em 12 nos.

A Anvisa, hoje loteada entre a canalha da “base” pelo PT, foi o órgão chave de todo esse processo pois era quem zelava pela qualidade dos genéricos e pela idoneidade dos seus fabricantes. Acabou nas mãos do famigerado governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, um dos funcionários do Cachoeira que, conforme provas divulgadas ha alguns meses, passou a alugar o direito de “vender saúde” ao povo brasileiro a qualquer um que se dispusesse a pagar.

Fiquei pensando, então nesse eterno movimento pendular da desgraça brasileira: quando o político da hora tem competência para fazer e um mínimo de padrão moral, não tem competência para se comunicar com o povão; quando tem competência para se comunicar com o povão, não tem nenhuma condição técnica para fazer e usa sua habilidade exclusivamente para enganar e degradar as instituições e os costumes políticos.

Não é a primeira vez que nos acontece…

Como romper esse ciclo vicioso?

Não dá nem para mudar a natureza do político que vem lá do fundo do vale e galga toda a montanha do poder mentindo e enganando “na língua do povo”, nem, muito menos, para esperar que o povo todo chegue ao nível de educação necessário para compreender o discurso mais elaborado dos que têm padrão moral e capacidade técnica para fazer.

A única possibilidade prática é que alguém que tenha padrão moral e capacidade técnica para fazer desça a um discurso alcançável pelo povão.

São duas as dificuldades para isso. A primeira é fazer o candidato a tanto compreender que essa “maquiagem” do discurso não é necessariamente um ato desonesto e que uma pitada da boa demagogia é absolutamente imprescindível para que não se perca a condição de fazer o que é preciso fazer, que é conquistar o poder.

Isso não é tão difícil de conseguir. É o que está acontecendo neste momento na França com a substituição de Sarkozy por Hollande, se bem que na França é bem verdade, o fosso da ignorância não é tão profundo quanto é no Brasil

A segunda é fazer com que tal processo não resulte na perda da autenticidade do discurso que é coisa que o eleitor percebe no ato, pela pele e que, ainda por cima, tudo isso seja encenado com altíssimas doses de simpatia.

Mas isso é um dom divino.

De modo que só resta rezar mesmo…

Da São Paulo bloqueada para o Brasil: eu sou você amanhã

24 de maio de 2012 § 1 comentário

A greve do Metro de São Paulo ontem, que chega na esteira de uma misteriosa epidemia de “panes” no sistema que costuma se manifestar em vésperas de eleições, é apenas uma amostra do que vai acontecer no país no dia em que a máquina do Estado brasileiro virar “oposição”.

Se pedir aumento de 15% acima da inflação de modo a garantir um “não” e partir para uma greve selvagem assim que ele foi pronunciado pela primeira vez sem sequer tentar negociar não é prova suficiente de que tudo não passa de fabricação de munição para debates eleitorais onde o Metro aparecerá como a maior obra do PSDB no país da infraestrutura zero, o grupinho fascista que invadiu as assembleias da categoria ontem para impedir votações para a retomada do trabalho e manter a greve na marra é.

Depois da debandada da esquerda honesta que se precipitou quando Lula abraçou ostensivamente os sarneys e os collors da vida, sobrou o funcionalismo público e as máfias sindicais cevadas no dinheiro do Estado na militância do PT.

Hoje eles estão no poder e nadando de braçada nas costas do Brasil.

Não é atoa que a renda per capita de Brasília disparou para alturas jamais sonhadas pelos novos quase remediados aqui de fora a quem eles atiram as migalhas da festança.

Mas, se mesmo com a máquina pública remando a favor o desempenho do governo petista é o desastre que se reflete na infraestrutura sucatada que vai expulsando a industria brasileira do mercado mundial e na predação generalizada a que ficaram reduzidas as ditas “obras da Copa”, imagine quando ela estiver jogando contra.

São Paulo tem pago o preço de não se dobrar ao PT.

Um dia o resto do Brasil também se cansará de faze-lo. E então veremos o confronto aberto do Estado petista com a Nação.

Uma imensa Venezuela?

