Jornalismo, censura e democracia

28 de abril de 2022 § 1 comentário

Esta entrevista foi dada a Rodrigo Romero, da TV Câmara de Jacareí, SP, em meados de março e liberada para republicação no Vespeiro esta semana.

1a Parte

2a Parte

3a Parte

Como acabar com a corrupção

23 de dezembro de 2014 § 22 Comentários

dalcio+oreias

Para entrar nas festas de fim de ano sob o signo da esperança, recomendo vivamente assistir à Aula Magna sobre remédios eficazes contra a corrupção ministrada por mestre Modesto Carvalhosa  no programa Roda Viva que foi ao ar dia 15 de dezembro passado.

No Bloco 2, para quem quiser ir direto ao essencial, ele explica como funciona o “Performance Bond“, mecanismo adotado nos Estados Unidos desde 1897, mediante o qual “corta-se a interlocução direta entre contratado (as empreiteiras) e contratante (o Estado) de obras públicas“, que é a brecha através da qual se estabelecem as relações de promiscuidade que conduzem inevitavelmente às roubalheiras do tamanho desta que se investiga hoje na Petrobras.

Por esse mecanismo, uma vez licitada uma obra pública, uma seguradora é contratada em regime de livre competição para garantir a sua entrega no preço, no prazo e com a qualidade acertadas no contrato, ficando, em contrapartida, encarregada de gerir sua execução e remunerar-se pelo que conseguir obter em ganhos de eficiência.

Desse modo, a obra passa a ter uma gestão profissional e capitalista, ficando a seguradora responsável por ressarcir o Estado por qualquer prejuízo decorrente do não cumprimento de qualquer desses três parâmetros, o que resulta em que o famoso “dinheiro sem dono” que atrai as hienas da corrupção de dentro e de fora do governo para roer o que puderem abocanhar de toda e qualquer obra pública passa a ter um dono, o que, literalmente, acaba com o espaço para a roubalheira.

O professor Carvalhosa explicará, mais além na entrevista, que essa lei foi instituída em 1897 nos Estados Unidos e é adotada em praticamente todos os países civilizados do mundo.

Em 1935 acoplou-se a ela o “Miller Act” que tornou essa forma de gestão de obras públicas obrigatória para todos os governos estaduais em obras montando a mais que 150 mil dólares, e para todos os governos municipais em obras que ultrapassem o valor de 10 mil dólares.

Carvalhosa explica ainda, em várias passagens da entrevista, que a Lei Anti-corrupção brasileira está em pleno vigor, ao contrário do que têm dito vários juristas e agentes judiciários ligados ao governo que afirmam que ela ainda precisa “ser regulamentada” na tentativa de blinda-lo contra a sua aplicação.

Essa lei permite responsabilizar, além das pessoas físicas, também as pessoas jurídicas públicas e privadas envolvidas como a Petrobras e as empreiteiras que vêm roubando o país com e através dela, assim como até instâncias do próprio governo. E se o próprio governo não tomar a iniciativa de invoca-la e aplica-la, está perfeitamente dentro das atribuições do Ministério Público Federal fazê-lo.

Como o principal handicap da cidadania para defender seus direitos tem sido a dispersão e a falta de conhecimento a respeito das experiências que têm funcionado para este fim no resto do mundo, esta contribuição do professor Carvalhosa parece-me inestimável pelo que apelo a todos os brasileiros de boa fé que ajudem a divulga-la nas redes sociais, pela imprensa e no boca-a-boca de modo a pressionar governo, juristas e legisladores a adota-la o quanto antes.

dalcio+oreias

“Lula não tem nenhum caráter”

5 de julho de 2012 § Deixe um comentário

Francisco Maria Cavalcanti de Oliveira é o representante, por excelência, do que eu sempre chamo aqui da “esquerda honesta”.

Mais conhecido como Chico de Oliveira, ele é um sociólogo pernambucano, nascido no Recife, fundador histórico do Partido dos Trabalhadores, reconhecido pela sua densa atividade intelectual, política e acadêmica.

Foi preso e torturado por ocasião do golpe de 1964 mas não é daqueles que ficam apresentando isso como credencial. Nunca aceitou indenização pelo que sofreu.

No último dia 2 deu uma entrevista ao programa  Roda Viva da TV Cultura no qual repõe a verdade histórica sobre a formação do PT, o papel de Lula, dos sindicalistas e do partido no processo de redemocratização, a responsabilidade dos intelectuais da esquerda na fabricação do mito em que ele se transformou e a ingenunidade da imprensa em relação à figura do ex-presidente.

A entrevista inclui, ainda, uma análise interessantíssima do momento brasileiro e da conjuntura internacional que, além da afirmação acima, passa por idéias como:

  • o PSOL não é uma alternativa porque pretende repetir a trajetória do PT”;
  • a esquerda fabricou Lula e permitiu que ele se apresentasse ao país como o que nunca foi;
  • Lula é uma vocação de caudilho e o caudilhismo é a ante-sala da ditadura;
  • todas as instituições do estado brasileiro moderno são varguistas, Lula não criou nenhuma;
  • o Brasil é um ornitorrinco, um animal que não evoluiu o suficiente para se definir como espécie;
  • FHC como presidente esqueceu o que o sociólogo sabia;

  • a vocação da esquerda não é estar no poder, é civilizar o capitalismo;
  • a crise atual não é uma crise do capitalismo, é uma crise do crescimento do capitalismo;
  • o “jeitinho” é uma invenção da classe dominante que desceu para a dos dominados; são eles que tentam sempre burlar as leis que eles próprios criam;
  • a riqueza anula as diferenciações, por isso não existe mais um esforço acadêmico para explicar o Brasil; a riqueza só produz mediocridade;
  • não existe uma nova classe média brasileira, existe um extrato da classe pobre que ganhou um pouco mais de poder de consumo;
  • a China e a Índia não são exemplos a serem seguidos, devemos continuar perseguindo um modelo de bem estar social.

Matéria sugerida por Fernando Portela

Ruy Mesquita conta como foi a renuncia de Jânio Quadros

21 de agosto de 2011 § 1 comentário

RUY

Ruy Mesquita acompanhou a carreira de Jânio Quadros de muito perto desde que ele foi presidente do Centro XI de Agosto da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco.

A gravação que você ouve aqui (clique na palavra “RUY” aí em cima) é de uma conversa informal de família feita na casa dele no domingo, 14 de agosto de 2011.

“O Pedroso Horta

era o único que

sabia de tudo. O plano

era dar um ‘golpe

gaullista’ no Congresso…”

.

“Mandou Jango

à China para assustar

os militares. Fazê-lo 

vice já era parte do plano

 

“Lacerda foi pedir

ajuda para a Tribuna

… Fizemos de tudo

para demove-lo. Mas

ele foi para a  TV e

denunciou o golpe”.

.

“Todo mundo sabia

que a condecoração ao

Che não era a sério.

Foi só para fazer

média com a esquerda”

.

“O Auro

aceitou a renuncia

na hora.

E o povo não estava

nem aí…”

.

.

“Aí o Brizola

mobilizou

o 3ro Exército…

E o Jânio,  tomou

um porre…”


.

“Governador, 

já ‘renunciou’.  Pegou 

o telefone  olhando 

para mim e:  ‘Eloá, meu 

amor, as malas estão

prontas?'”

.

“Na campanha foi a Cuba. A comitiva incluia um monte

de gozadores. Gente inteligente e engraçada que não levava a revolução

 à sério. Numa das reuniões o revólver do Fidel foi

‘roubado’. Diziam que foi o meu irmão Carlão…”

Onde estou?

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