21 de maio de 2012 § 1 comentário

Em entrevista hoje para O Estado de S. Paulo o ministro da Justiça do PT, Jose Eduardo Cardoso, disse que “o ato de criação da Comissão da Verdade simbolizou o Brasil superando divergências políticas e ideológicas“.

Pra mim o que simbolizou o Brasil superando divergências ideológicas foi ver o Lula abraçando Fernando Collor de Mello e José Sarney.

Daí por diante, tudo tem sido só circo.

Eu acompanho a trajetória de José Eduardo Cardoso desde os tempos da Câmara Municipal de São Paulo, onde vi ele tomar algumas atitudes que provaram que ele já foi diferente da média do comportamento moral dos seus colegas de partido.

Mas vejam o que ele disse hoje:

Nós vivemos numa democracia. Então, mesmo aqueles que no passado foram contra essa democracia hoje podem se valer dela para expressar suas opiniões. Talvez um dia, quem sabe, eles se convençam de que a democracia é bem-vinda”.

Não, não é do PT e daquele pessoal que, patrocinado por Cuba e pela Russia soviética, pegou em armas para implantar à força a “ditadura do proletariado”, aquela que murou países inteiros, matou 10 vezes mais que Hitler, criou os hospitais psiquiátricos para “tratar” quem era louco de discordar e continua espancando ceguinhos na China até hoje que ele estava falando.

Era aos que resistiram a tudo isso para preservar as “liberdades burguesas”, tais como as de eleger e deseleger seus governantes, mantê-los submetidos à mesma lei válida para todos e fiscalizados por uma imprensa livre que os petistas passaram a vida apedrejando que ele se referia.

Torturadores aparte, que estes são unanimidade, eram esses que os cesare battisti nacionais caçavam a tiro nas ruas antes que os milicos caíssem de pau em cima deles. Só depois é que os generais começaram a gostar da brincadeira. A verdade histórica é que foram eles que legaram ao Brasil os 20 anos de chumbo.

E vejam mais esta pergunta e esta resposta:

“Mas o sr. integrou a CPI dos Correios como deputado e, à época, disse que o Mensalão existiu. O sr. mudou de opinião?”


Em nenhum momento eu disse que o Mensalão existiu. Cheguei até a pedir uma correção à revista Veja. Afirmei que existia uma situação de destinação de recursos ilegais, de caixa dois. Isso era indiscutível“.

Assim como José Dirceu “acredita cada vez mais” na própria inocência, eu sinceramente acredito que o ministro José Eduardo Cardoso acredita cada vez mais no que diz.

É fascinante, aliás, esse processo dentro do PT no poder. Quanto mais ele se distancia de um comportamento democrático e republicano, mais veementes ficam os discursos dos petistas afirmando o contrário, começando pelos da presidente Dilma que ninguém sabe dizer com certeza se mente na cara de pau como todos os outros ou se só viaja na maionese da sublimação de uma dignidade sincera mas impotente.

Seja como for, o fato concreto é que por trás desse palavrório atirado no poço sem fundo do esquecimento o partido segue, numa sólida linha de coerência, desmontando, tijolinho por tijolinho, todas as instituições de moderação do seu poder de executar (por enquanto só atos de rapinagem e de governo) sem dar satisfações a ninguém.

Neste preciso momento, por exemplo, enquanto mantem o seu fogo de barragem contra a memória do Mensalão, arma o tiro de misericórdia no poder de investigar e dirigir inquéritos criminais que a Constituição de 88 deu ao Ministério Público, a instituição que chamou de “quadrilha” os 39 figurões da nata do petismo que, chefiados pelo dito José Dirceu, arquitetaram e puseram em prática o esquema de suborno institucionalizado que o Supremo Tribunal Federal, por ordem do MP, ainda promete julgar antes da prescrição agora no meio do ano.

O agente do golpe é indireto, como sempre. Quem planta a bomba desta vez é a Associação Nacional dos Delegados de Polícia que faz parte da máquina sindical criada e gerida pelo PT.

A Polícia Federal comanda, em média, 70 mil inquéritos criminais por ano. O Ministério Público só uns 14 mil. Mas a quase totalidade deles refere-se a ações civis públicas por improbidade administrativa. Ladroagem de políticos e funcionários públicos para falar em português castiço. Na área criminal, o MP realiza menos de 1% do total de inquéritos conduzido pelas polícias que o governo nomeia.

Mesmo assim, são eles que assinam o Projeto de Emenda Constitucional (PEC nº 37) depositado na fila de votações do Congresso acompanhado de um comprometedor parecer da Advocacia Geral da União na época em que ela era comandada por José Antônio Dias Tóffoli, aquele advogadozinho do compadre do Lula que foi convenientemente plantado no Supremo Tribunal Federal nos últimos dias da presidência do padrinho da Dilma.

Diz o seguinte: “Revela-se fora de dúvida que o ordenamento constitucional não reservou o poder investigatório criminal ao MP, razão pela qual as normas que disciplinam tal atividade devem ser declaradas inconstitucionais“.

Foi também o MP que, em 2007, adquiriu o sistema de monitoramento de telefones Guardião que transformou num inferno a vida da ladroagem “oficial”.

Desmontada essa última arma de defesa da cidadania, não ficará mais nenhum obstáculo de monta na frente das ambições imperiais do petismo.

A imprensa, que tem se alimentado do que o sistema Guardião registra para fazer suas denuncias, está quase toda sob a batuta de “profissionais” formados nas escolas do PT.

As edições de sexta-feira passada, o dia seguinte do golpe que desmontou a CPI do Cachoeira e do escandaloso SMS de amor do ex-líder do PT na Câmara, Candido Vaccarezza, para o governador Sérgio Cabral do Rio, patrono da lavanderia Delta que tem 108 contratos de obras do PAC, filho da Dilma, são um exemplo veemente.

Dos três jornais nacionais, apenas um, a Folha de São Paulo, registrou esses fatos em manchete. Os outros dois trouxeram chamadinhas anódinas para tudo isso em suas primeiras páginas e pedaços selecionados da história do que realmente se passou em suas páginas internas, e manchetaram com a decisão “faxineira” de dona Dilma de por na internet os salários dos funcionários do Poder Executivo. E, como o Lula bem sabe, um fim de semana faz o efeito de um milênio para a memória da “nova classe média brasileira” que tem mais o que comprar para se preocupar com bobagens como a investigação de corruptos.

Graças a isso o golpe que desmontou a CPI do Cachoeira já soava hoje, aos quatro dias de idade, como um eco distante do passado sem autoria definida…

O PT já mira bem mais adiante da old mídia, aliás, preparando-se para matar a resistência democrática que, logo logo, estará confinada à internet. Montou uma bem engraxada máquina de patrulhamento e boataria na rede onde “jornalistas” a soldo do partido escrevem “séries de reportagens” para acusar colegas que denunciam a corrupção de “conluio com o crime organizado”, acusação que seus agentes colloridos repercutem no Congresso, seus hackers e especialistas na mecânica do Google (SEO) “bombam” no Twitter e nas redes sociais, e os agentes “da sociedade civil organizada” pelo dinheiro do governo, de que a UNE é o exemplo mais acabado, transformam em ensaios de pogroms e “empastelamento” de redações aguerridas, como a da Veja, na melhor tradição fascista.

Por trás desse barulho todo, enquanto a economia rateia, o obediente dr. Mantega manda jogar na conta do Tesouro Nacional o alarmante excesso de créditos duvidosos do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal para libera-los para seguir financiando o consumo (e as eleições) passando ao largo das regras de Basiléia 3 (essas que foram criadas para evitar o surgimento de novas grécias) e dona Dilma possa dizer à multidão dos novos quase remediados que “o Brasil está 300% preparado para enfrentar a crise mundial“.

E vamo que vamo que quando a “nova classe média” acordar do seu sonho de consumo nós já teremos nos transformado numa imensa Venezuela.

Lula já entendeu. Mas…

4 de maio de 2012 § 1 comentário

No Ritz de Paris, Cabral marca o casamento entre o dono da Delta e Jordana Kfouri que viria a morrer na queda do helicóptero de Fernando Cavendish em Trancoso da qual o governador e seu filho por pouco escaparam mas que também matou sua futura nora

A divulgação dos detalhes das primeiras seções da CPI do Cachoeira confirmam o que foi previsto no artigo de quarta-feira.

O relator petista, seguindo ordens, propôs limitar a investigação da Construtora Delta aos seus contratos na região Centro Oeste do Brasil, uma tentativa constrangedora de tão bandeirosa. Bem traduzida queria dizer “investigue-se apenas Demóstenes e Marconi Perillo; esqueça-se o resto”.

Nem o Congresso Nacional onde todo mundo tem telhado de vidro podia engolir essa com todas as gravações que estão em cartaz neste momento em todos os jornais, rádios e televisões do país.

Já o ex-presidente Collor, aquele que foi escorraçado do Alvorada a pontapés pelo PT, despontou como o guardião do sigilo dos documentos, gravações e filmes guardados no pacote do inquérito do Supremo enviado ao Congresso que, por tudo que se divulgou até agora, incriminam o PT mais que ninguém.

Jordana Kfouri come caviar no Ritz de Paris

Um papel tão carimbado que ele sentiu-se na obrigação de explicar que, ao ameaçar todos os seus colegas com as penas da lei se “passassem informações por baixo dos panos a alguns confrades (repetidor da Globo nas Alagoas que é, ele se julga jornalista) para fazerem delas o uso que lhes convém“, ele não estava tomando uma posição “hipócrita, safada e jaguara” (de “cão ordinário”; de “pessoa de mau caráter e patife”, segundo o Houaiss), mas sim “defendendo a lei“.

O ex-presidente foi freudianamente exato nos adjetivos que selecionou…

Foi aparteado por Miro Teixeira que lembrou oportunamente que “pode vir o despacho (obrigando ao sigilo) da mais ilustre autoridade do planeta (e este veio do sempre genuflexivo ministro Lewandowski) o fato é que manter o sigilo é contrariar diretamente a Constituição“.

Resumiu bem a situação o ex-líder do governo no Congresso, Candido Vaccarezza: “Com tudo que a Polícia Federal já apurou, o único acordo possível é em torno do aprofundamento das investigações. Quem tentar abafar qualquer coisa vai se desmoralizar“.

O governador, seus secretários e o amigo Fernando na porta do Ritz

O próprio Lula, como confidenciou uma fonte do PT a Dora Kramer, do Estadão, já entendeu que o partido será o principal alvo das outras legendas nesta CPI porque é quem mais tem a perder.

Mas cautela e caldo de galinha nunca são demais. O resultado só sai depois que acaba o jogo. A velha raposa é persistente e conhece o poder que tem.

Enquanto a CPI se instalava resistindo às primeiras tentativas de sonegar ao país aquilo que o STF e o acuado Procurador Geral da Republica já sabem que contem o caminhão de lixo das organizações Delta-Cachoeira estacionado na sala-cofre do Senado, o sr. Luís Ignácio Lula da Silva, com a desfaçatez que o caracteriza, aparecia numa cerimônia pública ao lado de ninguém menos que o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, o mais irretorquivelmente corrupto dos corruptos colhidos em flagrante delito nesta que se anuncia como sendo a safra recorde das roubalheiras jamais desvendadas na história deste país.

Os secretários de Saude e Governo do Estado do Rio de Janeiro e o amigo Fernando (centro)

Cabral, como se sabe, é o pai da Delta, com cujo dono, Fernando Cavendish, costuma farrear em Paris e voar de helicóptero por aí, ainda muito mais que Dilma é a mãe do PAC, de cujas obras essa empreiteira detém 80%.

Lula conta cegamente com o “efeito Teflon” que lhe proporciona o fato de tantos brasileiros lhe atribuírem  responsabilidade direta por estarem desfrutando pequenos confortos básicos nunca antes tidos e havidos, o que em parte é mesmo mérito dele, e dá de ombros para o resto.

Mas desde já está claro até para ele que, longe de apagar a memória dos “malfeitos” do PT para ganhar o poder e comprar apoios apurados no processo do Mensalão, a CPI da Delta-Cachoeira vai mostrar a que nível da estratosfera a associação explícita entre os antigos “paladinos da ética na política” e os collors e sarneys de sempre em defesa da mais ampla, geral e irrestrita impunidade levou a corrupção no Brasil.

Enquanto a CPI era instalada…

Onde estou?

Você está navegando atualmente a Nacional categoria em VESPEIRO.